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Portal do Governo Brasileiro
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Cumprimentar meu companheiro, ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República,

Queria cumprimentar o senhor Rex Tillerson, presidente da Exxon Mobil,

Nosso companheiro Eike Batista, presidente da EBX,

Cumprimentar os nossos convidados, companheiros da diplomacia brasileira, da diplomacia americana,

Os jornalistas,

Os empresários,

E, sinceramente, eu, depois do filme, não teria nenhuma razão para fazer nenhum pronunciamento aqui.

Por uma razão, por uma razão muito forte: a vida de um ser humano na política, ela só dá certo se as pessoas não tiverem medo de mudar de posições e, sempre que possível, mudar para melhor. Eu lembro que, em 1985, eu não acreditava que um trabalhador pudesse chegar à Presidência da República pela via do voto direto e, quatro anos depois, eu tive 47% dos votos do meu país para Presidente da República e passei a acreditar que era possível, daí porque disputei tantas eleições e perdi tantas eleições até chegar a Presidência da República.

Eu tive muitas dúvidas ao assinar a famosa Carta ao povo brasileiro. Era uma inflexão muito forte que eu tinha que fazer na minha carreira de sindicalista e eu fui convencido pelos meus companheiros a assinar a Carta ao povo brasileiro e a lê-la, e eu acho que ela realmente contribuiu para mudar a trajetória da minha campanha.

Eu precisava encontrar um vice-presidente que não fosse do PT e que não fosse mais da esquerda do que eu, porque ele ia ter que ser um pouco mais conservador e uma pessoa que representasse um outro segmento da sociedade. E, um dia, eu fui convidado para visitar um empresário que estava comemorando 50 anos de vida empresarial lá no estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e eu não queria ir a esse jantar porque eu me perguntava: o que eu vou fazer em um jantar, na casa de um empresário tão rico, eu não o conheço, o que eu vou fazer lá? E lá fui eu convencido pelos companheiros a ir ao aniversário do então senador da República, presidente da Coteminas, o companheiro José Alencar. E lá, depois de ouvir... Eu nunca tinha visto o José Alencar, nunca tinha conversado com ele e depois que o José Alencar terminou o discurso contando a sua história, eu disse aos meus companheiros: acabei de encontrar o vice-presidente da República que eu preciso para conquistar os votos que eu preciso obter. Eu já estava cansado de ter 30% dos votos, eu precisava ter 50% dos votos e, certamente, o José Alencar deu uma contribuição extraordinária.

Mas a última que aconteceu na minha vida foi agora na crise econômica. No auge da crise econômica, no mês de dezembro, eu estava inquieto com as manchetes dos jornais que apregoavam o fim do mundo, ou seja, era o fim dos Estados Unidos, era o fim da Alemanha, era o fim da França, era o fim da China, o fim da Rússia, o fim do Brasil. A impressão que se tinha era que o mundo ia acabar e que não tinha mais jeito. E eu lembro que era próximo do Natal e eu lia as manchetes dos jornais que diziam que o trabalhador não podia, não queria comprar porque ele tinha medo de comprar, fazer uma dívida e depois ficar desempregado e não poder pagar a sua dívida.

Eu que passei 15 anos da minha vida, ou mais, lutando contra o consumismo desenfreado, fui para televisão para convocar o povo brasileiro a consumir porque se ele não consumisse, aí sim, ele ia perder o emprego de verdade e isso deu resultados extraordinários, sobretudo no consumo das pessoas mais pobres do nosso país.

Eu queria dizer essas coisas antes, porque o mundo está precisando, cada vez mais, de lideranças com a cabeça muito arejada. O mundo está precisando de lideranças que não sejam donos da verdade absoluta, mas que sejam capazes de construir, junto com os mais diferentes segmentos da sociedade, a proposta que possa conduzir o seu país a modelo de desenvolvimento, a prática de distribuição de riqueza que possa tornar o mundo mais justo e mais democrático.

