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https://www.washingtontimes.com/news/2019/aug/26/amazon-fires-normal-agriculture-despite-internatio/

Valerie Richardson

Todos os anos, a partir de agosto, os agricultores da Amazônia ateiam fogo para limpar as terras agrícolas durante a estação seca, mas este ano pode ser um recorde, não pelo número de incêndios, mas pelo ultraje global.

Os países do G-7 prometeram na segunda-feira cerca de US$ 40 milhões para ajudar a combater incêndios na floresta amazônica em resposta ao clamor de celebridades, meios de comunicação e líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, que disse que as chamas representavam uma "crise internacional".

O cientista climático Roy Spencer tinha outro termo para os incêndios: "agricultura normal".

"Eu acho que a ênfase da mídia nesse caso é equivocada e exagerada, como em praticamente toda matéria relacionada ao clima que aparece hoje em dia", disse Spencer, ex-cientista da NASA que faz consultoria sobre previsão mercadológica global de safras.

"Os anos mais secos do Brasil terão o maior número de incêndios provocados pelos agricultores", disse o professor da Universidade do Alabama em Huntsville em um e-mail. "Não é uma matéria sobre clima, é a agricultura normal em um país onde 50 milhões de pessoas que vivem na pobreza estão tentando sobreviver".

Os incêndios deste ano foram criticados pelos meios de comunicação e ambientalistas como "recorde" e, embora isso possa ser verdade no número de incêndios em um dos 10 distritos da Amazônia - Amazonas - o cenário mais amplo é muito menos incendiário.

Depois de descobrir na semana passada que os focos de fogo na Amazônia “estiveram próximos da média em comparação com os últimos 15 anos”, o Observatório da NASA afirmou no sábado que houve um "aumento", o que torna 2019 "o ano com mais fogo ativo nessa região desde 2010."

Dados do Banco de dados global de emissões  de queimadas na Amazônia, coletados desde 2003, mostram que 2019 situa-se em algum ponto no meio da curva, com o número de total de focos até sábado chegando a quase 110.000

O número está bem acima dos 58.500 focos do ano passado que e serviu de base para relatos generalizados de um aumento de 84% na atividade de queimadas, mas também está abaixo dos 116.000 incêndios registrados no mesmo período de 2016.

Dan Nepstad, presidente do Instituto de Inovação da Terra, disse à Forbes que o número de incêndios em 2019 está 7% acima da média dos últimos 10 anos, mesmo com o desmatamento caindo 70% entre 2004 e 2012 na Amazônia brasileira. Cerca de 80% da floresta amazônica está intacta e metade dela está protegida pela legislação federal brasileira.

Tais fatos se contrapõem à narrativa generalizada que mostra a Amazônia em chamas e à beira do desmatamento por obra e graça das políticas de desenvolvimento do presidente Jair Bolsonaro, o chamado "brasileiro Donald Trump" que assumiu o cargo em janeiro.

Christian Poirier, diretor do programa Amazon Watch, disse que "os incêndios sem precedentes que assolam a Amazônia são uma tragédia internacional e uma contribuição perigosa ao caos climático".

"Essa devastação está diretamente relacionada à retórica anti-ambiental do presidente Bolsonaro, que erroneamente enquadra a proteção florestal e os direitos humanos como impedimentos ao crescimento econômico do Brasil", disse ele em comunicado nesta quinta-feira.

Além de Macron, celebridades como Madonna, Leonardo DiCaprio, Cristiano Ronaldo, Jaden Smith e Shakira se pronunciaram sobre os incêndios nas mídias sociais. Viralizam fotos [deois] declaradas falsas por verificadores em agências de notícias como “Agence France-Presse” e “Mother Jones”, que observaram que Macron tuitou uma imagem tirada em 2003.

Também viralizou a alegação de que a Amazônia produz 20% do oxigênio da Terra, como tuitado por Macron e pelo deputado Ro Khanna, democrata da Califórnia.

No entanto, mesmo o cientista climático da universidade Penn State, Michael E. Mann, líder do movimento contra o aquecimento global, disse que a porcentagem era muito alta. De fato, tuitou Mann, mesmo 6% provavelmente seria muito, porque "as plantas fazem fotossíntese e respiram".

