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Bem, primeiro cumprimentar o companheiro e amigo, presidente Hugo Chávez,

Seu ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro,

Cumprimentar o embaixador Celso Amorim, e cumprimentando o Celso estarei cumprimentando todos os ministros brasileiros,

Quero cumprimentar os governadores aqui presentes,

Embaixadores e integrantes das delegações da Venezuela e do Brasil,

Os nossos queridos agricultores e trabalhadores deste projeto,

Cumprimentar os companheiros jornalistas,

Eu vou ser muito breve. Primeiro, alguns motivos de muita alegria desta minha visita à Venezuela. Ontem tive o prazer de participar de uma dupla inauguração: de um lado, o Consulado-Geral brasileiro em Caracas e, do outro lado, o escritório da Caixa Econômica Federal, que veio para ficar. Terceiro, eu descobri que na Venezuela, em Caracas, tinha um teleférico mais alto do que o bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, e pudemos jantar lá e conversar um pouco sobre política. Quarto, o Chávez estava reclamando muito de chuva e choveu. Quinto, eu pude participar do resultado extraordinário da primeira colheita da primeira plantação de soja na Venezuela. E quinto [sexto], participar da assinatura de 15 acordos e, sobretudo, de um deles, que tem tomado quatro anos de trabalho do presidente Chávez e meu, que é o acordo da Petrobras e da PDVSA. Eu penso que finalmente nós poderemos, quem sabe daqui a uns dois anos ou um pouco mais, inaugurar definitivamente a Refinaria Abreu e Lima.

Bem, dito isso, a mim me alegra muito a quantidade de empresários brasileiros que firmam acordos e convênios com empresas da Venezuela e com o governo da Venezuela. E a mim também me alegra o fato de que a transferência do conhecimento tecnológico brasileiro na área industrial e na área da agricultura tropical pode transformar a Venezuela, num médio espaço de tempo, em um país autossuficiente na produção de alimentos, portanto, em um país com segurança alimentar, que não precisa importar aquilo que é considerado vital para a sobrevivência da comunidade e, ao mesmo tempo, ver a Venezuela ter um desenvolvimento industrial e tecnológico que pode colocá-la como um país industrializado. Quando isso acontecer, e muitos de vocês vão viver para ver isso, eu penso que a Venezuela será transformada num polo de desenvolvimento muito importante em toda a América do Sul, em toda a América Latina, e eu penso que a Venezuela passará a ser, finalmente, um país desenvolvido.

Também eu fico feliz porque estamos colhendo hoje aquilo que plantamos no tempo em que era difícil plantar, no tempo em que havia muito preconceito e descrédito contra qualquer palavra de integração. Foi necessário que alguns governantes da América do Sul resolvessem transformar o discurso da integração em coisas práticas, fazer com que acontecesse, na prática, aquilo que os nossos antecessores, nossas pessoas queriam que acontecesse. Foi por isso que aconteceu a independência dos nossos países, foi por isso que muita gente morreu durante décadas e décadas, lutando por liberdade, lutando por integração, e nós estamos fazendo isso em tempo de paz. Basta uma boa visão política, basta muita determinação, que nós percebemos, com muita facilidade, que aquilo que outros não conseguiram fazer por divergências ou porque naquele tempo a nossa cabeça era mais colonizada, nós estamos fazendo agora com muito mais facilidade.

Ninguém mais duvida de que a integração da América do Sul e de que a relação política, cultural, econômica e comercial entre Brasil e Venezuela é uma coisa consagrada que não tem volta. Daqui para a frente só tende a melhorar. Lógico que para nós, brasileiros, e sobretudo para mim, como governante, não há nenhum interesse em que todo ano exista um déficit comercial contra a Venezuela na nossa relação comercial. Uma das razões que me motivou a construir a Refinaria Abreu e Lima era a ideia de o Brasil importar petróleo da Venezuela e, portanto, diminuir um pouco o déficit comercial. E uma das razões pelas quais trabalho tanto com os nossos empresários e com o presidente Chávez para fazer investimentos de empresas brasileiras aqui é para que essas empresas gerem riqueza na Venezuela, gerem empregos e, portanto, melhoria de vida do povo da Venezuela e, ao mesmo tempo, possam exportar para o Brasil muitos dos produtos produzidos aqui, e isso também vai equilibrando a balança comercial entre Brasil e Venezuela. Na verdade, o comércio bom é aquele em que a gente tem um equilíbrio. Um pode ter um superávit um mês, um ano, mas não pode ser uma coisa muito distante, como existe hoje entre Brasil e Venezuela.

Por último, uma das coisas que ainda falta construir nas nossas relações é concluir o projeto de integração, melhorando a possibilidade de utilizar o potencial dos rios da Venezuela e do Brasil para que possamos fazer dos nossos rios, em vez de os vermos como dificuldades, nós vermos como facilidades para que, através de barcaças, possamos transferir os produtos da Venezuela para o Brasil e os produtos do Brasil para a Venezuela. Ainda temos que fazer algumas estradas, ainda temos que fazer, possivelmente, uma ferrovia entre os dois países. Mas o mais importante de tudo é que nós estamos numa posição tão importante do ponto de vista dos investimentos, que eu penso que quase naturalmente essas coisas vão acontecer, Chávez, entre Brasil e Venezuela.
Portanto, hoje quando o meu avião levantar voo e eu estiver já fora do controle aéreo da Venezuela, sem nenhuma preocupação com bombardeio de um Sukhoi, eu vou dizer, junto com os meus companheiros Celso, Marco Aurélio, Lobão, Hélio Costa, Graça, que valeu a pena a gente acreditar que era possível essa integração e que valeu a pena a gente acreditar... e que valeu a pena a gente brigar para que a Venezuela entrasse no Mercosul e que...

Eu penso, Chávez, que o que vai acontecer a partir de agora é que nós vamos, cada vez mais, construir mais parcerias, fazer mais acordos e desenvolver, cada vez mais, Venezuela e Brasil. Chávez me contava, no caminho, que esta região aqui tem apagão por conta de problemas energéticos. Já constituímos uma comissão para que o ministro Lobão mande técnicos aqui para, junto com técnicos da Venezuela, a gente possa discutir, com a maior rapidez possível, como garantir que a Venezuela, com o potencial hidrelétrico e energético que tem, nunca mais sofra apagão.

Então, companheiro Chávez, eu só posso terminar minhas palavras aqui dizendo a você que falta um ano para terminar o meu governo, e que neste um ano nós vamos ter que trabalhar mais para fazer nele o que nós... um pouco mais do que fizemos nos sete anos de convivência.

Um abraço.

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