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 20150928 PR AGNUFoto: Ministério das Relações Exteriores
 

[Português]  [English]

 

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, por ocasião da Abertura da Septuagésima Assembleia Geral das Nações Unidas 

Nova York, 28 de setembro de 2015

 

Senhor Morgens Lykketoff, Presidente da Septuagésima Assembleia Geral das Nações Unidas,

Senhor Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas,

Senhores e Senhoras Chefes de Estado, de Governo e de Delegações,

Senhoras e Senhores,

 

É um privilégio poder dirigir-me à Assembleia Geral neste ano em que as Nações Unidas celebram seu septuagésimo aniversário.

Minhas primeiras palavras, Senhor Presidente, são de congratulações por sua escolha para presidir esta Assembleia Geral.

Reitero, em especial, o apoio do Brasil à sua disposição de adotar medidas que fortalecem a agenda de desenvolvimento da Organização.

Setenta anos são passados da Conferência de São Francisco. Buscou-se, naquela ocasião, construir um mundo fundado no Direito Internacional e na busca de soluções pacíficas para os conflitos.

Desde então, tivemos avanços e recuos. O processo de descolonização apresentou notável evolução, como se pode constatar contemplando a composição desta Assembleia.

A ONU ampliou suas iniciativas, incorporando a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ou seja, as questões relativas ao meio ambiente, ao fim da pobreza, ao desenvolvimento social e econômico e ao acesso a serviços de qualidade.

Temas, como os desafios urbanos, a questão de gênero – das mulheres e das meninas –, as questões de raça ganharam prioridade.

Não conseguiu o mesmo êxito ao tratar da segurança coletiva, questão que esteve na origem da Organização e no centro de suas preocupações.

A multiplicação de conflitos regionais – alguns com alto potencial destrutivo –, assim como a expansão do terrorismo que mata homens, mulheres e crianças, que destrói patrimônio da humanidade, que expulsa de suas comunidades seculares milhões de pessoas, mostram que a ONU está diante de um grande desafio.

Não se pode ter complacência com tais atos de barbárie, como aqueles perpetrados pelo chamado Estado Islâmico e por outros grupos associados.

Esse quadro explica, em boa medida, a crise dos refugiados pela qual passa atualmente a humanidade.

Grande parte dos homens, mulheres e crianças que se aventuram nas águas do Mediterrâneo e erram penosamente nas estradas da Europa proveem do Oriente Médio e Norte da África, onde países tiveram seus estados nacionais desestruturados por ações militares ao arrepio do Direito Internacional, abrindo espaço para a proliferação do terrorismo.

A profunda indignação provocada pela foto de um menino sírio morto nas praias da Turquia e pela notícia sobre as 71 pessoas asfixiadas em um caminhão na Áustria deve se transformar em ações inequívocas de solidariedade prática.

Em um mundo onde circulam livremente mercadorias, capitais, informações e ideias, é absurdo impedir o livre trânsito de pessoas.

O Brasil é um país de acolhimento, um país formado por refugiados. Recebemos sírios, haitianos, homens e mulheres de todo o mundo, assim como abrigamos, há mais de um século, milhões de europeus, árabes e asiáticos. Estamos de braços abertos para receber refugiados. Somos um país multiétnico, que convive com as diferenças e sabe a importância delas para nos tornarmos mais fortes, mais ricos, mais diversos, tanto cultural quanto social e economicamente.

 

Senhor Presidente,

Esse inquietante pano de fundo nos impõe uma reflexão sobre o futuro das Nações Unidas e nos exige agir concreta e rapidamente. Necessitamos uma ONU capaz de fomentar uma paz sustentável no plano internacional e de atuar com presteza e eficácia em situações de crise, guerras regionais localizadas e quaisquer atos contra a humanidade.

Não se pode postergar, por exemplo, a criação de um Estado Palestino, que conviva pacífica e harmonicamente com Israel. Da mesma forma, não é tolerável a expansão de assentamentos nos territórios ocupados.

Para dar às Nações Unidas a centralidade que lhe corresponde, é fundamental uma reforma abrangente de suas estruturas.

Seu Conselho de Segurança necessita ampliar seus membros, permanentes e não-permanentes, para tornar-se mais representativo, mais legítimo e eficaz. A maioria dos Estados–membros não quer que uma decisão a esse respeito possa ser eternamente adiada.

