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Excelentíssima senhora Cristina Fernández de Kirchner, presidenta da Argentina,

Senador José Sarney, presidente do Senado,

Deputado Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados,

Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, por intermédio de quem cumprimento os demais ministros brasileiros aqui presentes,

Meu companheiro Jorge Taiana, ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina, por intermédio de quem cumprimento os demais ministros argentinos,

Companheiros parlamentares, senadores, deputados,

Senhoras e senhores embaixadores,

Demais membros integrantes da delegação argentina,

Empresários,

Amigos da imprensa brasileira e da imprensa argentina,


Sua visita, Cristina, é sempre um evento especial, ocasião para reafirmar a aliança estratégica entre Argentina e Brasil.

Neste quarto encontro presidencial de nosso Mecanismo de Integração e Coordenação, temos a oportunidade de dar mais um passo para realizar todo o nosso potencial.

A despeito de dificuldades, que alguns tentam exagerar, estamos maduros para enfrentar, de forma solidária e coordenada, os desafios que devem nos unir, jamais nos separar.

Juntos defenderemos melhor nossos interesses nacionais e faremos prevalecer uma nova visão de integração regional. Ajudaremos a moldar um mundo mais limpo e seguro para as próximas gerações.


Cara amiga Presidenta,

Esta reunião é especialmente oportuna no momento em que ainda não se dissipou uma crise mundial que questiona velhos paradigmas e requer respostas inovadoras.
Temos atuado juntos na esfera global. Mas temos também de buscar respostas bilaterais para enfrentar a crise.

Ao Brasil interessa uma Argentina forte, competitiva e próspera. Esse objetivo coincide com nosso interesse nacional. Ele é inseparável de nossa inserção no mundo do século XXI.

Essa relação em que os dois países ganham se traduz nos números de nosso comércio, dos investimentos e da cooperação bilateral. Nunca nossos países foram tão integrados. Nunca nossos destinos foram tão inseparáveis.

O Brasil é o principal mercado para os produtos industrializados argentinos. Eles representam quase 70% das exportações da Argentina para o nosso país. Em 2009, de cada dez automóveis exportados pela Argentina, nove vieram para o Brasil.

O BNDES é parceiro entusiasta de nossa integração. Desde 2005, foi desembolsado US$ 1,2 bilhão para projetos de ampliação e modernização da infraestrutura da Argentina e do seu parque produtivo. Outro US$ 1,5 bilhão está destinado a setores prioritários como gasodutos, saneamento e abastecimento de água. Novas operações em exame de US$ 4,5 bilhões não deixam dúvidas de que continuamos a apostar no extraordinário potencial da Argentina e de nossa parceria.

Juntos garantimos a adoção de um padrão de TV Digital comum na América do Sul, que abre importante espaço para a integração da infraestrutura de comunicações regional. A decisão comum nessa matéria, de Argentina, Brasil, Chile, Peru e Venezuela, consolida nossa região na vanguarda do acesso democrático à informação.

Empresas dos dois países são hoje grandes investidoras no outro lado da fronteira, onde geram renda e empregos. Em 2008, nosso intercâmbio alcançou quase US$ 31 bilhões, um recorde. A importação de bens e equipamentos brasileiros ajudou a aumentar a competitividade das exportações argentinas para o resto do mundo.

Temos o desafio de retomar e superar os níveis anteriores, demonstrando que faremos do comércio uma alavanca para a retomada do crescimento.

O caminho a seguir é o incremento das exportações argentinas, não a diminuição das exportações brasileiras. Por isso, apoiamos esforços de longo prazo para aumentar a competitividade do parque produtivo na Argentina. Nossa resposta à crise deve ser mais comércio e mais investimentos; mais negócios e integração produtiva. O protecionismo não é solução, apenas cria distorções difíceis de reverter.


Querida companheira Cristina,

Temos motivos para confiar no progresso de nossa parceria. Hoje, monitoramos o andamento dos 20 projetos em carteira: da cooperação nuclear e o sistema de pagamentos em moeda local até a interconexão energética.

Fizemos notáveis avanços em setores como a livre circulação de pessoas, o financiamento de projetos de integração produtiva e a complementação na indústria naval. Mas precisamos ir mais rápido. O projeto do satélite conjunto, por exemplo, está maduro. Exige de nós definições políticas e compromissos financeiros.

