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(incompreensível) ...Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social; Pedro Brito, da Secretaria Especial de Esportes,

Senhor (incompreensível), governador do Banco de Desenvolvimento da China,

Senhor (incompreensível), Presidente do Banco de Desenvolvimento da China, 

Senhor (incompreensível), embaixador da República Popular da China no Brasil, 

Senhores e senhoras empresários do Brasil e da China, 

Amigos e amigas, 

Este é um momento especial das relações entre a China e o Brasil. Comemoramos 35 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre nossos países e reforçamos nossa parceria estratégica. Intensificou-se o comércio bilateral. Está cada dia mais claro o potencial de expansão dos investimentos entre os dois países. Nossos governos têm trabalhado intensamente para fortalecer nossa parceria. 


Mas é necessário uma participação mais ativa dos meios empresariais. Por isso fiz questão de viajar acompanhado por expressiva delegação de homens de negócios.

Senhoras e senhores,

Desde o início desta década, o comércio entre a China e o Brasil cresceu a uma taxa anual média de mais de 40% ao ano. No último ano, chegou a 55%.

A China passou a ser, em 2009, o maior parceiro comercial brasileiro. Nossas trocas continuaram crescendo - mesmo durante a crise - a despeito da recessão que se abateu sobre o mundo.

As exportações brasileiras para a China estão concentradas em produtos como soja, minério de ferro, petróleo e celulose. São produtos importantes. Queremos incrementar essas exportações. Mas é necessário diversificá-las para garantir a expansão do fluxo de comércio bilateral no longo prazo.

Temos de agregar valor a estes produtos. Isso depende da ação conjugada dos governos, removendo barreiras, e dos empresários, exercendo sua criatividade. Assim reduziremos o risco que a volatilidade dos preços das commodities poderá ter na economia e no emprego.

Avançar na cooperação entre autoridades sanitárias dos dois países é fundamental pare esse objetivo. Isso dará impulso à venda de outros produtos como a carne, por exemplo.

A diversificação também envolve produtos de maior sofisticação tecnológica. É o caso dos aviões da Embraer, que apesar de estarem entre os principais produtos de exportação brasileira, ainda são pouco conhecidos na China.

Merecem destaque a experiência da Petrobras na perfuração de petróleo em águas profundas e nossa pujante indústria de máquinas e equipamentos agrícolas, de motores e de compressores.

A experiência brasileira com biocombustíveis oferece alternativa eficiente e limpa para a circulação de automóveis, e a co-geração de energia. Aí também a aplicação de tecnologia a produtos básicos valorizará nosso comércio.

No setor de serviços há grande potencial de cooperação, sobretudo na informatização de grandes sistemas.

No Brasil, o governo e o setor privado trabalham ativamente na "Agenda China", que prevê ações positivas na área de comércio e de investimentos.

A instalação em Beijing de escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos se somará ao Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty no fomento e apoio a novas parcerias entre empresários brasileiros e chineses.

Até o final de 2009, estará funcionando o Consulado do Brasil em Cantão, sede de uma das maiores feiras de negócio do mundo e pioneira do processo que transformou o país em potência comercial.

Os acordos que serão assinados hoje entre o Banco de Desenvolvimento da China, o Banco do Brasil e o Banco Itaú complementam a moldura para a expansão do comércio.

Senhoras e senhores,

Nos últimos anos, o Brasil cresceu de forma sustentável com estabilidade macroeconômica. Estamos mostrando ao mundo que temos condições de superar a crise econômica global e retomar rapidamente o caminho do crescimento.

Os programas sociais do governo - a começar pelo Bolsa Família - asseguraram o nível de renda da parcela mais pobre da população, com impacto positivo na demanda e no consumo.

Em 2007, lançamos o Programa de Aceleração do Crescimento, que investirá US$ 306 bilhões até 2010 e mais US$ 240 bilhões após 2010 em obras de logística, energia, infraestrutura e melhorias urbanas e sociais.

Reduzimos impostos, de forma a estimular o consumo interno e aumentar a competitividade de nossas empresas.

Em 2008, a Petrobras anunciou a descoberta de grande reserva de petróleo de alta qualidade no litoral, que colocará o Brasil entre os maiores produtores e exportadores de petróleo e de derivados.