Eu, por exemplo, fiquei muito surpreso de ver o Gerdau, aí, falando de mim, porque é incrível, sete anos atrás, eu acho que o Gerdau e outros companheiros empresários tinham medo de mim, porque achavam que eu ia fazer do Brasil uma República sindicalista, o que era impossível, tal a dimensão do Brasil. E também porque durante muito tempo se falava muito do "risco Lula", mas não era só para mim, não. Agora se fala de risco de outras pessoas. E eu acho uma bobagem imensa. Eu acho uma bobagem imensa alguém achar que um presidente, ganhando as eleições democraticamente, ele vai mudar a lógica de uma coisa que o povo brasileiro gostou. Você ter estabilidade econômica, você ter inflação baixa, você ter um Estado que seja indutor, que seja regulador, mas ao mesmo tempo um Estado que não queira ser o administrador ou o gerente, e se você mantiver o poder aquisitivo do povo é tudo o que o povo deseja na vida. Eu acho que o Brasil estava desabituado a isso, porque nós passamos muitos anos, muitos anos, preocupados com a dívida externa brasileira; muitos anos preocupados com as taxas de juros praticamente inimagináveis; muitos anos em que a gente tinha que construir superávit, superávit, superávit e que a capacidade de investimento do Estado brasileiro era quase nenhuma.

O único grande momento que o Brasil teve de investimento em infraestrutura foi no governo Geisel, em 1975. Havia tido no Juscelino, em [19]55, e havia tido no Getúlio Vargas, em [19]50. Mas havia 25 anos que o nosso país não tinha investimento em infraestrutura planejado, então o País não estava habituado ao dinamismo do crescimento. Eu acho que muita gente no Brasil já não acreditava mais que o Brasil pudesse dar um salto de qualidade, e eu penso que nós conseguimos. Eu penso que nós conseguimos fazer aquilo que para alguns parecia impossível, porque durante muito tempo, também, nós brasileiros fomos doutrinados a nos achar cidadãos inferiores, cidadãos menores, cidadãos menos competentes, ou seja, a autoestima estava sendo jogada fora. E, quando nós ganhamos as eleições, a primeira coisa que eu fiz foi tentar fazer uma propaganda recuperando a autoestima. Colocamos o jogador de futebol Ronaldo para dizer uma frase na televisão: "Eu sou brasileiro e não desisto nunca", que era para criar a autoestima de que nós poderemos fazer as coisas.

Bem, hoje eu penso que o Brasil está se consolidando enquanto uma nação que não quer jogar fora o século XXI, como se jogou as oportunidades no século XX. Todos vocês sabem que de 1950 a 1980, o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo, percentualmente. Ou seja, nós éramos, durante 30 anos, no século XX - de [19]50 a [19]80 - o que a China é nos últimos 15 anos. Entretanto, nós não cuidamos de fazer a coisa da forma correta: fazer distribuição de renda, fazer investimento na educação, fazer as reformas que precisavam ser feitas. E, ao não fazer isso, nós perdemos o trem da história e ficamos atrasados.

Pois bem, eu queria dizer isso a vocês porque acho que Estados Unidos e Brasil podem trabalhar muito mais, podem construir uma parceria muito mais forte e é preciso que a gente comece a pensar no que nós queremos para a nossa querida América do Sul, para nossa querida América Latina, porque o Brasil tem muita responsabilidade do lado de baixo e os Estados Unidos têm muita responsabilidade do lado de cima. Ou seja, há toda uma América Central empobrecida que depende muito dos Estados Unidos e o Brasil tem muitos vizinhos em situações mais desfavoráveis do que o Brasil, e que não adianta o Brasil crescer se a gente não ajudar aqueles vizinhos a crescerem junto; não adianta os Estados Unidos continuarem crescendo, se a gente não alavancar o crescimento dos países que estão próximos, porque no fundo, no fundo, eu penso que isso seria bom para os países mais ricos.

Então, eu queria, de coração, começar dizendo que as minhas primeiras palavras são de gratidão pela outorga que o Instituto Woodrow Wilson me faz deste prêmio. Aceito a distinção como uma homenagem ao povo brasileiro. Ele tem sido o principal protagonista das transformações que meu país vem experimentando nos últimos anos.

Todo mundo sabe que retomamos o crescimento e logramos mais justiça social preservando a estabilidade econômica e aprofundando a nossa democracia. Hoje eu posso dizer para vocês, e com muito orgulho, diante da imprensa brasileira e da imprensa de outros países, que o Brasil, definitivamente, é um país de instituições sólidas e democráticas. Ninguém mais no mundo pode ter dúvida de que o nosso país vive uma democracia, e cada vez mais participativa, cada vez mais engajada à sociedade.

