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Mario Vilalva, Embaixador do Brasil em Portugal

No último dia primeiro, a imprensa internacional voltou sua atenção para Genebra, na Suíça, no momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava o vírus zika e sua possível associação com a microcefalia ou com síndromes neurológicas como "emergência de saúde pública de importância internacional". A medida foi muito oportuna, uma vez que procura conscientizar a comunidade internacional da existência do problema e incentivar a promoção de parcerias para facilitar a sua superação.

Como se sabe, o zika é um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Recebeu o nome da floresta Zika, no Uganda, onde foi detetado pela primeira vez, há quase 70 anos. Estima-se que, a partir de 1966, o vírus se tenha espalhado também para a Ásia. Hoje, o zika é considerado endémico, ainda que pouco disseminado, no Leste e no Oeste do continente africano e, segundo diagnósticos da Organização Pan--Americana da Saúde (OPAS) e da OMS, 22 países/territórios americanos já apresentam transmissão autóctone do vírus. Não há dúvidas de que estamos diante de um problema de escala global.

No Brasil, o zika foi identificado pela primeira vez em abril de 2015, há pouco menos de um ano. Como país tropical, doenças transmitidas por mosquitos - dentre eles, o Aedes aegypti - não são, naturalmente, novidade. Tão-pouco são novidade os esforços necessários para combatê-las, tradicionalmente empreendidos, verão após verão, solidariamente por governos e população.

Em outubro de 2015, contudo, foi observado aumento inesperado no número de casos de microcefalia em recém-nascidos no Brasil, facto sem precedentes na literatura científica. A malformação pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do zika, como sífilis, toxoplasmose ou rubéola. Mas foi o sistema de saúde pública brasileiro o primeiro no mundo a relatar a possível ligação entre o zika e a microcefalia em recém-nascidos. Como não poderia deixar de ser, o ineditismo da situação motivou reação imediata e proporcional à importância do caso por parte das autoridades brasileiras.

Ciente da seriedade da questão, o Ministério da Saúde do Brasil está investigando todos os casos de microcefalia ou malformações ocorridos no país e sua possível relação com o vírus zika e outras infeções congénitas. Em paralelo, o poder público vem atuando com todo o empenho no combate aos criadouros. Cerca de 220 mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica uniram-se a 300 mil agentes públicos e a milhares de voluntários em todo o Brasil para eliminar o mosquito de casa em casa.

De modo a evitar qualquer inconveniente ao longo dos Jogos Olímpicos, a realizarem-se no Rio de Janeiro, em agosto próximo, todos os locais de obras de instalações olímpicas vêm recebendo visitas dos agentes de vigilância ambiental em saúde para controlo de possíveis focos do mosquito. Os funcionários dos locais serão orientados para identificar e eliminar possíveis depósitos e, durante os Jogos, todas as instalações terão ao menos um agente de vigilância ambiental de saúde credenciado e fixo, que atuará diariamente na busca, eliminação ou tratamento de recipientes que possam tornar-se potenciais focos do Aedes aegypti. Haverá, ainda, equipas de vigilância ambiental em saúde trabalhando nos arredores das áreas de competição e dos locais com grandes aglomerações.

A disseminação do vírus zika apresenta à comunidade internacional desafio de grandes proporções, que exigirá resiliência e espírito de cooperação. Em intervenção na IV Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a presidente Dilma Rousseff propôs ação coordenada no combate ao vírus zika na região, onde vários países já contam com grande experiência no combate a outras doenças também transmitidas pelo mosquito Aedes. Também por iniciativa brasileira, os ministros da Saúde dos países da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) irão reunir-se para discutir o tema e promover a cooperação em pesquisa científica e compartilhamento das melhores práticas de combate ao vírus. Enfrentar a propagação do zika é missão árdua, mas com empenho e parceria não nos furtaremos a cumpri-la.

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