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Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, é sempre motivo de orgulho e satisfação recebê-lo no Palácio Itamaraty,

Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Arlindo Chinaglia,

Excelentíssmos Senhores Ministros de Estado, meus colegas Tarso Genro, Marta Suplicy, Sérgio Resende, Luiz Marinho, Reinold Stephanes,

Excelentíssimo Senhor Hitoshi Kimura, Vice-Ministro Sênior dos Negócios Estrangeiros do Japão,

Dr. Carlos Mariani, Presidente-Executivo do Grupo de Notáveis, a quem peço transmitir também nossos agradecimentos ao Dr. Eliezer Batista, inspirador de tantas iniciativas,

Sr. Shoei Utsuda, Presidente da Comissão Organizadora do Ano do Intercâmbio Brasil-Japão,

Professor Kokei Uehara, Presidente da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil,

Autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário,

Senhores Embaixadores,

Senhoras Embaixadoras,

Caros amigos visitantes japoneses, brasileiros e demais convidados,

Senhoras e Senhores,


É uma honra participar desta cerimônia de lançamento do Ano do Intercâmbio Brasil-Japão e dirigir-me, em meu nome próprio, mas sobretudo em nome também do Presidente da República, a essa audiência tão importante. Fico muito contente em saber que vários dos aqui presentes se deslocaram do Japão e de diversas localidades no Brasil para prestigiar este evento. De modo especial, agradeço a presença do Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão. Dou as boas--vindas aos dirigentes de empresas japonesas e brasileiras que participaram ontem, em São Paulo, de importante seminário econômico. Quero também saudar os membros das diversas instâncias envolvidas na organização das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil. Não posso deixar de lembrar aqui que, há pouco mais de um ano e meio, quase dois anos, também houve, no Palácio do Planalto, a cessão, pelo Governo Federal, do antigo Colégio Japão, para que volte a pertencer à comunidade de origem japonesa no Brasil, na minha cidade natal de Santos. Símbolo, portanto, dessa integração a que se referiram os oradores que me antecederam.

A presença neste auditório de tão significativo número de autoridades e de lideranças da sociedade civil traduz o profundo sentimento de respeito e gratidão do povo brasileiro pela contribuição que a comunidade japonesa tem prestado ao progresso do Brasil. Devo agradecer, também, o relatório do Grupo de Notáveis - e tenho a satisfação de verificar que várias das atividades ali recomendadas já se estão realizando.

Vivem no Brasil um milhão e meio de pessoas de origem japonesa, a maior comunidade nipônica existente fora do Japão. Essa comunidade está hoje totalmente integrada à sociedade brasileira. Os japoneses que para cá vieram são considerados por nós como brasileiros - em todos os sentidos. Encontramo-los ativos nas artes, na política, na diplomacia, em todos os setores, enfim, da vida nacional, sempre com uma contribuição extraordinária.

A dimensão humana constitui, de fato, um dos principais -patrimônios das nossas relações bilaterais.

Existem hoje no Japão mais de 300 mil brasileiros - a que se referiu também o Vice-Ministro -, a terceira maior comunidade de brasileiros no exterior. Nossos compatriotas contribuem com seu esforço para o bem-estar e a prosperidade da sociedade japonesa. É importante ouvir que o Japão valoriza a presença desses brasileiros lá da mesma maneira que nós valorizamos a presença de japoneses no Brasil. Estamos certos de que contarão eles, cada vez mais, com as mesmas oportunidades de inserção social.

No momento, iniciamos novo ciclo virtuoso das nossas relações econômicas, comerciais e tecnológicas. O Japão, que chegou a ser o segundo parceiro comercial do Brasil, caiu nessa relação, em parte devido aos anos de inflação e instabilidade econômica no Brasil e em parte, também, devido à própria estagnação econômica por que passou o Japão. Essas duas circunstâncias estão hoje superadas, e as condições hoje são muito favoráveis, tanto no Brasil quanto no Japão. Nossas economias encontram-se em trajetória de crescimento e vivendo momentos de estabilidade.

