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Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Michel Temer,

Senhor Ministro de Estado das Relações Exteriores, Aloysio Nunes,

Senhor Secretário-Geral das Relações Exteriores, Embaixador Marcos Galvão,

Senhor Diretor-Geral do Instituto Rio Branco, Embaixador Estanislau Souza Neto,

Senhora Embaixadora Thereza Maria Quintella, nossa paraninfa,

Demais autoridades,

Caros colegas,

Senhoras e senhores,

“É sempre o tempo certo de fazer o que é certo.” Essas foram palavras de Martin Luther King, preso, em Birmingham, Alabama, após liderar protestos contra a discriminação racial. A turma Marielle Franco – e Marielle também lutou contra variadas formas de segregação – decidiu prestar esta homenagem porque entendeu que era certo. E havia de ser também o tempo certo. Nós tivemos de escolher prestá-la, é verdade, quando quase nada se sabia sobre o caso – e muito resta, infelizmente, por esclarecer. Mas nós tínhamos de escolher naquele momento prestar a homenagem ou jamais fazê-lo. E com a convicção de que o tempo, por si, não curará nossos males nem nos conduzirá inevitavelmente à justiça, decidimos não nos omitir. Decidimos homenagear Marielle Franco para que o decurso do tempo não esmoreça a indignação que sua morte nos causou; para que, ao contrário, sejamos testemunhos vivos e instrumentos da luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

Na mesma ocasião, Martin Luther King nos lembrava: uma injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares. Não é por outro motivo que hoje se unem, com a mesma indignação, Senhor Presidente, todas as forças políticas amantes da democracia, pois todas elas manifestaram ao mesmo tempo consternação e solidariedade. Aqui estamos para expressar nosso repúdio a toda forma de violência e para reforçar nossa crença nas instituições democráticas.

Senhoras e senhores, nós somos a turma Marielle Franco não apenas porque trabalhamos para o povo e desejamos servi-lo. Nós somos o povo. Somos de todas as regiões e de todas as cores, de todas as classes e de todos os sotaques do país. Não desejamos ser apenas burocratas a discutir temas distantes e improváveis. Como nos disse o Embaixador Marcondes de Carvalho, no último encontro com a turma, arregaçaremos as mangas com muito orgulho, escreveremos quantos telegramas forem necessários, sentaremos horas a fio por nosso trabalho. Mas também sairemos a campo, acolheremos refugiados, reuniremos famílias brasileiras no exterior, aliviaremos seu sofrimento, lembrou-nos o senhor Secretário-Geral.  Seremos a voz do Brasil no mundo, voz que será sempre, assim desejamos, de conciliação, temperança e justiça.

E escolhemos homenagear Marielle Franco, ainda, porque não nos podemos omitir quando a desinformação prospera. Assistimos todos ao surgimento de uma série de boatos, tão variados quanto inacreditáveis, que visavam a confundir e a desfazer reputações. Em outra dimensão, somos também responsáveis, enquanto diplomatas, por manter a sociedade brasileira informada sobre nosso trabalho. Se um jovem não sabe bem o que faz um diplomata ou se um empresário não compreende por que o Brasil move um contencioso de comércio, a responsabilidade é nossa. Saudamos, portanto, Senhor Ministro, os avanços do Ministério nessa direção e desejamos ser sempre mais transparentes, mais próximos, mais sensíveis à participação de uma sociedade que, com razão, exige cada vez mais do serviço publico. Não haverá, Senhor Ministro – assim entendemos –, outra maneira de preservar a contribuição que o Itamaraty historicamente prestou ao desenvolvimento e à prosperidade do país.

Senhora Embaixadora Maria Thereza Quintella, nossa paraninfa, a senhora mencionou, durante palestra da série Percursos Diplomáticos, que era muito sensível a qualquer sinal de que tivesse agido bem. Senhora Embaixadora, conhecer sua trajetória terá feito muito bem a todos nós. A senhora foi uma desbravadora: abriu portas para outras diplomatas na carreira, superou momentos de isolamento profissional, venceu o preconceito da imprensa e ajudou, por tudo isso, a elevar o nome das mulheres no Itamaraty e a voz do Brasil no mundo. Esperamos ser todos – mulheres e homens da turma Marielle Franco – continuadores de seu trabalho.

Embaixador Estanislau, o senhor nos ensinou que a liderança também se exerce sabendo ouvir. Agradecemos pela sensibilidade a nossos anseios e, dirigindo-nos ao senhor, agradecemos também pelo grandioso investimento que a sociedade brasileira realiza em nossa formação por meio do Instituto Rio Branco. O Instituto não só nos fez pensar o Brasil; colocou-nos de pé para vê-lo de perto – por meio das tradicionais viagens do curso de formação. Desejaremos, ao longo de nossas carreiras, retribuir ao país o que nos foi proporcionado por meio do Rio Branco.

Professora Sara Walker, professora homenageada, esperamos que nossa desejada contribuição esteja à altura daquela que a senhora prestou ao Ministério e ao país ao longo de uma vida inteira de dedicação ao ensino. Ao longo de mais de 50 anos no Brasil e mais de 40 no Instituto Rio Branco, a senhora preparou gerações de diplomatas e muito contribuiu para a solidez de sua formação. Agradecemos também à senhora Francisca Guedes, Dona Francisca, funcionária homenageada, que nos proporcionava sempre uma palavra de conforto e acolhimento. Agradecemos, ademais, aos colegas estrangeiros, que em muito contribuíram para nossa formação e para a convivência no Instituto Rio Branco.

Pais, mães, vocês sonharam os nossos sonhos. A todos vocês, nosso mais emocionado agradecimento. Somos gratos também, evidentemente, a todos aqueles que, por outros laços, com muito amor cuidaram de nós e aqui estão também presentes, assim como aos cônjuges, que, não raro, abraçaram conosco a carreira muito antes da aprovação. A vocês, pais e mães, que muito esperaram, muito acreditaram e muito renunciaram; a vocês que sonharam, por vezes com o coração apertado, ver-nos partir, correr o mundo; a vocês que nos receberão, sempre com alegria, e de nós ainda uma vez se afastarão, sempre com saudade: muito obrigado. Esperamos que o orgulho supere a saudade, na certeza de estaremos espalhados pelo mundo como instrumentos de paz e concórdia entre as pessoas, entre as nações.

Senhor Presidente, senhoras e senhores, uma flor nasceu na rua, disse-nos Drummond. Furou o asfalto. Algumas das mulheres hoje homenageadas foram-nos exemplos pelo vigor de suas lutas; outras, pela firmeza de seus propósitos. A turma Marielle Franco reverencia com a mesma convicção as bravuras grandiosas e as cotidianas e nelas se inspira para decididamente servir.

Muito obrigado.

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