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Eu quero cumprimentar a Governadora Yeda Crusius,

Cumprimentar a Dilma,

Cumprimentar os Deputados Federais aqui presentes, o Henrique Fontana, líder do governo; o Beto Albuquerque, vice-líder; o Cláudio Diaz; nosso Fernando Marroni; e o companheiro Vieira da Cunha,

Quero cumprimentar o Presidente Jaime Ardila, Presidente da GM do Brasil,

O nosso companheiro Aldemir Bendine, Presidente do Banco do Brasil,

A Maria Fernanda, Presidente da Caixa Econômica Federal,

Nosso querido companheiro, amigo de tantos anos, José Carlos Pinheiro Neto, Vice-Presidente da GM do Brasil,

Luiz Moan, Diretor de assuntos institucionais da GM,

E cumprimentar os demais membros da GM,

Secretários de Estado do Rio Grande do Sul e Prefeitos que estão aqui presentes,

Eu termino, agora, uma reunião do G-8 na cidade de L'Aquila, na Itália, onde estavam presentes, primeiro o G-8, depois o G-8 mais G-5, depois o G-8 mais países africanos mais Austrália mais Indonésia, ou seja, no fundo, era uma reunião que envolvia as 20 maiores economias do mundo e é incomensurável o orgulho de ser brasileiro no momento em que a gente percebe que as nossas empresas no Brasil estão melhores do que suas matrizes nos países desenvolvidos. Eu estive com o Berlusconi, eu estive com a Angela Merkel, estive com o Sarkozy, estive com o Obama, e todos eles boquiabertos com o resultado da indústria automobilística brasileira.

Eu dizia para o Ardila que a gente poderia estar melhor se não fosse a precipitação do setor no final do ano, possivelmente levada pelo pânico que foi criado durante os meses de outubro e novembro. Eu tive que ir para a televisão no dia 22 de dezembro fazer apologia do consumo para ver se convencia as pessoas que estavam com medo de consumir, fazer uma dívida, perder o seu emprego e não poder pagar. Eu fui dizer que, se elas não comprassem, elas iam perder o emprego mais rapidamente. Jamais imaginei fazer isso na vida, mas eu estava sentindo que havia um pânico na sociedade, e todo mundo estava entrando em compasso de espera. É como se um grupo de mulheres fosse a um baile e chegasse na porta, "bom, nós só vamos entrar se tiver homens para dançar", ou um grupo de homens fosse para o baile, "só vamos entrar se tiver mulheres", sem botar a cara para ver se tinha ou não.

Nós estávamos convencidos de que a crise tinha chegado por último no Brasil, antes da quebra do Lehman Brothers, não tem um especialista no Brasil, sabe, que não dizia que a crise chegaria no Brasil com efeito de no máximo 1% do PIB, se ela chegasse. Depois da queda da Lehman Brothers nós tivemos o agravamento com o desaparecimento do crédito total e geral. E foi tão grave que uma empresa como a Petrobras, que antes todo mundo ficava oferecendo dinheiro, não conseguia mais crédito em lugar nenhum do mundo e teve que vir nos bancos públicos brasileiros disputar espaço com as pequenas e médias empresas que tinham a preferência desses bancos.

Então, a gente dizia que o Brasil tinha entrado por último na crise, a gente dizia que o Brasil ia sair primeiro da crise. Porque nós acreditávamos naquilo que estava acontecendo no Brasil.

É importante lembrar que, como eu sou um homem de muita fé, nós lançamos um Programa de desenvolvimento do Brasil antes da crise. Ou seja, quando a crise chegou que todos os presidentes dos países do mundo estavam anunciando programas de investimentos, nós tínhamos começado o PAC em janeiro de 2007, portanto, um ano e meio antes da crise nós tínhamos começado um Programa.

