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Presidente: Eu não quero repetir aqui o que já disse o nosso companheiro presidente Calderón, e o companheiro primeiro-ministro Singh. Eu apenas queria dizer uma coisa que eu considero importante porque estou participando desde a primeira reunião da constituição do G-5 depois que fomos convidados em Evian, em 2003, pelo Chirac. Depois nós resolvemos, então, nos articular enquanto chefe de Estado.

Eu acredito que está se consolidando na consciência dos dirigentes do G-5, e quero dizer que também na consciência dos dirigentes do G-8, que não há muito espaço para a gente criar muitos grupos de trabalho entre os presidentes das Repúblicas do mundo inteiro.

Nós temos alguns problemas, como crise econômica profunda, e nós sabemos onde ela nasceu. Nós temos problemas sérios, como a questão climática, que nós também sabemos quem polui mais e quem polui menos, portanto, sabemos de quem é a responsabilidade. Nós temos assuntos extremamente importantes, como a segurança alimentar, que é uma questão de soberania de cada país e que nós precisamos discutir isso com muito carinho. Nós temos as reformas nos órgãos multilaterais que precisamos discutir para que a gente garanta mais representatividade nos fóruns que decidem coisas importantes e que, muitas vezes, guiam os nossos passos. E tudo isso são assuntos extremamente importantes que não podem ser divididos em 300 grupos diferentes.

Eu penso que a nota retrata com fidelidade aquilo que pensa o G-5 e acho que essa nota deve ser defendida por nós, amanhã, na reunião do G-8, para que a gente consiga firmar um consenso definitivo sobre as coisas principais que o mundo vive hoje. Nós não podemos discutir temas como segurança alimentar, como questão climática, separados da crise econômica, porque nós sabemos que os países mais pobres estão sofrendo muito mais nessa situação.

Daí porque eu acho a importância desta reunião. Eu espero que amanhã, com muita fraternidade, muita lealdade, com os países do G-8, a gente possa aprofundar esses temas e tomar conclusões, porque não adianta a gente aprovar documentos como aprovamos o Protocolo de Quioto e, tantos anos depois, a gente perceber que ele não foi cumprido na sua totalidade. E estão aí os países ricos a exigir que os países pobres sejam responsáveis pela diminuição da poluição no Planeta. Alguns oferecem para nós alguns fundos, e nós achamos que, essas coisas, é importante discutir.

Mas o primeiro compromisso que precisa ser assumido, se a gente quiser discutir a sério a questão climática é os países ricos tomarem a decisão de diminuir a emissão de gases de efeito estufa. Até porque os continentes mais pobres e, sobretudo os povos dos países mais pobres, têm o direito de ter acesso a bens materiais tanto quanto os ricos já conquistaram. Nós não queremos continuar sendo cidadãos de segunda classe, ou seja, nós queremos subir para o andar de cima e fazer parte do bem-estar coletivo que a humanidade tem que ter.

Da mesma forma, a crise econômica. Nós já fizemos... Já faz um ano que nós fizemos a primeira reunião a convite do presidente Bush - quase um ano - depois já fizemos a de Londres e é preciso que nós trabalhemos para que as coisas acordadas por todo mundo sejam cumpridas. O que eu não quero é aceitar a ideia de que alguns países ricos estão esperando ver que a natureza, por si só, tome conta da crise econômica, fique tudo como está e não se mude absolutamente nada.

Por último, nós também estamos conscientes de que a reforma nos órgãos multilaterais, a começar pelas Nações Unidas, precisa acontecer porque nós estamos sem guardião da paz no mundo inteiro. Se a gente tivesse uma instituição mais representativa, mais legitimada pela mudança da geografia política do Planeta, certamente nós poderíamos agir com muito mais rapidez.

Dito isso, eu queria pedir paciência aos companheiros presidentes. Depois que terminar a fala do Zuma e a fala do chanceler da China, eu gostaria de dois minutos para entregar um regalo, um presente para cada companheiro aqui.

Presidente: Apenas um... O problema é o seguinte: o primeiro a receber o presente vai ser o companheiro Zuma, porque a África do Sul sediou a Copa das Confederações, e eu fiquei vendo pela televisão. O Zuma foi a quase todos os jogos e quando a África do Sul... estava faltando cinco minutos, zero a zero com o Brasil, o Zuma estava com um sorriso de que ia ter prorrogação. E eu, do outro lado da televisão, de cara feia, esperando que o Brasil marcasse um gol. Finalmente, o Brasil marcou um gol, eu fiquei muito feliz e o Zuma ficou triste, eu vi pela televisão. Então, a primeira camisa é para o companheiro Zuma, da Seleção brasileira; depois eu vou dar uma para o México, que é um adversário sempre muito feroz do Brasil; depois eu vou dar uma para o primeiro-ministro Singh, porque haverá um dia em que a Índia terá uma seleção capaz de enfrentar a Brasileira; depois eu vou dar uma para a China, porque eu espero que a China tenha, daqui a alguns anos, a mesma competência no futebol dos homens que tem das mulheres, então...

E amanhã eu vou dar uma para o Obama, vou dar uma para o Egito, vou dar uma para o Berlusconi, porque foram adversários do Brasil muito difíceis. Como o Obama apareceu na televisão dizendo "Nós podemos, nós podemos"... quase que a Seleção dos Estados Unidos ganha da gente. Aí, quando estava dois a zero, eu comecei a dizer: "nós podemos, nós podemos", e a Seleção brasileira ganhou.

Então, o primeiro a receber vai ser o companheiro Zuma, autografada por todos os jogadores da Seleção brasileira.

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