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Meu querido amigo presidente da República da Colômbia, Álvaro Uribe,

Meu caro amigo José Serra, governador do estado de São Paulo,

Senhor Jaime Bermúdez, ministro das Relações Exteriores da Colômbia,

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil,

Senhor Luis Guilhermo Plata, ministro do Comércio, da Indústria e do Turismo da Colômbia,

Companheiro Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil,

Meu caro amigo Paulo Skaf, presidente da Fiesp,

Meu caro Luis Carlos Villegas, presidente da Associação Industrial da Colômbia,

Senhores embaixadores e integrantes das delegações brasileira e da Colômbia,

Amigos empresários e empresárias,

Companheiros da imprensa,

Meus amigos e minhas amigas,

Esta é a quarta vez que recebemos o presidente Uribe, só neste ano.
A Colômbia e o Brasil estão fazendo uma aposta numa parceria fundamental para o futuro de nossos países e da América do Sul.

Sua localização estratégica e vocação para unir o Atlântico e o Pacífico tornam a Colômbia um sócio indispensável do Brasil neste projeto de integração regional.

No momento em que a economia global se debate com uma recessão sem precedentes, nosso continente já está retomando o seu crescimento.

Apresentamos todas as condições para transformar nossa região em pólo dinâmico da economia mundial. Possuímos um mercado de 400 milhões de consumidores e um parque produtivo avançado.

Somos uma região de paz, rica em energia e abundante em recursos naturais.
Estamos dotando o continente dos instrumentos necessários para financiar o nosso desenvolvimento. O Banco do Sul vem somar-se à CAF como mecanismo fundamental de sustentação do nosso projeto de integração.

Medidas inovadoras, como o sistema de pagamentos em moeda local, tornarão nosso intercâmbio mais ágil e barato.

Senhoras e senhores,

Em 2004, afirmei que a Colômbia e o Brasil tinham todas as condições para dobrar o comércio em poucos anos. Cumprimos nossa promessa, Uribe. Em 2008, nosso intercâmbio ultrapassou os US$ 3 bilhões, com um crescimento de quase 100% das exportações colombianas, se bem que ainda o déficit é grande para a Colômbia.

Estamos equilibrando e ampliando essas trocas. A conclusão das negociações Mercosul-Colômbia sobre serviços, certamente, ampliará o leque de oportunidades.
Enfrentamos agora novo desafio. O de demonstrar que temos todas as condições de ser um dos motores dessa recuperação do crescimento na nossa América do Sul.
É esta a visão que trouxe o presidente Uribe a São Paulo, à frente de importante delegação de homens de negócios.

Queremos hoje aprofundar as parcerias estabelecidas entre empresas brasileiras e fornecedores colombianos, em recente visita a Bogotá.

Nossa economia cresce, abrindo espaço para importação de bens e serviços de qualidade.

Os empresários brasileiros já identificaram as vantagens dessa parceria. Somos o terceiro maior investidor na Colômbia. Investimentos brasileiros de US$ 1,3 bilhão estão presentes nos mais variados setores da economia colombiana.

Assim como o Brasil, a Colômbia aposta nos investimentos em infraestrutura como resposta à crise. Só a Rota do Sol, rodovia que ligará Bogotá à costa atlântica, envolve investimentos da ordem US$ 2,6 bilhões. E, certamente, as empresas brasileiras esperam participar desta que será a maior obra viária do país.

Essa é uma via de duas mãos. A empresa colombiana ISA arrematou um bloco de exploração de petróleo na Bacia de Sergipe-Alagoas.

Meus amigos e minhas amigas,

Estamos apostando também nas energias renováveis. Nossos países estão na vanguarda do desenvolvimento de fontes alternativas. As metas ambiciosas adotadas pelo governo Uribe garantem a adição de 10% de etanol à gasolina, e 100% dos veículos novos serão flex fuel até 2016.

