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https://www.welt.de/debatte/kommentare/article200130584/Brasilien-Wir-fordern-Schutz-fuer-den-Amazonas-China-macht-Deals.html 

Como a floresta amazônica está queimando, os críticos estão questionando o acordo de livre comércio da UE com a América do Sul - em vez de aproveitar as oportunidades. A Europa poderia influenciar os padrões ambientais. E, principalmente, devemos aumentar o envolvimento de um certo país.

Nas reuniões de cúpula, geralmente não aparece nenhum verdadeiro cacique da Amazônia. O presidente francês Emmanuel Macron tornou isso possível recentemente em Biarritz. Seu golpe de surpresa foi, obviamente, uma afronta - dirigida contra Jair Bolsonaro.

É o tipo de coisa que traz aplausos na Europa hoje. Afinal, o presidente do Brasil há muito se tornou uma figura odiada na mídia e nas redes sociais. Suas declarações marcantes e comentários provocativos, afastados de toda a correção política, fazem com que esse quadro se mantenha. Macron, por outro lado, não é um homem de improvisação, mas de cálculo.

É verdade: os incêndios na bacia amazônica têm um efeito alarmante. Mas também em outras partes do mundo as florestas primitivas, as estepes, a tundra e tudo o mais que possa pegar fogo estão em chamas, por conta da infeliz e secular tradição do desmate.

Por que então o Brasil? Trata-se do país mais importante da América do Sul e um gigante agrícola, ao lado do qual a agricultura francesa parece encolher para a condição de anã. E a perspectiva de que a UE agora tenha um acordo de livre comércio com o Brasil e o Mercosul - que inclui Argentina, Uruguai e Paraguai - está fazendo soar todos os alarmes em Paris.

Este acordo, que foi finalmente fechado após mais de 20 anos, concentra-se em abrir a economia em ambas as direções: mais produtos europeus para a América do Sul, mais sul-americanos para a Europa. Para um mercado tão aberto como a Alemanha, receber mais carne do Brasil e mais vinho da Argentina não significa o fim do mundo; na França, por outro lado, surge um sentimento de ameaça que deve ser combatida.

Tão importante quanto o intercâmbio comercial mais profundo em todos os níveis pretendidos pelo acordo é o fato de que os padrões também serão alinhados. E isso em todos os níveis, incluindo na área do meio ambiente.

É por isso que Marina da Silva, uma ambientalista mais próxima da esquerda, ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil e por diversas vezes candidata à presidência, apoia este acordo: o Brasil será forçado a proteger a floresta tropical e os países ricos terão que reduzir suas emissões de CO2.

Ao lado: o mix de eletricidade do Brasil já é 80% renovável; o mix total de energia renovável é de 42%.

Padrões europeus também para o Brasil

O acordo do Mercosul é um dos projetos mais importantes com que a Europa vem se ocupando em muito tempo. Porque, entre economias ricas e bem desenvolvidas, por um lado, e países que ainda não estão nesse nível, por outro, há oportunidades de intercâmbio em todos os níveis.

No mais, a aproximação gradual de padrões também dá à Europa a oportunidade de fazer valer sua avançada legislação ambiental na América Latina: o acordo contém regras estritas de proteção ambiental e climática e de sustentabilidade. Seria desejável que, após o acalorado debate das últimas semanas, isso pudesse ser trazido ao conhecimento da opinião pública. E que a tendência à simplificação populista fosse afastada tanto cá quanto lá.

Também é interessante notar que a China, há muito o maior parceiro comercial do Brasil, evitou críticas ao presidente Bolsonaro. Se os europeus não forem cuidadosos, Pequim será o grande beneficiário dessa disputa. Estamos pedindo em alto e bom tom mais proteção para a Amazônia - os chineses se calam e expandem seus negócios com o Brasil de forma substancial.

Assim fica fácil demais para populistas como Bolsonaro. Registros de satélites de mapeamento terrestre mostram que atualmente há mais incêndios florestais na África Subsaariana do que na Bacia Amazônica e que a área com o maior número de incêndios florestais fica entre Angola e o Congo.

Isso não significa menosprezar a ameaça à Amazônia. Essa floresta tropical, maior que a União Européia, produz um quinto do oxigênio da terra. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que a maior parte da Amazônia pertence ao Brasil.

Quem quiser fazer a diferença só poderá fazê-lo através da cooperação com o Brasil e seu envolvimento no longo prazo. Qualquer outra solução seria ilusória e também contraproducente, enfraquecendo a posição da Europa no Brasil. Não estamos lidando com um regime ditatorial e que não permite liberdade de expressão, como em Cuba ou na Venezuela.

O Brasil é uma democracia com valores e tradições comparáveis aos nossos. Isso não é menos importante, visto que há no próprio Brasil um debate acalorado, sobre se e como é possível usar o próprio território. Devemos ter confiança de que uma sociedade civil brasileira forte encontrará as soluções certas para seu país no longo prazo.

E é exatamente por isso que o acordo do Mercosul é tão importante. Ele fornece a base para a cooperação em todos os níveis e serve de alavanca de influência. O acordo só entrará em vigor se os parlamentos de todos os estados contratantes o ratificarem - um desafio não apenas na Europa, mas também na América do Sul. Lá, a partir do final do ano, um novo governo peronista na Argentina poderá retomar políticas econômicas mais fechadas e reguladoras.

A Alemanha tem de envolver o Brasil

Não existe um continente tão próximo da Europa quanto a América Latina. Só por esse motivo seria negligente deixar políticos como Macron liderar a opinião pública europeia sobre o Brasil. A liderança deve ficar com a Alemanha, já que nenhum país da Europa possui uma rede tão estreita e diversificada de relações com o Brasil como a Alemanha - nem mesmo Portugal, a antiga potência colonial. Ainda hoje um quinto da produção industrial brasileira vem de empresas alemãs e mais de dez milhões de brasileiros são descendentes de alemães.

Se você deseja alcançar algo, deve envolver a sua contraparte ao invés de excluí-la. Esta é precisamente a tarefa da Alemanha no diálogo europeu com o quinto maior país do mundo. Isso beneficia os dois lados: o velho e o novo continente. Alexander von Humboldt, o maior pesquisador latino-americano da Alemanha, cujo 250º aniversário é comemorado no sábado, faria muito gosto disso.

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