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Por Anne Cheyvialle

Em visita a Paris, o Ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, defende soluções econômicas.

De Nova York, onde participava da Cúpula do Clima da ONU, Ricardo Salles veio diretamente a Paris. O Ministro do Meio Ambiente brasileiro está aqui para exercer a pedagogia, denunciar a “desinformação” das últimas semanas sobre a responsabilidade do governo de Jair Bolsonaro na aceleração do desflorestamento na Amazônia. “Eu quero esclarecer esses assuntos e mostrar que nós estamos fortemente comprometidos com o meio ambiente”, se defende o advogado de formação, criticado por suas posições muito favoráveis ao agronegócio. “É preciso encarar o problema sob uma vasta perspectiva”, disse ele ao Le Figaro. Em 2005, a área destruída era o triplo de hoje. E a destruição voltou a crescer a partir de 2012”. As imagens marcantes, neste verão, do pulmão do planeta em chamas – crescimento da destruição avaliado entre 25 e 80% - suscitaram comoção internacional e desencadearam um incêndio diplomático entre Paris e Brasília. “A França é um parceiro histórico do Brasil, muito importante em vários aspectos, cultural, econômico, industrial. Nossa relação deve persistir no mais alto nível”, afirma o ministro. Por enquanto, nesta visita a Paris, não está previsto qualquer encontro político para desarmar a crise.

Por outro lado, uma parcela importante de sua agenda está reservada a encontros com grandes empresas francesas: Total, EDF, Engie, Crédit Agricole, ou ainda Carrefour. Para salvaguardar a Amazônia, Brasília privilegia sobretudo uma resposta econômica. “Se querem ajudar o Brasil, venham investir!”, argumenta Ricardo Salles. Mais de 20 milhões de pessoas vivem na Amazônia, um imenso território de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, que abrange o equivalente a 16 países europeus. “Se os habitantes não dispuserem de solução econômica viável, um emprego decente, renda, eles caem nas mãos dos criminosos”, adianta o responsável pelo meio ambiente. Nessa floresta densa e suas terras de difícil controle, prosperam todo tipo de atividades ilegais, agrícolas, comércio de madeira e extração de ouro.

Reforço militar

O ministro rechaça as críticas sobre a inação de sua gestão, e cortes efetuados no orçamento de pessoal. Ainda nesse aspecto, atribui a culpa aos governos anteriores: a má gestão e diminuição dos recursos amplificada pela crise econômica. Inversamente, ele defende uma estratégia global apoiada no setor privado e fixando quatro prioridades: existência de um cadastro preciso das propriedades, definição das zonas econômicas e ambientais, aperfeiçoamento do controle e fiscalização e, o ponto mais importante, apostar no potencial econômico da biodiversidade.

Para atrair os investidores, é preciso eliminar os obstáculos atinentes ao direito de propriedade intelectual, ao quadro regulador demasiado complicado e à falta de pesquisa e desenvolvimento. O ministro se compromete também a assegurar o cumprimento do código florestal contido em uma lei de 2013 “que nunca foi aplicada”. Os proprietários são obrigados a preservar 80% de cada parcela, eles recebem para tanto benefícios fiscais. A situação vai melhorar rapidamente, promete, graças ao envio ao local de tropas militares e material de apoio. A prova virá com as imagens de satélite.

Leia a matéria em:
http://www.lefigaro.fr/conjoncture/amazonie-le-bresil-contre-attaque-20190926

 

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