Bolsonaro pode ter provocado um pouco da repercussão com sua retórica floreada.

“Eu costumava ser chamado Capitão Motosserra. Agora eu sou Nero, incendiando a Amazônia. Mas é a estação da queimada”, disse Bolsonaro a repórteres na semana passada, usando a expressão utilizada no Brasil para se referir à estação anual de fogos.

Kris Jenner acusou Bolsonaro de lançar "um convite aberto a madeireiros e fazendeiros para desmatar", apesar de a Embaixada do Brasil nos EUA ter afirmado que quase todos os focos de queimadas neste ano são classificados como nível 1 em uma escala de 1 a 3, sendo 1 a intensidade mais baixa.

DiCaprio prometeu US$ 5 milhões para proteger a floresta amazônica por meio de sua recém-formada Aliança da Terra. O Canadá concordou em adicionar US$ 11 milhões e a Grã-Bretanha US$ 12 milhões aos US$ 20 milhões também prometidos pelos países do G-7, levando Bolsonaro a especular que eles podem querer algo em troca. “Olha, alguém ajuda alguém ... sem algo em troca? O que eles queriam por tanto tempo? ”, Perguntou Bolsonaro, que acusou Macron na semana passada de tratar o Brasil como uma “colônia ”.

Macron respondeu: "Não podemos permitir que você destrua tudo", disse ele.

A maioria, mas não toda a bacia amazônica, está no Brasil, que possui seis dos dez distritos amazônicos. Três outros estão na Bolívia e um no Peru, mas o presidente boliviano Evo Morales, socialista, não recebeu nenhuma das condenações internacionais lançadas sobre o direitista Bolsonaro.

Certamente Bolsonaro facilitou críticas, ao sugerir por exemplo que os incêndios foram iniciados por seus críticos para prejudicar sua imagem, mas também é verdade que suas posições políticas pró-negócios irritaram os ambientalistas.

"O presidente brasileiro foi rotulado como 'negacionista do clima' pela mídia e portanto deve ser parado", disse Marc Morano, da Climate Depot. “Os incêndios na Amazônia estão sendo usados ​​para esmagar Bolsonaro politicamente e vilipendiá-lo”

Em 2015, Morales disse a uma multidão na Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas que "o capitalismo é o câncer da Mãe Terra".

"Os incêndios na Bolívia estão sendo ignorados pela mídia porque o governo da Bolívia é socialista e não se encaixa na narrativa da ‘direita do mal’", disse Morano. "A Bolívia está protegida das críticas da mídia porque tem líderes políticos politicamente corretos."

A incidência de queimadas foi maior entre 2003 e 2007 e em 2010, durante o governo do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, membro do Partido dos Trabalhadores, embora tenha recebido pouca reação internacional.

A Embaixada do Brasil nos Estados Unidos informou que 2.409 bombeiros foram destacados para combate ao fogo, mais do que nos últimos anos, e insistiu que os incêndios na Amazônia "não estão fora de controle".

Embora a mudança climática tenha sido responsabilizada pelos incêndios, a NASA atribuiu os incêndios mais à atividade agrícola do que à seca.

"Embora a seca tenha desempenhado um papel importante na exacerbação de incêndios no passado, o momento e o local das detecções de focos no início da estação seca de 2019 são mais consistentes com a limpeza de terras do que com a seca regional", disse o post da NASA.

Spencer, Ph.D. em meteorologia, afirmou que “muitos incêndios estão sendo reportados ao longo de rodovias e próximos de áreas urbanas, então é possível que descuido possa ser um elemento responsável”.

As condições no Brasil estão secas nas últimas duas décadas, um fenômeno que ele atribuiu à "atividade persistente do El Nino no Pacífico tropical".

Não são novidade as queimadas provocadas por agricultores em terras já desmatadas para se preparar para as colheitas. O que é excepcional este ano é a intensidade do fogo e as imagens visíveis da fumaça, que Spencer atribuiu à secura da vegetação.

"Este ano é excepcional, mas não de forma preocupante", disse ele. "Quando as condições de chuva voltarem ao normal, o mesmo ocorrerá com a atividade do fogo causada pelo homem".

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