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Excelentíssimo senhor Evo Morales, Presidente da Bolívia,

Senhor Davi Choquehuanca, ministro das Relações Exteriores da Bolívia,

Senhores ministros da comitiva brasileira, Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores e Franklin Martins da Secretaria de Comunicação Social,

Embaixador Frederico Cézar de Araújo, embaixador do Brasil na Bolívia,

Senhoras e senhores membros do governo Boliviano e membros da comitiva brasileira,

Senhor Feliciano Mamani, prefeito de Villa Tunari,

Senhoras e senhores de Villa Tunari,

Meus amigos e minhas amigas da Bolívia,

Estudantes, meus caros companheiros, dirigentes nacionais (incompreensível),

Meu querido companheiro Evo Morales,

Eu estou com um problema, porque Lúcio precisa traduzir o meu discurso. Então vamos traduzir o discurso. Está esperando apenas eu ler para traduzir.

Primeiro, Evo é uma alegria muito grande estar aqui em Villa Tunari contigo. Eu, nessa viagem de carro que fizemos até aqui, eu pude ver nas ruas a cara do povo boliviano e posso te dizer que a alegria e a esperança estampada no rosto de cada homem, de cada mulher e de cada criança é o mesmo que acontece no meu país.

Afinal de contas, no século XX, o povo sul-americano não teve muitas oportunidades de ter presidentes comprometidos com a maioria do povo. E graças a Deus, no século XXI, começou a haver um contágio na América Latina, e todos os países, sem distinção, um povo que a vida inteira lutou e clamou por mais liberdade, conquistou em vários países o direito de eleger presidentes que tivesse compromisso com a sua gente e, sobretudo os mais pobres.

Quando eu olho para você Evo e olho para a fisionomia do povo boliviano, eu olhava para Mandela e para a cara do povo da África do Sul. Eu sei que você tem que ser presidente de todos os bolivianos, dos ricos, dos pobres, dos índios, dos não índios. Mas a verdade é que a Bolívia é hoje o maior símbolo no mundo de uma maioria que durante séculos foi oprimida e que consegue eleger um dos seus presidente da República.

Essa é uma coisa extraordinária Evo, porque tanto aqui na Bolívia, um índio tem que provar que tem competência para governar, um sindicalista tem que provar que tem competência para governar como no Brasil. Nós somos desafiados todos os dias. Todo santo dia nós somos desafiados. Enfrentamos os preconceitos, enfrentamos as iras dos poderosos que não se conformaram em perder o poder e eles ficam muito irritados, porque eles sabem que aqui na Bolívia, um índio, um sindicalista, um cocaleiro e no Brasil, um metalúrgico, um sindicalista estão fazendo mais do que eles fizeram durante todo o século XX.

Por isso, eu não poderia Evo, deixar de estar aqui. Olhar na cara do teu povo, olhar na cara dos meninos e das meninas, olhar na tua cara a alegria estampada a todo o momento e ver a esperança que você representa para esse povo. E governar com a alma limpa, sem ódio de ninguém, sem ódio dos opositores, mas dialogando e os derrotando nas urnas como manda a verdadeira democracia.

Por isso, Evo, eu sei que quando chegar ao Brasil, eu vou (incompreensível) com minha mulher, porque ela está em São Paulo e ela vai dizer, trocaste um sábado comigo para ficar com Evo Morales. E eu vou dizer eu não troquei um sábado com você para ficar um sábado com Evo. Eu troquei um sábado com você, para ficar um sábado com milhares de Evos Morales que estão aqui nesse estádio de futebol (incompreensível).

O que nós estamos fazendo hoje com os acordos assinados é dando mais um passo extraordinário para a integração latino americana.

Durante muitos séculos, a Bolívia tinha pouca relação com o Brasil e o Brasil pouca relação com a Bolívia. Todos nós imaginávamos que os ricos da Europa e também os ricos do norte é que iriam resolver os nossos problemas e ficávamos uns de costas para os outros: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Venezuela, Equador, Colômbia. Ou seja, parecíamos um grupo de amigos que não confiávamos em nós. E todos ficávamos esperando que os Estados Unidos resolvesse o nosso problema, ou que a Europa resolvesse o nosso problema.

O dado concreto é que agora nós temos uma geração de governantes que acredita, que tem a convicção que a única solução para os nossos problemas é a integração sul-americana, é a integração latino americana e é o estabelecimento das boas relações entre todos nós.

Não existe, companheiro Evo Morales, nenhuma possibilidade de um país sozinho resolver os seus problemas. Não existe. Nem para o Brasil, nem para a Bolívia, nem para a Venezuela, nem para a Argentina. Ou seja, ou nós entendemos que precisamos nos ajudar, construir parcerias e trabalharmos juntos, ou passaremos mais um século vendo o nosso povo pobre sem se desenvolver e sem melhorar sua qualidade de vida.

