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Senhores Embaixadores,

Saúdo e dou as boas-vindas a todos aqui presentes, nas pessoas do Embaixador do Uruguai, Carlos Amorín, decano dos Embaixadores latino-americanos e caribenhos em Brasília, e da Embaixadora de Barbados, Yvette Goddard, a quem compete a Presidência de turno do GRULAC em Brasília.
Ao recebê-los aqui, gostaria, em primeiro lugar, de retomar tema que levantei no Congresso Nacional há algumas semanas: afirmei que a ideologia da política externa brasileira é o interesse nacional.
Não há nada mais imediato para o interesse nacional do Brasil em política externa que seu entorno regional. A América Latina e o Caribe são e continuarão sendo a prioridade constante da política externa brasileira. Esse entendimento tem sido reafirmado continuamente pela Senhora Presidenta Dilma Rousseff, de quem recebo orientação segura e firme no sentido da busca do adensamento e diversificação crescente das relações do Brasil com nossos vizinhos latino-americanos e caribenhos.

É nos países vizinhos que temos algumas de nossas maiores comunidades de brasileiros no exterior, e é também dos países da região que recebemos maior afluxo de visitantes e imigrantes atualmente.

É no entorno regional que temos um movimento mais intenso de internacionalização das empresas brasileiras, e exemplos significativos de integração produtiva.
É no MERCOSUL que tivemos um crescimento do fluxo de comércio intrabloco de mais de 12 vezes em cerca de duas décadas (de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 59,3 bilhões, em 2013), comparado a um crescimento do comércio mundial de apenas 5 vezes.

É com os países da América do Sul que temos nosso intercâmbio comercial de mais alto valor agregado: quase 80% (78,64% em 2014, MDIC) das exportações brasileiras para a região são compostas de produtos industrializados – com o resto do mundo, essa porcentagem não chega a 50% (48,54% em 2014, MDIC). O Brasil também é importante mercado para produtos de maior valor agregado dos países sul-americanos: 67% das importações brasileiras da região foi composta de produtos industrializados em 2014 (MDIC).

Cito esses pontos para dizer-lhes que o Brasil compreende suas relações com a América Latina e o Caribe como profundamente associadas aos objetivos nacionais. O Brasil entende seu próprio desenvolvimento cada vez mais vinculado ao desenvolvimento de seus parceiros na região.

Senhoras e Senhores,

Em nossa região, há uma comunidade de interesses não apenas entre nossos objetivos nacionais, mas também em nossos posicionamentos nos foros multilaterais.
Privilegiamos a solução pacífica de controvérsias. Formamos uma zona de paz e livre de armas nucleares de dimensão continental. Promovemos mecanismos de cooperação para o desenvolvimento econômico, social e sustentável. Defendemos e promovemos os direitos humanos em todas suas dimensões. Trabalhamos pelo fortalecimento do multilateralismo, e defendemos a reforma e a atualização das instâncias de governança global, em especial nas áreas de finanças e de paz e segurança internacional. Conferimos prioridade ao diálogo e à integração regional.

Acredito que essa comunidade de interesses que compartilhamos pode caminhar cada vez mais no sentido da consolidação de uma identidade regional ativa.

A diplomacia brasileira não vê como incompatíveis sua vocação e interesses universais, de um lado, e sua prioridade constante – a integração regional –, de outro.

O Brasil considera que sua atuação global caminha lado a lado com a projeção global da América do Sul, e da América Latina e Caribe. Quando, ano passado, sediamos a Cúpula do BRICS, fizemos questão de organizar paralelamente uma Reunião BRICS-América do Sul. O Foro CELAC-China, cuja primeira reunião foi também meu primeiro compromisso oficial no exterior como Chanceler, foi lançado a partir da iniciativa brasileira durante a “Cúpula de Brasília de Líderes da China e de Países da América Latina e Caribe”, realizada, em julho, à margem da visita do Presidente chinês Xi Jinping ao Brasil. Nesse mesmo espírito, atribuímos particular importância às Cúpulas da América do Sul-África e da América do Sul-Países Árabes.

Senhoras e senhores,

Temos motivos celebrar pelas conquistas de nossa região, particularmente na última década. A América Latina e o Caribe avançaram significativamente no combate à fome, na mitigação da pobreza, na redução do número de analfabetos, bem como na dos índices de mortalidade infantil e materna.

Entretanto, diante dos desafios de uma conjuntura econômica internacional menos favorável, devemos seguir trabalhando ainda com mais determinação para superar os sérios desafios que se nos apresentam para, ao mesmo tempo, preservar aquelas conquistas e buscar soluções para problemas comuns persistentes, como segurança pública, narcotráfico e mobilidade urbana.

Juntos poderemos buscar caminhos novos e criativos que nos permitam construir um futuro de paz, prosperidade e em ambiente democrático.

Ao erguer um brinde à amizade, valores e história que nos unem, reafirmo aqui minha firme determinação em continuar trabalhando, sob a orientação da Presidenta Dilma Rousseff, para consolidar a América Latina e o Caribe como espaço de integração em todas as suas dimensões.

 

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