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Presidente da República Federal da Nigéria, Umaru Yar'Adua,

Senhor Ojo Maduekwe, ministro das Relações Exteriores da República Federal da Nigéria, e demais membros da delegação nigeriana,

Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, por meio de quem cumprimento os ministros brasileiros aqui presentes,

Senhoras e senhores do corpo diplomático,

Amigos e amigas,

Você não quer que eu dê a bola logo, ou a bola é depois? Não, no final eu dou a bola. Antes de começar a falar, eu vou presentear o Presidente com uma bola autografada pelo Pelé.

Quero dar as boas-vindas do governo e do povo brasileiro ao presidente Yar'Adua. Sua visita ocorre em um momento excepcional das relações entre o Brasil e a Nigéria. Num passado doloroso, a escravidão uniu nossos países antes mesmo de sermos Estados soberanos. Hoje temos orgulho de o Brasil ser a segunda maior nação de população negra do mundo, após a Nigéria.

Compartilhamos tradições e culturas. Temos um patrimônio de amizade e de simpatia que facilita nossas relações.

Meu governo tem buscado formas inovadoras de apoiar e valorizar a cultura africana. Enviei ao Congresso projeto de lei que cria uma universidade para 10 mil alunos brasileiros e africanos em Redenção, no estado do Ceará, no Nordeste brasileiro, onde teve início a luta pela libertação dos escravos no Brasil.

Em novembro próximo vamos realizar seminário sobre o ensino da história da África na diáspora. Esse evento, co-patrocinado pela Unesco e União Africana, visa a aumentar o intercâmbio entre universidades. Ajudará na implementação da lei que institui o ensino da história e da cultura afro-brasileiras nas escolas do Brasil. Nossa aproximação cultural recebeu grande impulso com a inauguração, no ano passado, da Casa da Nigéria, em Salvador.

Senhor Presidente,

Fui duas vezes à Nigéria. Recebi o presidente Obasanjo nas celebrações do 7 de Setembro, em 2005. Tenho, agora, o privilégio de tê-lo aqui conosco. Nossa agenda bilateral privilegia a exploração de parcerias que favoreçam o desenvolvimento econômico e a justiça social de nossa sociedade.

O extraordinário aumento do nosso comércio bilateral também ilustra a aproximação de Nigéria e Brasil. Nossas trocas quintuplicaram entre 2002 e 2008, ultrapassando a cifra de US$ 8 bilhões. A Nigéria é hoje o nosso principal parceiro comercial na África e o décimo no mundo. O Brasil é o segundo maior importador da Nigéria.

É crescente a presença empresarial brasileira na Nigéria. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, que lá esteve há pouco mais de um mês, trouxe-me relato muito favorável da perspectiva de negócios. Convido o empresariado nigeriano a conhecer melhor as oportunidades oferecidas pelo Brasil.

Com a assinatura do Memorando de Entendimento e Energia vamos incrementar nossa cooperação. A experiência do programa Luz para Todos pode ser de grande utilidade nas nossas relações. Esse Programa levou eletricidade a mais de 2 milhões de residências em todo o nosso País.

Alegra-me saber que a produção da Petrobras na Nigéria já é a segunda mais importante da empresa no exterior. Deverá tornar-se a primeira ainda este ano. O petróleo extraído pela Petrobras em território nigeriano poderá chegar a 400 mil barris diários.

O Memorando de Entendimento sobre Esporte, que assinamos, promoverá contatos e atividades nas áreas de Educação Física, capacitação de técnicos de futebol, produção de material esportivo, além da implementação do programa Segundo Tempo na Nigéria.

O ajuste complementar em biotecnologia fomentará intercâmbio de pesquisadores e estudantes e a elaboração de projetos conjuntos ajudará o desenvolvimento do setor agrícola na Nigéria. A propósito, propus na Cúpula de Sirte, da União Africana, uma reunião entre os ministros da Agricultura da África e do Brasil. Queremos discutir formas de viabilizar uma revolução verde na África e enfrentar os desafios da segurança alimentar.

Amigo Presidente,

Temos buscado atuar em sintonia com as organizações africanas. Apreciamos o papel da Nigéria na manutenção da paz e da estabilidade regionais.

Nossos países trabalham conjuntamente em benefício da Guiné-Bissau. Como líder da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Vossa Excelência foi muito feliz ao dizer que não há golpes para o bem. Os golpistas em Honduras também devem perceber o mal que estão fazendo para a democracia na América Central.

O Brasil aprecia o papel do seu país na promoção da Cúpula América do Sul-África. Tenho convicção de que a segunda edição da Cúpula ASA na Venezuela, ainda este ano, coroará de êxito esse esforço comum.
Senhor Presidente,

Nigéria e Brasil são dois grandes países em desenvolvimento, convencidos da necessidade de construir uma ordem internacional mais justa e equânime. A reforma das instituições globais não pode ignorar a crescente importância da África e da América do Sul.

A Nigéria tem papel essencial na convergência das propostas da União Africana e do G-4 para a reforma do Conselho de Segurança. A contribuição nigeriana para o G-20, na OMC, é muito valorizada pelo Brasil. Um regime de comércio mais equilibrado, sem o subsídio dos países ricos, trará benefício para os países produtores agrícolas e para os que importam alimentos e matéria-prima.

A Nigéria também desempenhou, com grande sucesso, a primeira presidência africana do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Sob a liderança nigeriana, o Conselho fortaleceu-se em sua vocação para o diálogo, substituindo a atitude contraproducente de tempos passados por um ambiente de cooperação e persuasão.

Presidente Yar'Adua,

A nova política do Brasil para a África veio para ficar. Meu país está, definitivamente, decidido a contribuir para que essa relação se aprofunde, a cooperar com o fortalecimento da democracia e da paz no continente africano.

Com esse espírito, convido todos a erguerem um brinde à prosperidade do povo nigeriano, ao permanente aprimoramento das relações entre Brasil e Nigéria, e à felicidade de Vossa Excelência e da primeira-dama.

Muito obrigado.

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