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Senhor (incompreensível), Presidente da Academia de Ciências Sociais da China,

Ministros brasileiros que me acompanham nesta delegação, Celso Amorim, das Relações Exteriores; Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social,

Senhor (incompreensível), secretário-geral do Centro de Estudos Brasileiros da Academia de Ciências Sociais da China,

Senhoras e senhores da comunidade acadêmica chinesa,

Amigos da imprensa,

Meus amigos e minhas amigas brasileiros, chineses,

Embaixadores convidados de outros países,

É uma honra visitar uma das mais reconhecidas instituições acadêmicas da China e de toda a Ásia, cuja excelência é reconhecida em todas as áreas de pesquisa a que se dedica.

Manifesto minha satisfação de estar presente na abertura do Centro de Estudos Brasileiros da Academia de Ciências Sociais da China. Esta é uma ocasião propícia para compartilhar com os senhores algumas reflexões sobre a parceria estratégica entre a China e o Brasil, analisando os desafios que enfrentamos nesses tempos de transformações no plano internacional.

Há 35 anos, a China e o Brasil estabeleceram relações diplomáticas, iniciando uma cooperação que se fortaleceu sobretudo nos últimos anos. Com base na amizade e no respeito mútuo, aperfeiçoamos continuamente nossos canais de diálogo e avançamos lado a lado no desenvolvimento de importantes projetos.

Somos economias dinâmicas e complementares. Por essa razão temos podido intensificar a cooperação em diversas frentes, como nas áreas de energia, de aviação e de exploração de recursos minerais. Temos uma bem sucedida cooperação em ciência e tecnologia, com o emblemático programa de satélites, cujos benefícios estendemos a outros países em desenvolvimento.

O comércio bilateral vem alcançando números recordes a cada ano e nos mantemos empenhados em ampliar e diversificar nosso intercâmbio. Em 2009 a China passou a ser o principal parceiro comercial do Brasil.

Temos, ainda, o desafio de explorar reciprocamente o imenso potencial de investimentos que nossas economias oferecem.

O dinamismo da relação entre China e Brasil pode ser aferido de várias maneiras. Num contexto marcado por forte ênfase na diplomacia presidencial, a interação entre Chefes de Estado é um indicador importante das prioridades. Dou-lhes um exemplo: de julho de 2008 ao final de 2009 o Presidente Hu Jintao e eu teremos nos reunido em nove ocasiões.

Nesses encontros e agora nesta visita que faço a Pequim, renovamos a determinação de seguir aprofundando a parceria entre China e Brasil. Prova desse firme propósito é a decisão que tomamos de elaborar um Plano de Ação Conjunta que, de forma concreta, lançará novas bases para uma ampla cooperação no período 2010-2014.

Senhoras e senhores,

Ao longo desses 35 anos de amadurecida convivência, China e Brasil vêm mostrando ampla convergência de interesses e prioridades na busca de um desenvolvimento sustentado e na construção de uma ordem internacional mais justa.

O sistema internacional passa hoje por grandes transformações. Os países em desenvolvimento têm conseguido desempenhar um papel cada vez mais ativo nas instituições internacionais e nas discussões sobre a reforma da governança global.

Como duas grandes nações em desenvolvimento, participamos de mecanismos como os Brics, o G-5, o G-20 comercial e o G-20 financeiro, o que nos permite intensificar o diálogo sobre grandes temas da agenda internacional.

Já foi o tempo em que apenas reagíamos aos acontecimentos. O mundo multipolar que emerge no século XXI vai nos encontrar atuando no centro do processo decisório global com uma perspectiva multilateral.

Senhoras e senhores,

No atual contexto de crise econômica, nossos governos têm interagido de maneira construtiva na busca de uma nova arquitetura financeira internacional. Podemos fazê-lo porque soubemos dar respostas à crise que não criamos e que ameaçava fazer retroceder conquistas duramente obtidas por nossos povos.

Embora o epicentro da crise esteja nos países desenvolvidos, a Cúpula de Londres evidenciou que não há meio de superá-la sem o envolvimento direto dos países em desenvolvimento. Isso deve se refletir, por exemplo, na maior participação de países como a China e o Brasil no processo decisório de instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

A adequação das normas internacionais à realidade não deve se limitar, contudo, à reforma das organizações econômicas. Também é preciso adaptar as instituições políticas às profundas mudanças ocorridas no mundo nas últimas décadas.

É inadiável a democratização das instituições dedicadas às questões de segurança internacional, como o Conselho de Segurança da ONU. Para preservar sua credibilidade, é preciso torná-lo mais representativo, equilibrado e eficaz. Isto será alcançado com a maior participação de países em desenvolvimento, inclusive como membros permanentes.

Se retardarmos excessivamente estas mudanças, estaremos debilitando as próprias Nações Unidas.

Senhoras e senhores,

Muitos são os desafios internos que China e Brasil enfrentam. Vivemos a condição de pertencer ao mundo industrializado e ao mundo em desenvolvimento. Como países em desenvolvimento, compartilhamos o objetivo de garantir um crescimento econômico sustentável, com benefícios concretos para todos os segmentos de nossas sociedades.

A troca de experiências sobre nossas realidades representa fator de enriquecimento dessas duas grandes nações. Precisamos promover o intercâmbio, o diálogo, a interação entre empresários, cientistas, estudantes, turistas, enfim, entre cidadãos brasileiros e cidadãos chineses. Precisamos comparar nossas políticas de desenvolvimento, nossos programas de combate à pobreza.

Queremos conhecer melhor a cultura milenar da China e gostaríamos que os chineses soubessem mais sobre a arte e a literatura brasileira.

Os esforços do Instituto de Estudos Latino-Americanos desta Academia e de seu diretor, Zhen Bingwen, são fundamentais para essa aproximação. O Centro de Estudos Brasileiros que hoje se inaugura prestará enorme contribuição para o nosso conhecimento mútuo. Servirá, igualmente, de ponte entre as instituições acadêmicas brasileiras e as chinesas.

Estou certo de que o Centro desenvolverá, com padrão de excelência, pesquisas sobre o Brasil, promoverá estudos da língua portuguesa e será importante elemento difusor da nossa cultura na China.

A China e o Brasil são dois gigantes unidos pelo desejo permanente de melhorar as condições de vida de nossas populações. Pelos nossos interesses e dimensões estamos destinados a nos encontrar, unidos, em diversos tabuleiros da cena internacional e em diversas coalizões.

Muito obrigado.

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