Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

Senhor Muhammad ibn Jameel Mulla, Ministro das Comunicações e Tecnologia da Informação da Arábia Súdita,

Senhor Abdul Rahman al Attiya, Presidente da Câmara de Comércio da Indústria de Riade,

Companheiros Ministros que me acompanham nesta viagem, Celso Amorim, das Relações Exteriores, Miguel Jorge, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social,

Senhores empresários brasileiros, empresários da Arábia Saudita,

Meus amigos e minha amigas,

Minha visita à Arábia Saudita - a primeira de um Presidente brasileiro - busca dar continuidade a nosso esforço de construir um relacionamento profundo com os países do Oriente Médio.

O lançamento da Cúpula América do Sul - Países Árabes, nossas novas Embaixadas na região, a designação de um Embaixador Extraordinário para o Oriente Médio e a participação brasileira nos esforços de paz na Palestina são demonstrações concretas de nossas intenções.

As relações com a Arábia Saudita ocupam papel de destaque nessa estratégia. Maior exportador mundial de petróleo, com um PIB de US$ 470 bilhões e um mercado de 27 milhões de pessoas, o país ocupa lugar destacado na economia regional e mundial. Desperta justificado interesse para o nosso país.

A Arábia Saudita é nosso maior parceiro comercial. Nos últimos seis anos houve um crescimento de 450 por cento no fluxo de Balança Comercial entre os dois países. O potencial de nosso relacionamento é muito maior, no entanto. Para alcançar metas mais ambiciosas, Governo e empresários têm de avançar na identificação e aproveitamento de novas oportunidades.

Demonstração viva dessa disposição é a expressiva comitiva de empresários que me acompanha. Temos que diversificar nosso comércio ainda concentrado em poucos produtos. Podemos aumentar nossos investimentos de parte a parte. Sei do interesse saudita em atrair outras empresas brasileiras nos setores de petróleo, gás, mineração, aviação, engenharia e construção. Nessas áreas, temos experiência e competência internacional.

Podemos iniciar uma relação de novo tipo, que inclua a efetiva transferência tecnológica para a modernização da indústria local. A firma brasileira Biomm realizará investimentos na Arábia Saudita para a implantação de fábrica de insulina humana, para atender a Arábia Saudita e todo o Oriente Médio. Temos grande expectativa de receber investimentos sauditas no setor do agronegócio. O Brasil já é um importante fornecedor de alimentos e matérias-primas para a Arábia Saudita, mas pode se tornar também um parceiro estratégico para a segurança alimentar deste país.

Senhoras e senhores empresários,

Em momentos de rápidas transformações, como o que vivemos, não há tempo a perder. Temos de fortalecer nossas relações com um número cada vez maior de países, em todas as regiões do globo.

Um bem sucedido acordo entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo dará novo impulso ao nosso comércio bilateral. O Brasil e o Mercosul estão empenhados na rápida retomada das negociações. As dificuldades existentes podem ser resolvidas com a adoção de soluções criativas, que permitirão um acordo equilibrado que trará benefícios mútuos.

Senhoras e senhores,

Brasil e Arábia Saudita também podem trabalhar juntos no âmbito multilateral, para fazer do comércio um fator de desenvolvimento. Desde que a Arábia Saudita se tornou membro da OMC, contamos com um novo aliado para uma conclusão equilibrada da Rodada de Doha. Esse é um tema fundamental para nossos países, especialmente num momento em que ressurgem pressões protecionistas que tendem a penalizar os países mais pobres.

Ampliar as transações comerciais será, neste momento de crise, uma importante medida anticíclica. Nossos países foram menos afetados pela crise em razão da solidez dos programas de governo e das políticas públicas que adotamos. A Arábia Saudita, assim como o Brasil, empreende amplo programa de obras de infra-estrutura. No Brasil, vamos construir um milhão de moradias, com o objetivo de combater o déficit habitacional e gerar centenas de milhares de empregos. Nosso Programa de Aceleração do Crescimento - um investimento de mais de 300 bilhões de dólares - está ajudando a retomar o desenvolvimento com maior rapidez. Nessa tarefa, o empresariado tem papel fundamental.

Parceiros no G20 financeiro, Brasil e Arábia Saudita já deram mostras de que podem contribuir para construir uma nova governança econômica global que atenda os interesses dos países em desenvolvimento.