As condições para isso estão asseguradas. Estamos concluindo acordo que ampliará a produção de cana para um milhão de hectares. Portanto, vamos gerar empregos, renda e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Temos todas as condições de assumir uma posição de liderança na Conferência de Copenhague. Para tanto, propus ao presidente Uribe uma reunião em Manaus com todos os presidentes da região amazônica, a fim de coordenar uma posição conjunta para a Conferência do Clima em Copenhague.

Assim como o Brasil, a Colômbia acredita que a segurança energética é plenamente compatível com a segurança alimentar. Por isso, o Brasil apoia a modernização da agropecuária colombiana. O BNDES pode financiar a revitalização do setor de frigoríficos, laticínios e maquinário agrícola.

São todas medidas que farão da Colômbia um dos principais polos industrial, agropecuário e energético da América do Sul. Levarão também à região Norte do Brasil os benefícios da integração de nosso continente.

Precisamos agora trabalhar para aumentar o turismo e multiplicar as conexões aéreas. A fusão entre a Avianca e a Taca é um passo fundamental nessa direção. Finalmente, nossos empresários não terão mais de fazer escala em Miami para poder realizar negócios.

O esporte também multiplica oportunidades. É o que promete a realização no Brasil da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, e veja que eu já disse ao companheiro Uribe que nós iremos trabalhar para que a Colômbia possa realizar os Jogos Pan-Americanos em Bogotá, em 2015. Até porque, em se tratando de esporte, o Brasil precisa tomar cuidado para não inflacionar o mercado. Em 2011 nós vamos realizar os Jogos Militares, são mais de 6 mil atletas do mundo inteiro. Em 2013 nós vamos fazer a Copa das Confederações, que é antes da Copa do Mundo. Em 2014, a Copa do Mundo. Em 2015 nós tínhamos a Copa das Américas, que nós resolvemos passar para o Chile e ocuparmos a data do Chile, que me parece que é em 2019. Em 2016 nós, então, teremos as Olimpíadas aqui no Brasil.
Uribe, quero, de coração, agradecer o compromisso que você assumiu comigo. Eu me encontrei com um delegado importante da Colômbia lá em Copenhague e eu tenho a convicção de que o teu pedido foi acatado por ele e, certamente, com o voto da Colômbia nós tivemos a maior vitória que um país já teve para conquistar as Olimpíadas: 40 votos de diferença. É a maior de toda a história dos Jogos Olímpicos.

A integração regional também passa pela consolidação da América do Sul como uma zona de paz e democracia. Não podemos repetir retrocessos como o de Honduras, onde estamos unidos na condenação ao golpe.

Quero ressaltar o empenho do presidente Uribe em fortalecer a Unasul e fazer dela um foro de construção da confiança. Só por meio do diálogo aberto e transparente encontraremos soluções para os problemas comuns. Vamos fazer dos desafios de hoje as oportunidades de amanhã.

Contamos com a Colômbia no projeto de desenvolvimento do avião de carga da Embraer. Que isso seja um ponto de partida para o lançamento de uma indústria regional de defesa.

Meu caro amigo presidente Uribe,

Esse é o sentido de nosso encontro hoje: insistir na opção pela integração, bilateral e regional. Com a casa em ordem, com economias estáveis, estamos avançados no caminho que nos levará às sociedades prósperas, justas e abertas que almejamos.

Contamos com o empenho de nosso empresariado nessa empreitada.

Uma vez mais, eu quero agradecer ao presidente Uribe. Quero agradecer aos empresários por esta visita. Quero agradecer à Fiesp, Paulo Skaf, sob a tua presidência, por mais essa disposição arrojada. E dizer duas palavras, Uribe, sem tomar muito o seu tempo, porque sei que você também quer voltar rápido para Bogotá.

