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Gostaria, em primeiro lugar, de agradecer o convite do Coordenador Residente das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, para participar da inauguração do primeiro módulo do Complexo da ONU em Brasília, que prefiro chamar de a “Casa da ONU em Brasília” para expressar o verdadeiro sentido da obra.
 
É um prazer e um privilégio estar aqui hoje para celebrar também o Dia da ONU - que marcou, em 24 de outubro, o 67º aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas.
 
Esta “Casa”, que hoje temos a honra de inaugurar, é um símbolo da parceria Brasil-ONU, que se mantém e se aprofunda. E a escolha do nome do Complexo não poderia representar melhor essa parceria: Sérgio Vieira de Mello, um brasileiro que dedicou sua vida à Organização das Nações Unidas e à construção da paz.
 
Como todos aqui bem sabem, Sérgio Vieira de Mello construiu uma brilhante carreira como funcionário da ONU. Sua vida foi abreviada precocemente em decorrência de um bárbaro e insensato ato terrorista, enquanto desempenhava a função de Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas no Iraque e de Alto Comissário para os Direitos Humanos.
 
Sérgio deixou um legado, que hoje aqui temos a honra de lembrar e homenagear. Em Brasília, assim como em outros lugares do mundo, em muitos dos quais esteve, seu nome estará para sempre associado aos mais altos valores defendidos pelas Nações Unidas. Foi um humanista, incansável defensor da paz, do direito internacional e do multilateralismo.
 
Com grande satisfação, tomei conhecimento de que outros brasileiros ilustres foram também homenageados pelas Agências e Programas do sistema ONU na escolha dos nomes das salas e prédios do Complexo:
 
Zumbi dos Palmares, Chico Mendes, Antonio Brand, Maria da Penha, Osvaldo Aranha, Hildebrando Pinto Accioly, Vinicius de Moraes, João Cândido, Zilda Arns e Luiz Carlos da Costa: todos fonte de inspiração e motivo de orgulho para a sociedade brasileira. Reconheço aqui familiares de muitos deles.
 
A Dra Zilda Arns, assim como o saudoso Luiz Carlos da Costa, nos deixaram em decorrência do trágico terremoto de 12 de janeiro de 2010 em Porto Príncipe. A eles rendo profunda homenagem, que estendo aos militares brasileiros, dedicados integrantes da MINUSTAH, que também perderam suas vidas no Haiti.
 
Congratulo, portanto, com o Sr. Jorge Chediek e sua equipe pela escolha desses nomes e por sua tenacidade e competência em tornar este projeto realidade.
 
Congratulo, também, com o Governo do Distrito Federal pela doação deste terreno às Nações Unidas, possibilitando a execução da obra.
 
Pela sua localização e com a “Casa da ONU”, Brasília poderá tornar-se um pólo para a realização de encontros e eventos das Nações Unidas na América do Sul. Em nome do Governo brasileiro, manifesto a disposição de oferecer o melhor de nossa hospitalidade.
 
O Brasil mantém relações diplomáticas com todos os países das Nações Unidas e com a Palestina, cujo pleito de tornar-se um Estado observador não-membro das Nações Unidas apoiamos plenamente. E Brasília é uma das capitais que mais abriga missões diplomáticas e de organismos internacionais em todo o mundo. E para uma cidade de 50 anos, isso é notável.
 
Na medida em que o Brasil atinge a marca de sexta economia do mundo, num ambiente plenamente democrático, com inclusão social e expressiva redução da pobreza e da desigualdade, trabalhamos para que o nome do Brasil sempre esteja associado ao desenvolvimento e à paz sustentável.
 
O fortalecimento do multilateralismo é o caminho que escolhemos, o único que nos parece justo e apropriado. Esse compromisso do Brasil é inequívoco. Acreditamos que a convivência entre os Estados será tão mais harmoniosa quanto maior for o respeito às normas acordadas multilateralmente.
 
Reconhecemos nas Nações Unidas a expressão mais legítima do multilateralismo. É na autoridade moral da ONU que se fundamenta seu efeito transformador da comunidade das nações.
 
O êxito da Rio+20 demonstrou que a coordenação de esforços para o bem comum da humanidade é viável e factível. A Conferência representou uma nítida vitória do multilateralismo.
 
Nesse ponto, gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer o empenho e colaboração das agências da ONU com sede em Brasília durante a preparação e realização da Rio+20. Sua atuação foi fundamental para garantir o êxito da maior e mais participativa conferência da história das Nações Unidas, com quase 50 mil participantes, que o Brasil teve a honra de sediar.
 
Outro exemplo de resultado da Rio+20, que vem a fortalecer ainda mais a parceria entre o Brasil e o PNUD, é a criação do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável - o Centro Rio+. O Centro, com sede no Rio de Janeiro, deverá tornar-se, nos próximos anos, referência nacional e internacional na área de desenvolvimento sustentável. O Centro já conta com mais de vinte parceiros nacionais e internacionais, tanto de instituições governamentais e multilaterais quanto da sociedade civil, e deverá iniciar suas atividades no primeiro trimestre de 2013.
 
Ao inaugurar a 67ª Assembleia Geral, em 25 de setembro último, a Presidenta concluiu seu discurso dizendo: “O fortalecimento das Nações Unidas é necessário nesse estágio, onde a multipolaridade abre uma nova perspectiva histórica. É preciso trabalhar para que assim seja. Trabalhar para que, na multipolaridade que venha a prevalecer, a cooperação predomine sobre o confronto, o diálogo se imponha à ameaça, a solução negociada chegue sempre antes e evite a intervenção pela força.
 
Reitero que nesse esforço, necessariamente coletivo, e que pressupõe busca de consensos, cabe às Nações Unidas papel privilegiado. Sobretudo, à medida que a Organização e suas diferentes instâncias se tornem mais representativas, mais legítimas e, portanto, mais eficazes”.
 
Muito obrigado.
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