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Pela primeira vez, derrotamos o cerimonial.

Bem, eu penso que estava previsto, está previsto ainda, uma pequena fala dos Ministros das Relações Exteriores, mas não seria possível o Presidente Lugo e eu terminarmos uma reunião deste nível e assinarmos o documento-declaração que assinamos agora, sem darmos uma palavra à imprensa paraguaia e brasileira e tampouco deixarmos de dar uma palavra ao povo paraguaio e ao povo brasileiro.

Eu penso que o título da declaração demonstra por si só a disposição do Paraguai e do Brasil subirem alguns degraus na melhoria das relações entre o Estado brasileiro e o Estado paraguaio e dizer à imprensa brasileira e paraguaia e ao companheiro Lugo que eu não poderia deixar de agradecer a direção que o companheiro Lugo deu ontem à reunião do Mercosul. Foi a primeira reunião que nós terminamos antes do tempo previsto. E isso é um milagre quando se reúne um conjunto de presidentes. Possivelmente era porque o companheiro Chávez não esteve presente e isso facilitou. Mas a verdade é que o Chávez fez falta na reunião, porque o Chávez é um parceiro eloquente e motivador de grandes e bons debates nas reuniões do Mercosul e da Unasul.

Segundo, agradecer ao companheiro Lugo pela janta de ontem à noite e pelo tratamento que foi dado a mim e aos meus companheiros brasileiros no jantar de ontem à noite. E que não tinha garçom e nós mesmos era que tínhamos que nos servir. Por isso, talvez, tenha sido melhor, porque cada um comeu mais.

Terceiro, dizer ao companheiro Lugo que eu saio do Paraguai agora tranquilo de que estamos, de forma responsável, tratando de melhorar as relações entre os dois países. Quem me acompanha na política brasileira, desde que eu assumi a Presidência do Brasil, já leu ou já escutou em centenas de discursos que eu falo pelo mundo afora que a integração do Mercosul, a integração da América do Sul e a integração da América Latina passa, sobretudo, pela boa qualidade das relações bilaterais entre os membros, sabe, do Mercosul, da Unasul e da América Latina.

Segundo, que os países maiores têm obrigação de ajudar com que os países de economia menores possam dar um salto de qualidade na sua capacidade de desenvolvimento, na sua capacidade produtiva, e na competitividade das relações entre os dois países. E não é a primeira vez, nem a segunda e nem será a última vez em que nós, no Mercosul, temos dito que Brasil e Argentina, embora sejamos parceiros iguais, temos mais responsabilidades, porque temos economias maiores, porque temos mais indústria, porque temos mais ciência e tecnologia, porque temos uma série de coisas, que, portanto, o nosso papel é o papel de contribuir para que os parceiros menores tenham as mesmas condições que nós temos nas nossas relações bilaterais.

E por que eu disse que nós hoje subimos um degrau? É porque ao Brasil e, certamente, a qualquer outro país do mundo um pouco maior ao Brasil, não interessa que o Brasil cresça, se desenvolva, se os seus parceiros não crescerem e não se desenvolverem. Vocês lembram que três anos atrás ou quatro anos atrás, quando o Evo Morales ganhou as eleições na Bolívia, e que começou a ter sérias pendências na negociação com o Brasil, não faltaram brasileiros que queriam que nós endurecêssemos com relação aos companheiros da Bolívia. E eu sempre achei que um país tem que respeitar o outro para construir os acordos necessários para a manutenção da paz. A verdade é que hoje nós não temos mais pendências com a Bolívia.

Com relação ao Paraguai, eu penso que o que nós fizemos hoje é uma demonstração de que os dois governos estão com 100% de vontade, 100% de disposição de fazer com que não tenha meta que não possa ser discutida entre nós, mas que, ao mesmo tempo, os temas devem ser discutidos, proporcionando que os acordos feitos possam melhorar a vida do povo do Paraguai e a vida do povo brasileiro. Eu estou convencido, Lugo, que esse é um acordo histórico entre nós.

O que nós, governantes, não podemos permitir é que a carga ideológica de determinados tempos perpasse sempre a ideia de que os acordos são impossíveis, perpasse a ideia de que um país é vítima do outro, porque não existe uma possibilidade de um país democrático ceder para outro partido democrático ou que um país construa hegemonia sobre outro país. Todo mundo sabe que para mim o que vale, na verdade, é a relação de respeito entre os dois Estados democráticos e a construção de uma parceria democrática, em que as pessoas possam se sentir confortáveis indo ao Brasil e o Brasil vindo ao Paraguai. Até porque são 700 quilômetros de fronteira seca, tem mais um tanto de quilômetros pelo rio, ou seja, na verdade, essas coisas, muitas vezes divergência sobre concepção de Estado, está muito mais entre nós que somos dirigentes, porque entre o povo paraguaio e brasileiro que atravessa a fronteira e que se encontra, eles se sentem muito mais do que irmãos, porque eles sabem que na boa relação é que haverá complementaridade para melhorar a vida de cada um de nós.

Meu caro companheiro Lugo,

Eu acho que nós demos um passo importante hoje. Agora é importante que os nossos dois chanceleres possam trabalhar, coordenar a equipe do grupo de trabalho que foi montado, que a gente comece a se reunir a cada três meses agora, até terminar o meu mandato serão cinco reuniões, e que a gente possa acompanhar, porque muitas vezes nós decidimos as coisas e elas não acontecem. Não acontecem porque, sabe, muitas vezes, e não adianta tentar procurar o culpado, muitas vezes, um companheiro de terceiro escalão entende que aquilo não é correto e segura aquilo para resolver. Muitas vezes, somos nós que não fiscalizamos corretamente. E depois de sete anos de experiência de governo, Lugo, eu posso te dar um único conselho na vida: é que todos os acordos internacionais que você fizer, seja com o Brasil e com qualquer outro país, você tem que designar uma pessoa para a cada 30 dias prestar contas para você, porque senão, a gente faz um acordo, pensa que a obra está acontecendo e um ano depois não aconteceu absolutamente nada e muitas vezes não aparece nem o culpado porque as coisas não aconteceram.

Termino, Lugo, dizendo a você que minha delegação retorna ao Brasil satisfeita do que nós conseguimos realizar aqui. Eu espero que daqui para frente, toda vez que nós nos reunirmos não é apenas para achar defeito na coisa que não está andando. Eu espero que daqui para frente toda reunião que nós fizermos, a gente tenha, mesmo que seja apenas um, mas que a gente tenha mais um acordo para assinar para que a gente consolide, definitivamente, esse novo patamar na relação Brasil-Paraguai.

Ontem eu participei de um jantar, antes do jantar numa reunião com o companheiro Lugo, quando uma empresa brasileira, a Camargo Corrêa, a Votorantim, associada a uma empresa paraguaia, anunciaram a construção de uma fábrica de cimento no Paraguai no valor de US$ 100 milhões. Parece que é o maior investimento privado no Paraguai. Ouça, queira Deus, Lugo, que outras empresas brasileiras, outras empresas argentinas, outras empresas de qualquer país reconheçam, finalmente, que o Paraguai é uma chance e um porto seguro para que a gente possa fazer investimentos e o povo paraguaio se desenvolver como você quer e como o povo sonha.

Muito obrigado, companheiro Lugo, obrigado aos companheiros do Paraguai e aos companheiros do Brasil.

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