Eu penso - Paulo Skaf, governador José Serra, presidente Uribe, Miguel Jorge, companheiros empresários e empresárias - que finalmente nós descobrimos que nós existimos. E finalmente nós descobrimos que é plenamente possível estabelecermos com os países da América do Sul uma relação que, algum tempo atrás, nem nós estabelecíamos com eles e nem eles conosco, porque todos nós, como os países colonizados, estávamos sempre achando que os benefícios que nós precisaríamos viriam de fora, dos países ricos.

De repente, nós descobrimos que o potencial na relação comercial Brasil-Colômbia, nós ainda não exploramos 20% dele. Não é possível que um país que tenha o tanto de quilômetros de fronteira seca [como] a Colômbia tem com o Brasil, sejam os Estados Unidos responsáveis por 45% das exportações colombianas, coisa que o Brasil deveria pelo menos disputar essa hegemonia com os Estados Unidos e importar muito mais da Colômbia.

Mas isso não aconteceu por má fé de ninguém. Isso aconteceu ao longo de quase todo o século XX porque nós aprendemos a nos olhar como adversários.
Espero que nenhum empresário colombiano fique ofendido, nenhum empresário brasileiro, mas historicamente o Brasil era vendido como se fosse o grande inimigo para a economia da Colômbia, para a economia do Peru, para a economia da Venezuela, para a economia da Bolívia. O Brasil era vendido como se fosse o grande adversário econômico, como se fosse um império para os países da América do Sul.

Não só na Colômbia, mas em vários outros países havia quase uma doutrinação a convencer as pessoas de que o Brasil era perigoso: "Olhe, cuidado com os empresários brasileiros, o Brasil é império, cuidado com os militares brasileiros." Essa coisa foi se formando a interesse daqueles que queriam tirar proveito das relações privilegiadas.

Aqui, do nosso lado, as pessoas diziam: "Para que fazer negócio com a Colômbia, um país pobre, pequeno, não produz nada." Com a Bolívia, com o Peru... ou seja, havia quase uma doutrinação para que nós nos distanciássemos.

Obviamente que quando o presidente Alfonsín e o presidente Sarney pensaram na criação do Mercosul, nesse processo de integração que depois culminou já no governo Collor, nós demos um passo importante. Depois, achamos que estava fracassando e resolvemos retomar o fortalecimento do Mercosul.

O que aconteceu, de fato? O que aconteceu é que nós começamos a compreender que nós temos uma possibilidade tão extraordinária de fazer negócios na América do Sul, que nós ainda não exploramos o que temos que explorar. E é um país do tamanho do Brasil, com a economia brasileira, com o potencial tecnológico que tem o Brasil, com as instituições de financiamento que tem o Brasil, é o Brasil que tem que tomar a dianteira para facilitar que aconteçam os negócios.

É o Brasil que tem que financiar parte do desenvolvimento para a integração regional, é o Brasil que tem que ajudar na construção das rodovias, das hidrelétricas, das pontes, das telecomunicações que precisam no continente. Ou o Brasil reconhece que é um país grande, reconhece que é a maior economia deste continente e resolve exercer o seu papel, não de hegemonia, mas o seu papel de fortalecer a parceria e a integração, ou as coisas não acontecem.

Muitas vezes aqui no Brasil, Uribe, nós tratamos um financiamento para um país pobre como se fosse um investimento para um país rico, quando na verdade nós deveríamos estar criando as condições para facilitar esse financiamento. Nós aprendemos isso e estamos fazendo isso, mas é preciso fazer muito e muito mais.
Ora, se os empresários colombianos deixaram de ter medo dos empresários brasileiros, se os empresários brasileiros passaram a olhar o mundo além dos Estados Unidos e da Europa, está colocada, Miguel Jorge, uma situação extraordinária. Você, agora, que tem viajado... Eu tenho... A Presidência tem emprestado o "Sucatão" para o nosso companheiro Miguel Jorge levar empresários para a África, nos lugares mais distintos. Já foram 860 empresários para a África, em vários países. É para a gente descobrir - aqui tem muito árabe, aqui tem muito judeu, aqui tem muito turco - é para a gente descobrir oportunidades de fazer negócios.

