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Maria Luiza Ribeiro Viotti, Embaixadora do Brasil na Alemanha

Por Alexandra Gross e Dietmar Wenck

Faltam 100 dias para o início dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Apesar do ceticismo internacional, a Embaixadora Viotti já está cheia de expectativa.

Berlim. A abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro acontecerá em 100 dias. Será? As notícias, quase que diárias sobre o que está indo mal no Brasil em relação à organização do evento, despertam dúvidas. Além disso, há o vírus zika, o medo de ataques terroristas, o impeachment da Presidente Dilma Rousseff e uma grave crise econômica - muitos observadores estão preocupados. Sem razão, segundo a Embaixadora do Brasil Maria Luiza Ribeiro Viotti em entrevista ao jornal Berliner Morgenpost.

Berliner Morgenpost: Embaixadora, muita expectativa em relação aos Jogos Olímpicos em seu país?

Maria Luiza Ribeiro Viotti: Sim, bastante. Os preparativos no Brasil estão indo muito bem e dentro do cronograma. Isso foi avaliado e confirmando pelo Comitê Olímpico Internacional em meados de abril. 98% das instalações estão prontas; algumas antes do previsto.

BM: Quando a Senhora esteve lá pela última vez?

Viotti: Em Janeiro. No Rio já há muita expectativa e entusiasmo, o foco está voltado para os Jogos. Esse clima ainda não chegou ao resto do país, mas tenho certeza de que isso vai mudar quando a tocha olímpica chegar a Brasília no dia três de maio. A partir daí ela será levada até o Rio, passando por 300 cidades, o que aumentará o interesse pelo evento. Recentes pesquisas realizadas no Brasil mostram que 70% dos entrevistados apoiam os Jogos.

BM: Antes da Copa do Mundo em 2014 houve protestos em massa. Por que isso não está acontecendo agora?

Viotti: Na época, uma parte da população considerava que os gastos com estádios prejudicariam outras áreas como, por exemplo, a saúde e a educação, o que não era o caso. Mesmo assim, havia uma corrente minoritária contra a Copa do Mundo. Durante a Copa, o mundo pôde ver o quanto os brasileiros apoiavam o campeonato. Desta vez, muitas instalações já existem. Além disso, dois terços dos investimentos são feitos em infraestrutura, que será aproveitada depois dos Jogos. Muitas das arenas poderão posteriormente ser utilizadas pela população. A cidade vai se beneficiar dos Jogos.

BM: A Copa do Mundo contribuiu para que a receptividade seja maior agora?

Viotti: O fato de termos organizado a Copa do Mundo com tanto êxito e num clima muito amistoso fez com que houvesse um aumento da autoconfiança dos brasileiros. Houve sim uma contribuição.

BM: Seu país conquistou o maior número de títulos em copas do mundo e a paixão pelo futebol é imensa. Mas os brasileiros também amam atletismo, natação e pequenas modalidades esportivas, onde nascem os heróis olímpicos?

Viotti: Claro que o futebol é o esporte mais popular. Mas também temos uma tradição respeitável em outras modalidades esportivas. Na natação, por exemplo, temos o campeão olímpico e recordista mundial, César Cielo, que infelizmente não participará dos Jogos no Rio de Janeiro, e toda uma nova geração de nadadores. Acompanho esse tema, pois pratiquei esse esporte no passado. Também somos fortes no voleibol e vôlei de praia. Nossas jogadoras de handebol foram campeãs mundiais. Somos competitivos em judô, boxe, vela, ginástica. Temos ótimos atletas paralímpicos, como Alan Fonteles, que derrotou Oscar Pistorius em 2012; ou Daniel Dias, um nadador que conquistou dez medalhas de ouro em Jogos Paralímpicos. Esperamos que a inclusão no Brasil possa avançar ainda mais com a realização dos Jogos Paralímpicos.

BM: A Senhora parece estar muito otimista. No entanto, as notícias que chegam à Europa são menos animadoras. Como o metrô que não será concluído a tempo...

Viotti: ... Mas vai ficar pronto sim!

BM: Durante o evento-teste de ginástica faltou luz. Existem histórias horripilantes sobre partes do corpo humano encontradas na baía onde ocorrerão as competições de vela e sobre a qualidade da água. Uma ciclovia acabou de desabar, duas pessoas morreram.

