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Bem, eu quero cumprimentar os companheiros da mesa;

Quero cumprimentar os superintendentes regionais do Banco do Brasil. Estou vendo aqui pouquíssima mulher, parece que ainda temos um problema de gênero no Banco do Brasil, que precisamos resolver. As Forças Armadas têm mais gente do que o Banco do Brasil.

Mas, meu querido companheiro Dida, Nelson, Marisa, Dulce, companheiros do Banco do Brasil. A Marisa já pediu para eu pedir um crédito consignado ali, na hora que sair daqui.

Bem, eu penso que é desnecessário eu dizer aqui da minha relação com o Banco do Brasil, não de agora. Como o Banco do Brasil era o único banco que fazia greve, quando decretavam greve dos bancários, por conta disso, eu era muito chamado para fazer assembléia no Banco do Brasil. Às vezes me convidavam para ir a São Paulo, "vai ter passeata dos bancários". Chegava lá, não tinha ninguém do Bradesco, ninguém do Itaú, ninguém do Unibanco, só tinha... A Caixa não participava porque era de economiários, era só gente do Banco do Brasil. Assim, é fácil.

Mas a minha alegria, o meu respeito, a minha admiração, não apenas pelo Banco do Brasil, mas pelo conjunto das pessoas que fazem o Banco do Brasil ser o que é. Na verdade, acho que vocês que já têm mais de 20 anos no Banco do Brasil, mais, alguns com 30 anos, sabem que nem tudo sempre foi cor-de-rosa no Banco do Brasil ou tudo tão amarelinho como é hoje no Banco do Brasil. Nós vivemos um período na década de 80 e também na década de 90 em que um dos prazeres de alguns segmentos da sociedade brasileira era mostrar a inviabilidade do Banco do Brasil e os déficits que o Banco do Brasil apresentava nas suas contas no final do ano. Parece que era prazeroso o chamamento que se fazia para que o Banco do Brasil fosse privatizado porque ele não era um banco rentável e, portanto, ele não poderia dar tanto déficit no final do ano.

E ao mesmo tempo não foram poucos os momentos em que se utilizava os salários dos funcionários do Banco do Brasil para mostrar que o banco era deficitário porque o banco pagava altos salários aos funcionários. (incompreensível) essa é uma briga que eu gosto de fazer. Eu gosto de fazer essa briga porque aquilo que as pessoas acham que é um alto salário em uma empresa pública como o Banco do Brasil, é o piso em muita empresa privada menor que o Banco do Brasil. Muitas vezes qualquer pessoa que sair do Banco do Brasil na condição de superintendente de um estado, na condição de presidente do [Banco do] Brasil, certamente sairá para ganhar três, quatro, cinco, seis vezes mais, porque aí as pessoas valorizam dizendo que é o preço de mercado. E quando é um banco público que paga um salário, e eu sei que nem sempre é grande como as pessoas falam, as pessoas costumam dizer que o Estado é um mau gerente, que a empresa pública está mal administrada. E aí alguém fala que é porque dá choque de gestão. Choque de gestão no Brasil, normalmente a fotografia é gente mandada embora, ou seja, é diminuir o custo da folha de pagamento.

Eu conheço de empresas brasileiras, Dida, pessoas que ganhavam menos que R$ 30 mil por mês, eram consideradas marajás, e hoje estão ganhando 200 [mil] por mês, com dois anos de salário adiantado, e são considerados gênios. Quando estavam na empresa pública eram marajás. E esse é um debate que teve um tempo que nós nos acovardamos para fazer, sobretudo depois das eleições de [19]89. O cidadão que ganhasse R$ 500,00 no Brasil já achava que era marajá. Ele tinha uma vergonha de dizer que trabalhava no Banco do Brasil, que era servidor público, porque aí era sinônimo de que estava ganhando bem. E eu acho que nós nos perdemos muito porque foi um período que permitiu o desmonte de parte da máquina pública brasileira. E, depois, também se criou a concepção de que o Banco do Brasil deveria diminuir o amor por esta coisa chamada banco público e ter uma imagem mais de atuação no sistema financeiro privado, que era melhor para o Banco. Bem, vamos ver se tudo isso é verdade.