O que nós fizemos? Eu digo sempre que quem guarda tem, ou seja, se você for cuidadoso e souber fazer a sua poupança adequadamente, na hora da dificuldade você tem a disponibilidade. Como nós fizemos as coisas certas no ano de 2003, e todo mundo sabe que nós fizemos o maior ajuste fiscal que alguém já teve coragem de fazer - o de 2003, senão a gente não sobreviveria - e fizemos um superávit de 4,25, vamos lembrar dos meus companheiros, quantas críticas eu recebi porque eu aumentei o superávit para 4,25. A gente tinha clareza de que o Brasil precisava conquistar uma palavra chave no mundo dos negócios, no mundo do investimento, era credibilidade, sobretudo para uma pessoa da minha origem, da base social que eu vim para presidente, se a gente não conquistasse a credibilidade a gente não teria conseguido dar o passo seguinte, porque a encrenca começaria no primeiro passo.

Pois bem, quando veio a crise nós dizíamos que estávamos numa situação boa e que nós iríamos sair da crise o mais rapidamente.

Os números da indústria automobilística, obviamente que não valem para todo o setor industrial brasileiro. Mas os números da indústria automobilística, pela importância que a cadeia da indústria automobilística tem no PIB industrial, mais ou menos 24%, é um sinal extraordinário.

Vamos ver aqui alguns números: só falando da GM aqui, ou seja, ela bateu o recorde mensal, obviamente estou falando de 84 anos aqui, mas de todo o tempo dela aqui no Brasil mesmo nos bons melhores momentos das últimas décadas ela vendeu 58.646 veículos. É recorde mensal.

Os números representam um aumento de 20% em relação ao mês anterior e de 12,5% em comparação a junho do ano passado, que foi um ano de ouro. Vejam... Vamos pegar a história aqui, para a gente ver. Em junho do ano passado, eu reuni a equipe econômica duas vezes e a discussão nossa era como desativar o aquecimento da economia que está crescendo demais. Era preciso colocar um freio no crescimento da economia, porque estava se vendendo muito e a inflação podia dar sinais de volta. Isso foi em junho. Quando chega em setembro, a crise desativou, de forma exagerada, aquilo que a gente queria desativar de forma tranquila e pacífica. Também em junho - este é um dado importante - foi ultrapassada, pela primeira vez, a barreira dos 300 mil veículos vendidos no Brasil.

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos anunciou que as vendas de veículos no País somaram 300.174 unidades em junho. Trata-se de um acréscimo de 21,54% sobre maio e de 17,3% sobre junho de 2008, que foi um ano excepcional. O cenário supera o de 2008, até então considerado o melhor da história. A média de vendas diárias, no primeiro semestre de 2009, cresceu 14% em relação ao mesmo período no ano passado. Com desempenho recorde no acúmulo de seis meses e perspectiva de superar o resultado de 2008, as montadoras preparam contratações e várias empresas já estão fazendo hora extra aos sábados. Na General mesmo, foram negociadas horas extras aos sábados e já vem sendo adotado por outras empresas do setor. Vocês sabem que outras empresas estão adotando.

Por ora, a expectativa da Fenabrave é de que as vendas de automóveis comerciais (incompreensível) 2009, alcancem 2.783.466 unidades. Isso representa um crescimento de 4,20% sobre o total das vendas realizadas em 2008. Considerando também caminhões, ônibus e motos, a indústria automobilística brasileira deve fechar o ano com 4.895.143 veículos vendidos, uma alta de 3,13% sobre 2008.

Estes números aqui são apenas para os deputados terem, para fazer discurso lá na Câmara daqui a pouco. Mas, o fato concreto, companheiros, é este. Olhem, eu posso assegurar para vocês, primeiro... Estava ouvindo a tua fala ali e estava ouvindo antes o nosso presidente da GM... Fica provado que banco público não é ruim como alguns diziam nos últimos anos. Ficou provado que um banco público bem gerenciado é uma obra-prima na hora em que falta dinheiro no mercado, porque uma das vantagens comparativas do Brasil com os países desenvolvidos... A primeira é que os nossos bancos não estavam envolvidos no subprime, e a segunda é que nós tínhamos bancos públicos muito sólidos, desde o BNDES, com o aporte de R$ 100 bilhões que nós fizemos, a mais, até a decisão nossa de fortalecer a participação da Caixa Econômica e do Banco do Brasil, e de fazer com que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica comprassem carteiras de bancos menores, de fazer com que o Banco do Brasil comprasse a Nossa Caixa, em São Paulo, comprasse 50% do Banco Votorantim, em São Paulo.