Temos a esperança de que a reunião que hoje se inicia entre para a história como o ponto de inflexão na trajetória das Nações Unidas. Que traga resultados concretos no longo, e até agora inconcluso, processo de reforma da Organização.

Nossa região – onde imperam a paz e a democracia – se regozija com o estabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos, que põe fim a um contencioso derivado da Guerra Fria. Esperamos que esse processo venha a completar-se com o fim do embargo que pesa sobre Cuba.

Celebramos, igualmente, o recente acordo logrado com o Irã, que permitirá a esse país desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos e devolver a esperança de paz para toda uma região.

No âmbito dos BRICS, lançamos um Novo Banco de Desenvolvimento, que ajudará na ampliação do comércio e dos investimentos e possivelmente na consecução dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

 

Senhor Presidente,

A Agenda 2030 desenha o futuro que queremos. Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável reafirmam o preceito da Rio+20, que é afirmar que é possível crescer, incluir, conservar e proteger.

Estabelecem metas universais, evidenciam a necessidade de cooperação entre os povos e um caminho comum para a humanidade.

Esta Agenda exige solidariedade global, determinação de cada um de nós e compromisso com o enfrentamento da mudança do clima, com a superação da pobreza e da miséria e a construção de oportunidades para todos.

Em Paris, em dezembro próximo, devemos fortalecer a Convenção do Clima, com pleno cumprimento de seus preceitos e respeito a seus princípios. As obrigações que assumirmos devem ser ambiciosas – inclusive no que se refere a apoios financeiros e tecnológicos aos países em desenvolvimento e às pequenas ilhas –, em sintonia com o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

O Brasil está fazendo grande esforço para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, sem comprometer nosso desenvolvimento.

Continuamos diversificando as fontes renováveis em nossa matriz energética, que está entre as mais limpas do mundo.

Estamos investindo na agricultura de baixo carbono.

Reduzimos em 82% o desmatamento na grande floresta Amazônica.

A ambição continuará a pautar nossas ações.

Por isso, anunciei ontem, aqui na ONU, nossa INDC. Será de 43% a contribuição do Brasil para redução das emissões de gases de efeito estufa até 2030, com base em 2005.

Neste período, o Brasil pretende o fim do desmatamento ilegal; o reflorestamento de 12 milhões de hectares; a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; a integração de 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-florestas.

Em um mundo em que a participação das fontes renováveis de energia é de apenas 13%, em média, da matriz energética, pretendemos garantir o percentual de 45% de fontes renováveis na nossa matriz energética. Vamos buscar a participação de 66% da fonte hídrica na geração de eletricidade; a participação de 23% das fontes renováveis – eólica, solar e biomassa – na geração de energia elétrica; o aumento de cerca de 10% na eficiência elétrica; a participação de 16% de etanol carburante e das demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar no total da matriz energética.

O Brasil contribui, assim, para que o mundo possa atender as recomendações do Painel de Mudança do Clima, que estabelece o limite de dois graus Celsius de aumento de temperatura, neste século.

Somos um dos poucos países em desenvolvimento a assumir meta absoluta de redução de emissões.

Nossa INDC inclui, ainda, ações que aumentam a resiliência do meio ambiente e reduzem os riscos associados aos efeitos negativos da mudança do clima sobre as populações mais pobres, mais vulneráveis, com atenção para as questões de gênero, do direito dos trabalhadores, das comunidades indígenas, ou quilombolas negras, e tradicionais.

Reconhecemos a importância da cooperação Sul-Sul no esforço global de combater a mudança do clima.

Enfatizo que, desde 2003, políticas sociais e de transferência de renda contribuíram para que mais de 36 milhões de brasileiros superassem a pobreza extrema. O Brasil saiu no ano passado do Mapa Mundial da Fome. Isso evidencia a eficácia de nossa política chamada Fome Zero, que agora se transforma no Objetivo de Desenvolvimento Susutentável nº2.

Na transição para uma economia de baixo carbono, consideramos importante assegurar condições dignas e justas para o mundo do trabalho.

O desenvolvimento sustentável exige a promoção do trabalho decente, a geração de empregos de qualidade e a garantia de oportunidades.

O esforço para superar a pobreza e promover o desenvolvimento tem de ser coletivo e global.

Em meu país, no entanto, sabemos que o fim da pobreza extrema é só um começo de uma longa trajetória de novas conquistas.