Primeiro, eu penso que o Banco nunca viveu o momento auspicioso que vive hoje. Não é de autoafirmação, é de afirmação concreta. E não poderia ter acontecido um melhor momento para o Banco do Brasil se mostrar do tamanho que ele é, com relação à crise. Eu, às vezes, fico com pena porque o Obama não tem um banco como nós temos aqui o Banco do Brasil, porque a primeira-ministra da Alemanha não tem um banco como o que nós temos aqui. E você pode perpassar todos os países ricos, que uma das razões pelas quais a crise foi mais profunda é porque eles não tinham sequer bancos que tivessem a responsabilidade pelo crédito como tinha o Brasil com o Banco do Brasil, com a Caixa Econômica Federal e com o BNDES. E isso fez a diferença, isso fez a diferença. Se a gente lembrar que se o Banco do Brasil, se os Estados Unidos tivessem colocado US$ 50 bilhões no Lehman Brothers ele não teria quebrado, nós não teríamos a crise de crédito que nós tivemos no mundo.

E o que nós fizemos aqui no Brasil? A primeira coisa que nós fizemos foi fazer com que a Caixa Econômica e o Banco do Brasil aumentassem a sua participação no mercado. A orientação era comprar o máximo de carteira possível dos bancos pequenos e, diferentemente de qualquer outro momento, a gente não queria que comprasse carteira podre. A gente queria que comprasse as carteiras boas dos bancos para que a gente pudesse salvá-las. Tomamos a decisão de comprar a Nossa Caixa, em São Paulo. Tomamos a decisão de comprar 50% do Banco Votorantin e administrá-lo, ou seja, meio a meio. Tínhamos tomado a decisão (incompreensível) de o Banco do Brasil comprar o Besc, sabe, de Santa Catarina. Tínhamos tomado a decisão de o Banco comprar o banco do Piauí e se tiver outra coisa boa no mercado, que apareça, que nós estamos dispostos a transformar o Banco do Brasil infinitamente, não apenas no maior banco do Brasil, mas no muito maior banco deste país, porque é uma segurança e pode ter certeza que faz a diferença.

Hoje, eu participo de reunião do G-8, do G-14, do G-20, e eu sei a diferença de um presidente que tem bancos públicos fortes com a diferença de presidentes que não têm mais bancos, que acreditaram na teoria, sabe, de 1990, que era preciso o mercado... Deus ia resolver o problema da Humanidade e não precisaria mais Estado para nada porque o mercado por si só resolveria o problema. É nesse momento que a gente sente o acerto de o Brasil ter um banco como o Banco do Brasil, uma Caixa Econômica, sabe, e talvez um arrependimento porque bancos tão importantes neste país foram praticamente doados como o Banespa, vendido a troco de nada, ou seja, na verdade, jogou-se em cima dos bancos a irresponsabilidade dos governantes que gerenciavam esses banco ou que muitas vezes utilizam esse banco para fazer, quem sabe, os "caixas dois" da vida em época de campanha eleitoral. E, por conta disso, todos os bancos públicos estavam quebrados. Lembrem-se que, quando nós tomamos posse em 2003, o crédito todo do Brasil... todo o crédito do Brasil, Nelson Machado, era apenas de R$ 380 bilhões de reais. Hoje, só o Banco do Brasil tem R$ 250 bilhões. Hoje, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal têm praticamente 40% do crédito deste país, e podem ter muito mais se na medida em que a economia brasileira for crescendo, o Banco for crescendo e que a gente consiga fazer com que as coisas aconteçam como estão acontecendo agora.

