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Por conta do discurso do companheiro Diouf, eu penso que, historicamente, o tipo de ajuda que o mundo desenvolvido deu para muitos países africanos foi muito importante, mas eu diria que foi insuficiente. Nós montamos uma sede da Embrapa, que é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, na cidade de Acra, em Gana, e quando eu voltar de Copenhague, a partir do dia 10, nós vamos fazer uma reunião com a Embrapa para saber o resultado da pesquisa que eles fizeram em uma parte do território africano. Nós temos a convicção de que a savana africana tem quase o mesmo potencial de produção agrícola que tem o cerrado brasileiro. Há 30 anos ou 40 anos, o cerrado brasileiro, ali onde fica Brasília, era tido como terra imprestável. Depois de estudos e pesquisas, depois de um manejo do solo, hoje é a região que mais produz grãos no Brasil.

Bem, nós vamos fazer uma reunião com a Embrapa e é importante, Diouf, colocar os fones no ouvido... Nós vamos fazer uma reunião com a Embrapa e a minha ideia é, com o resultado de pesquisa em função do que pode ser plantado em cada região, a gente procurar os países ricos para que eles ajudem, não a dar alimentos, mas ajudar a produzir alimentos em cada país.

Eu penso que essa é uma coisa, Diouf, que nós pretendemos anunciar lá no Congresso da FAO, em Roma, em novembro, mas é preciso fazer um texto porque nós precisamos ter o compromisso dos países que habitualmente têm ajudado a África, dos países que foram colonizadores de alguns, que ainda ajudam. Há uma ajuda muito insuficiente, mas nós achamos que não basta a ajuda do tipo que foi dada em todo o século XX. É preciso que agora a gente entre com outro tipo de ajuda, de tornar a terra produtiva, assistência técnica e, em alguns casos, até, eu diria, irrigação onde tiver água em condições de irrigar.

E essa, Diouf, tem que ser uma decisão que nós temos que tomar no Congresso da FAO para comprometer os países ricos. Por exemplo, a Cristina estava comigo quando foi anunciado que o G-8 liberou US$ 20 bilhões para a África. A minha preocupação é como é que esse dinheiro chega, na mão de quem ele chega e o que ele produz. Se nós transformássemos 20 bilhões em produção no continente africano, nós não precisaríamos comprar alimentos subsidiados da Europa ou dos próprios Estados Unidos.

Eu penso, Diouf, que essa é uma discussão séria que nós temos que nos preparar para fazer em Roma, e temos que fazer um esforço, Diouf, não para levar apenas os países pobres, mas para convidar os países ricos a comparecerem à Conferência da FAO, para que eles possam ouvir esses números e para que eles possam se comprometer com uma outra política de ajuda, sobretudo ao continente africano.

Nós vamos levar as propostas de como é possível fazer isso em função das experiências e das pesquisas feitas em vários países, e aí nós vamos esperar que eles possam colocar a mão no bolso e ajudar.

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