 

Senhor Presidente,

Por seis anos, buscamos evitar que os efeitos da crise mundial que eclodiu em 2008 no mundo desenvolvido se abatessem sobre nossa economia e nossa sociedade.

Por seis anos, adotamos um amplo conjunto de medidas, reduzindo impostos, ampliando o crédito, reforçando o investimento e o consumo das famílias. Aumentamos os empregos, aumentamos a renda nesse período.

Esse esforço chegou agora a um limite, tanto por razões fiscais internas como por aquelas relacionadas ao quadro externo. A lenta recuperação da economia mundial e o fim do superciclo das commodities incidiram negativamente sobre nosso crescimento. A desvalorização cambial e as pressões recessivas produziram inflação e forte queda da arrecadação, levando a restrições nas contas públicas.

O Brasil no entanto não tem problemas estruturais graves, nossos problemas são conjunturais. E diante dessa situação estamos reequilibrando o nosso orçamento e assumimos uma forte redução de nossas despesas, do gasto de custeio e até de parte do investimento. Realinhamos preços, estamos aprovando medidas de redução permanente de gastos. Enfim, propusemos cortes drásticos de despesas e redefinimos nossas receitas.

Todas essas iniciativas visam a reorganizar o quadro fiscal, reduzir a inflação, para consolidar a estabilidade macroeconômica, aumentar a confiança na economia e garantir a retomada do crescimento com distribuição de renda.

Hoje, a economia brasileira é mais forte, sólida e resiliente do que há alguns anos. Temos condições de superar as dificuldades atuais e avançar na trilha do desenvolvimento.

Estamos num momento de transição para um novo ciclo de expansão, mais profundo, sólido e duradouro. Além das ações de reequilíbrio fiscal e financeiro, de estímulo às exportações, também adotamos medidas de incentivo ao investimento em infraestrutura e energia.

No Brasil, o processo de inclusão social não foi interrompido. Esperamos que o controle da inflação, a retomada do crescimento e do crédito contribuirão para uma maior expansão do consumo das famílias.

Essas são as bases para este novo ciclo de crescimento e desenvolvimento, baseado no aumento da produtividade e na geração de mais oportunidades de investimento para empresas e de empregos para os cidadãos.

 

Senhoras e senhores,

Os avanços que logramos nos últimos anos foram obtidos em um ambiente de consolidação e de aprofundamento da nossa democracia.

Graças à plena vigência da legalidade e ao vigor das instituições democráticas, o funcionamento do Estado têm sido escrutinado de forma firme e imparcial pelos Poderes e organismos públicos encarregados de fiscalizar, investigar e punir desvios e crimes.

O Governo e a sociedade brasileiros não toleram e não tolerarão a corrupção.

A democracia brasileira se fortalece quando a autoridade assume o limite da lei como o seu próprio limite.

Nós, os brasileiros, queremos um país em que a lei seja o limite. Muitos de nós lutamos por isso, justamente quando as leis e os direitos foram vilipendiados durante a ditadura.

Queremos um país em que os governantes se comportem rigorosamente segundo suas atribuições, sem ceder a excessos. Em que os juízes julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza e desligados de paixões político-partidárias, jamais transigindo com a presunção da inocência de quaisquer cidadãos.

Queremos um país em que o confronto de ideias se dê em um ambiente de civilidade e respeito. Queremos um País em que a liberdade de imprensa seja um dos fundamentos do direito de opinião e a manifestação de posições diversas direito de cada um dos brasileiros.

As sanções da lei devem recair sobre todos os que praticam e praticaram atos ilícitos, respeitados o princípio do contraditório e da ampla defesa. Essas são as bases de nossa democracia e valho-me de recente manifestação do meu amigo José Mujica, ex-presidente uruguaio, que disse:

“Esta democracia não é perfeita porque nós não somos perfeitos. Mas temos que defendê-la para melhorá-la, não para sepultá-la”.

Que fique consignado que o Brasil continuará trilhando o caminho democrático e não abrirá mão das conquistas pelas quais tanto lutamos.

 

Senhoras e senhores,

Quero valer-me desta ocasião para reiterar que o Brasil espera, de braços abertos, os cidadãos de todo o mundo para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Essa será oportunidade única para difundir o esporte como instrumento fundamental de promoção da paz, da inclusão social e da tolerância, por meio da luta contra a discriminação racial, étnica e de gênero.

