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https://www.lavanguardia.com/politica/20190930/47725665229/brasil-no-es-el-villano-del-medio-ambiente-defiende-ministro.html

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, é um dos personagens mais populares do governo de Jair Bolsonaro. Antes de sua viagem à Espanha, onde buscará investidores para seu plano de privatização, ele refutou que o Brasil seja "o vilão do meio ambiente", como alguns governos sugeriram após a onda de incêndios na Amazônia.

Gomes de Freitas (Rio de Janeiro, 1975) conversou com a EFE na Bolsa de Valores de São Paulo, momentos após o leilão de uma rodovia no centro-oeste do Brasil. Foi a vigésima sétima privatização de infraestrutura concluída com sucesso em 2019.

Durante sua visita a Madri, o ministro pretende ampliar o número de interessados nas próximas competições. "Teremos uma agenda nivelada. A Espanha tem sido um parceiro importante e de longo prazo que investiu pesadamente em infraestrutura", afirmou.

Engenheiro militar, ele tem um perfil mais técnico do que político. É também um dos ministros mais valorizados pelos brasileiros, atrás do ex-juiz Sérgio Moro (Justiça, e que ordenou a entrada na prisão do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos de prisão por corrupção) e do neoliberal Paulo Guedes (Economia), segundo a pesquisa DataFolha de setembro.

Gomes de Freitas, que já trabalhou na área de privatizações no governo esquerdista de Dilma Rousseff (2011-2016), é um ave rara na classe política. Durante a sua estadia na Espanha, não ficará hospedado em um hotel de luxo em Madri, mas em um hotel médio, de diárias de 180 euros por noite, em um bairro popular.

Depois da AENA, que este ano foi premiada com a operação de seis aeroportos no nordeste do Brasil por cerca de 439 milhões de euros, quais outras empresas espanholas estão em seu radar?
Temos uma boa oportunidade de apresentar (na Espanha) um programa de concessão rigoroso e muito bem estruturado, no qual estamos atenuando de maneira bastante interessante os riscos de contratos de longo prazo e a Espanha está muito interessada no potencial, dado o número de operadores e investidores de qualidade que existem.

De que áreas de infraestrutura estamos falando?
Empresas dos setores aeroportuário, rodoviário, ferroviário e portuário (...) Além de empresas, existem bancos como o Santander, que está nos ajudando neste "roadshow". Estou certo de que será uma semana muito produtiva.

Um dos pontos fortes das empresas espanholas de infraestrutura é o setor ferroviário. O Brasil já possuía um projeto de alta velocidade que não saiu do papel (Campinas-Rio de Janeiro). Isso será retomado?
Devido à falta que temos, nosso programa ferroviário está atualmente muito focado no transporte de mercadorias. Existem importantes operadoras espanholas que podem nos ajudar muito, agregando tecnologia e know-how no Brasil. Um de nossos objetivos é despertar o interesse em empresas espanholas. Vou citar um deles, Ferrovial, com o qual nos encontraremos.

Essa imagem de incêndios na região está prejudicando a imagem do país de alguma forma.
Você tem que falar com autoridade. Eu conheço bem a Amazônia. Eu trabalhei e morei lá por seis anos. Vamos mostrar o compromisso que temos com a Amazônia, o que vamos fazer para preservar esse patrimônio brasileiro, rico em biodiversidade, mostrar que há, de fato, um compromisso de preservar as florestas e que sabemos combinar a criação de infraestrutura e a preservação do meio ambiente.

O que você diria ao presidente francês, Emmanuel Macron, se ele fosse encontrado agora? (Macron criticou a gestão ambiental do governo brasileiro durante a onda de incêndios).
Eu diria: "Convido você a voar entre São Gabriel da Cachoeira e Manaus e você ficará surpreso com o nível de preservação da floresta".

Você é um dos ministros mais valorizados de um governo com altas taxas de desaprovação.
É algo em que não penso. Afinal, o que eu acho é que o Ministério da Infraestrutura está dando resultados, temos uma equipe muito boa, muito qualificada. A grande virtude do Ministério de Infraestrutura é ter excelentes técnicos. Esse é um dos grandes méritos do presidente Bolsonaro que encerrou uma má tradição de indicações políticas. Ele foi muito corajoso. Ele colocou técnicos dirigindo as questões.

O acordo político entre a União Europeia e o Mercosul pode ser prejudicado após as tensões entre o Brasil e alguns governos europeus?
Espero que não. Vamos tentar mostrar que estamos comprometidos com a preservação do meio ambiente. Nós somos bons nisso. Sempre tivemos esse conhecimento. Sempre contribuímos para mitigar os impactos. Não é nossa culpa o aquecimento global. Em termos de emissões globais, nossa participação é insignificante, somos responsáveis por 1,6% das emissões no planeta. Não somos os vilões desta história (...) Esperamos mudar mentalidades (...) Em alguns casos, a intoxicação do discurso sobre a questão ambiental é do interesse de alguns países que acabam perdendo um pouco para o nosso agronegócio competitivo. Isso tem que ser deixado de lado. O acordo será muito bom para ambas as partes.

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