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Apoiamos a prioridade conferida pelo G20 à cooperação com a África, uma vez que não pode haver verdadeira prosperidade global sem maior integração da África à economia global.

O Brasil tem vínculos profundos com o continente africano em várias áreas. Mais de 50% da nossa população tem sangue africano.

É, portanto, uma tradição de longa data para a política externa brasileira manter com países africanos uma importante cooperação técnica e econômica, com ênfase no desenvolvimento, na educação e na saúde.

Chegou o momento para uma nova abordagem, que não enfatize apenas nossa herança comum, mas que também leve em conta, como base para a construção de novas parcerias para o futuro, as impressionantes taxas de crescimento da África nos últimos anos.

Como salientou, com razão, nosso colega da África do Sul na reunião de ontem: “a África, hoje, significa oportunidades”.

O Brasil desenvolveu tecnologias agrícolas modernas para países tropicais. Estamos prontos para compartilhá-las com nossos amigos e parceiros na África. Para isso serão necessários uma cooperação tecnológica mais intensa e concentrada entre nossas instituições de pesquisa e maior número de empreendimentos conjuntos entre nossas companhias.

Já tivemos algumas experiências positivas e encorajadoras nessa área, como na produção de algodão, em plantações de cana de açúcar, bem como em engenhos de açúcar ou usinas de etanol. Em alguns casos, será necessário financiamento adicional. Em outros, empresários de ambos os lados precisarão perceber o potencial de tais parcerias.

Em outubro passado, a Plataforma de Inovação Agropecuária – Market Place (MKTPlace), uma iniciativa de cooperação técnica internacional coordenada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, foi escolhida pelas Nações Unidas como uma das 15 mais bem-sucedidas agências de cooperação técnica entre países emergentes.

O projeto já beneficiou 13 países africanos desde 2010 nos campos de agricultura tropical, inclusive o intercâmbio de genótipos, o treinamento de pessoal e o desenvolvimento de produtos e serviços.

A educação é também um dos principais setores de cooperação. De 2000 a 2016, 77% dos 8 mil alunos escolhidos para estudos de graduação no Brasil eram africanos. A principal instituição brasileira dedicada ao treinamento profissional para a indústria, o SENAI, atua em quatro países africanos.

Também tivemos êxito no intercâmbio de experiências no campo da saúde pública. As instituições brasileiras têm apoiado países africanos no fortalecimento de seus sistemas de saúde pública, no aumento do acesso a medicamentos básicos e no estabelecimento de bancos de leite humano.

O Brasil está pronto para continuar a promover e, se possível, ampliar sua ativa e construtiva cooperação com países africanos, em linha com as recomendações do G20 para o desenvolvimento e a prosperidade no continente.

Obrigado.


Intervenção do Ministro das Relações Exteriores – Primeira Sessão - "Transformando nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável"

Intervenção do Ministro das Relações Exteriores – Sessão 2 – “Manutenção da paz em um mundo complexo”

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