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Excelentíssima senhora Gloria Arroyo, Presidente da República das Filipinas e o senhor Jose Miguel Arroyo,

Minha companheira Marisa Letícia Lula da Silva,

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro interino das Relações Exteriores,

Senhor Alberto Rômulo, ministro das Relações Exteriores da República das Filipinas, em nome de quem cumprimento os demais integrantes da delegação filipina,

Ministros Reinhold Stephanes, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,

Parlamentares aqui presentes,

Senadores,

Deputados,

Senhores integrantes do corpo diplomático,

Amigos, amigas,

Jornalistas das Filipinas e do Brasil,

É com grande satisfação que recebo a presidente Gloria Arroyo em Brasília, nesta que é a primeira visita de um chefe de Estado filipino ao Brasil. Vossa Excelência dá continuidade aos esforços de aproximação iniciados pelo seu pai, Diosdado Macapagal, que nos deu a honra de visitar o Brasil em 1960, ano da inauguração de Brasília.

Seu país se destaca numa das regiões de maior dinamismo no mundo atual, graças ao caráter empreendedor de seu povo e suas lideranças.

Apesar da distância geográfica, estamos unidos por traços históricos comuns. Filipinos e brasileiros compartilham o legado de povos multiculturais, forjados na diversidade e no desejo do desenvolvimento. Representamos dois grandes países, com democracias consolidadas, economias diversificadas e extenso patrimônio ambiental. Temos também os desafios próprios das sociedades em desenvolvimento.

A luta contra a pobreza e as desigualdades é um objetivo comum. Nossos programas de inclusão social constituem importante elo de aproximação: o Pantawid Pamilyang e o Bolsa Família conferem a milhões de filipinos e brasileiros lugar e voz em nossas sociedades. Isso significa expandir a cidadania e fortalecer a democracia.

Esse ambiente de mudanças cria condições efetivas para intensificar nossas relações. Claro indicador dessas potencialidades é o comércio bilateral crescente. Entre 2004 e 2008, o intercâmbio passou de 400 milhões a mais de 1 bilhão de dólares. Mas há um espaço significativo para aumentar e diversificar nossas trocas em bases equilibradas.

A aproximação entre a Câmara de Comércio das Filipinas e a Confederação Nacional de Indústrias do Brasil será de grande valia na busca de novas oportunidades de negócios e no aproveitamento de nossas complementaridades.

Sei que Vossa Excelência esteve em Pernambuco para a inauguração do terminal de contêineres do Porto de Suape. Esperamos que outros sigam os passos da Tecon Suape e ampliem investimentos em infraestrutura no Brasil. Nossas empresas também estão descobrindo nas Filipinas uma sólida plataforma para atividades no Sudeste da Ásia. A abertura do escritório da Vale do Rio Doce em Manila é um passo importante nessa direção.

Com a assinatura de instrumentos bilaterais nas áreas de agricultura e pesquisa agropecuária, podemos aumentar significativamente as possibilidades de produção de alimentos e de matéria-prima. Os entendimentos entre a Embrapa e a PADCC serão fundamentais para o intercâmbio de experiências em tecnologia na agricultura tropical.

O acordo sobre cooperação em bioenergia abre caminho para que compartilhemos nosso conhecimento na produção de etanol. É muito auspiciosa a aprovação de lei filipina que introduz os biocombustíveis na matriz energética do país. Podemos avançar muito na utilização de combustíveis renováveis.

Como membros fundadores do Mercosul e da Asean, estamos conscientes da importância da integração regional. Após a primeira reunião ministerial entre os dois blocos, realizada em Brasília, estou certo de que os próximos encontros em Kuala Lumpur e em Nova Iorque, à margem da próxima Assembléia Geral da ONU, darão novo impulso a essa aproximação.

Cara Presidente,

O momento que vivemos exige de nós, líderes de países em desenvolvimento, uma atitude firme e coerente no enfrentamento da crise. Em recentes pronunciamentos que fiz na OIT e no Conselho de Direitos Humanos em Genebra condenei a onda de xenofobia que acompanha a retração das economias dos países mais ricos.

A crise atual resulta de um ciclo de quase três décadas de equívocos cometidos em nome do neoliberalismo. Foram as teses do Estado mínimo, as privatizações desenfreadas de empresas públicas e a crítica à forte presença reguladora do Estado que conduziram a economia global à beira do abismo. Parte do mundo em desenvolvimento enfrenta severa redução da demanda externa por seus bens e serviços. As remessas dos trabalhadores migrantes diminuíram, comprometendo uma importante fonte de recursos de vários governos.

Mas a crise é também uma oportunidade para a construção de uma nova ordem e governança internacionais. Ela nos mostra que o mundo não pode ser regido por um clube de sete ou oito países ricos, sem levar em conta mais da metade da humanidade.

As organizações políticas e econômicas multilaterais não podem mais prescindir do peso e da legitimidade conferida pelos países em desenvolvimento. É impensável que o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial continuem sendo um condomínio de europeus e norte-americanos.

As Nações Unidas também carecem de reforma para oferecer respostas eficazes aos desafios cada vez mais complexos do cenário internacional. A esse respeito, desejo manifestar meu profundo reconhecimento à decisão do governo filipino de apoiar o pleito brasileiro a ocupar assento permanente em um futuro Conselho de Segurança ampliado.

Nossa aliada de primeira hora na OMC, as Filipinas têm atuado lado a lado com o Brasil no G-20 em prol de um resultado equilibrado da Rodada de Doha. Nosso desejo comum é de acabar com as anomalias que caracterizam, em especial, o comércio agrícola.

Na agenda ambiental, estamos comprometidos com um resultado ambicioso, na Cúpula de Copenhague, sobre mudança do clima. Todos somos responsáveis por conciliar crescimento e proteção ambiental. Mas essas responsabilidades são diferenciadas. Os países ricos não podem ignorar seus compromissos mandatórios de redução de emissões.

Querida amiga Gloria Arroyo,

As decisões que tomamos durante sua histórica visita lançam as bases para que consolidemos cada vez mais essa parceria. No seu retorno a Manila, peço que leve a mensagem de estima e amizade do povo brasileiro pelos filipinos e nossa admiração pela sua luta em busca de um futuro melhor.

É com esse espírito de confiança e otimismo que proponho um brinde à saúde e à felicidade pessoal de Vossa Excelência, ao seu esposo e ao bem-estar do povo-irmão das Filipinas.

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