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Muito obrigado, senhor presidente, caro amigo, príncipe Faisal, caros ministros, agradeço à Arábia Saudita por organizar esta conferência e pela oportunidade de informar os membros do G20 sobre o que o Brasil tem feito para promover a cooperação nestas circunstâncias tão desafiadoras.

Esta gravíssima crise despertou, em um grau sem precedentes, a consciência sobre a importância das questões de saúde pública, é claro, mas também sua relação, e consequências, com questões sociais e econômicas.

Infelizmente, organizações multilaterais, a mídia, formadores de opinião ao redor do mundo, propagaram, por meses, uma atmosfera de "apenas saúde"; uma abordagem que ignorou todos os outros aspectos do mundo e demonizou líderes que ousaram falar das dimensões econômica e social.

Se uma abordagem mais racional tivesse sido aplicada desde o início, a crise econômica, agora, poderia ser menos severa, e a saúde, em geral, poderia estar em uma situação melhor em todo o mundo.

É muito encorajador ouvir o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, dizer que a escolha entre vidas e meios de subsistência não é uma escolha que temos de fazer.

Essa é a posição que o presidente Jair Bolsonaro assumiu desde o início da pandemia. Teria ajudado muito se as instituições multilaterais tivessem correspondido a esses padrões desde o início.

As instituições multilaterais falharam amplamente, até agora, no segundo aspecto: os meios de subsistência. E elas são chamadas, agora, a desempenhar um papel ajudando nações individuais, países, a voltar a vidas normais, produtivas, e a recuperar-se da maior crise econômica da história, que está criando pobreza e miséria, especialmente em países em desenvolvimento.

Devemos trabalhar em todas as geometrias: sistema da ONU, G20, arranjos regionais, todos os demais arranjos, formais e informais, todos são valiosos.

Mas respostas nacionais são e sempre serão centrais.

No nosso caso, o Brasil criou um apoio fiscal de cerca de 15% do PIB, com medidas para apoiar, não apenas o sistema de saúde universal que temos, mas também para garantir a sobrevivência mesma de até 60 milhões de pessoas, que estariam, hoje, em pobreza extrema, correndo o risco de morrer de fome, não fosse por aquele apoio.

Permitam-me dizer que esse apoio não veio do multilateralismo; ele veio dos contribuintes brasileiros.

No que diz respeito à solidariedade, olhamos para o mundo e vemos, com grande preocupação, que, hoje, mais de 100 milhões de pessoas, segundo diversas fontes, estão vivendo em insegurança alimentar. E esse não é o número completo: 130 milhões de pessoas a mais estão vivendo em insegurança alimentar, comparado a antes da pandemia, como consequência de medidas tomadas para neutralizar a pandemia.

E isso nos aflige porque o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. A produção alimentar do Brasil pode alimentar até 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo, e nós mantivemos nossa produção agrícola durante a pandemia, não apenas mantendo-a, mas efetivamente aumentando a produção sobre os níveis do ano passado. E estamos exportando.

Conservamos também nossos sistemas logísticos para exportar para todos os nossos parceiros.

Isso não veio do multilateralismo. Isso veio de medidas nacionais que permitiram a continuidade do trabalho na agricultura e na logística.

Sobre restrições de viagens, o Brasil sempre manteve seus aeroportos abertos durante a pandemia, permitindo que muitas pessoas de outros países, cidadãos de outros países, voltassem para casa em voos de conexão. E, no fim de julho, liberamos viagens aéreas a todos, sem distinção.

Além disso, estamos trabalhando com nossos vizinhos para abrir as fronteiras o que fará uma grande diferença, especialmente para as populações fronteiriças. Estamos trabalhando bilateralmente e, semana passada, no Prosul, um fórum sul-americano de integração, seus presidentes decidiram criar um grupo para tratar coletivamente da abertura das fronteiras.

Estamos prontos para trabalhar através de encontros diplomáticos de alto nível, do G20 ou em qualquer outro formato, para abordar a questão das restrições de viagem e sua remoção.

Sobre vacinas, estamos confiantes de que o Brasil desenvolverá a capacidade produtiva para si mesmo e, também, para compartilhar com outros países, especialmente em nossa região.

Sobre tratamento, o Brasil desenvolveu protocolos com bons resultados, empregando medicamentos não utilizados em outros lugares, especialmente a hidroxicloroquina, que, infelizmente, foi politizada, mas que está salvando vidas. E também estamos prontos para cooperar nessa área com qualquer país.

Também trabalhamos para fomentar o livre fluxo de informações mundo afora, o que é absolutamente essencial para desenvolver respostas científicas ao vírus.

O Brasil está traduzindo solidariedade em passos concretos através de esforços dos brasileiros mesmos e estamos prontos para cooperar especialmente aqui, já que estamos aqui no G20, com cada país, aqui e coletivamente, para avançar as verdadeiras questões diante de nós: salvar vidas e meios de subsistência.

Muito obrigado

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