Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

Senador José Sarney, Presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal,

Professora Eta Banda, Ministra das Relações Exteriores do Malawi, por meio de quem cumprimento os demais integrantes da delegação do Malawi,

Embaixador Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, por meio de quem cumprimento os demais Ministros de Estado,

Parlamentares,

Senhoras e senhores do corpo diplomático,

Amigos e amigas da imprensa,

A primeira visita de um líder do Malawi ao Brasil abre a oportunidade para nossos países se conhecerem melhor. Queremos hoje aproximar dois povos que a história e a geografia afastaram no passado.

O Malawi é uma jovem e vibrante democracia. Está entre aqueles países que chamaram a si a responsabilidade de conquistar a segurança e o bem-estar de seu povo. Como nós, seu país sabe que esse é o caminho para alcançar a paz. Seus expressivos índices de crescimento estão associados a sólidas políticas sociais. O Malawi e o Brasil demonstraram que desenvolvimento econômico e distribuição de renda não são incompatíveis. Podem e devem andar juntos.

Sob a liderança do Presidente Mutharika, o Malawi saneou suas finanças, permitindo ao Estado transformar-se em indutor estratégico do desenvolvimento. Revolucionou sua agricultura. O país deixou de depender da ajuda humanitária para transformar-se em exportador de alimentos.

O Acordo de Cooperação Técnica que assinamos servirá de moldura para uma parceria de grande alcance social e econômico. A experiência brasileira mostra que não há política efetiva de segurança alimentar sem uma agricultura familiar robusta. Essa é uma idéia que nos aproxima.

A capacitação brasileira em tecnologia e políticas públicas voltadas para o pequeno e médio agricultor estará a serviço dessa cooperação. No campo da bioenergia, são promissoras as oportunidades para projetos conjuntos.

Em vista de sua importante experiência na geração e uso do etanol, o Malawi apresenta todas as condições para estar na vanguarda da produção e consumo de biocombustíveis na África.

Também queremos ver o Malawi à frente da luta contra a Aids. A fábrica de antirretrovirais que o Brasil constrói em Moçambique permitirá ao Malawi beneficiar-se dos medicamentos ali produzidos e da capacitação e treinamento que serão oferecidos a todo o continente.

Senhor Presidente,

Embora tenha crescido nos últimos anos, o intercâmbio econômico entre o Malawi e o Brasil ainda está aquém do possível. Nossa parceria requer bases econômicas mais sólidas.

Os projetos de agroindústria, infraestrutura, turismo e mineração em andamento na região do Lago Malawi abrem horizontes para ampliar o volume de comércio e investimentos entre nossos países.

Estou seguro de que a missão empresarial brasileira que pretendemos enviar ao seu país em 2010 saberá identificar e explorar essas oportunidades. A expressiva presença de homens de negócios do Brasil em outros países da África Austral permitirá explorar sinergias com o Malawi.

Em minha participação na recente Cúpula da União Africana, levei a mensagem de que o Brasil quer ser sócio no desenvolvimento desse continente com o qual estamos historicamente ligados. Mais do que uma prioridade diplomática, minha mensagem expressa o sentimento do povo brasileiro.

Na Cúpula África-América do Sul, na Venezuela, no final deste mês, vamos reafirmar o compromisso de fazer desse diálogo um eixo central das relações Sul-Sul. Queremos forjar uma inserção soberana no mundo sem ingerências externas. Estamos estreitando laços políticos, econômicos e culturais para realizar todo o potencial de nossas sociedades.

Caro Presidente Mutharika,

O Malawi e o Brasil reagiram à crise financeira com firmeza e determinação. Na contramão da ortodoxia liberal, não apostamos na integração irresponsável aos mercados mundiais em busca de ganho fácil, mas ilusório. Implementamos medidas de apoio à produção e de estímulo ao consumo popular que compensaram a contração dos mercados externos.

Com isso, aceleramos nossa saída da recessão e estamos puxando a recuperação mundial. A crise demonstrou que não é mais possível excluir os países em desenvolvimento das decisões globais.

A ONU e seu Conselho de Segurança devem ser reestruturados em benefício de uma maior participação dos países em desenvolvimento. Também devemos unir forças para que as negociações de Doha sejam concluídas de forma equilibrada. Será um duro golpe nas esperanças dos países mais pobres se agricultores africanos continuarem a ter de competir com produtos subsidiados pelos países ricos.

O Malawi e o Brasil já demonstraram sua força no campo agrícola. Pedem apenas que seus agricultores possam mostrar toda a sua competitividade nos mercados internacionais. O aquecimento global também ameaça diretamente os países em desenvolvimento e sua produção agrícola. A comunidade internacional precisa reduzir drasticamente as emissões, mas sem comprometer o direito dos países pobres ao crescimento. O Brasil estará, em Copenhague, comprometido com esse objetivo. Essas são mensagens que levarei, na próxima semana, à Assembleia Geral das Nações Unidas e à reunião do G-20 em Pittsburgh.

Senhor Presidente e caro amigo,

Sei que o lema de seu governo é o de levar o Malawi "Da pobreza à prosperidade". Estou convencido de que sua visita inaugura uma nova e promissora etapa em nossas relações. Poderíamos bem chamá-la "Da cooperação à prosperidade".

É com esse propósito, Presidente, que dou as boas-vindas a Vossa Excelência e peço a todos que levantem um brinde em homenagem ao Presidente Mutharika e a todo o povo do Malawi.

Muito obrigado.

Fim do conteúdo da página