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Primeiro, eu queria dizer a vocês da minha alegria de estar vendo nascer aqui em Caracas um Consulado-Geral brasileiro, um escritório da Caixa Econômica Federal, um escritório da ABDI, um escritório da Embrapa, e também assisti, ao longo desses últimos anos, muitas empresas brasileiras aqui chegarem para construir parcerias produtivas com o governo da Venezuela.

Eu não poderia deixar de cumprimentar o nosso embaixador, o nosso companheiro Simões, a nossa querida Mariângela Rebuá, consulesa-geral, a nossa querida Maria Fernanda, e todos os companheiros que têm contribuído para que isso aconteça.

Eu penso, companheiros ministros brasileiros que estão aqui - Lobão, Dilma e Hélio Costa - que tem um sentido histórico o que nós estamos fazendo, porque tanto Brasil como Venezuela, nós fomos durante muitos anos ocupados por colonizadores europeus. Então, toda a nossa cabeça estava voltada para atender os interesses dos colonizadores.

Depois que nós conseguimos a nossa independência, no final do século XIX, nós começamos um processo, muitas vezes, de brigas internas entre nós, que ocupou uma parte do nosso tempo. Depois, todos nós aqui na América Latina, ficamos mais outras décadas sendo colonizados indiretamente por países ricos, sejam da Europa ou sejam os Estados Unidos. E apenas nos últimos anos nós estamos vivendo quase uma consciência coletiva de que grande parte dos problemas que nós temos poderá ser, com muita tranquilidade, resolvida por nós mesmos se nós confiarmos uns nos outros.

O presidente Chávez costuma dizer, nos encontros que temos, da Unasul ou em encontros bilaterais, que muitas vezes, como participante do Exército bolivariano, ele era obrigado a dar aulas na academia militar pregando quase que o antagonismo contra o Brasil porque era essa a doutrina vigente. O Brasil era o perigo, o Brasil era o inimigo. Ora, em política, Maquiavel nos ensinava que não existe nada melhor do que dividir para reinar. Então, o que acontecia: os países poderosos criavam desconfianças entre nós, arrumavam inimigos entre nós mesmos e nós passávamos a achar que a solução do problema da América do Sul vinha da bondade de países de outros continentes e não da nossa boa relação, não da consolidação das nossas instituições.

E eu penso que o exemplo do que está acontecendo aqui hoje, com a Caixa Econômica montando o seu escritório, não para fazer aquilo que os bancos da Venezuela têm que fazer, mas para colocar à disposição dos companheiros da Venezuela os conhecimentos que a Caixa Econômica adquiriu nesses 150 anos de existência no nosso País, como um banco extremamente bem sucedido. E nós não queremos parar por aí. Nós não queremos parar com a Embrapa, com a ABDI, com a Caixa Econômica Federal, não [queremos parar] com o nosso Consulado-Geral. Nós defendemos a ideia que o Banco do Brasil, mais do que qualquer outra coisa, tem que ter agências do Banco do Brasil em todos os países da América do Sul para funcionar, não apenas para atender os brasileiros no exterior, mas para participar. Por que o Citibank está aqui? Por que o Deutsche Bank está aqui? Por que tem tantos bancos com nomes estrangeiros aqui e não pode ter um nome que vai soar de forma maravilhosa para os venezuelanos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal?

É apenas uma decisão que já está tomada, já conversamos muito com o ministro Guido Mantega, e o Brasil tem que assumir a responsabilidade de como o país maior da América do Sul, com a economia maior da América do Sul, o Brasil tem que ser o primeiro país a fazer gestos. Não os gestos de antigamente, em que os países grandes queriam ter hegemonia no Continente, queriam ser o (incompreensível) como falam os espanhóis. Nós não queremos nada disso. Nós não queremos ser líderes, nós não queremos ter hegemonia, nós apenas queremos tratar todo mundo em igualdade de condições, do menor ao maior, porque é assim que a gente conquista respeito, é assim que a gente consolida a democracia e é assim que a gente dá os passos importantes para o desenvolvimento do nosso continente.