É o Banco do Brasil, sim, que tem que assumir a responsabilidade pelo crédito dos mais pequenos na agricultura brasileira. Até porque as pessoas que vão a um banco de sandália havaiana ou de qualquer outra sandália, de alpargata, qualquer coisa, essas pessoas se sentem em casa na hora em que entram no Banco do Brasil, coisa que eles não se sentem entrando em um outro banco. E, para isso, vocês sabem que precisou um processo todo de discussão política, de mudar a nossa concepção. Ora, qualquer um de nós se tiver na gerência de uma agência... eu prefiro atender um só e emprestar R$ 100 mil do que atender, sabe, 20 para emprestar R$ 5 mil para cada um. Dá menos trabalho, o dinheiro é o mesmo, a rentabilidade é a mesma, talvez com o spread um pouquinho maior. Mas o banco tem que levar em conta a necessidade da representação das músicas que vocês cantaram ali: "Que eu sou brasileiro com muito orgulho". E as pessoas hoje (incompreensível)...

Eu quero confessar para você, Dida, que no meu primeiro ano de mandato, em 2003, nós tivemos problemas no Banco do Brasil. Quando anunciamos o Pronaf, no mês de junho, ou seja, em agosto eu constatei que no ano anterior, no mesmo período, tinha saído mais financiamento do que nos primeiros três meses nossos. Fui ligar eu, para o presidente do Banco do Brasil para saber o que estava acontecendo. Ora, e o que ele me dizia? Primeiro, porque tinha tido problema no sistema, segundo, é que... Segundo é que ele sentia que em algumas agências as coisas não andavam com a pressa que deveriam andar. E não eram poucos os trabalhadores que a gente atendia que diziam para a gente: "Olha, o gerente não me tratou legal, o gerente não me recebeu". Porque, a verdade é que também nós tínhamos perdido o hábito. Não é essa a orientação que muitos de vocês receberam nos últimos dez anos. Não era essa a prioridade do Banco. E o que aconteceu? É que aos poucos vocês foram percebendo que não tinha outro jeito para o Brasil, senão o Brasil fazer com que o crédito se espraiasse em todos os segmentos da sociedade brasileira. Mas o mais importante, a grande lição que eu aprendi, Dida, eu vou te dizer aqui, de coração. É que eu aprendi uma lição nesse governo: é que a gente não pode achar que tem um gênio de fora, pegá-lo, e colocá-lo na presidência do banco, sem levar em conta a história que cada um de vocês criou nesse próprio banco ao longo de tantas décadas. Nós... E isso é um aprendizado, isso é um aprendizado, isso a gente não aprende na escola, a gente aprende é tomando cacete a cada dia, sabe, de que não é justo que uma pessoa que... eu espero que tenha gente que cresceu que não seja office boy também, porque senão vamos ter que fazer uma investigação para saber porque só office boy cresce nesse banco. Eu tenho certeza que não são só os office boys que cresceram.

Mas, veja, eu fico imaginando um jovem que entrou com 13, 14 anos no Banco do Brasil e foi galgando espaço, e foi esperando, e foi sendo preterido, chega uma hora que todo mundo se imagina ser alguma coisa importante no Banco. Por mais humilde que sejam as pessoas, as pessoas querem crescer, as pessoas querem ocupar os cargos importantes. Aí vem uma eleição, elege um cara, pá: coloca um monte de gente lá que não tem nada a ver com vocês. Aí, sabe, aí vem outro, se elege outra vez, vem, coloca um monte de cara, ou seja, e as pessoas que estavam a vida inteira esperando chegar pelo menos no topo do degrau vão sendo preteridas como se estivessem tentando subir em um pau de sebo. Todo mundo conhece a história do pau de sebo, ou seja, coloca-se um prêmio lá em cima, sabe, e toda hora que a gente está chegando para pegar o prêmio, a gente escorrega, volta para baixo outra vez, e começa tudo outra vez.