Caros amigos, empresários sauditas e brasileiros,

Para aqueles que têm receio das distâncias, ou do desconhecido, é bom lembrar o exemplo dos imigrantes árabes que vieram tentar a sorte no Brasil e lá foram acolhidos calorosamente. A comunidade árabe conquistou merecido espaço em todos os segmentos da sociedade brasileira.

Apesar dos problemas históricos distintos, estou convencido de que o Brasil e a Arábia Saudita são países que devem aproveitar suas complementaridades. Temos metas semelhantes e podemos trabalhar juntos em benefício de nossos povos.

Meus amigos da Arábia Saudita e meu amigos brasileiros,

Eu não poderia deixar de dizer algumas palavras que não estão escritas aqui, para ressaltar esse encontro que estamos fazendo aqui na Arábia Saudita.

Parecia muito difícil um Presidente da República vir à Arábia Saudita. Desde 2004 eu tenho insistido com o Ministro Celso Amorim para que nós pudéssemos, em uma dessas viagens, passar na Arábia Saudita, mas sempre houve problemas com a agenda, ou de um lado ou de outro. Até que na última reunião do G20, em Londres, eu encontrei com o Rei e eu disse a ele que tinha algum problema que eu não conseguia uma agenda para vir à Arábia Saudita. Ou seja, passados poucos meses, eu estou aqui e é a primeira vez que um Presidente da República brasileiro vem à Arábia Saudita. Eu sei que muita gente da Arábia Saudita, empresários, ministros, o próprio Rei Abdullah foi ao Brasil quando era príncipe herdeiro, em 2000, outros príncipes foram ao Brasil. Mas eu penso que agora muda a qualidade das nossas visitas. Eu acho que isso é resultado um pouco da crise econômica por que passa o mundo.

A Arábia Saudita e o Brasil resolveram tomar uma decisão de que em tempo de crise não adianta a gente ficar chorando ou se lamentando, o que é importante é que tomemos iniciativas para superarmos a crise e sairmos da crise mais fortalecidos do que nós éramos antes da crise econômica. E é isso que estamos fazendo aqui.

A Arábia Saudita tem um grande programa de investimento em infra-estrutura e certamente o Brasil tem interesse de participar. O Brasil tem um grande programa de infra-estrutura e certamente a Arábia Saudita terá interesse de participar. Mas, para que isso aconteça, é importante que os dirigentes políticos estejam com a cabeça aberta, para conhecer novos espaços, para conhecer novas oportunidades e para que a gente possa encontrar novos parceiros, para que a gente possa crescer um pouco mais, desenvolvendo os nossos países, e melhorar a qualidade de vida do nosso povo. É importante descobrir o que a Arábia Saudita tem a oferecer, o que o Brasil tem a oferecer.

Não é apenas uma relação de quem pode comprar ou de quem pode vender, mas é uma relação de construir algo novo que ainda não existe entre a Arábia Saudita e o Brasil. As parcerias entre os nossos empresários, começando pela área de petróleo e passando pela indústria petroquímica, entrando na indústria do agronegócio, entrando na discussão dos combustíveis renováveis, na questão energética, na questão da ciência e tecnologia, na questão da educação, ou seja, nós temos um trabalho extraordinário para que a gente possa construir. A nossa indústria farmacêutica pode trabalhar tranqüilamente em parceria com uma indústria da Arábia Saudita. Agora, para isso, e ontem eu tive oportunidade de falar com o rei Abdullah, e vou repetir aqui, para isso é necessário que haja a determinação, e quero dizer aos companheiros árabes que durante mais de um século a cabeça brasileira esteve voltada apenas para os Estados Unidos e para a Europa, e que a gente não enxergava o Oriente Médio como oportunidade.

Aliás, a gente não enxergava a América do Sul como oportunidade, a gente não enxergava a África como oportunidade, era tudo os Estados Unidos e a União Européia. Mas exatamente pelo fato de esses países serem muito desenvolvidos e todo mundo querer ter relações com eles, fica cada vez mais difícil que um país como a Arábia Saudita ou como o Brasil coloque seus produtos industrializados neste país, porque eles são mais competitivos do que nós, porque eles detêm mais conhecimento tecnológico do que nós. E nós não queremos mais ser exportadores apenas de matéria-prima, de commodities. Nós queremos dinamizar o desenvolvimento tecnológico dos nossos países através do fortalecimento da nossa indústria e é por isso que eu estou aqui, é porque nós precisamos encontrar novos parceiros, estabelecer as similaridades entre nós, o que nós poderemos oferecer e o que nós poderemos receber, o que a Arábia Saudita pode nos oferecer para que a gente construa juntos uma ação conjunta, até para participar do comércio mundial com mais força.