Porque para nós, começou a ser o crédito o principal problema. Um sistema capitalista não funciona sem capital, e se o capital está desaparecido, como é que a gente vai fazer? Graças a Deus, a gente tinha alguns bancos públicos nos estados e tínhamos BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica. Eu espero que, daqui para a frente, ninguém nunca mais fale mal de banco público. Aliás, na conversa que eu tive com o Obama, eu disse que o problema dos Estados Unidos é que eles não tinham um sistema sólido, com alguns bancos públicos importantes... Eu tenho certeza que se, na época, os americanos soubessem o que iria acontecer no sistema financeiro depois da quebra do Lehman Brothers, eles teriam salvado o Lehman Brothers. É que eles não tinham certeza da gravidade e do medo que [se] criou no mundo inteiro.

Bem, dito isso, eu queria dizer, Yeda, companheiros prefeitos, secretários e GM, a alegria dessa confiança no Brasil, a alegria de a Governadora ter a disposição de negociar os limites do possível para que o seu estado volte a crescer e volte a investir. Da parte do governo federal... Eu tenho conversado muito com vocês e tenho dito o seguinte: não há nenhuma razão para ter qualquer desconfiança de qualquer coisa neste país. Este país aprendeu, definitivamente, que por mais dura que seja uma verdade, ela é melhor do que 50 mentiras contadas. Sobretudo na parte econômica, não há como mentir, porque o resultado é incontrolável, porque você pode mentir por pouco tempo. Vejam que nós adquirimos condições - e eu disse para vocês na última reunião do grupo de conselhos (incompreensível). Nós estamos desonerando a indústria, os produtos. Agora, é preciso que a gente facilite para que o povo possa comprar carro. Por que qual é a lógica? O carro continua sendo, depois da mulher ou depois do homem, a paixão do ser humano. Ou seja, este é um dado concreto: o carro é uma paixão. Quem já tem, quer trocar todo ano, e quem não tem, quer ter o primeiro. Às vezes o cidadão pensa em ter o primeiro carro antes de ter a primeira mulher, porque ele começa a querer ter carro com 14 anos, com 15 anos de idade, com 16 anos de idade. Então, vejam, é uma paixão. Agora, ele só vai poder comprar o carro se as prestações forem compatíveis com o seu contracheque. Se não, ele vai se contentar em ficar olhando na rua o carro passar. Quantos moleques de dez anos, neste país, sabem a marca de todos os carros, sabem a marca de todos os caminhões? Porque é uma paixão.

Então, se houver essa compreensão entre os entes federados do Brasil mais os empresários, de que nós juntos poderemos facilitar com que o povo tenha acesso a esse bem... Agora mesmo, quando nós desoneramos máquina de lavar, fogão, o que tem acontecido? A máquina de lavar cresceu as vendas 30%. Por que cresceu? Porque a máquina de lavar é um dos itens da independência da mulher, e é um dos jeitos que se tem de fazer os homens também lavarem roupa. É pegar a roupa dele e jogar.

