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https://www.politico.eu/article/amazon-rainforest-fire-scam-g7/

As queimadas não foram um evento histórico e tampouco foram o resultado espontâneo do aquecimento global.

Rich Lowry

O presidente Emmanuel Macron não é uma celebridade, mas ele “tweeta” como uma celebridade.

Antes da cúpula do G7 o Presidente francês declarou no “Twitter”: “ a floresta amazônica, os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta, está em chamas”. Ele acrescentou “Nossa casa está queimando. Literalmente” e chamou as queimadas uma “ crise internacional”.

O “tweet” de Macron foi errôneo e enganoso, contudo similar aos comentários de todos os atores e cantores que se orgulham mais das suas supostas consciências sociais e ambientais do que de seus conhecimentos científicos. Eles utilizaram imagens que acreditam serem das queimadas na Amazônia, juntamente com clichês incorretos e repetitivos sobre os “ pulmões do planeta”, fechando tudo isso com alertas apocalípticos sobre um desastre climático.

Ao menos Diddy e Leonardo DiCaprio não são, como Macron, anfitriões de encontros multilaterais de chefes de Estado ocidentais. Macron fez das queimadas amazônicas um importante tópico de discussão na Cúpula do G7, com a pronta concordância de outros governos europeus. Os alemães concordaram que as queimadas são “assustadoras e ameaçadoras”.

O problema na cúpula do G7 não foi que Donald Trump não aceitou essa ideia, mas que esta ideia, no que concerne às queimadas, baseia-se em mal-entendidos induzidos pela histeria sobre o que está realmente acontecendo na Amazônia. 

As queimadas são um atrativo para os defensores de ações rápidas e radicais sobre o clima. Eles anseiam por uma emergência planetária de fácil compreensão, atrativa para a mídia, e estão dispostos a criar uma caso seja necessário.  

Não foram apenas as celebridades que exageraram a repercussão das queimadas. A manchete da NBC News declarou que “ as queimadas na Amazônia podem ser o “fim” da luta contra a mudança climática”. O meteorologista Eric Holthaus relatou a opinião de um especialista em queimadas pré-históricas na Amazônia de que “ as queimadas atuais são sem precedentes nos últimos 20.000 anos”.

De acordo com a notícia no site da CNN, “ o inferno na floresta amazônica, dois terços da qual está no Brasil, ameaça o ecossistema da floresta tropical e afeta todo o planeta”.

Foi esta sensação de crise iminente, embora com pouca base na realidade, que moveu Macron e seus aliados. Algumas reportagens, abaixo das manchetes alarmistas, relatavam uma versão mais sóbria dos eventos, e algumas vozes isoladas, especialmente o ambientalista Michael Shellenberger na Forbes, rechaçaram a narrativa dominante.

As queimadas não foram um evento histórico. De acordo com o NYT, a agência brasileira que monitora as queimadas por imagens de satélite informou que, nesta época do ano, este foi o maior número de queimadas identificadas desde 2010, lapso temporal obviamente inferior a 1.000 anos, ou mesmo uma década. Nos anos anteriores a 2010, houve períodos em que o número de queimadas foi muito maior.

As queimadas não foram o resultado espontâneo do aquecimento global. O diretor do grupo Amazon Watch disse à CNN que “a grande maioria das queimadas são causadas ação humana, observando que não é fácil que a floresta tropical pegue fogo, mesmo na estação seca”.

“Queimadas naturais na Amazônia são raras”, o Times informou, “e a maioria destas queimadas foram iniciadas por fazendeiros preparando as terras adjacentes à Amazônia para plantio e pastagem”. 

“Muito da área que está queimando não é floresta tropical antiga, mas área cujas arvores já haviam sido cortadas e preparada para uso agrícola”.

Não é verdade que o desmatamento da Amazônia está fora de controle. O desmatamento diminuiu acentuadamente nos anos 2000, declinando 70% de 2004 a 2012, de acordo com Shellenberger. Aumentou novamente com o novo Presidente populista Jair Bolsonaro, uma tendência que deve ser monitorada mas dificilmente o início de uma catástrofe planetária.

Certamente, a Amazônia são os pulmões do planeta, responsável por 20% de nosso oxigênio, correto? Não, isto é uma bobagem baseada em uma compreensão equivocada de como a atmosfera obtém o oxigênio.

Se necessitamos de arvores para manter o planeta habitável, devemos estar satisfeitos com as tendências recentes. Ron Bailey da revista Reason cita um estudo publicado na revista Nature ano passado que descobriu que há aproximadamente um milhão de milhas quadradas a mais de cobertura florestal no planeta em 2016 em comparação com 1982, sendo que Europa, Estados Unidos e China aumentaram sua cobertura florestal.

Por fim, a oferta que o G7 fez ao Brasil de US$ 20 milhões para ajudar a combater as queimadas na Amazônia foi razoável. O temperamental Bolsonaro, que está indeciso sobre a ajuda, não será tolo de não aceitá-la. A Amazônia é uma maravilha natural digna de ser preservada, e ela pode em algum momento ser envolvida em um ciclo de secas e queimadas.

Contudo, Macron e companhia devem estar conscientes de como sua arrogância – incluindo declarações mal informadas feitas à distância – repercutem no Brasil. Países desenvolvidos que desmataram suas florestas há muito tempo porque isto atendia aos seus interesses econômicos devem ser humildes ao insistir que países mais pobres não façam o mesmo. Propostas para apoiar a Amazônia devem aceitar o cerne dos interesses brasileiros, e não serem contra eles.

Isto irá requerer sobriedade, cuidado e visão de longo prazo – em outras palavras, exatamente o oposto do que temos visto nas últimas semanas. Os adeptos mais fervorosos da mudança climática não desejam realmente a ciência, por mais que eles invoquem esta palavra; eles desejam dramas e imagens memoráveis, acreditando que isto irá estimular a ação de uma forma que os relatos adequados das melhores pesquisas não irão.

Se eles tiverem de destruir sua credibilidade, uma falsa emergência de cada vez, eles irão fazê-lo.

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