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Georges Lamazière, Subsecretário-geral da Ásia e do Pacífico


Consolidada a importância do sudeste asiático como polo produtivo e financeiro da economia global, o Brasil volta seus olhos para a região, onde surgem notáveis oportunidades resultantes das complementaridades entre nossas economias. Com vistas a aprofundar parcerias, a diplomacia brasileira tem construído relacionamentos bilaterais sólidos, mediante o estabelecimento de embaixadas residentes em oito dos 11 países da região. Além de manter mais de 60 acordos bilaterais com esses países, o Brasil ratificou o Acordo de Amizade e Cooperação da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). A associação, que completou 50 anos de existência no último 8 de agosto, constitui exemplo de regionalismo aberto e se encontra no centro de ampla rede de acordos comerciais na região da Ásia-Pacífico.

Os elementos de distanciamento com o sudeste asiático, como o geográfico e o cultural, não são obstáculos às nossas relações bilaterais. O Brasil tem tido sucesso com seus parceiros na região ao focar nossas relações sobretudo nos benefícios recíprocos que advêm do comércio, dos investimentos e da cooperação, em diversas áreas. O relacionamento com os países do sudeste asiático, no entanto, continua aquém de seu potencial. A combinação de esforços do setor público com o setor privado deve buscar a geração de sinergias de modo a gerar novas oportunidades de diversificação de comércio de bens e serviços e de fontes de investimento em prol do crescimento econômico brasileiro. A viagem do ministro Aloysio Nunes, à Malásia, a Singapura e ao Vietnã, de 5 a 12 de setembro corrente, será o primeiro passo nesse esforço para ampliar as fronteiras econômicas do Brasil e consolidar a região em lugar privilegiado na política externa brasileira.

Terceiro maior mercado da Ásia, com uma população de mais de 630 milhões de pessoas, o sudeste asiático mantém taxas de crescimento bem acima da média mundial (entre 2000 e 2016, sua participação no PIB mundial cresceu 51%). O PIB conjunto da região alcançou, em 2016, US$ 2,6 trilhões. Os fluxos anuais de investimento estrangeiro direto na região montam a US$ 101 bilhões, e a região investe no exterior, em média, US$ 57,4 bilhões por ano.

O comércio do Brasil com os países da região cresce consistentemente. Em 2016, as exportações brasileiras alcançaram US$ 10,6 bilhões (com saldo comercial de US$ 4,6 bilhões), o que faz dos países do sudeste asiático, em conjunto, o 6º destino das dos produtos nacionais. Várias empresas do Brasil optaram por estabelecer escritórios para apoiar suas operações na região, assim como empresas do sudeste asiático se instalaram no Brasil.

Os países do Sudeste Asiático e a Asean são parceiros importantes para diálogo frutífero que o Mercosul decidiu iniciar a partir da reunião com a Aliança do Pacífico, ocorrida em Buenos Aires, em abril último. Encontro entre os chanceleres dos dois blocos deve acontecer este mês, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

O Brasil conta, portanto, com a base política e institucional para ampliar e aprofundar as relações com os países do sudeste asiático, promovendo parcerias econômico-comerciais e a atração de investimentos externos, essenciais para a retomada do nosso crescimento econômico. O Itamaraty reforça, agora, a vertente diplomática com a região, estreitando os laços de amizade e cooperação com os países do sudeste asiático, confiante no futuro promissor das relações do Brasil com aquelas nações. No chamado “Século do Pacífico”, aliás, a diplomacia brasileira dedica cada dia mais atenção à Ásia em seu todo, como demonstra a recém-concluída visita de Estado do presidente Michel Temer à China. A aproximação entre o Brasil e os países asiáticos é natural, crescente e de interesse evidente para todos os parceiros.

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