Só para os senhores terem uma ideia, eu já fiz, nesses sete anos de governo, 57 conferências nacionais. Ou seja, são momentos em que a sociedade decide a política do governo, as orientações para o governo. A última vai ser de telecomunicações, que nós vamos fazer uma grande no final do ano, para que a gente discuta o papel da comunicação no país, sobretudo, nessas coisas que nem nós conseguimos mais entender, porque do jeito que está a Internet, a cada dia tem uma revolução no nosso nariz e nós não temos regulação, não temos nada para fazer. É preciso saber como tratar dessas coisas que estão acontecendo no mundo de hoje.

 

Todo mundo sabe que no primeiro dia do meu governo eu convidei... convoquei o país a uma cruzada contra a fome e contra a miséria. Eu lembro que quando vim conversar com o presidente Bush, no dia 10 de dezembro de 2002, eu já eleito presidente da República e ele já com dois anos de mandato, tinha acontecido, em 2001, o atentado às torres aqui, em Nova York. E eu, então, conversava com o presidente Bush, ele estava, na época, muito obsessivo com o combate ao terrorismo e descobrir quem tinha feito os atentados à torre, e a necessidade de fazer a guerra com o Iraque, e falava, falava, e eu compreendia o drama de um presidente que tinha tido o seu país agredido da forma vergonhosa com que foram agredidos os Estados Unidos.

Mas eu dizia ao presidente Bush: "Presidente, a minha guerra é outra. A minha guerra não é contra o Iraque, Presidente, a minha guerra é contra a fome no meu país, porque tem 44 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza e eu preciso resolver esse problema". Bem, eu imaginava que o presidente Bush fosse até ficar zangado comigo, porque eu não queria aderir à tese da guerra com o Iraque, mas, no fundo, no fundo, nós nos tornamos amigos e tivemos uma relação, eu diria, mais do que razoável, ou poucas vezes o Brasil teve uma relação tão positiva como nós tivemos. Está certo que não conseguimos avançar na reforma da ONU, está certo que não conseguimos avançar na Rodada de Doha, na OMC. Mas, de qualquer forma, você não precisa conquistar tudo, você vai conquistando com o tempo.

Uma coisa importante que eu gostaria de convencer as pessoas a entenderem: nós passamos quase 50 anos dizendo que só poderia haver distribuição de riqueza se a economia crescesse. No Brasil, então, se inventou uma coisa que era fantástica, que dizia o seguinte: o Brasil tem que crescer para depois distribuir. E o Brasil estava vivendo o auge do "milagre brasileiro". Em [19]73 a economia brasileira cresceu 14%. E o nosso amigo... hoje, nosso amigo... Vejam como é a mudança da cabeça das pessoas: eu passei 30 anos da minha vida brigando com o Delfim Neto. E hoje o Delfim é um dos grandes amigos que eu construí nesse processo de governança no País. E o Delfim dizia que era preciso deixar o bolo crescer para depois distribuir. E eu dizia: "Esse bolo cresceu, os outros comeram e nós ficamos sem a nossa parte no bolo".

O que nós queríamos provar, na verdade? É que não existe dualidade entre o bolo crescer e você distribuir, ou você distribuir... O que aconteceu no Brasil? É que, na medida em que nós começamos a fazer política de transferência de renda, na medida em que nós começamos a aumentar um pouquinho de dinheiro na mão das pessoas mais pobres, elas se transformaram em consumidores potenciais, que faz com que o varejo, no Brasil, nunca mais parou de vender.

Os economistas brasileiros não falavam a palavra "crédito consignado". Quando nós criamos o crédito consignado, e foi em uma discussão com a Febraban, em São Paulo, que eu perguntei: "Por que vocês não financiam casa própria?" Eles disseram: "Porque a gente não tem garantia". Aí eu voltei e falei: será que não pode emprestar dinheiro para os pobres porque não tem garantia? Nós oferecemos a folha de pagamento. Hoje, o crédito consignado é uma das razões do sucesso do consumo de uma parte da classe média baixa brasileira e dos aposentados, ou seja, são mais de US$ 50 bilhões de crédito para pessoas que jamais pensavam em poder entrar em um banco para tomar dinheiro emprestado.

