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Excelentíssimo presidente da República francesa, Nicolas Sarkozy,

Senhor José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Européia,

Ministros brasileiros e ministros franceses, integrantes das duas comitivas,

Amigos da imprensa brasileira e amigos da imprensa estrangeira, sobretudo da imprensa francesa,

Com especial satisfação recebo o presidente Sarkozy, que nos honra com sua primeira visita ao Brasil como chefe de Estado e como Presidente do Conselho da União Européia.

Tenho também grande alegria em receber o Presidente da Comissão Européia, meu amigo, e amigo do Brasil, José Manuel Durão Barroso.

Esta reunião tem importância singular para o aprofundamento das relações Brasil-União Européia. Adotamos o Plano de Ação da Parceria Estratégica, que constituirá o principal marco de nosso diálogo e cooperação.

A Parceria resultou de uma convergência de interesses que vai além dos valores e princípios que defendemos nos foros internacionais. Neste momento de tanta incerteza e turbulência no cenário global, podemos trabalhar juntos em temas cruciais para nossos países e para a comunidade internacional.

Desde que lançamos a Parceria, na Cúpula de Lisboa, em 2007, confirmaram-se as expectativas quanto ao potencial dessa aliança. Neste ano, nosso intercâmbio comercial cresceu 26% e superou os US$ 77 bilhões, ou seja, 22% do comércio global do Brasil. Os investimentos diretos dos países membros da União Européia no Brasil, em 2007, somaram US$ 18 bilhões. Isso equivale a 54% do que recebemos naquele ano.

Temos amplo espaço para crescimento e diversificação. Penso, por exemplo, no diálogo sobre questões agrícolas, com ênfase nos problemas sanitários e fitossanitários, ou no diálogo sobre transporte marítimo.

A iniciativa privada tem papel importante a desempenhar. No evento empresarial que organizamos hoje de manhã, representantes dos principais setores europeus e brasileiros examinaram novas perspectivas e oportunidades de negócios. Falou-se sobre a necessidade de um novo impulso às negociações do acordo de associação entre União Européia e Mercosul. Coincidimos sobre a importância de concluir a Rodada de Doha e de fortalecer o sistema mundial de comércio. Também discutiu-se sobre a crise financeira internacional.

A reunião do G-20, em Washington, demonstrou haver espaço para uma resposta concertada de países desenvolvidos e em desenvolvimento diante dos complexos desafios da atualidade. Tenho confiança de que o diálogo regular sobre questões macroeconômicas e financeiras que lançamos no âmbito de nossa Parceria, representará canal adicional importante para a discussão dessas questões.

Meus amigos e minhas amigas,

O Plano de Ação vai muito além dos temas econômicos e comerciais, abrange amplo conjunto de áreas para ação conjunta. Sublinha nosso compromisso com o fortalecimento do sistema multilateral, inclusive nas áreas da paz e segurança. Ressalta nosso empenho em intensificar a colaboração no campo social e ambiental. Dá ênfase à diversificação da cooperação em ciência, tecnologia, inovação, educação e cultura, e à aproximação das sociedades civis.

Queremos um diálogo condizente com uma parceria que já nasceu madura. Vamos falar sobre direitos humanos, educação, cultura, juventude e esportes. Vamos examinar de que forma podemos contribuir para a governança global em temas cruciais como desarmamento e não-proliferação, desenvolvimento sustentável, mudança do clima e política energética.

Decidimos dar prioridade a setores de ponta como biotecnologia e nanotecnologia, e vamos negociar acordo de cooperação no campo da pesquisa nuclear, para que o Brasil participe do Projeto ITER sobre geração de energia nuclear.

Essa é uma agenda ambiciosa. Está à altura da riqueza de um relacionamento que vai abarcar atores dos meios científico e cultural. Os desafios que se avolumam no horizonte internacional serão também enfrentados se reforçarmos o caráter estratégico de nossa parceria.

Brasil e União Européia enfatizam o multilateralismo, no momento em que caminhamos para uma ordem multipolar. A reforma das Nações Unidas e do Conselho de Segurança merece, portanto, destaque em nosso Plano.

O Plano contém mecanismos de diálogo regular que facilitarão o intercâmbio de informações e a cooperação científica e tecnológica. Estaremos, assim, em melhores condições de cooperar, por exemplo, sobre a mudança do clima e sobre energia, temas cruciais para o debate global sobre segurança alimentar e energética.

Quero saudar a União Européia pela adoção de uma Diretiva de Energias Renováveis que podem abrir nova etapa no nosso trabalho conjunto com o etanol e com o biodiesel.

Continuamos abertos ao diálogo franco no plano bilateral, e no Fórum Internacional de Biocombustíveis, sobre padrões técnicos que permitam consolidar o mercado internacional para esses combustíveis limpos, renováveis e sustentáveis.

Estou certo de que vamos continuar trabalhando em prol do cumprimento das Metas do Milênio. Nossa parceria estratégica se alicerça na convicção de que a solidariedade global é a base da verdadeira cultura de justiça e paz. Concordamos em promover cooperação triangular em benefício de países mais pobres.

Nossa parceria pode acelerar uma maior aproximação entre nossos blocos. A Cúpula inédita que presidi na semana passada, dos países da América Latina e Caribe, é mais um exemplo de que nossa região fortalece seus objetivos e visões comuns.

Senhores Presidentes,

Não nos faltou ambição ao definir nosso programa de trabalho. Temos, agora, de estar à altura do grande número de projetos e iniciativas a que nos propusemos. Somos chamados a produzir resultados concretos num momento em que a comunidade internacional busca alternativas frente a uma globalização profundamente desigual. Meu país, e eu mesmo, não faltaremos para o êxito deste grande empreendimento.

Antes de agradecer ao presidente Sarkozy e ao presidente Durão Barroso, na reunião que tivemos houve uma preocupação muito grande com a questão climática. Eu queria dizer, tanto ao presidente Durão Barroso quanto ao presidente Sarkozy, que há mais ou menos 15 dias nós lançamos no Brasil um Plano Nacional sobre Mudança Climática. Esse Plano pretende fazer uma coisa que eu considero revolucionária se nós conseguirmos cumprir o que nos comprometemos. Até 2017, nós queremos reduzir em 71% o desmatamento em relação aos valores observados entre 1996 e 2005. Nós queremos reduzir 71%. Até 2020, nós queremos reduzir 80% do desmatamento no Brasil.

Esses números representam uma coisa muito importante. Isso representa menos 4 bilhões e 800 milhões de toneladas de CO2 emitidos. É mais do que todos os países ricos juntos se comprometeram em Quioto. Portanto, se nós conseguirmos cumprir a meta a que nos propusemos, nós, sozinhos, estaremos dando uma contribuição ao, eu diria, aquecimento global, mais do que tudo o que foi acordado no Protocolo de Quioto pelos países ricos, com exceção dos Estados Unidos da América do Norte, que não assumiu o compromisso em Quioto.

E esse é um compromisso assumido, não apenas pelo governo, mas pelas entidades da sociedade civil que tratam da questão ambiental no Brasil. Portanto, não é um Programa do governo Lula. É um compromisso do País para o País e para o mundo, porque nós dizemos todos os dias que a Amazônia é brasileira, mas que nós queremos partilhar os benefícios da Amazônia, sobretudo no que diz respeito à sua riqueza de biodiversidades, com o mundo científico, para que a gente possa tirar proveito para a própria humanidade.

Muito obrigado.

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