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Tenho a satisfação de participar, ao lado do Ministro Gilberto Kassab, da abertura deste segundo “Seminário sobre Diplomacia e Inovação Científica e Tecnológica”, apenas três meses após a primeira edição.

Um dos resultados do primeiro seminário será a criação da Comissão de Coordenação em Ciência, Tecnologia e Inovação, cuja portaria interministerial assinaremos ao final desta cerimônia. Estaremos inaugurando um mecanismo em si mesmo profundamente inovador para o apoio e a governança das nossas iniciativas internacionais no campo da inovação, destinado a dar ainda mais densidade a uma parceria que já se provou um grande êxito. Desde seu lançamento, nossa parceria tem vocação global e foco no desenvolvimento do Brasil.

Agradeço a presença do Presidente Substituto do CNPq, Professor Marcelo Marcos Morales. Peço que faça chegar ao Professor Mário Neto nosso profundo pesar pela fatalidade que atingiu sua família.

O Itamaraty orgulha-se de sempre ter trabalhado em estreita parceria com o CNPq em suas ações no exterior, sobretudo no apoio aos bolsistas, pesquisadores e acadêmicos que trabalham para levar a marca de excelência do talento brasileiro aos quatro cantos do mundo.

Celebramos hoje o talento brasileiro, reconhecido tanto pela criatividade quanto pela qualidade técnica de seus quadros acadêmicos.

Foi esse talento, utilizado como um ativo fundamental pela nossa diplomacia, que ensejou a instalação de centros de inovação de diversos países em grandes cidades brasileiras, justamente onde se encontram os principais ecossistemas de inovação do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Essa importante ação diplomática no Brasil será amplamente abordada no presente seminário.

Queremos que os escritórios regionais do Itamaraty sejam cada vez mais plataformas de facilitação de contatos entre os ecossistemas domésticos e as principais praças inovadoras do exterior por meio da nossa rede de embaixadas e consulados ao redor do mundo.

O modelo de tripla hélice, em que estado, academia e iniciativa privada se coordenam para a construção de ecossistemas de inovação, deve ser aplicado em sua plenitude.

Para isso, é fundamental o diálogo tanto com universidades, institutos de ciência e tecnologia e centros de pesquisa e desenvolvimento quanto com empresas privadas de todos os portes e setores, aqui no Brasil e no exterior.

O evento de hoje oferecerá alguns exemplos de startups brasileiras de sucesso. O reconhecimento da importância das startups no processo inovador de qualquer país foi o que motivou o lançamento do programa StartOut Brasil, no último dia 24 de novembro.

O programa é resultado de uma parceria entre o Itamaraty, o MDIC, a Apex-Brasil e o Sebrae, e dará às startups brasileiras a oportunidade de apresentar-se a chamadas públicas de seleção para lançar-se internacionalmente, de modo a ter contato com mercados mais maduros, aprimorar seu modelo de negócios e facilitar a atração de potenciais investidores.


Ministro Kassab, senhoras e senhores,

As transformações em curso nos modelos de produção, a chamada Indústria 4.0, geram oportunidades e desafios para o Brasil. É preciso planejar políticas públicas que permitam que a economia brasileira mantenha vantagens competitivas em termos de ciência, tecnologia, inovação, pesquisa e desenvolvimento.

Já em 2016, o G-20 incorporou à sua pauta a Inovação, a Economia Digital e a Nova Revolução Industrial no âmbito da discussão sobre como responder, no médio e no longo prazos, às perspectivas de crescimento lento da economia mundial. Como assinalaram as lideranças que participaram em São Paulo do 1º Congresso Brasileiro de Indústria 4.0, na última terça-feira, o Brasil precisa urgentemente de um projeto de reindustrialização com ênfase nessa Nova Revolução Industrial.

A diplomacia da inovação, nesse sentido, constitui ferramenta importante para aportar elementos externos que possam fomentar a competitividade nacional e auxiliar a integrar o Brasil às cadeias globais de produção mais avançadas. (A Europa pretende investir na Indústria 4.0, na próxima década e meia, mais de 1,3 trilhão de euros - a China, € 1,8 trilhão.)

Exemplo de ações já empreendidas pelo Itamaraty foi a organização da Semana da Inovação Brasil-Suécia, em Estocolmo, em outubro último, em que foi possível reunir grandes protagonistas dos ecossistemas de Brasil e Suécia e criar múltiplas avenidas de cooperação, em setores como indústria aeroespacial, energias renováveis e cidades inteligentes.

No final do mês passado, estive com o Ministro da Economia da Finlândia, que é um dos países que mais investem em inovação, sobretudo no apoio a empresas de base tecnológica, à semelhança de outros países vizinhos como a Suécia e a Dinamarca.

Aprender com a experiência desses países permite ao Brasil encurtar distâncias na corrida cada vez mais competitiva pela inovação.

Nesse particular, ressalto a decisão dinamarquesa –que será ilustrada no presente evento- de instalar centro de inovação em São Paulo, em contato direto com boa parte dos atores da cena inovadora brasileira.

Na linha de buscar parcerias e colher as melhores experiências internacionais, a adesão do Brasil à OCDE permitirá ao país a adequação de nossos processos inovadores às melhores práticas e a padrões de competitividade consolidados globalmente.

Trata-se de um passo crucial para melhorar não apenas o ambiente de negócios, mas também a própria coordenação entre estado, academia e iniciativa privada.

As oportunidades de convergência em ciência, tecnologia e inovação não estão apenas nos países que integram a OCDE.

Merece destaque a crescente cena de investimentos pela China em capital de risco, o chamado “venture capital”, que é fundamental para o financiamento de startups. Esses capitais chineses demonstram crescente interesse na cena empreendedora brasileira.

Ministro Kassab, senhoras e senhores,

A internacionalização de nossos ecossistemas inovadores, seja em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Recife ou em Uberlândia, tornou-se um imperativo para garantirmos a tão almejada inserção competitiva de nossos setores mais promissores.

É preciso não apenas ampliar o arco de parcerias internacionais dentro do modelo de Tripla-Hélice, mas também aprender com nossos parceiros a construir casos de sucesso.

A mensagem de que inovação significa prosperidade deve ser propagada aos quatro ventos, sobretudo entre os tomadores de decisão do país, e não apenas na União, mas sobretudo nos Estados e nos Municípios, justamente onde os ecossistemas principais se encontram.

Alguns de nossos parceiros internacionais, hoje representados neste Seminário, já constituíram antenas de prospecção de oportunidades no resto do País.

Procuramos incorporar a diplomacia da inovação no trabalho diário do Itamaraty, aqui em Brasília, em nossos escritórios regionais e na rede de postos no exterior. Nosso papel é, sobretudo, identificar oportunidades e servir de ponte, facilitando contatos e articulando a cooperação entre atores locais e internacionais.

A parceria que institucionalizamos entre o Itamaraty e o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação fortalece nossa ação conjunta e amplia nossa capacidade de atender aos anseios e demandas de nossos ecossistemas de inovação.

Estamos trabalhando, juntos e com entusiasmo, por um Brasil mais competitivo, em um momento em que o êxito na economia global depende cada vez mais da capacidade de criar e inovar, incorporando novas tecnologias aos processos produtivos.

Tenho certeza que este seminário dará contribuição relevante na construção desse Brasil mais competitivo, inovador e próspero que todos desejamos.

Muito obrigado.

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