Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

Vou apenas, Minc, dar os parabéns pelo trabalho e pelo pouco tempo em que esse trabalho surgiu, porque esse trabalho seria muito fácil de ser feito se fosse contratada uma equipe de assessoria, de consultores, e eles produzissem dentro de um gabinete e fosse vendido como se fosse um programa, um plano sobre mudanças climáticas.

Nesse plano foi tomada uma decisão do governo: foi criado um comitê interministerial que envolveu praticamente 17 Ministérios, e foi feita uma série de debates com a opinião pública, com a sociedade civil organizada, que resultou em um embrião de um plano sobre mudanças climáticas que, certamente, ainda terá muitas críticas quando outros forem ler. Mas a gente já pode dizer, alto e bom som, que apresentamos, segundo a Suzana, um melhor do que a China e do que a Índia e, certamente, melhor do que os outros países que sequer assinaram o Protocolo de Quioto.

A segunda coisa que eu considero importante é todo mundo ter clareza de que não basta ter o Plano, que não basta ter todos os decretos que o Presidente fizer. Nós temos que ter um processo de conscientização da sociedade brasileira sobre as vantagens comparativas que um país como o Brasil tem, de preservar a natureza, de cuidar corretamente das suas florestas, porque isso termina sendo um ganho para o País, em vez de ser um prejuízo como alguns pensavam alguns anos atrás.

A terceira coisa que eu considero extraordinária, Pinguelli, é a produção de um livro para professores. Isso aqui você tem que levar para (inaudível) para poder mostrar, porque não sei quantos países tiveram a competência de produzir um livro extraordinário desses, para que os nossos professores aprendam a ensinar, no ensino médio e fundamental, a questão das mudanças climáticas.

Por último, eu queria dizer, Minc, três coisas. Primeiro ao Pinguelli, como coordenador. Pinguelli, eu acho que era preciso construir um grupo dos mais importantes especialistas brasileiros, para que a gente pudesse estudar o que está acontecendo em Santa Catarina, porque nós nunca tivemos conhecimento de uma catástrofe como esta que está acontecendo. Já tivemos notícias de cheias e mais cheias naquela região, mas a catástrofe que estamos tendo, de terras inclusive que estão em parques de preservação ambiental, portanto, totalmente arborizadas, que estão se movendo com uma facilidade muito grande. Eu até falei para o ministro Lobão para pegar o pessoal especialista ligado à Eletrobrás, e fazer um levantamento do que a gente pode fazer para evitar que, em outras chuvas, ocorra enchentes.

São duas coisas distintas: uma coisa é a enchente do rio, o povo já estava acostumado com determinado nível de enchente, mas não com essa deste período. A outra é a quantidade de chuvas. Certamente tem problema de mudança climática, mas tem a questão da fragilidade da terra de se agüentar no seu lugar. É um negócio que eu acho que mereceria um estudo, para que a gente não tenha daqui a 100 anos uma outra coisa dessas, e que a gente não tenha prestado o serviço necessário.

A quarta coisa importante, Suzana, eu estava comentando com o Minc na mesa, que o companheiro de Minas Gerais entregou um estudo sobre cada setor e a emissão de gases de cada setor lá em Minas Gerais. Quando fui ao G-8, no Japão, por acaso eu recebi da Embrapa – não foi do Minc, foi da Embrapa – um documento do Departamento de Energia dos Estados Unidos que mostrava a emissão de gases de efeito estufa no ano de 2005. Como o pessoal estava discutindo a questão climática, eu perguntei se cada um deles sabia do que estava falando e se cada um deles tinha noção do que o seu país tinha emitido de gases de efeito estufa. Eles não sabiam, e eu comecei a ler: Estados Unidos, tanto; China, tanto; Alemanha, tanto; Holanda, tanto. O Brasil, na verdade, era um dos que menos emitiam, mas todos eles viraram palpiteiros contumazes com relação ao Brasil e à Amazônia.

Então, é importante que a gente tenha esses dados. Eu falei para o Minc estudar a questão do G-20: pegar o G-20 e quanto cada país do G-20 tem de responsabilidade na emissão de gases de efeito estufa nos últimos anos, para a gente poder fazer o debate.

Quais são os compromissos que nós temos que fazer pela frente? Primeiro, a questão do zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar e aonde ela vai poder chegar. Segundo, nós vamos receber, na semana que vem, um debate com o ministro Reinhold Stephanes para discutir o programa de produção de dendê, e também qual é a área em que nós vamos plantar o dendê e saber se tem necessidade de fazer zoneamento para a área de dendê.

A terceira coisa que eu acho importante é a questão de uma conversa que eu e o Minc vamos ter com o Ministro da Justiça para ver se a gente consegue criar uma polícia nacional para cuidar da questão ambiental ou uma polícia florestal. Alguma coisa nós vamos ter que fazer, porque não adianta a gente querer preservar, fazer um plano, e depois tem um fiscal do Ibama com um carrinho sem gasolina e, muitas vezes, sem nenhuma segurança.

Eu estava comentando com a Dilma, eu vi na televisão na semana passada que, por conta de o Ibama bloquear o comércio de madeira que foi cortada ilegalmente, tocaram fogo no carro do Ibama. Nós temos que saber que está tudo bonitinho no programa, mas o ser humano, na sua individualidade, no seu corporativismo, é mais complicado do que as ONGs, do que as pessoas que disputam esse negócio. Então, é preciso que a gente discuta isso.

Eu me comprometi com o Minc no começo do ano na questão do desmatamento. Nós sabemos quais são as principais cidades brasileiras onde acontece o desmatamento. Estas cidades têm prefeitos eleitos que vão tomar posse no dia 1º de janeiro. Nós sabemos quem são os governadores dos estados onde estas cidades estão situadas. Portanto, nós vamos ter que chamá-los para conversar seriamente e em vez de ficar apenas acompanhando, sofrendo, esperando que o Inpe divulgue suas fotografias, nós vamos ter que ter estes prefeitos como parceiros na questão da preservação ambiental, para evitar o desmatamento.

É preciso que a gente discuta com eles, Minc, e estabeleça metas com os prefeitos para que eles sejam, de verdade, os primeiros cidadãos a ter interesse em não permitir que haja desmatamento. Para isso, nós temos que estender uma mão nos dispondo a ajudá-los, mas com a outra mão nós temos que dizer que haverá punição se não cuidarem corretamente da preservação ambiental.

Para terminar, eu quero ver se até o final do ano nós mandamos ainda a questão do zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, que está pronto, faltam apenas alguns detalhes. E quero ver se a gente faz tudo isso, companheiro Casagrande, para ver se a gente conta com a sensibilidade do Congresso Nacional. Isso vai como projeto de lei, não vai como medida provisória. Tudo vai como projeto de lei, para que isso não demore muito, porque a cada vez que demorar nós vamos estar reféns daqueles que querem continuar pregando o desmatamento no Brasil.

Pinguelli, eu queria dizer que valeu a pena você brigar com algumas pessoas aqui, valeu a pena você brigar com gente do governo, porque o que vocês conseguiram fazer, eu penso que este país nunca imaginou ter. Mas agora, certamente, estamos mais preparados hoje do que estávamos ontem.

Quero dizer para a imprensa que quem vai dar entrevista são os companheiros Carlos Minc e o companheiro Pinguelli, porque o tema hoje chama-se mudanças climáticas.

Um abraço e parabéns a todos vocês.

Fim do conteúdo da página