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Há uma década, desencadeava-se crise econômica que teria efeitos sistêmicos e à qual nenhum de nós permaneceria indiferente. Essa lembrança ajuda-nos, hoje, a revisitar as origens do BRICS e a refletir sobre seu significado no presente e nos anos que virão.

Sabemos todos que o BRICS surgiu para oferecer respostas àquela grave crise. Movia-nos ideia clara: unir esforços e construir respostas coletivas para problemas coletivos.

Pois agora, ao olharmos para trás, podemos dizer que, inspirados por essa ideia singela mas poderosa, avançamos muito, em muitas áreas.

Trabalhamos para que as instituições de Bretton Woods fossem mais representativas e eficazes. Contribuímos para aprimorar a arquitetura financeira internacional com o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas. Progredimos em nossa colaboração em infraestrutura, em ciência e tecnologia, em saúde, em tantos outros domínios. Nós temos um patrimônio a celebrar e a cultivar. 

Passados dez anos daquela crise econômica, enfrentamos, mais uma vez, momentos desafiadores. Não são os mesmos desafios, mas são desafios também coletivos, que passam por tendências ao protecionismo, ao isolacionismo, ao unilateralismo. E que, portanto, exigem, como antes, respostas coletivas. Exigem que nos mantenhamos apegados à mesma ideia, como disse, singela mas poderosa: a ideia singela de unirmos esforços.

E é o que temos feito, sob o signo do que já se tornou nossa tradição.

A força do BRICS está naquilo que nos mantém coesos. Está naqueles temas em torno dos quais podemos convergir e gerar resultados concretos.

Individual e conjuntamente, levantamos nossas vozes contra o protecionismo e em defesa de um sistema internacional de comércio baseado em regras. Reafirmamos nosso respaldo à Organização Mundial do Comércio e a seu mecanismo de solução de controvérsias. E estamos dispostos a dar nosso aporte a debates, que tenham lugar na própria OMC, sobre o futuro de uma Organização que queremos mais forte e mais atuante.

No mesmo espírito de união de esforços, estamos consolidando o Novo Banco de Desenvolvimento, talvez o símbolo maior da nossa capacidade de cooperação. O Banco já se mostrou rentável, tendo multiplicado os mais de quatro bilhões de dólares que nele investimos. Até aqui – como não será demais recapitular – a nossa instituição aprovou o financiamento de projetos que somam quase o dobro daquele capital. E essa é tendência que deve ganhar renovado ímpeto nos próximos anos, com a instalação do Escritório Regional para as Américas, em São Paulo.
Sempre unindo esforços, também produzimos avanços significativos em ciência e tecnologia. Aliás devo dizer que nos entusiasma particularmente a Parceria do BRICS para a Nova Revolução Industrial, iniciativa chinesa que conta com amplo apoio nas comunidades científica e empresarial brasileiras. Penso, com igual entusiasmo, na sugestão indiana de estabelecer plataforma conjunta de pesquisa e inovação em rede – o Instituto de Redes Futuras do BRICS.

Outra iniciativa em inovação – está ligada à área de energia – que queremos ver em pleno funcionamento é a Plataforma de Cooperação em Pesquisas Energéticas do BRICS que é fruto de proposta da Rússia.

De nosso lado, propusemos a aproximação entre parques científicos e tecnológicos de nossos cinco países, tendo em vista a pesquisa de ponta. A Rede de Inovação do BRICS – a chamada “iBRICS” – poderá ter papel central, em cada uma de nossas economias, no desenvolvimento de produtos de alto valor tecnológico.

A cooperação que levamos adiante em pesquisa científica tem revertido, ainda, para o campo da saúde. Expressão importantíssima disso é a Rede de Pesquisa em Tuberculose do BRICS. A Rede promove a inovação no estudo e combate a essa grave doença – e, ao fazê-lo, permitirá reduzir os custos dos medicamentos e poupar recursos públicos no combate a um mal que atinge parcelas significativas de nossas populações.

Aliás, ainda em saúde, estamos confiantes na criação de um Centro de Pesquisa em Vacinas do BRICS, projeto sul-africano. Contem com o Brasil para darmos forma a mais essa iniciativa.

É assim que damos o sentido que deve orientar o BRICS: o sentido do desenvolvimento, sentido que continuará a inspirar-nos em 2019, sob a presidência brasileira.

Como sabem todos, estamos em processo de transição no Brasil. Convidei o Presidente eleito Jair Bolsonaro a vir comigo a Buenos Aires para a Cúpula do G20 e para este encontro do BRICS. Infelizmente, ele não pôde estar conosco hoje, como era seu desejo. Pediu-me transmitir-lhes seus cumprimentos e a mensagem de que terá grande prazer em recebê-los, no Brasil, no próximo ano, por ocasião da Cúpula do BRICS.

Por fim, peço licença para uma nota pessoal. Este encontro marca minha despedida das reuniões de nosso agrupamento. Não posso deixar de dizer uma palavra de agradecimento. Presidente Ramaphosa, Presidente Xi, Presidente Putin, Primeiro-Ministro Modi: a cada um, muito obrigado pelo convívio, pela amizade, pelo que pudemos fazer juntos. Para mim, foi um prazer e uma honra.

Muito obrigado.

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