Bem, essas coisas permitiram que nós chegássemos a este momento que eu diria, quase que mágico, na história do País. Eu digo "quase que mágico", porque eu vivi muito tempo do outro lado, como dirigente sindical. E eu vivi inflação de 80% ao mês, eu vivi inflação de 40% ao mês, eu vivi inflação de 50% ao mês, ou seja, a incerteza. Marisa e eu íamos ao supermercado, comprávamos um monte de latas de óleo para poder guardar, ou seja, o nosso investimento era comprar latas de óleo, era comprar coisas que não estragassem e colocar embaixo da pia, que era a vantagem que gente tinha porque, a 80% ao mês, o nosso salário não valia quase coisa nenhuma.

Então, para mim, a estabilidade econômica é uma conquista fundamental, e que, podem ter certeza, o nosso país nunca mais vai voltar aos tempos de desmandos, em que a inflação corroia o poder aquisitivo da população mais pobre, e que algumas pessoas ganhavam muito dinheiro às custas da inflação. Esse tempo acabou, e nós aprendemos que a estabilidade é boa, que a inflação baixa é boa, que os juros baixos é bom, e que isso tudo pode gerar perspectiva de emprego.

Não sei se vocês acompanharam pela imprensa, no mês de agosto, nós batemos recorde de geração de empregos com carteira profissional assinada. Foram 242 mil novos postos de trabalho criados. E este ano, quando todo mundo está em crise, nós iremos chegar ao final do ano com a criação de mais de 1 milhão de novos empregos, com emprego formal, melhorando a vida das pessoas.

Bem, eu aprendi, como sindicalista, que salários dignos para todos não só garante melhores condições de vida para trabalhadores como se transforma em poderoso fator de crescimento de estabilidade macroeconômica. Aqui, quando a gente dizia isso, há 20 anos, no Brasil, se dizia que era um discurso esquerdista. Isso era uma bobagem, essa era uma tese do Henry Ford, ou seja, que dizia que os seus trabalhadores precisariam ganhar bem para poder comprar o carro que produziu, para poder a indústria crescer. Era uma tese, e no Brasil isso não era compreendido.

Eu lembro que teve dois momentos importantes que aconteceram no Brasil mais recentemente. E, aqui, alguns empresários brasileiros lembram disso, e eu gosto de repetir isso sempre. Em agosto de 2003, eu fui visitar a Ford, lá em São Bernardo do Campo, e eu disse que os trabalhadores logo iam ver o espetáculo do crescimento. Bom, eu passei três ou quatro meses apanhando, porque a quantidade de charge na imprensa com relação ao espetáculo do crescimento era uma coisa abusiva. Bem, o que aconteceu é que, em 2004, a economia cresceu 5,8%, e ninguém que me criticou pediu desculpas.

Agora, na época da crise, eu disse outra vez: a crise não chegará ao Brasil como ela chegou aos Estados Unidos, ela não chegará ao Brasil como ela chegou à Alemanha. Por quê? Porque nós já tínhamos feito o PAC no dia 22 de janeiro de 2007. A gente não esperou a crise chegar para que a gente tivesse um grande programa de investimento, o maior já feito no Brasil nos últimos 50 anos, que hoje representa praticamente R$ 646 bilhões, mais de US$ 350 bilhões investidos. Só uma empresa como a Petrobras tem R$ 174 bilhões para serem investidos até 2013. Fora os empresários que estão aqui, se tudo o que vocês estão investindo, que me falaram, for verdade, nós vamos passar de 1 trilhão aqui.

Bem, a verdade é que eu tinha convicção de que a crise não poderia bater no Brasil como ela bateu nos outros países, eu tinha convicção. E eu tinha convicção de que não houvesse a queda do Lehman Brothers, nem chegaria ao Brasil a crise. Possivelmente, não sei de quem é a culpa, vocês é quem devem saber, mas certamente se o governo passado tivesse tido, quem sabe, a coragem de colocar US$ 60 bilhões no Lehman Brothers, possivelmente ele não tivesse quebrado e nós não tivéssemos feito o crédito desaparecer, como desapareceu. Como é que se explica que o crédito desapareceu no mundo, num piscar de olhos, que nem empresas poderosas conseguiam pegar mil dólares emprestados no exterior?