Assinei, recentemente, decreto que regulamenta o estabelecimento de Zonas de Processamento de Exportações, criando grandes oportunidades para a instalação de indústrias chinesas no Brasil, voltadas para o comércio internacional.

Podemos ampliar muito nossa Parceria Estratégica mediante a ampliação dos investimentos diretos.

Os acordos firmados entre o Banco de Desenvolvimento da China e instituições brasileiras como a Petrobras e o BNDES permitirão a participação chinesa em importantes projetos no Brasil.

Também gostaríamos de ver mais presença chinesa no mercado de capitais. Por isso, convido os bancos e os investidores a olhar mais para o mercado e para as empresas brasileiras.

O mercado de títulos da dívida brasileira é totalmente aberto para os investidores estrangeiros. Há também crescente mercado para investimentos em títulos privados e ações. O governo brasileiro trabalhará com os setores competentes do governo chinês para viabilizar esses investimentos.

Senhoras e senhores,

Em jantar na noite de ontem com o Presidente Hu Jintao, constatamos mais uma vez a grande coincidência de posições entre o Brasil e a China nos foros internacionais na área econômica, comercial e financeira e também o potencial para ampliação da já extensa cooperação bilateral.

Para essa cooperação, estamos elaborando o Plano de Ação Conjunta com vistas a orientar nossas ações nos próximos cinco anos. Será amplo programa de cooperação, construído com base em amplas consultas entre os governos e os diversos setores da sociedade civil dos dois países.

Convido a todos os nossos amigos empresários a participarem desse esforço e tenho certeza de que desse seminário sairão muitas contribuições.

Meus amigos e minhas amigas,

Eu queria, primeiro, abusar da paciência do intérprete, que terá que ter muita paciência, para dizer duas coisas a mais. China e Brasil estão trabalhando para que essa crise econômica não permita que voltemos ao que éramos há 10, 15 ou 20 anos. China e Brasil estão demonstrando um potencial tão extraordinário nas suas relações políticas, cultural, comercial, que serve de reflexão para os empresários brasileiros, para o governo brasileiro, para os empresários chineses e para o governo chinês.

Imaginem que apenas há 35 anos estabelecemos a nossa relação diplomática. E em 35 anos, China e Brasil já têm um fluxo de balança comercial próximo dos US$ 40 bilhões. A China e o Brasil já se transformaram nos maiores parceiros comerciais. Países com quem mantemos relações há séculos, países ricos, as nossas exportações são infinitamente menores. E eu diria: não menor do que a China, menores do que países com a Colômbia, países com a Venezuela, países como a Argentina. Em uma demonstração de que dois países que têm as mesmas necessidades, dois países que estão em franca expansão, e dois países que têm muitas similaridades, garantem a possibilidade da nossa balança comercial ser quase que infinita, na medida em que levarmos em conta o tamanho da China e o tamanho do Brasil. Na medida em que levarmos em conta as necessidades da China e as necessidades do Brasil.

E aí, é importante que tenhamos em conta que neste mundo globalizado nós não temos o direito de ficar esperando a sorte passar na nossa frente. Nós temos que ir ao encontro da sorte.

A primeira decisão do meu governo, de construir uma parceria estratégica com a China se deu em uma reunião em que nós decidimos garantir que os chineses pudessem construir o Gasene. Foi a única decisão do meu governo que eu coloquei em votação - a única. Porque tinha gente que defendia a parceria com o Japão, e nós defendíamos a parceria com a China. E o gasoduto está sendo construído. O José Sergio Gabrielli participou daquela reunião e até teve direito a voto.

O dado concreto é que nem o Brasil deve ter medo da China e nem a China pode ter medo do Brasil. O dado concreto é que nós temos que conversar cada vez mais, como duas grandes nações, como duas grandes economias, com um potencial de complementaridade que não existe entre o Brasil e nenhum outro país, e que não existe entre a China e nenhum outro país.

É com essa dimensão que nós precisamos nos relacionar, sem criar bloqueios, mas criar instrumentos para que a nossa relação se dê de forma cada vez mais justa, mais igualitária e mais produtiva para os dois países.

