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Como muitos aqui dissemos, a comunidade internacional enfrenta hoje o desafio de restaurar a sua capacidade de promover a paz e a segurança internacionais num mundo que se depara com diversos novos desafios, inclusive o flagelo do terrorismo.

Para que isso ocorra, duas ações que se inter-relacionam são necessárias.

A primeira é de natureza institucional. Uma reforma das instituições multilaterais responsáveis por temas de paz e de segurança é indispensável.

Acreditamos haver uma necessidade urgente de atualizar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, trazendo para o seu seio novos atores. Isso aumentaria sua legitimidade e sua capacidade de atuação.

A segunda ação é a própria mudança na maneira como a comunidade internacional lida com os problemas que enfrenta. O uso da força deve ser sempre o derradeiro recurso. Como nosso anfitrião assinalou ontem, prevenção e diplomacia devem mais uma vez estar à frente de nossos esforços. Temos de reconhecer que as múltiplas crises da atualidade estão diretamente relacionadas à nossa crescente incapacidade de prevenir a ocorrência de novos conflitos e o agravamento daqueles já existentes.

Por essa razão, como um país que há muito tempo vem sublinhando a interdependência entre paz, segurança e desenvolvimento, o Brasil acolheu positivamente o conceito de "paz sustentável" recentemente adotado nas Nações Unidas. Essa ideia contribui para a promoção de uma abordagem integral dos três pilares das Nações Unidas – paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos.

Temos visto que no período mais recente as atenções da comunidade internacional têm se concentrado na questão do financiamento de operações de manutenção e de consolidação da paz. A consequência inevitável disso é que sobram menos recursos para a promoção dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável, aspectos centrais para prevenir as crises que hoje nos esforçamos, às vezes infrutiferamente, para resolver.

Dessa forma, surge um círculo vicioso em que a paz é promovida em algumas áreas, mas torna-se menos sustentável em outras.

Para que possamos alcançar a paz sustentável, é fundamental agirmos no sentido de evitar conflitos, o que permitirá poupar ao menos parte dos quase US$ 8 bilhões gastos hoje em operações de manutenção da paz, uma ferramenta que existe basicamente para atenuar "a posteriori" os efeitos de guerras e crises que já estão em curso.

É apenas dessa forma que a comunidade internacional deverá ser capaz de alcançar uma "multipolaridade organizada", tal como sugerida pelo Secretário-Geral António Guterres: uma multipolaridade baseada não na confrontação e fragmentação, e sim na cooperação.

Muito obrigado.


Intervenção do Ministro das Relações Exteriores – Primeira Sessão - "Transformando nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável"

Intervenção do Ministro das Relações Exteriores – Sessão 3 – “Cooperação com a África”

 

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