Então, eu penso que, no Brasil, quando eu dizia que a gente não ia sofrer a crise é porque as coisas já estavam encaminhadas, porque os investimentos já estavam decididos, porque as coisas já estavam acontecendo, do ponto de vista da construção, nós já estávamos colhendo. O que aconteceu, na verdade, é que houve um pouco de covardia de alguns setores da economia brasileira, que tiraram o pé do breque ou, melhor, pisaram muito rapidamente no breque. Ou seja, muitas empresas que deram férias em dezembro, que deram férias em novembro, que deram férias em janeiro, sem necessidade.

Porque, vejam que engraçado: no Brasil nós tivemos uma parada brusca da indústria automobilística e, em março, quem queria comprar um carro tinha que esperar quatro meses, porque não tinha mais carro para vender. Ou seja, na verdade, eu também acho que as pessoas foram levadas pelo pânico, pelo... por muito pânico divulgado pelas manchetes, pelos críticos.

De qualquer forma, eu posso dizer para vocês que a nossa economia está mais sólida do que já esteve em qualquer outro momento. E eu estou prevendo: acreditem que nós vamos ter um 2010 extremamente promissor para o nosso país. Extremamente promissor. Nós tomamos todas as medidas que tínhamos que tomar. Quando foi necessário comprar bancos, nós compramos; quando foi necessário desonerar, nós desoneramos; quando foi necessário criar programa de investimentos, nós criamos. E eu acho que isso tudo colocou o Brasil em uma situação altamente confortável.

Obviamente que poderíamos estar melhor se não tivesse havido a crise. Mas, de qualquer forma, eu acho que foi um alerta, porque tinha gente que dizia: "Ah, o Lula tem sorte, o Lula tem sorte. O Lula nunca pegou uma crise". Ora, essa crise que nós pegamos, ela é infinitamente maior do que a crise do México, do que a crise russa, do que a crise... Entretanto, o Brasil estava melhor, o Brasil não estava debilitado.

Bem, nós tivemos uma outra coisa importante no Brasil, que é o investimento em educação. Eu vou dar dois dados para vocês, e vou entrar no pré-sal para terminar o meu discurso, porque eu comecei dizendo que não ia falar, e já estou aqui contando prosa para vocês o tempo inteiro.

Eu, possivelmente, a minha obsessão por investimento em educação, talvez seja pelo fato de eu não ter tido oportunidade de estudar quando eu tinha idade para estudar. Possivelmente, alguém que estudou muito, que fez curso, que fez curso e que fez curso, fez pós-graduação, ao se formar não tenha a sensibilidade de que existem milhões que precisam estudar e que é preciso alguém criar as condições para essas crianças estudarem.

Pois bem, eu vou dar dois números para vocês, importantes. Na semana passada, eu me transformei no presidente que mais vai fazer universidades na história do Brasil até hoje. Juscelino tinha dez, nós já estamos com 11 e temos mais três para serem aprovadas no Congresso Nacional.

Ao mesmo tempo, nós estamos fazendo 105 extensões universitárias no Brasil, levando curso para todo o interior do País, sobretudo, para as regiões mais pobres do País. E estamos fazendo mais escolas técnico-profissionais em oito anos do que tudo o que foi feito no século, no Brasil. Ou seja, nós vamos fazer, em oito anos, uma vez e meia o que foi feito em cem anos, em escolas técnico-profissionais, em institutos de tecnologia, para que a gente passe a ideia para as pessoas de que não existe outro caminho para o Brasil senão fazer investimento muito forte na educação.

É por isso que no novo marco regulatório do pré-sal, que mandamos ao Congresso Nacional, nós propusemos não só a partilha, mas nós propusemos a constituição de um fundo, e esse fundo tem algumas prioridades, e a primeira delas é a educação. A educação, a ciência e tecnologia, o combate à pobreza, a questão ambiental e a questão cultural são as (incompreensível) das coisas que nós queremos fazer investimento com esse fundo.

E por que criamos o fundo? Porque a história mostra muitos países muito ricos em petróleo que continuam com o povo muito pobre. Muita gente com corrente de ouro, com relógio de ouro, com tudo de ouro, com carros e mais carros, e o povo continua pobre. Então, nós estamos fazendo uma lei para não permitir que algum governo irresponsável, em algum momento da história do Brasil, utilize o dinheiro para fazer o mesmo que sempre aconteceu, que uma pequena parte continue rica e a maioria fica pobre.