Viotti: Antes da Copa do Mundo também se noticiou que os estádios não ficariam prontos. E como foi? Tudo perfeitamente organizado, sem nenhum incidente. E agora também vai ser assim. O metrô de Ipanema até a Barra vai funcionar. A primeira viagem-teste está prevista para junho. Quanto às competições de vela, tivemos o último evento-teste em março e o COI ficou satisfeito com a melhoria da qualidade da água. Os 33 testes realizados pelo COI atingiram resultados positivos ou muito positivos. Houve alguns problemas, mas é para isso que existem testes como esses, para corrigir eventuais problemas. Não há razão para preocupação. Tudo está indo bem.

BM: A Senhora vê a situação de forma despreocupada. A Senhora diria que essa é uma característica tipicamente brasileira?

Viotti: Somos um povo que encara os desafios de forma positiva e tem confiança de que vai conseguir superá-los. Já organizamos alguns grandes eventos como, por exemplo, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em 1992. Na época, foi a maior conferência mundial com a presença de cerca de 100 chefes de Estado. E realizamos o evento com perfeição.

BM: O Brasil está passando por uma crise econômica. A situação política está complicada com o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Como esses problemas vão afetar os Jogos Olímpicos?

Viotti: Esses problemas não terão impacto nos Jogos. Grande parte dos preparativos já foi concluída. Por isso, os problemas econômicos não vão ter qualquer influência do ponto de vista financeiro. Na esfera política, somos capazes de separar as coisas. Todos têm grande interesse que a realização dos Jogos seja perfeita. É verdade que o país está politicamente polarizado, mas as instituições não estão em crise. Elas estão funcionando.

BM: O que os brasileiros podem aprender com os alemães e vice-versa?

Viotti: Os alemães são muito admirados no Brasil por sua organização, capacidade de planejamento, qualidade e foco em resultados. Isso parece um clichê, mas tem um fundo de verdade. Quanto aos brasileiros, diz-se que são muito flexíveis e criativos na busca por soluções. Sempre encontram uma solução. Talvez os alemães possam aprender com a alegria de viver e o caráter aberto e amistoso dos brasileiros.

BM: Falando em mentalidade: Jogos Olímpicos significam, por um lado, conquistar medalhas, mas também celebrar uma festa esportiva pacífica. E os atletas brasileiros, para eles o que importa é participar?

Viotti: Como os atletas de outras nações, os nossos também desejam vencer. Mas trata-se de respeito e convivência pacífica. O lema olímpico é igualmente importante. O público brasileiro vai apoiar os alemães e outras nações no verão. Nem mesmo o 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo mudou isso. Durante as Olimpíadas queremos jogar novamente contra a Alemanha no futebol - e esperamos ganhar finalmente o torneio.

BM: Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, o Brasil conquistou um total de 17 medalhas, sendo três de ouro. Quais são as expectativas em relação aos Jogos no Rio?

Viotti: Nossas metas são muito ambiciosas. Em Londres conquistamos a 15ª colocação no quadro de medalhas. Agora queremos estar entre os dez melhores e, nos Jogos Paralímpicos, entre os cinco primeiros países.

BM: Muitas pessoas temem ataques terroristas. Como o Brasil está preparado para enfrentar esse problema?

Viotti: Independentemente do fato de que o Brasil não é alvo de terroristas, estamos tratando a questão da segurança com o máximo de cuidado. As medidas em relação à segurança foram reforçadas consideravelmente após os atentados em Paris. Trabalhamos em cooperação com a polícia da Alemanha e da França. Teremos 85 mil agentes de segurança, incluindo 38 mil militares. Também ganhamos muito com a experiência adquirida durante a Copa do Mundo de 2014. Por isso, diria que estamos bem preparados.

BM: Qual o impacto do mosquito transmissor do zika?

Viotti: Esse era um problema que ainda não conhecíamos antes de 2015. Foram tomadas rapidamente medidas de combate ao mosquito e iniciadas campanhas de esclarecimento. Como, por exemplo, programas na área de saúde por meio dos quais especialistas orientam as pessoas sobre como devem proceder e se comportar. Além disso, estamos trabalhando permanentemente para eliminar os criadouros do mosquito. Não devemos esquecer que os Jogos Olímpicos acontecem durante a estação de seca no Brasil. Nessa época não há incidência de mosquitos. Mas, se houver, estamos tomando as medidas adequadas para combatê-los. Temos tido uma redução significativa dos casos de doença. Nossas ações funcionam.

BM: Em 23 de agosto, quando o presidente do COI, Thomas Bach, encerrar os Jogos Olímpicos, por que falará dos melhores Jogos da atualidade?

Viotti: O Rio de Janeiro será uma cidade-sede perfeita para os Jogos; Londres e Pequim também o foram. O elemento marcante dos Jogos no Rio será a excepcional atmosfera e o entusiasmo.

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