Será também ocasião para que possamos promover a inclusão de pessoas com deficiência, uma das prioridades de meu Governo.

Uma última palavra.

Há poucos dias, foram reinaugurados, aqui na sede das Nações Unidas, os murais chamados "Guerra e Paz", do artista brasileiro Cândido Portinari, doados à ONU pelo Governo de meu país, em 1957.

A obra denuncia a violência e a miséria e exorta os povos a buscar o entendimento. É um símbolo para as Nações Unidas quanto a sua responsabilidade de evitar os conflitos armados e de promover a paz, a justiça social e a superação da fome e da pobreza.

Portinari sempre afirmou que “não há nenhuma grande arte que não esteja identificada com as pessoas”.

A mensagem dos murais permanece atual. Alude tanto às vítimas das guerras como aos refugiados que arriscam suas vidas em precários barcos e a todos os anônimos que buscam na ONU proteção, paz e bem-estar.

Esperamos que, ao ingressar neste recinto das Nações Unidas e ao olhar esses murais em sua entrada, sejamos capazes de escutar a voz dos povos que representamos e de trabalhar com afinco para que seus anseios de paz e progresso venham a ser atendidos. Afinal, foram esses os ideais que estiveram, setenta anos atrás, presentes no ato fundacional desta grande conquista da humanidade que é a Organização das Nações Unidas.

Muito obrigada, Senhor Presidente, muito obrigada a todos.

 

 


 

 

Speech by President Dilma Rousseff on the occasion of the 70th Session of the General Assembly of the United Nations

New York, September 28, 2015

 

Your Excellency, Morgens Lykketof, President of the Seventieth General Assembly of the United Nations,

Your Excellency Ban Ki-moon, Secretary-General of the United Nations,

Your Excellencies Heads of State, Government and Delegation,

Ladies and Gentlemen,

 

It is a privilege to address the General Assembly in this year when the United Nations celebrates its seventieth birthday.

Let my first words, Mr. President, be to congratulate you for your appointment to preside over this Assembly.

I reiterate, in particular, Brazil's support for your efforts to adopt measures to strengthen the development agenda of this Organization.

Seventy years have passed since the San Francisco Conference. On that occasion, the international community sought to build a world founded on International Law and on the peaceful resolution of conflicts.

Since then, there have been progress and setbacks. The decolonization process has shown notable evolution, as can be seen from the composition of this Assembly.

The UN has broadened its initiatives, incorporating the 2030 Agenda and the Sustainable Development Goals, in other words, issues related to the environment, poverty eradication, social and econonomic development and access to quality services.

Matters such as urban challenges, gender issues – of women and girls – and race issues have become a priority.

The Organization has not had the same success, tough, in addressing collective security, an issue which was present at the UN’s origins and which remains at the center of its concerns.

The proliferation of regional conflicts - some with high destructive potential - as well as the expansion of terrorism, that kills men, women, and children, destroys our common heritage, and displaces millions of people from their secular communities, show that the United Nations is before a great challenge.

One cannot be complacent with barbaric acts such as those perpetrated by the so called Islamic State and other associated groups.

This situation explains, to a large extent, the refugee crisis that humankind is currently experiencing.

A significant portion of the men, women and children who venture the waters of the Mediterranean and painfully wander along the roads of Europe come from the Middle East and Northern Africa, from countries which had their state institutions de-structured by military action undertaken in contravention of international law, thereby opening space for the proliferation of terrorism.

The profound sense of indignation caused by the picture of a dead Syrian boy on the beaches of Turkey and by the news of the 71 people asphyxiated inside a truck in Austria must be translated into unequivocal acts of practical solidarity.

In a world where goods, capital, data and ideas flow freely, it is absurd to impede the free flow of people.

Brazil is a hosting country, a country formed by refugees. We have received Syrians, Haitians, men and women from the around the world, just as we sheltered, over a century ago, millions of Europeans, Arabs and Asians. We have our arms open to receive refugees. We are a multiethnic country, where differences coexist, and we know how important they are to make us stronger, richer, more diverse – culturally, socially and economically.


Mr. President,

This worrisome backdrop dictates that we reflect on the future of the United Nations and requires that we act decisively and swiftly. We need a UN that is capable of promoting sustainable international peace and of acting quickly and efficiently in situations of crisis, localized regional conflicts and any crimes against humanity.