Assinar acordo de construção de estrada parece pouco, mas não é possível fazer a integração se não tiver possibilidade de as pessoas se locomoverem, de os produtos escoarem de uma cidade para outra. E nós estamos fazendo um acordo, que vai encurtar a distância que hoje se faz em 12 horas, para fazer em apenas quatro horas quando a carreteira estiver pronta. Isso é um ganho extraordinário. Empresas irão querer se instalar na Bolívia e, certamente, a Bolívia começará um novo processo de desenvolvimento.

Ontem no Brasil foi publicado um decreto de que o Brasil irá comprar os produtos têxteis da Bolívia. Tarifa zero para importação de 21 milhões. São exatamente as preferências perdidas nos Estados Unidos. E essa é uma oportunidade extraordinária para a Bolívia desenvolver sua indústria e agregar valor aos seus produtos.

Eu dizia ao companheiro Evo, até o final do ano nós temos que fazer uma apresentação dos produtos bolivianos no Brasil, para que as pessoas percebam que aqui as pessoas produzem produtos de qualidade, que não fica devendo nada a nenhum país do mundo. E o que a Bolívia está querendo não é privilégio. É apenas uma oportunidade de mostrar a capacidade de seu povo.

Meu querido Evo Morales, também estamos comprometidos em instalar um centro de formação profissional aqui na Bolívia, para qualificar as meninas e os meninos deste país. E um centro Evo, mais ou menos igual ao que eu estudei quando eu tinha 14 anos de idade. Mas, sobretudo, qualificar a juventude para que ela possa entrar no mercado de trabalho, ganhando um melhor salário, e, portanto, tratando melhor da sua família.

No Paraguai, uma iniciativa dessa, nós já treinamos dez mil jovens em técnicas industriais. Uma outra coisa importante, desde 2005 regularizamos no Brasil a situação de mais de 50 mil bolivianos. Em julho, agora, sancionei a lei de anistia que oferece os direitos de cidadania a todos os estrangeiros em situação irregular.

E nós estamos fazendo diferentemente dos países ricos. Quando em julho do ano passado a crise econômica se apresentou, os países ricos começaram a culpar os imigrantes e começaram a criar leis para perseguir imigrantes, latino americanos, brasileiros, africanos e a resposta que o Brasil deu foi ao invés de culpar os pobres imigrantes, nós demos anistia para eles, porque a crise econômica é da responsabilidade dos ricos e não dos pobres.

Estou seguro companheiro Evo, de que a regularização dos brasileiros na Bolívia, sobretudo aqueles concentrados na faixa da fronteira (incompreensível) também serão tratados com carinho pelo governo boliviano.

Meu querido companheiro Evo Morales, sua eleição em dezembro de 2005, iniciou um profundo processo de transformação social. A Bolívia começou a reverter uma realidade de exclusão social e de iniquidade insustentável em pleno século XX, século XXI. São enormes os desafios pela frente, mas é ainda maior o compromisso do povo boliviano com o diálogo e a construção de uma nação plural e próspera. A revolução pacífica em curso na Bolívia reforça a minha certeza de que devemos repudiar todo ato de força. É essa a lição que aprendemos ao longo de duras décadas de luta para devolver a liberdade e a paz na nossa região. Devemos condenar com veemência o retrocesso político em Honduras e exigir o retorno imediato, incondicional do presidente Zelaya às suas funções constitucionais.

Companheiro Evo, companheiros bolivianos. O Evo tem sido um verdadeiro herói na luta pela integração sul-americana. E o Evo como todo bom sindicalista, ele gosta de pensar antes de falar. Às vezes, fala menos do que devia e eu acho que isso ao invés de prejudicar tem ajudado muito da condução da paz na América do Sul.

Eu queria terminar dizendo ao Evo que dia 28 teremos uma reunião em Bariloche, e é a grande oportunidade que nós temos de mostrar que a América do Sul está construindo a democracia, a sua prosperidade e estamos trabalhando para que a paz reine na América do Sul. Eu só quero Evo, te deixar uma certeza. Eu tenho mais 1 ano e quatro meses de mandato, depois de 8 anos na Presidência. Eu sei que nós não fizemos tudo que poderíamos fazer, mas fizemos muito mais do que já havia sido feito. Eu tenho a convicção de que qualquer que seja o brasileiro ou a brasileira que assuma o meu lugar, ele vai ter que entender que a Bolívia é o país que tem a maior fronteira com o Brasil e que o Brasil não pode se desenvolver sozinho. É preciso que o Brasil se desenvolva, mas junto com o Brasil desenvolva-se também os países vizinhos.

Quero te afirmar companheiro Evo, que eu acho que você começou uma nova era, a Bolívia nunca mais voltará a ser a mesma, porque esse povo descobriu que é possível avançar e agora que eles conquistaram dignidade estão aprendendo o valor da liberdade. A Bolívia nunca mais retrocederá. Eu tenho certeza que você começou a construção de uma grande nação no continente sul-americano.

Muito obrigado Evo pelo carinho e muito obrigado aos hermanos bolivianos.

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