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Sua Excelência o presidente da República da Colômbia, Juan Manuel Santos, em nome de quem cumprimento os chefes de Estado e de Governo da América Latina,

Sua Majestade o Rei da Espanha, Felipe VI, em nome de quem cumprimento os chefes de Estado e de Governo da Península Ibérica,

Senhora Chanceler da República da Colômbia, María Ángela Holguín, a quem parabenizo pela organização da XXV Cúpula Iberoamericana e em nome de quem cumprimento os demais chefes de delegação aqui presentes,

Senhora Rebeca Grynspan, Secretária Geral Iberoamericana,

Quisiera, desde luego, transmitir el saludo del presidente Michel Temer al presidente Juan Manuel Santos, así como al pueblo colombiano, por la amable acogida en la bellísima ciudad de Cartagena, la única a acoger dos cumbres iberoamericanas.

Para mí, en el plan personal, participar de este encuentro tiene también un significado muy especial. Más allá de mis raíces familiares – soy nieto de argentinos -, a lo largo de mi trayectoria he podido atestar los lazos culturales e históricos que nos unen. Pasé 14 años en el exilio, 9 de ellos en América de Sur, en Chile. Gran parte de mi formación académica tuvo lugar en América Latina, donde siento en la piel la memoria de esa vivencia.

 

Senhoras e Senhores,

O Brasil concluiu recentemente um processo que foi levado adiante com rigoroso respeito à lei e às instituições, sob a condução do Parlamento (maioria de 2/3) e a permanente supervisão do Supremo Tribunal Federal. Essa página está agora definitivamente virada, e o país está pronto para concentrar suas energias em suas reais prioridades sociais e econômicas, que não são poucas nem pequenas. Agradeço os países de nossa região, e de todos no plano internacional, que se deram conta dessa cristalina realidade.

Quero dizer também que a paz na Colômbia representa um marco histórico, inserido no fim de um ciclo de quase 60 anos na América Latina, que nasceu sob a Guerra Fria. São outros paradigmas que agora nos orientam na busca por maior unidade e abertura, na região e em todo o mundo. Marcam essa mudança dois acontecimentos recentes: a paz na Colômbia e o fim do embargo a Cuba. Esse ciclo acabou e temos de saber concluí-lo. A contribuição da Colômbia é fundamental, e não foi à toa que o presidente Juan Manuel Santos ganhou o merecido Prêmio Nobel da Paz.

Destaco também, nesse contexto, as negociações entre o Mercosul e a União Europeia, cuja conclusão, apesar de envolver mais diretamente um bloco específico de nossos países, repercutirá positivamente sobre toda a região. Quero parabenizar a Portugal e à Espanha por seu engajamento nas negociações e seu compromisso com o livre comércio.

Esta nova cúpula em Cartagena simboliza para nós um recomeço. Esperamos que, juntos, possamos buscar soluções que nos permitam avançar em nosso projeto de comunidade ibero-americana, sempre com foco em projetos de cooperação que beneficiem concretamente nossos jovens e nossas populações como um todo.

Saúdo, por isso mesmo, os avanços logrados no decorrer destes dois anos no processo de renovação da Conferência Ibero-Americana e, em particular, no que se refere à reforma da Secretaria-Geral Ibero-Americana, levada adiante, com dedicação e competência, pela Secretária-Geral Rebeca Grynspan.

Devemos continuar a consolidar o relevante acervo que vimos construindo desde 1991, aprofundando nossa cooperação em atividades prioritárias e contando com uma estrutura institucional ágil e eficaz na execução dos objetivos fundamentais de nossa comunidade.

Quero saudar o Secretário-geral das Nações Unidas designado, António Guterres .É o segundo representante da comunidade iberoamericana, depois de Javier Pérez de Cuellar, peruano, a ocupar o cargo mais elevado do sistema das Nações Unidas. Sua presença nesta cúpula, poucas semanas depois da aclamação de seu nome pela Assembleia Geral, demonstra seu compromisso com o aprofundamento da amizade e cooperação entre nossos países. Mais especificamente para nós, que temos o orgulho de nossa lusofonia, é uma honra ver um de nossos nomes mais ilustres a desempenhar tão alta função.