We can no longer delay, for example, the creation of a Palestinian State, coexisting peacefully and harmoniously with Israel. In the same vein, the expansion of settlements in the occupied territories cannot be tolerated.

A comprehensive reform of its structures is paramount in order to give the United Nations the centrality it is entitled to.

The Security Council needs to be expanded in its permanent and non-permanent categories to become more representative, legitimate and effective. Most Member-States do not want a decision on this matter to be postponed eternally.

We expect that the session that begins today enters into history as the turning point in the UN trajectory. That it yields concrete results in the long, and so far inconclusive, process of reforming the Organization.

Our region – where peace and democracy reign – welcomes the establishment of diplomatic relations between Cuba and the United States, putting an end to a dispute derived from the Cold War. We hope that this process will be completed with the end of the embargo against Cuba.

We also celebrate the recent agreement reached with Iran, which will allow that country to develop nuclear energy for peaceful purposes and restore the hope of peace for the whole region.

In the BRICS, we launched a New Development Bank, which will assist in expanding trade and investment and possibly in achieving the Sustainable Development Goals.

 

Mr. President,

The 2030 Agenda outlines the future we want. The 17 Sustainable Development Goals reaffirm the basic tenet of Rio+20: that it is possible to grow, include, preserve and protect.

They establish universal goals and highlight the need for cooperation among peoples and a common path for humanity.

This Agenda requires global solidarity, a determination from each one of us and a commitment to confront climate change, overcome poverty and extreme poverty and generate opportunities for all.

In Paris, this upcoming December, we must strengthen the Climate Convention, while fully implementing its provisions and respecting its principles. The obligations to be undertaken must be ambitious - including with regard to financial and technological support to developing countries and small islands - in line with the principle of common but differentiated responsibilities.

Brazil is making a significant effort to reduce greenhouse gas emissions without jeopardizing our development.

We continue to diversify the renewable sources in our energy mix, which is among the cleanest in the world.

We are investing in low-carbon agriculture.

We reduced deforestation of the magnificent Amazon Rain Forest by 82%.

Ambition will continue to guide our actions.

In this spirit, I announced yesterday, here at the United Nations, our INDC (Intended Nationally Determined Contributions). Brazil's contribution will be a reduction of 43% of its greenhouse gas emissions by 2030, having 2005 as the base year.

In this period, Brazil intends to put an end to illegal deforestation; to reforest 12 million hectares; to recover 15 million hectares of degraded pastures; to integrate 5 million hectares of crop-livestock-forest.

In a world where the share of renewable energy is, on average, only 13% of the energy mix, we intend to ensure a ratio of 45% of renewable sources in our energy mix. We will aim for a proportion of 66% of hydropower in our electricity generation output; a share of 23% of renewable sources, including wind, solar and biomass power, in our electricity output; an increase of about 10% in our electricity efficiency rate; a proportion of 16% of ethanol fuel and other sugarcane-derived biomass sources in our energy mix.

Brazil is thus contributing decisively to the global efforts towards implementing the recommendations of the Intergovernmental Panel on Climate Change, which has established the limit of no more than 2º Celsius for global warming in this century.

Brazil is one of the few developing countries to commit to an absolute goal for emissions reduction.

Our INDC also includes actions to increase the resilience of the environment and to reduce the risks associated with the negative effects of climate change on the poorest and most vulnerable populations, with an emphasis on gender issues, on workers' rights, and on the rights of indigenous, black quilombola peoples and traditional communities.

We recognize the importance of South-South cooperation in the global efforts to counter climate change.

I would emphasize that since 2003, social policies and conditional cash transfer programs have helped lift over 36 million people out of extreme poverty. Last year Brazil graduated from the World Hunger Map. This is a testament to the efficiency of our Zero Hunger policy, which has now become the SDG number 2.

In the transition to a low-carbon economy, it is important to secure dignified and fair conditions for workers. Sustainable development requires us to commit to the promotion of decent work and the generation of quality jobs and opportunities.

The efforts to eradicate poverty and promote development must be collective and global.

In my country, though, we know that the end of extreme poverty is only the beginning of a long journey of achievements.

 

Mr. President,

For a period of six years, we sought to keep the impacts of the world crisis that emerged in 2008, in the developed world, from impacting our economy and our society.

During these six years, we adopted a comprehensive set of measures by lowering taxes, expanding credit, strengthening investment and stimulating household consumption. We have increased employment rates, we have also increased the income in this period.