China e Brasil, hoje, são mais importantes do que alguns possam pensar. Aliás, não é possível qualquer decisão econômica, ou qualquer discussão econômica entre os países ricos do mundo, sem levar em conta a existência da China, sem levar em conta a existência do Brasil, sem levar em conta a existência da Índia, sem levar em conta a existência da Rússia, e sem levar em conta a existência de outros países importantes, inclusive países africanos, como a África do Sul.

Por que eu estou dizendo isso? É porque, nesse mundo globalizado, em que os ricos já não têm tanta certeza como tinham no século XX, não são tão perfeitos como eram no século XX, e países como a China e o Brasil se apresentam como alternativas concretas de países que têm estabilidade econômica, de países que souberam cuidar da macroeconomia, de países que souberam fazer reservas, e de países que, em vez de terem medo da crise, estão apostando que a crise é uma oportunidade para que a gente saia muito mais forte do que nós entramos, para que a gente possa ser mais criativo, mais inventivo, e para que a gente possa ter coragem de fazer aquilo que nós até então não tínhamos coragem de fazer. Em vez de medo, em vez de preocupação, mais coragem e mais ousadia.

E, aí, o desafio para os empresários brasileiros: é de que as oportunidades não aparecem na porta da nossa casa, batendo. Nós temos que percorrer o mundo procurando essas oportunidades, nós temos que descobrir os nossos parceiros.

Por exemplo, a China e o Brasil têm muita preocupação com a questão do clima. Aliás, eu acho que toda a humanidade hoje tem preocupação com a questão do clima, porque nós estamos vendo lugares em que não chovia chovendo demais, lugares em que chovia demais chovendo de menos. Nós estamos vendo acontecer muitas coisas que parecem fora do normal.

E nós temos que ter duas sabedorias. A primeira, é que nós somos culpados; a segunda, é que nós temos alternativas. E o Brasil quer partilhar com a China o nosso conhecimento tecnológico na produção de energia alternativa, sobretudo de combustíveis limpos, de etanol, de biodiesel. E não queremos que a gente tenha nenhuma competição com a produção de alimentos. Nós queremos que a China continue produzindo os alimentos para o seu povo, o Brasil continue produzindo os alimentos para o seu povo.

Mas tem continentes, como o africano, que [com] uma parceria China-Brasil, na produção de biocombustíveis nesses países, nós poderíamos estar dando a países africanos que passaram todo o século XX, o século XIX, o século XVIII, sem esperança, a esperança e a certeza de que no século XXI eles poderiam ter a chance que não tiveram no século passado.

Eu ainda vou ter mais reuniões com o Presidente Hu Jintao. Hoje, depois vou encontrar com o Presidente Hu Jintao na Itália, depois vou encontrar com o Presidente Hu Jintao no G-20 financeiro. E certamente ainda este ano deverei receber o presente Hu Jintao, para que eu possa pagar o jantar que ele me ofereceu ontem.

E cada reunião dessa é a oportunidade de nós tirarmos as nossas diferenças, de descobrirmos novas oportunidades, novas parcerias para que China e Brasil possam, juntos, consolidar a mudança na geografia comercial que nós já começamos a fazer.

Quero dar os parabéns ao governo chinês, aos empresários chineses, aos empresários brasileiros, pelos acordos que nós vamos assinar hoje. Tenho certeza de que vocês estão dando uma contribuição inestimável para que a gente possa construir, neste século XXI, uma outra história da Humanidade. A história em que China e Brasil nunca mais serão esquecidos na roda de conversa dos países ricos, ou porque seremos tão ricos quanto eles, ou porque eles dependerão de muitas coisas que nós saberemos produzir.

E vocês não imaginam o prazer, a satisfação de nós começarmos a sentir que nós somos grandes, que nós temos importância, e que ninguém nunca mais vai sentar à mesa de negociação dizendo: "Não precisamos convidar China e Brasil, porque eles são pobres".

Nós estamos aprendendo a gostar de sermos ricos. Nós estamos aprendendo a gostar de levar benefícios para a parte mais pobre da nossa população. E nós sabemos, China e Brasil - e os dois governos sabem - que ainda temos que fazer muito para consolidar um padrão de vida adequado para o nosso povo.

Uma coisa o mundo tem que ter certeza: não há volta. Nós queremos nos transformar em duas grandes economias. E para que isso aconteça, nós precisamos ter coragem de, a cada dia, renovar e fortalecer a nossa parceria.

Muito obrigado.

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