Eu quero deixar como legado para quem vier depois de mim esse aprendizado, de que uma instituição do porte do Banco do Brasil, a gente não pode ficar pescando gente de fora para ocupar o lugar de gente que está dentro e que muitas vezes tem mais competência do que quem vem de fora e só porque está dentro, ou seja, não é chamado a (incompreensível) os cargos importantes. Nós aprendemos isso no Banco do Brasil, aprendemos na Caixa, eu aprendi isso, sabe, no Itamaraty. O Itamaraty é a mesma coisa, imagine um embaixador, fica 35 anos, 40 anos para esperar uma chance na vida de ir para uma embaixada em Paris, em Madri, em Londres. Aí, ganha as eleições um cidadão: "ah, o Lula perdeu as eleições, vai ser embaixador". E o rapaz que fez a carreira e aquele que fez a carreira, sabe, fica esperando até quando? Então, eu acho que essa foi uma lição extremamente importante que eu aprendi. Eu não tenho nada contra ninguém, sou... agradeço às pessoas que contribuíram quando nós precisamos que contribuíssem, mas confesso a vocês que eu me sinto muito melhor conversando com o presidente do Banco do Brasil sabendo que ele é do Banco do Brasil, que ele tem carreira, que ele tem história, porque aí dá mais confiança. E vocês sabem que, no fundo, no fundo, ninguém trabalha 30 anos em um banco de graça. Mesmo que a pessoa quisesse ser ruim, a pessoa não poderia ser porque tem uma história. Porque tem uma história que está ligada ao casamento dele, que está ligada à família dele, está ligada a um filho dele, que está ligada a um compromisso com dezenas de companheiros que entraram junto com ele, ou seja, a pessoa tem muito mais compromisso com a instituição do que alguém que vem de fora para cumprir uma meta.

Porque esse tal de cumprimento de meta, se a gente não leva muito a sério, acontece o que aconteceu nos Estados Unidos: os caras criavam umas metas fictícias, e aí para cumprir a meta valia qualquer negócio. O mesmo papel vendido no mesmo dia para 30, 40 pessoas, até que percebeu-se que tinha muito mais dinheiro voando no mundo do que o PIB produzido pelos seres humanos no planeta, e aí a economia não pode dar certo. Se as pessoas são capazes de ganhar muito dinheiro sem produzir um papel, um lápis, uma caneta, um sapato, uma gravata, essa economia está ficando tão falsa que um dia ela quebra como quebrou agora.

Então eu queria dizer para vocês o seguinte: olhe, a... Eu sei que vocês podem pensar: "Esse cara chegou aqui, falou, brincou, amanhã ele vai embora, termina o mandato dele, nós vamos continuar em nossas agências, nos nossos estados. Vai vir outro, vai dar uma nova orientação". Mas eu acho que o problema não é nem vocês ouvirem muito o que eu falo, é vocês ouvirem a consciência de cada um de vocês. É vocês ouvirem a consciência e as lições que vocês aprenderam nesse Banco.

Mesmo que nós tivéssemos dois terços dos superintendentes comprometidos com a visão do sistema financeiro privado, ainda assim vocês não conseguiriam fazer do jeito que eles fazem, porque a formação de vocês não foi essa. E esse negócio de o Banco do Brasil ser esse patrimônio deste país - porque tem coisas que viram patrimônio... muito em função da virtude de cada um dos funcionários do Banco do Brasil, de cada superintendente, de cada gerente, de cada pessoa. Mas a verdade é que o Banco é um patrimônio, o Banco não é apenas um banco. Esse Banco é motivo de orgulho, é uma coisa... Eu lembro agora na compra desses bancos públicos estaduais, você ia falar... e posso dizer para vocês que eu tenho muito a ver com isso, porque quando se falava em privatizar eu falava: não vai privatizar coisa nenhuma, o Banco do Brasil compra. E aí, o que eu sentia? O pessoal do banco local que estava com medo desse banco ser vendido para alguém, quando a gente dizia que Banco do Brasil ia comprar era motivo de um orgulho imenso, porque ele estava adentrando à família do Banco do Brasil. E, para ele, não era como se o banco tivesse sido vendido, era como se o banco tivesse sendo promovido, e ele também estava sendo promovido. Ele, por um tempo, vai utilizar a camisa do banco dele, mas logo, logo, ele estará como aqueles jogadores de vôlei da seleção brasileira, que tão bem ganharam da Venezuela ontem, de verde e amarelo, trabalhando para Banco do Brasil ser a coisa importante que é. E nós não queremos que o Banco do Brasil fique só nisso, não, nós não queremos. Nós queremos que o Banco do Brasil cresça mais.