This effort has now reached its limits due to both internal fiscal constraints and external conditions. The slow recovery of the world economy and the end of the commodities' super cycle negatively affected our economic growth. Currency devaluation and recessive pressures brought about inflation and a strong reduction of tax revenue, leading to restrictions on public finance.

Nonetheless, Brazil has no serious structural problem – our problems are conjunctural. In the face of that situation, we are rebalancing our budget and have strongly reduced public spending, including government expenditure and part of the investments. We realigned prices and are adopting measures for permanent spending cuts. We are also proposing drastic expenditure cuts and we are redefining sources of revenue.

All of these initiatives aim to reorganize the fiscal situation and lower inflation in order to consolidate macroeconomic stability, increase confidence in the economy and ensure the resumption of economic growth with income distribution.

The Brazilian economy is today stronger, more solid and resilient than some years ago. We are capable of overcoming the current difficulties as we advance in our path towards development.

We find ourselves at a moment of transition to a new cycle of economic expansion, a more profound, solid and long-lasting one. In addition to the measures of fiscal and financial rebalancing, and of incentives to exports, we also adopted measures to foster investments on infrastructure and energy.

In Brazil, the process of social inclusion has not been interrupted. We hope that the control of inflation as well as the resumption of economic growth and credit will contribute towards further expanding household consumption.

These are the bases for this new development cycle led by an increase in productivity and the generation of more investment opportunities for businesses, as well as more jobs for citizens.

 

Ladies and gentlemen,

Our achievements throughout the last few years have been reached in an environment of consolidation of our democracy.

Thanks to the efficiency of our legal system and to the strength of democratic institutions, the functioning of the State is being scrutinized firmly and impartially by all the branches and public institutions in charge of supervising, investigating and punishing misconduct and crimes.

The Brazilian government and society do not tolerate and will not tolerate corruption.

The Brazilian democracy becomes stronger when the authorities recognize the limits imposed by the law as their own limits.

We Brazilians want a country where the law is the limit.

Many of us fought for this, precisely when laws and rights were violated during the military dictatorship. We want a country where rulers behave strictly according to their duties, without giving way to excesses. Where judges judge with freedom and impartiality, without any pressure whatsoever and disconnected from political passions, never compromising on the presumption of innocence of any citizen.

We want a country where the clash of ideas takes place in a civilized and respectful environment. We want a country where freedom of the press is one the cornerstones of the freedom of speech and the expression of different positions, a right of each and every Brazilian.

The sanctions of the law must apply to all those who commit illicit acts, bearing in mind the need to uphold the principle of due process. These are the very foundations of our democracy; in this regard, I avail myself of a recent statement made by my friend José Mujica, former President of Uruguay, whom I quote: “This democracy is not perfect for we are not perfect. However, we must defend it in order to improve it, not to bury it”.

Let it be known that Brazil will keep on following the democratic trail and will not relinquish the achievements for which we have greatly struggled.

 

Ladies and gentlemen,

I would like to take this opportunity to reiterate that Brazil welcomes citizens from around the world with open arms for the 2016 Olympic and Paralympic Games to be held in Rio de Janeiro.

This will be a unique opportunity to promote sport as a key tool for peace, social inclusion and tolerance, and in the fight against racial, ethnic or gender discrimination. It will also be an opportunity to promote the rights and inclusion of persons with disabilities, one of the priorities of my Government.

One last point.

A few days ago the murals "War" and "Peace" by Brazilian artist Candido Portinari, donated to the UN by the Government of my country in 1957, were reinaugurated here at the United Nations headquarters.

These works of art denounce violence and poverty and call upon peoples of the world to seek understanding. They are a symbol representing the responsibility of the United Nations to prevent armed conflict and promote peace, social justice and the eradication of hunger and poverty.

Portinari always said that "there is no great art which is not identified with people".

The message of the Murals remains valid. It alludes not only to victims of wars but to the refugees who risk their lives on fragile boats, as well as to all of the anonymous people who seek in the United Nations protection, peace and well-being.

We hope that, upon entering the United Nations and gazing upon these murals we may be capable of hearing the voices of the people we represent and of working persistently so that their calls for peace and progress may be heeded. These were, after all, the ideals which were present, seventy years ago, at the foundation of this important accomplishment for humanity, namely the Organization of the United Nations.

Thank you, Mr. President. Thank you all.

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