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A redução no comércio mundial tem sido mais aguda do que nos estágios iniciais da Grande Depressão. A causa principal é a queda na demanda e na produção.

A OIT estima que até 60 milhões de empregos podem ter sido perdidos entre 2007 e 2009. Isso acarretará maior demanda por medidas protecionistas.

Não há até o momento muitas elevações de tarifas. A maior parte dos países desenvolvidos não possui margem entre as tarifas máximas e as aplicadas. Os pacotes multibilionários de "resgate" e de "estímulo", no entanto, invariavelmente causam impacto no comércio e no investimento.

No passado, um dos argumentos comumente apresentados por alguns países desenvolvidos para justificar direitos de compensação sobre indústrias privatizadas era de que elas não existiriam não fosse o apoio governamental. O mesmo raciocínio pode ser válido agora a propósito das indústrias automotivas e financeiras, entre outras, em alguns países desenvolvidos.

Assunto que causa grave preocupação é a renovada tendência de países desenvolvidos a recorrer a formas de subsídios que mais distorcem a agricultura: subsídios de exportação.

Ademais, os chamados subsídios anti-cíclicos incrementam os preços e a produção no plano doméstico às custas de produtores estrangeiros. Nos mercados internacionais, em momentos como o atual, isso tem o efeito de deprimir ainda mais os preços.

Tais subsídios causam grave impacto nas economias dos países mais pobres. Para alguns deles, isso significa o adiamento, por anos ou décadas, da realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

O protecionismo tem grande efeito exemplar. Uma vez que um Governo protege sua indústria, outros Governos são levados a "ajustar as regras". Os países pobres não podem dar-se ao luxo de recorrer a seus Tesouros como forma de reação a esse tipo de competição artificial. Confrontado com tais pacotes, os países em desenvolvimento serão tentados a utilizar as amplas margem à sua disposição de acordo com as atuais normas.

O protecionismo é uma doença perversamente contagiosa. É transmitida dos ricos para os pobres. Seria ingênuo esperar que clamores ou declarações políticas poderão contê-lo, quanto mais erradicá-lo.

A conclusão da Rodada de Doha favoreceria significativamente as possibilidades de aumento do protecionismo.

Porém, se quisermos concluir a Rodada agora, não devemos emendar o pacote que temos sobre a mesa, o qual demandou sacrifícios de todas as partes. Estamos convencidos de que um diálogo intenso ajudará a esclarecer ainda mais o valor das concessões que já foram feitas.

Acima de tudo, não nos esqueçamos de que, se os benefícios devem estender-se a todos, esta é a Rodada de Desenvolvimento cujo propósito central é o de criar novas oportunidades para os países desenvolvidos, especialmente os mais pobres.

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