A troca de visitas entre o então Primeiro-Ministro Koizumi - visita também não só politicamente importante, mas importante do ponto de vista afetivo, todos nós relembramos com grande carinho a maneira emocional como o Primeiro-Ministro contatou outros descendentes japoneses no Brasil. A visita do Primeiro-Ministro Koizumi e do Presidente Lula deram, portanto, renovada força ao relacionamento bilateral. Temos agora todas as condições de retomar - e aprofundar - nossa parceria, com uma nova leva de investimentos e a abertura de novas frentes de cooperação, da TV Digital ao etanol.

Queremos que a cooperação na área da TV digital - totalmente inovadora - possa produzir efeitos não só no campo da ciência e da tecnologia, mas também no campo da produção. Confiamos em que uma fábrica de microprocessadores, de semicondutores possa ser instalada no Brasil e que isso seja o símbolo de uma nova era de cooperação em uma área avançada do cohecimento humano. Também o etanol, embora um produto de origem agrícola, é um produto que tem muita tecnologia, muito conhecimento, muito know-how nele embutido.

Acreditamos que o Japão - que sempre, corretamente, se preocupou com sua segurança alimentar, mas que se preocupa também com sua segurança energética, e que também se preocupa, como nós, com a diversificação das fontes de energia, e sobretudo com fontes renováveis que possam contribuir para a melhora da situação com relação à mudança climática - venha a dar a continuidade que nós também queremos dar aos entendimentos mantidos pelo Presidente Lula e o Primeiro-Ministro Koizumi, inclusive com o Grupo de Trabalho que na ocasião foi criado para esse propósito.

Nossos dois países têm posições afins - como foi lembrado - nos mais diversos temas da agenda internacional. Trabalhamos juntos na questão relativa à mudança do clima, na questão tão importante, tão vital, tão sentida no Japão como é a do desarmamento nuclear e também na questão da cooperação para o desenvolvimento. O Brasil e o Japão já se têm unido em benefício de países mais pobres, com grande êxito em vários casos. Também na Organização Mundial do Comércio trabalhamos juntos, e as eventuais diferenças que possamos ter em um ou outro pequeno ponto não escondem o que há de mais importante, que é o fato de que nós temos juntos o mesmo interesse no reforço do sistema multilateral, porque, tanto na parte política quanto na parte econômica, o Japão e o Brasil estão convencidos de que o multilateralismo é o novo nome da paz.

A comunidade internacional tem a genuína expectativa de que o Brasil e o Japão assumam, no plano global, responsabilidades compatíveis com a solidez de suas instituições, o peso de suas economias e a consistência de suas ações diplomáticas. É por isso que temos atuado juntos e de maneira coordenada em temas tão importantes quanto o da reforma das Nações Unidas.

Senhor Presidente, se me permite, gostaria de concluir com uma nota pessoal. Não estava preparado para falar em nome de Vossa Excelêcia, ia inicialmente falar em meu próprio nome. Fui presidente da Embrafilme e, na ocasião, tive o prazer de produzir um grande filme - grande não só no sentido estético mas também no sentido humano - que se chamava "Gaijin: caminhos da liberdade", da minha querida amiga cineasta Tizuka Yamasaki. O tema era a imigração japonesa no Brasil. É um filme emocionante. Alguns dos episódios que vemos retratados nesse filme, de alguma maneira, foram retratados pelo Professor Uehara. Gostaria de mencionar uma das cenas finais do primeiro Gaijin, que é muito bonita - depois, Tizuka lançou o "Gaijin 2: ama-me como sou", que trata mais da presença de brasileiros no Japão.
Em uma dessas cenas finais, que tocou a todos,Titoe, imigrante que havia tido uma filha no Brasil, chamada Shinobo, decide que era hora de voltar ao Japão. Ela pergunta à filha de quatro anos: - Vamos embora? A filha responde: - Posso levar meus amiguinhos? Titoe diz que não. A pequena Shinobo fala para a mãe: - Então, mãe, você vai, e eu te espero aqui.

Neste momento, Titoe percebe a grande mudança que havia ocorrido: sua filha era brasileira, de coração. Depois de tantos anos de trabalho e sofrimento, Titoe decide ficar no Brasil. Esta é a história de tantos japoneses que para cá vieram e decidiram ficar. Nós, brasileiros, temos também uma palavra para isso: muito obrigado.

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