Como nós achamos que a riqueza de um povo está na sua formação, está no seu conhecimento, está na capacidade tecnológica da cabeça das pessoas, nós, então, vamos apostar tudo na educação, para ver se a gente consegue fazer com que o pré-sal se transforme em um grande patrimônio, de o Brasil ser exportador de conhecimento e não apenas exportador de óleo cru, como alguns poderiam imaginar.

 

De qualquer forma, eu queria terminar dizendo para vocês que nós chegamos até onde chegamos porque muita gente participou. Ou seja, nós nunca tivemos problema de aprovar nada importante no nosso Congresso Nacional. E Congresso, eu não preciso dizer, cada país tem um Congresso e sabe como é que é, sabe como funciona. Às vezes, as pessoas acham que demora para a gente aprovar uma coisa no Congresso brasileiro, mas, aqui, o Obama está esperando um bocado de meses para indicar o embaixador do Brasil e ainda não conseguiu indicar embaixador do Brasil. Embaixador eu indico com mais facilidade, eu indico com mais facilidade.

Mas, de qualquer forma, essa é a democracia, é assim mesmo que as coisas funcionam. O que as pessoas precisam compreender é que este momento que o Brasil está vivendo não é um momento apenas econômico, é um momento político muito forte. A construção da Unasul, a construção do Conselho de Defesa Sul-Americano, a construção do Conselho de Combate ao Narcotráfico na Unasul, ou seja, o estabelecimento de uma política de convivência democrática, e esse é o sacrifício que nós temos que fazer.

E eu tenho convocado, pedido ao presidente Obama, e já pedi ao presidente Bush, que nós poderemos construir grande parte das coisas que é preciso construir juntos. Ou seja, Estados Unidos e o Brasil são por demais grandes para ficarem tão distantes nas questões estratégicas da política. Muitas vezes, nós, parece que desconfiamos uns dos outros, e eu acho que esse distanciamento permite que as coisas andem mais devagar, quando nós temos pressa.

Essa é uma região pacífica, uma região tranquila, democrática. A democracia, com o que aconteceu agora, em El Salvador, é o último (incompreensível) que os setores de esquerda ganharam as eleições, mas ganharam de forma muito madura, muito responsável. E eu não tenho dúvida nenhuma que nós, Brasil e Estados Unidos, precisamos cooperar para que a gente possa garantir que a democracia seja consolidada.

Por isso é que Brasil e Estados Unidos repudiaram o que aconteceu em Honduras. Nós não podemos aceitar mais golpe militar. Não temos o direito de aceitar que alguém se ache no direito de tirar uma pessoa eleita democraticamente e colocar, no seu lugar, uma pessoa que ele entenda que seja boa. Eu acho que a posição dos Estados Unidos e a do Brasil, juntos, é importante, porque fortalece a democracia no nosso continente.

No mais, eu queria dizer para vocês que eu saio daqui... Vou sair daqui só sexta-feira, mas vou antecipar aqui. Eu saio daqui satisfeito por esse prêmio. Acho que é sempre importante. E eu venho aqui muito mais porque eu acho que as pessoas mais pobres do Brasil é que fizeram com que nós pudéssemos ganhar esse prêmio. Eu não sei se quando eu deixar a Presidência, eu vou ter um instituto, se eu vou ter alguma coisa, mas certamente isso aqui estará em algum lugar de destaque, para que as pessoas saibam que um dia o Brasil foi lembrado. E vocês, ao homenagearem a mim e ao Brasil, vocês fizeram um gesto, eu diria, que eu respeito muito, que é o gesto de reconhecer uma nação, quando ela toma as posições que o Brasil tem tomado.

Estejam certos de uma coisa: nós aprendemos a nos respeitar. E quem aprende a se respeitar, quem aprende a levantar a cabeça, não tem por que não vencer na vida. E o Brasil, podem ficar certos, nos próximos 10 ou 15 anos, na hora que nós começarmos a tirar o pré-sal, nós nos transformaremos numa grande economia.

Por último, dizer para vocês uma novidade: o Brasil, na última segunda-feira, fez o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar. Portanto, acho que poucos países do mundo fizeram o zoneamento agroecológico. O Brasil fez e, portanto, a gente vai ter o nosso etanol sem ferir a Amazônia, sem ferir o Pantanal, sem ferir o Alto Paraguai, e eu espero que isso seja suficiente para que vocês comecem a comprar um pouquinho do nosso etanol, porque as nossas...

Obrigado, e que Deus nos ajude a continuar essa caminhada.

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