Então, vejam, nós... Obviamente que não dá para a gente fazer isso de forma aleatória, mas se a gente for pegando setor por setor, tentando estruturar, nós vamos fazer, porque é assim que tem que ser feito. Vocês sabem da nossa preocupação com caminhões e com ônibus, e que queremos dar um jeito... Se nós tivemos que dar um jeito em motocicleta, se nós tivemos que dar um jeito no financiamento de barcos, agora, se nós vamos anunciar aí, financiamento de ônibus escolar, nós temos que renovar a frota de caminhões. E eu parei com aquela bobagem de ficar preocupado: quem é que vai ficar com o caminhão velho? Vai ficar com o caminhão velho quem só tiver dinheiro para comprar caminhão velho, mas nós temos que dar oportunidade para que quem quiser um novo, possa comprar um novo. Nós diminuímos os juros de 13,3% ao ano para 4,5% ao ano; aumentamos para 96%... 96 meses o financiamento. Por quê? Porque nós queremos que o motorista autônomo, que está carregando 70% das coisas que nós usamos neste país, por estrada, tenha um carro novo, que vai ser mais tranquilo para ele, vai dar mais rentabilidade... Criamos o fundo de aval...

Então, nós aprendemos, também, a viver em um mundo em que a gente não precisa ter desconfiança de ninguém. Primeiro, porque o Brasil não quer voltar atrás. Depois, todo mundo sabe que o País não pode estar bem sem os estados estarem bem. Os estados não podem estar bem sem as cidades estarem bem. Então, no fundo, no fundo, nós estamos em um grande transatlântico: ou todo mundo rema junto ou, na hora em que ele afundar, é como o Titanic, salvam-se poucos.

E nós achamos que o Brasil entrou em uma fase primorosa de se transformar em uma grande economia. Se a gente continuar nesse ritmo, eu não tenho dúvida de que nos próximos dez anos nós seremos a quinta economia do mundo, e eu penso que o Brasil tem condições para isso, sobretudo se o Brasil for ousado. Nós temos um mercado na América do Sul, que nós ainda trabalhamos aquém das nossas possibilidades e temos um mercado africano que nós não estamos levando muito a sério. E queria que a indústria automobilística pensasse nisso, porque são mercados de quase 800 milhões de habitantes, são mercados que estão consolidando a democracia. Nós temos trabalhado junto com outros governos para tentar construir projetos entre Brasil e Estados Unidos, entre Brasil e Alemanha, entre Brasil e França, para construir coisas nesses países desenvolvidos.

Todo mundo está consciente, e eu disse na reunião do G-8: na hora em que os países que habitualmente consumiam diminuírem o seu consumo, nós temos que arrumar novos consumidores para comprar os produtos sofisticados que os países ricos fazem. Só tem um jeito: é a gente criar esses novos consumidores nos países que têm possibilidade. E o continente africano é uma extraordinária oportunidade, como nós todos rezamos para a China continuar crescendo, para a Índia continuar crescendo.

O dado concreto é que ouvi do presidente Obama que os Estados Unidos não vão voltar a ser os consumidores que eram antes. Não vão e não podem porque o povo está muito endividado. Então, vamos aproveitar o que nós temos de bom. Temos mercado, temos capacidade de produção, temos capacidade de consumo e temos um leque muito grande ainda para a gente fazer as nossas ações.

Por isso, meus parabéns, Governadora do estado. Meus parabéns, Prefeito de Gravataí. Meus parabéns à GM por essa confiança. Eu espero que, nesses próximos dias, nós recebamos aqui outras empresas automobilísticas anunciando a mesma coisa. Quando a empresa anuncia uma crise, manda trabalhador embora e, três meses depois, a empresa começa a chamar horas extras, significa que ela está acreditando no futuro e está percebendo que ela foi precipitada no mês de dezembro.

Eu acho que é compreensível o clima de pânico que se instalou no mundo, no mundo, e eu penso que nós não superamos totalmente. Não vamos, também, ser conformistas e achar que está tudo resolvido. A questão do crédito ainda tem tendências sérias, o spread ainda está alto e nós vamos tratar de ir construindo as coisas para melhorar a situação deste país.

Parabéns e boa sorte. Eu espero que a gente possa, daqui a alguns anos, ser os compradores de um desses 380 mil carros novos que vocês vão produzir com design brasileiro.

Um abraço.

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