Eu, já há algum tempo, já tinha falado com o Rossano, já tinha falado com o Lima Neto, hoje falei com o Dida, já tenho falado com o Guido Mantega, de que o Banco do Brasil precisa virar o banco mais importante na geografia política do nosso continente. Nós estamos há quatro anos tentando reabrir a agência no Uruguai e não passou de um escritório ainda. Vai gostar de montar escritório... Isso é porque não tem mais office boy, porque foi proibido contratar office boy no Banco do Brasil.

Mas eu estava conversando com o Dida. O Banco do Brasil precisa acompanhar um pouco a trajetória das coisas que estão acontecendo no Brasil, para que o Banco do Brasil... a gente vai andando na frente, fazendo negócio, e o Banco do Brasil vai atrás fincando a sua bandeira. Nós precisamos ter algumas agências no continente africano. Não apenas um escritório, um banco de verdade. Nós precisamos ter mais bancos aqui na América do Sul. Nós não podemos achar...

Vocês não imaginam a quantidade de oportunidades que a Petrobras perdeu ao longo desses últimos 20 anos pela visão pequena que tinha o Estado brasileiro, de que "eu não posso ir ali, eu não posso explorar ali, eu não posso tentar perfurar ali". Foi um trabalho convencer a direção da Petrobras de que ela precisaria virar uma multinacional de verdade. E onde puder fincar a bandeira da Petrobras, fincar o seu conhecimento tecnológico, para que ela se transforme em uma empresa muito mais importante do que ela é. E a mesma coisa eu penso para o Banco do Brasil. Como é que nós temos uma balança comercial de US$ 40 bilhões no fluxo total com a China e a gente só tenha na China um escritório e não tenha um banco de verdade? Como é que a gente tem com o Peru, com a Colômbia, com a Venezuela, temos quase cinco bilhões de superávit com a Venezuela e a gente não tem um banquinho nosso lá, para dizer está aqui o Banco do Brasil para vender, para comprar, para captar. Aí sim é que a gente vai se transformar num banco, sabe, não apenas um banco do Brasil, mas um banco do nosso continente, um banco com a alma brasileira, mas um banco de força latino-americana. Porque só os grandes bancos estrangeiros é que tem que ser grandes e a gente não?A gente tem que se conformar a emprestar aquilo que a iniciativa privada não financia.

Eu fico muito orgulhoso, quando agora, tomamos a decisão de dizer: o Banco do Brasil tem que financiar carro. Ah, mas não tem expertise, vamos comprar expertise, pô... Vamos comprar expertise. É por isso que tomamos a decisão de comprar o Banco Votorantin. Se eles tinham uma carteira de 90 bilhões de reais de financiamento de carro e o Banco do Brasil não tinha expertise, vamos comprar essa expertise e vamos ser o primeiro a financiar carro também.

Habitação, sabe, eu acho que só a Caixa não dá conta da dimensão do que vai acontecer com esse país nos próximos anos. Vamos para lá e ser sócio, sabe, participar Banco do Brasil e Caixa. Porque senão a gente não acompanha o crescimento. Eu trabalho com a idéia de que o Brasil daqui a dez anos vai estar entre as cinco maiores economias do mundo. Basta que as coisas dêem certo, sabe, e que a gente não faça nem uma loucura. Ou seja, só agir com responsabilidade.

