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Excelentíssimo senhor Pohamba, Presidente da República da Namíbia e sua senhora,

Minha querida companheira Marisa,

Meu caro Ministro das Relações Exteriores da República da Namíbia,

Demais integrantes da delegação da Namíbia,

Ministro Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores,

Demais ministros brasileiros que estão participando desta recepção,

Senadores, Deputados, Empresários, Convidados,

É com grande alegria que recebo hoje o Presidente Pohamba. Vossa Excelência está dando seguimento ao trabalho do companheiro Sam Nujoma na consolidação de uma democracia próspera e vibrante, que inspira a luta por paz e justiça em toda a África.

Sua visita, amigo Pohamba, confirma a vitalidade do diálogo entre Namíbia e Brasil e nossa determinação em transformar, cada vez mais, o Oceano Atlântico em nossa fronteira comum, uma ponte entre nossos povos. É o que estamos fazendo por meio da missão naval que a Marinha do Brasil mantém na Namíbia. Desde 1998, quase 500 oficiais namibianos receberam treinamento no Brasil, e atualmente outros 162 integrantes da Marinha da Namíbia estudam em nosso país. Graças a esses laços, podemos ouvir português com sotaque brasileiro nos meios militares desse querido país africano.

Quando estive na Namíbia, em 2003, uma embarcação brasileira foi incorporada às Forças de Defesa, e no mês passado entregamos à Marinha da Namíbia um navio-patrulha construído no Brasil. A partir do segundo semestre deste ano, chegarão quatro lanchas-patrulha também produzidas no Brasil. A Namíbia estará dando, então, passo decisivo para exercer plenamente sua soberania sobre seus recursos marítimos. Os excelentes resultados dessa cooperação nos encorajam a levar nossa parceria para outros setores prioritários.

O empenho que o governo do Presidente Pohamba dedica às políticas sociais abre extraordinárias possibilidades de colaboração no combate à fome, à pobreza e à exclusão social. Assim como o Brasil, a Namíbia reconhece no atendimento das necessidades dos segmentos mais carentes instrumento fundamental de resgate de nossa dívida social.

Com a abertura de escritórios da Embrapa e da Fiocruz no continente africano, ficou mais fácil compartilhar avanços nas áreas da agricultura e da saúde. Estão criadas as condições para juntarmos esforços para realizar o potencial da agricultura familiar como fonte de empregos e segurança alimentar para nossas populações mais vulneráveis.

Sei que podemos contar com o indispensável engajamento do setor privado para realizar as possibilidades da parceria entre nossos países. O comércio bilateral aumentou mais de seis vezes desde 2002. Somente no último ano cresceu 40%. Mas precisamos ampliar e equilibrar nossas trocas, com o Brasil importando mais produtos da Namíbia. Por isso, missão empresarial brasileira irá à Namíbia, em julho deste ano, em busca de novas possibilidades de negócios.

No setor energético, as empresas brasileiras já saíram na frente. Há forte interesse em participar no projeto do aproveitamento hidrelétrico do rio Cunene, na fronteira com Angola. Outra área promissora é a área de biocombustíveis. O Presidente Pohamba visitará amanhã a sede da Petrobras para conhecer a revolução que o Brasil está realizando em matéria de fontes alternativas de energia. Uma revolução que combina energia limpa e renovável com segurança alimentar para todos.
Caro amigo Pohamba,

Meu governo elegeu a África como prioridade. Visitei 20 países, em nove viagens ao continente. Abrimos ou reativamos 16 novas embaixadas. Na reunião de nossos embaixadores na África, que convoquei para a próxima semana, vamos analisar iniciativas e projetos que tornarão sustentável e duradoura a parceria com um continente mais autoconfiante e determinado a tomar seu destino em suas próprias mãos. O Brasil deseja que essa aliança seja ainda mais ambiciosa, que aproxime os dois continentes.

Esta é a mensagem que vamos levar para a II Cúpula África-América do Sul, que se realizará em Caracas, em agosto próximo. No momento em que os países em desenvolvimento são as principais vítimas de uma crise financeira que não criaram, temos a oportunidade e o desafio de buscar ações genuinamente coletivas e solidárias.

Ao longo de vários anos, países em desenvolvimento como a Namíbia e o Brasil se dedicaram à árdua tarefa de estabilizar suas economias e promover políticas de inclusão social e de combate à pobreza. Mas não podemos atuar sozinhos contra os efeitos de uma turbulência que golpeia, sobretudo, as mais fortes economias do Planeta.

O comércio é, certamente, parte da solução. O protecionismo, em contrapartida, só servirá para agravar a crise econômica. Um acordo na Rodada de Doha, da OMC, enviará uma poderosa mensagem para os mercados e dará novo fôlego à economia global.
Os países em desenvolvimento vêm apontando o caminho. O aumento do comércio e dos investimentos Sul-Sul têm atenuado o impacto perverso da recessão que se alastra mundialmente. Por meio do Acordo de Comércio Preferencial entre o Mercosul e a União Aduaneira Sul-Africana estamos na vanguarda desse esforço.

Mas não basta reformar as regras do comércio internacional. Precisamos buscar um sistema de governança global mais democrático. Os processos decisórios não podem continuar concentrados nas mãos de poucos, ignorando-se as aspirações dos países em desenvolvimento e das grandes economias emergentes.

Por isso, reitero meu reconhecimento pelo apoio do governo da Namíbia à aspiração brasileira a assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Entendemos esse gesto como voto de confiança na capacidade de o Brasil contribuir para a construção dessa nova ordem mais legítima e, sobretudo, mais justa.

Meus amigos, minhas amigas,

É com esse espírito de confiança que convido todos os presentes a brindar o destino comum de brasileiros e namibianos. Faço a Vossa Excelência votos de continuado êxito na liderança dessa querida nação africana, bem como de saúde e felicidade pessoal.

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