É importante lembrar que quando nós convidamos o primeiro encontro Países Árabes e América do Sul, no Brasil, muita gente não acreditava que ele pudesse acontecer, e aconteceu. E foi um sucesso. Naquele tempo, os Estados Unidos pensavam que o encontro era contra os Estados Unidos. Israel pensava que o encontro era contra Israel. E a gente não queria fazer o encontro contra ninguém. O encontro era favorável a nós, era um encontro para discutir os nossos problemas. E fizemos o segundo [encontro] na cidade de Doha, no Catar, com muito mais participação árabe e muito mais participação da América do Sul.

É importante lembrar que quase todos os presidentes da América do Sul estiveram presentes em Doha. E que aqueles que não foram, foram representados pelos vice-presidentes, numa demonstração de que as pessoas estão descobrindo que é preciso procurar novas parcerias no mundo globalizado, onde poucos países detêm o monopólio da negociação, o monopólio da produção e o monopólio da tecnologia.
Nós estamos apenas dizendo ao mundo que a Arábia Saudita não quer mais apenas vender petróleo, ela quer investir em conhecimento, ela quer investir em ciência e tecnologia, porque ela também quer exportar produto de valor agregado tão competitivo quanto o dos países modernos. E o Brasil quer a mesma coisa. O Brasil já exporta avião, o Brasil já exporta produtos importantes de valor agregado, mas ainda é pouco diante do que nós poderemos produzir e essa junção de dois países com vontade de crescer, com vontade de se desenvolver, pode criar um novo paradigma na relação Mundo Árabe-Brasil, América do Sul e Mundo Árabe.

Por isso eu estou aqui muito satisfeito. Acho que daqui para frente, muitos empresários brasileiros terão que vir à Arábia Saudita e também muitos empresários da Arábia Saudita terão que ir ao Brasil. É importante que essas viagens se dêem com uma delegação grande de empresários, de especialistas, de cientistas, para que a gente possa se conhecer, porque tem muita gente que vê pela televisão vocês, árabes, vestidos desse jeito, e pensam que vocês são muito estranhos ao Brasil. E vocês não são estranhos ao Brasil. Primeiro, porque no Brasil tem mais árabes do que em muitos países árabes; segundo, porque os árabes fazem parte da cultura mundial, ou seja, muitas palavras utilizadas no dicionário brasileiro têm origem árabe. Portanto há uma identificação perfeita entre o mundo árabe e o Brasil, entre a Arábia Saudita e o Brasil, entre o desejo de desenvolvimento da Arábia Saudita e o desejo de desenvolvimento do Brasil.

Portanto, meus senhores, eu quero terminar as minhas palavras esperando que neste ano já recebamos uma delegação da Arábia Saudita no Brasil. E que ainda este ano, outra de empresários brasileiros venha ao Brasil [Arábia Saudita] e que ainda no decorrer do ano a gente comece a trocar essas experiências, porque o mundo não protegerá quem não tiver coragem de ousar. E ao invés de nós ficarmos colocando nossas reservas depositadas em títulos americanos - o Brasil tem pouco, tem apenas 200 bilhões de dólares em reservas, mas a Arábia Saudita tem muito, a China tem muito -, ou seja, ao invés de a gente ficar com o dinheiro paralisado recebendo rendimento dos títulos americanos, se nós construirmos fábricas, se nós investirmos em ciência e tecnologia, se nós fizermos universidades, se nós investirmos nas indústrias de produção de alimento, certamente daqui a 20 ou 30 anos a Arábia Saudita e o Brasil serão infinitamente melhores do que são hoje.

Por isso eu quero dar os parabéns aos empresários brasileiros que vieram aqui, aos empresários da Arábia Saudita e dizer que uma nova era começou na relação entre a Arábia Saudita e o Brasil.

Muito obrigado.

Fim do conteúdo da página