Vocês se lembram quando nós fomos a Dubai, a primeira vez? Fizemos uma feira, em que gastamos US$ 500 mil para fazer aquela feira. As críticas que faziam a nós eram que nós tínhamos gasto US$ 500 mil para fazer a feira. Ninguém falou dos 50 milhões que a gente vendeu apenas em uma noite, só falou dos US$ 500 mil que nós gastamos.

Então, eu penso que o momento da crise econômica, Uribe, é um momento excepcional para a gente repensar as coisas que nós fazíamos e que achávamos que não tínhamos outro caminho.

A crise econômica é para a gente pensar: espera aí, tudo o que eu fiz no século XX foi extraordinariamente bem, chegamos até aqui. Agora, no século XXI eu vou ter que fazer um pouco mais, eu vou ter que, quem sabe, ser um pouco mais arrojado, eu vou ter que procurar novas fronteiras. E se a gente não procurar fronteiras, a gente não vende. Acabou o tempo em que o mundo era totalmente distante, um país do outro, em que a gente ficava esperando as pessoas virem aqui comprar.

Daqui, eu estou vendo o Roger ali sentado. Aliás, está fazendo um investimento de US$ 380 milhões na Colômbia. E pode até fazer um pouco mais, porque eu ouvi dizer que lá tem muito carvão. Mas até o Roger sabe que não adianta a Vale do Rio Doce achar que é grande e ficar sentado em uma cadeira no Rio de Janeiro, na sede da Vale do Rio Doce, se não for para a rua vender. É preciso disputar cada milímetro. Não existe moleza, Paulo, é preciso disputar cada milímetro.

Eu acho, Uribe, que essa tua vinda aqui a São Paulo, a essa reunião dos empresários, e mais vezes que nós vamos à Colômbia, é uma oportunidade extraordinária. Nós poderíamos ter 10 bilhões, 8 bilhões de fluxo comercial entre os dois países. Nós poderíamos estar fazendo mais investimento na Colômbia, além de um 1,3 bilhão, o BNDES tem dinheiro para isso.

O que eu acho, Uribe, é que nós precisamos construir as propostas, os projetos e, sobretudo, na questão da seguridad, o Brasil tem que ter um acordo forte com a Colômbia, porque nós temos uma fronteira muito grande e nós não temos o direito de permitir que o narcotráfico ganhe da instituição chamada Estado, nem o colombiano, nem o Estado brasileiro.

Por isso, eu quero dar os parabéns.

Uribe, eu tenho um ano e dois meses de mandato. Você, se não...Você pode ter mais ... Agosto, terminaria o teu mandato? A toma [tomada] de posse seria em agosto? Então você tem, teoricamente, dez meses. Eu penso, Uribe, independentemente do que vai acontecer depois, da Suprema Corte, esquece... Eu queria...

Vamos dedicar esses dez meses teus e esses dez meses meus para que a gente possa, no mínimo, dobrar o comércio existente hoje entre Brasil e Colômbia. Vamos fazer os acordos que faltam para nós fazermos. Até porque em um momento de crise como este, não é importante que a gente esteja muito dependente de um país, não é prudente.

Portanto, a diversificação das nossas relações comerciais é uma necessidade de sobrevivência. A dependência de um país ou de dois países é muito ruim.

Vejam vocês empresários, o que aconteceu com o Brasil algum tempo atrás. A gente tinha, praticamente, 58% da nossa balança comercial com os Estados Unidos e com a Europa. Nós diversificamos muito e hoje nós temos bem menos. Nós temos... Crescemos muito com a África, crescemos muito com o Oriente Médio, crescemos com a Ásia mas, sobretudo, crescemos muito na América Latina.

Eu acho que Brasil e Colômbia podem e devem fazer muito mais.

Muito obrigado.

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