Tudo isso aqui parece pouco se a gente imaginar o que a gente quer para o futuro. Mas se a gente olhar para um passado não muito distante, o que se pensava da relação Sul-Sul e o que se pensava da relação na América do Sul, isso aqui, para quem acredita em Deus como eu, é um milagre, é um milagre, porque os adversários existem, os contra existem. É uma doutrina e doutrina não é uma coisa que a gente muda rapidamente com um discurso. São anos e anos e anos de persistência, para que a gente possa consolidar cada degrau dessa escada da construção da integração da América do Sul e da América Latina.

E nós estamos aqui, Maria Fernanda e Celso, num momento extraordinário. Hoje o Senado brasileiro aprovou, na Comissão de Relações Exteriores, a entrada da Venezuela no Mercosul. Ainda falta uma etapa, que é a votação em Plenário, mas eu estou convencido de que os senadores brasileiros, nesse tanto tempo de debate que fizeram, amadureceram, e hoje acho que a grande maioria tem consciência da importância dessa parceria. E nós sonhamos que um dia todos os países da América do Sul estejam participando do Mercosul. Ele vai ficar maior, mais forte, economicamente mais importante, comercialmente mais importante e politicamente muito mais importante.

Portanto, eu queria, querida Mariângela, dizer para você que eu espero que você cumpra com aquilo que você falou aqui: tratar os brasileiros com a dignidade que os brasileiros merecem ter no exterior. Às vezes um brasileiro pode até, perante as leis de um país, não estar legalizado. Mas, para o nosso Consulado, ele sempre estará legalizado e é por isso que o Consulado tem que fazer, tem que transformar este espaço aqui em um pedacinho... Você olha o mapa do Brasil, Mariângela, e você escolha qual é o pedaço do Brasil que você quer transformar este Consulado aqui, para quando os brasileiros e as brasileiras que estão aqui colocarem o pé, eles saberão que tem uma Consulesa-Geral, e uma companheira e não uma adversária, como há 30 anos ou 20 anos, que os brasileiros tinham medo de procurar o Consulado no exterior e serem denunciados, ou qualquer coisa parecida.

Então, meus parabéns à Caixa Econômica Federal, meus parabéns ao companheiro Celso Amorim, porque tem sido um batalhador incansável para aumentar a criação de consulados-gerais, para aumentar as embaixadas, e parabéns ao nosso companheiro Simões, por ter feito um trabalho exuberante aqui na Venezuela.

E quero dizer ao companheiro Álvaro, que nós vamos seguir seus passos, mensalmente, eu não sei se a Fernanda estabeleceu metas para você, sabe. Não terá bônus, só metas, porque eu acho que se a gente conseguir consolidar esta parceria com a Venezuela, nós estaremos criando a chance de despertar em outros países irmãos, da América do Sul e da América Latina, a extensão de mais escritórios da Caixa para outros países, para que um dia, que não está muito longe, venezuelanos, brasileiros, bolivianos, paraguaios, uruguaios não tenham mais diferença entre si. Todos nós estaremos falando "portunhol", todos nós estaremos [falando] "portunhol". E todos nós, e todos nós iremos transitar livremente sem barreiras nas nossas fronteiras.

O Brasil fez um gesto há dois meses, quando a Europa começou a aprovar leis para criar dificuldades aos imigrantes, quando a Itália criou dificuldades, no Brasil, nós fizemos um gesto de legalizar mais de 100 mil estrangeiros que estavam no Brasil para que eles pudessem ser considerados cidadãos brasileiros.

Portanto, parabéns, um abraço e espero que na próxima visita minha a Caracas, que eu possa não apenas visitar a Embaixada, mas visitar o nosso Consulado-Geral e dar uma passadinha na Caixa Econômica para pegar um dinheirinho emprestado (incompreensível).

Um abraço.

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