 

Senhoras e Senhores,

A escolha do lema da Cúpula deste ano – "Juventude, Empreendedorismo e Educação" – foi feliz e oportuna. A oferta de ensino de qualidade e a geração de empregos para nossos jovens são objetivos dos quais dependem o futuro e a prosperidade de nossas sociedades.

O compromisso de nossa comunidade está refletido no "Pacto Ibero-Americano da Juventude", ferramenta fundamental para orientar o trabalho
conjunto de governos, sociedade civil e instituições regionais. Cumprimento a todos os envolvidos pelo resultado, construído a partir de proceso abrangente, ao qual contribuíram milhares de jovens de todos os países ibero-americanos.

O Brasil considera de crucial importância a sistematização e o intercâmbio de dados, informações, boas práticas e trabalhos de pesquisa em matéria de juventude. Acreditamos que essas ações possibilitariam uma iniciativa conjunta ibero-americana, voltada ao desafio de valorizar o espírito empreendedor de nossos jovens e indicar alternativas de inserção no mercado de trabalho.

Essa causa é especialmente urgente para nossos países, que enfrentam taxas demasiado altas de desemprego para os jovens – inclusive no Brasil. Eles integram, como sabemos, um dos grupos mais vulneráveis às crises econômicas, à estagnação e à falta de acesso a serviços básicos, como educação e saúde.

No Brasil, estamos retomando o caminho de volta ao crescimento econômico, depois da maior retração de nossa história, com a finalidade de restabelecer a ampla confiança na economia do país. Para isso, é fundamental o engajamento do empresariado de nossos países, motivo pelo qual gostaria de saudar a realização aqui em Cartagena, nos últimos dois dias, do XI Encontro Empresarial Ibero-Americano.

 

Senhoras e Senhores,

A Cúpula de Veracruz, em 2014, determinou que fossem priorizadas ações nos espaços da cultura, do conhecimento, com foco nas duas línguas –português e espanhol -, e da coesão social, incluindo economia e inovação. Valorizamos os programas de mobilidade acadêmica e a maior aproximação entre nossas sociedades, inclusive por meio da promoção do ensino do português e do espanhol, fundamentais para o fortalecimento da comunidade ibero-americana. Estudei espanhol na escola, e creio ser importante que se retome o ensino obrigatório dessa língua no ensino médio brasileiro, assim como que o português seja obrigatório nos países de fala hispânica.

É por meio da educação e da cultura que os nossos cidadãos terão acesso não apenas ao lazer, mas também ao conhecimento. Educação e cultura são, sim, uma prioridade e um dos grandes instrumentos para a construção de uma sociedade inclusiva, baseada na igualdade de oportunidades.

É sobre esse pano de fundo que a Conferência Ibero-Americana mantém-se em destaque, com continuado foco nos programas de cooperação desenvolvidos por seus organismos. O Brasil está entre os principais prestadores de cooperação no âmbito da Conferência, com projetos importantes nas áreas da saúde, educação, cultura, turismo, moradia e infraestrutura.

Merecem destaque, nesse contexto, duas ações, ambas lançadas durante o período em que estive à frente do Ministério da Saúde brasileiro: a quebra de patentes de medicamentos, que possibilitou o acesso a remédios de baixo custo, e o orgulho especial do Brasil com a rede de bancos de leite materno. O sucesso desse projeto, que combate com muito baixo custo a desnutrição dos recém-nascidos, é evidente: entre 2009 e 2015, foram beneficiadas quase 1,6 milhão de crianças. Essa iniciativa, concebida no Brasil, encontra-se hoje em 21 países, inclusive em Portugal e na Espanha, em uma verdadeira cooperação Sul-Norte.

 

Senhoras e Senhores,

Gostaria de cumprimentar o excepcional trabalho desempenhado pela Secretaria Pro Tempore da Colômbia, sob a liderança da Chanceler María Ángela Holguín, na organização desta Cúpula, e reitero, uma vez mais, nosso pleno apoio ao povo colombiano em sua busca por caminhos para atingir a paz de forma duradoura.

Muito obrigado.

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