A Declaração Conjunta que acabamos de assinar aponta o caminho a seguir se quisermos consolidar, definitivamente, essa verdadeira comunidade de interesses. Nada disso será possível sem um Mercosul revigorado e uma Unasul consolidada. Esses mecanismos são a pedra de toque de uma integração sul-americana estável, justa e soberana.

Seria importante dar um grande e coordenado impulso às questões pendentes do Mercosul nas sucessivas presidências pro tempore que Argentina e Brasil terão no ano de 2010.

No G-20 Financeiro, defenderemos uma arquitetura financeira internacional com maior regulação, supervisão e participação dos países em desenvolvimento.
A ação conjunta de Argentina e Brasil permitiu incluir a OIT entre os convidados às Cúpulas de Londres e Pittsburgh, dando mais peso nas discussões do grupo para as questões do mundo do trabalho, que devem estar no centro de nossas preocupações. Na OMC, não abdicaremos de um acordo que favoreça a agricultura nas regiões mais pobres; na Conferência sobre Mudança do Clima, cobraremos das nações industrializadas metas ambiciosas e apoio financeiro e tecnológico para os países que são as maiores vítimas do aquecimento global. Em todos esses tabuleiros, estamos comprometidos com soluções eficazes, legítimas e democráticas para os problemas mundiais.

Dentro desse espírito, exigimos a pronta restituição do presidente Manuel Zelaya. Caso contrário, as eleições de 29 de novembro estarão comprometidas e estará lançado um precedente extremamente perigoso. Este é o consenso de toda a América Latina e Caribe.


Companheira Cristina,

Temos um destino comum que vamos construindo por vontade de nossas sociedades e com a serena determinação de quem sabe que nossa parceria é em defesa das liberdades, na construção da prosperidade e na criação de um mundo mais justo.
É com essa convicção que eu queria dizer aos empresários brasileiros aqui presentes e aos empresários argentinos uma coisa que eu disse quando estive em Buenos Aires, com a Cristina, no debate empresarial: cada dia mais, argentinos e brasileiros precisam se enxergar e se entender como parceiros. Os dois países são muito interdependentes, os dois países precisam um do outro. Ao Brasil interessa que a Argentina cresça, se fortaleça, se industrialize e à Argentina deve interessar que o Brasil cresça e se fortaleça, porque cada vez mais tende a crescer o comércio entre nós.

Lógico que temos que levar em conta o tamanho da população brasileira, temos que levar em conta a diferença entre os dois países existente hoje. Mas é importante também que vocês saibam que na próxima reunião que nós vamos fazer na Argentina, daqui a mais ou menos 90 dias, um tema prioritário será o tema dos investimentos e financiamentos do Brasil na Argentina. Porque se a gente ficar apenas olhando a diferença no déficit comercial de um ou de outro e, por conta disso, diminuirmos a nossa relação comercial, todos perderemos.

Então, o que nós precisamos fazer... e os empresários brasileiros precisam compreender isso, os empresários argentinos precisam compreender isso, e o governo brasileiro e o governo argentino precisam compreender isso: quanto mais investimentos brasileiros fizermos na Argentina, quanto mais financiamentos fizermos na Argentina, mais equilibrada será a nossa balança comercial, porque serão empresas produzindo na Argentina para exportar para o Brasil parte dos produtos fabricados na Argentina.

Por isso, nós tomamos uma decisão, Cristina e eu, que não está no documento assinado por nós - vai ser assinado depois -, uma decisão de que os nossos ministros de Indústria e Comércio, mais a ministra Débora, da Argentina, Miguel Jorge, Celso Amorim e Taiana, e mais os dois ministros da Economia, a cada 45 dias, vão ter que encontrar um jeito... A cada 45 dias jantam em Buenos Aires uma vez, outra vez jantam no Brasil, para que a gente não permita que qualquer problema individual ou de um segmento empresarial na relação comercial crie impedimento das boas relações entre os dois países.

É com essa afirmação e esse chamamento aos empresários brasileiros, que eu gostaria de propor a todos vocês um brinde em homenagem à nossa querida companheira Cristina Fernández de Kirchner, e em celebração à amizade fraterna entre o povo brasileiro e o povo argentino.

Muito obrigado.

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