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https://www.wsj.com/articles/how-to-save-the-amazon-11566859544

Não se pode esperar que as populações locais se importem com ecologia enquanto vivem na pobreza.

Por Leandro Narloch, Wall Street Journal

26/08/2019

Incêndios na Amazônia causaram indignação mundial na semana passada. Mas se você quiser salvar a floresta tropical, por favor seja realista. Vinte e três milhões de pessoas vivem na Amazônia brasileira, 45% deles abaixo da linha da pobreza. A área inclui cinco dos seis estados mais pobres de um país pobre, de acordo com a agência nacional de estatísticas. Pessoas famintas não se importam com a floresta. Eles a consideram um inferno verde e veem fiscais florestais como inimigos.

Ambientalistas e intelectuais brasileiros há muito insistem que a população local poderia sobreviver extraindo castanhas e outros produtos. Entretanto, a maior parte deles, incluindo as populações indígenas, querem dinheiro de verdade. Eles querem SUVs e celulares inteligentes, remédios e eletricidade. Eis o que você pode fazer se quiser realmente ajudar:

·        Apoiar a legalização da mineração sustentável. “Queremos extrair os minérios da nossa própria terra”, afirma Marcelo Cinta-Larga, líder da tribo Cinta-Larga. A bacia amazônica tem algumas das maiores reservas de ouro e diamantes, mas leis brasileiras proíbem mineração em terras indígenas – uma proibição que serve para enriquecer criminosos. Existem em torno de três mil operações de mineração ilegais, que costumam pagar para que os líderes das tribos olhem para o outro lado. Eles não se importam com poluição e desflorestamento.

·        Apoiar novas usinas hidrelétricas. Oitenta e sete por cento da eletricidade consumida pelo estado do Amazonas é gerada por 255 estações termelétricas. Eles consomem 181 milhões de galões de diesel por ano, o qual é, em sua maioria, mandado por navio do Estado de São Paulo – quase tão distante do Amazonas quanto Nova York de Londres. É difícil imaginar uma fonte energética com emissão de carbono mais alta. Há vários projetos para construir usinas hidroelétricas com turbinas horizontais, que não mais requerem grandes represas. Ambientalistas normalmente se opõem.

·        Encorajar boa administração florestal. Modelos sustentáveis para extrair madeira e substituir árvores existem, mas novas regras brasileiras estimulam a extração ilegal. Tensões entre autoridades e garimpeiros e lenhadores ilegais aumentaram. Milícias tem queimado veículos oficiais.

·        Apoiar agricultura e pecuária intensivas. Desde 1980, a produção do milho brasileiro aumentou 480% com incremento de apenas 40% da área plantada, em decorrência do uso de pesticidas e fertilizantes. A produção de arroz subiu 42% e área plantada diminuiu 70%. A produtividade do milho evitou o cultivo em uma área do tamanho da Califórnia. A criação de gado em liberdade é a maior causa do desflorestamento.

Se você realmente quer salvar a floresta amazônica, esqueça as panaceias ambientais e se preocupe com a prosperidade local. Desenvolvimento é necessário para a conservação. As populações amazônicas não são santos ou personagens do filme “Avatar”. Eles são pessoas reais. A maior parte se importará com a floresta tropical apenas depois que saírem da pobreza.

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