Esse povo nunca teve a auto-estima que está hoje, nunca. Sabe, eu digo isto porque convivo há muitos anos nessas jogada, sabe, e nós sempre nos tratamos como se fôssemos seres inferiores. Nós até aceitamos a idéia de falar que o primeiro mundo é isso e nós nos colocarmos como o terceiro mundo. Está introjetado na cabeça de cada um de vocês e na cabeça da universidade, na cabeça dos governantes - ah, nós somos pobres.

O Brasil teve um tempo que teve uma mania de ser vira-lata, tudo para nós era superior. Nós não nos dávamos importância. Quem é que gosta de alguém que não se respeita? Como aqui tem a maioria de homem eu posso falar. Se você for procurar namorada e ela perceber, vocês estão paquerando. E ela perceber que vocês não têm nem um respeito por vocês mesmos, então vão morrer viuvão, não vão casar. As pessoas gostam de quem tem orgulho das coisas, de quem faz as coisas com perseverança, as pessoas gostam de quem acredita. E o Banco do Brasil, esse patrimônio extraordinário, sabe, eu, sinceramente, falar do Banco do Brasil lá fora, falar da Petrobras lá fora é como se fosse minha. Eu vou falando, até falando coisa que eu nem sei, mais vou falando bem. Vou falando bem. Eu queria... eu queria terminar dizendo para vocês que olhem, acreditem de verdade. Vocês podem muito mais do que vocês pensam que podem.

Vocês viram na véspera do jogo Brasil e África do Sul? No sábado, a televisão brasileira mostrou um documentário do Obama dizendo - nós podemos, nós podemos. E não é que eles acreditaram e fizeram 2 a 0 na gente. No intervalo do jogo eu falei, sabe de uma coisa se é para gritar nós podemos e ganhar o jogo eu vou começar a gritar aqui nós podemos. Olhava para televisão e falava nós podemos e aí viramos o jogo e ganhamos de 3 a 2.

Eu estou dizendo isso porque eu sei que cada um de vocês já dedicou muito de vocês e está dedicando muito, mas é possível dedicar mais, dedicar mais.

Esse programa DRS, sabe, eu que conheço alguns deles na prática... é de uma dignidade, um motivo de orgulho para quem é brasileiro. Sabe, eu não sei quantos países do mundo fizeram um programa dessa qualidade.

Eu estava falando para o Guido. Guido vamos fazer DRS, agora, para índio, vamos fazer para os Quilombolas, vamos levar para essas comunidades mais pobres essas coisas para dar certo. Porque a gente dá terra, legaliza um Quilombo, legaliza terra, mas se não for atrás um grupo de gente que entenda de coisas práticas, que possam torná-los mais produtivos, apenas a terra não resolve o problema.

Então, eu queria que vocês acreditassem, o que estou dizendo para vocês aqui eu diria para os jogadores da Seleção Brasileira, para os jogadores do Corinthians se eu os encontrasse. Gente cada vez que entrar em campo ponham o coração no bico da chuteira, gente. Faça... se você for (incompreensível) consegui fazer 10 créditos tente fazer 11, se fez 11 tente fazer 12. Ou seja, vamos tentar fazer porque eu que essa crise é uma oportunidade incomensurável para o Brasil. É uma chance que o Brasil tem que ele nunca teve na história.

E também a chance do Banco do Brasil sair muito mais fortalecido. Eu não quero que o Banco do Brasil tenha só 250 bilhões de crédito, que tenha 300, que tenha 400. De vez em quando alguém fala, mas os bancos estão ganhando dinheiro, Lula. Eu falo, eles dão mais prejuízo quando eles perdem. É importante que eles ganhem e eu não quero o Banco do Brasil perdendo dinheiro, muito pelo contrário. Eu não quero que o Banco do Brasil saia dando dinheiro paras as pessoas, eu quero que empreste, que receba.

Mas nosso esforço é fazer, de fato e de direito. Esse Banco do Brasil não ser apenas o maior banco desse país e o maior banco da América Latina, mas que o Banco do Brasil seja cada vez mais motivo de orgulho para quem trabalha e para quem é cliente do Banco do Brasil.

Boa sorte e bom seminário para vocês.

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