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Visita do Secretário de Estado John Kerry

A visita do Secretário John Kerry e o encontro produtivo que tivemos podem representar o primeiro passo de uma nova fase no relacionamento Brasil-Estados Unidos.

A aproximação entre nossos países é favorecida pelo compromisso do Presidente Obama com a cooperação, a diplomacia e a autocritica em relação ao apoio no passado a ditaduras na América Latina. Na mesma direção, o presidente democrata tem defendido o fechamento da prisão de Guantánamo, e restabeleceu as relações diplomáticas com Cuba, começando a levantar o bloqueio econômico imposto à ilha há décadas.

A defesa do Presidente Temer de uma relação aberta e madura entre o Brasil e os Estados Unidos ajuda na construção de uma parceria renovada entre os dois países. 

Nossas visões e interesses convergem em várias áreas, como desenvolvimento sustentável; direitos humanos; defesa da democracia; cooperação em educação, saúde, e ciência e tecnologia.

Tenho um compromisso pessoal com a promoção e a proteção dos direitos humanos e com o respeito à democracia e me empenharei para que o Brasil seja mais ativo e propositivo nessas questões, inclusive na procura de parcerias com países amigos.

Brasil e Estados Unidos também compartilham o objetivo de ampliar o comércio e os investimentos recíprocos, a fim de gerar mais e melhores empregos. Essa é uma prioridade clara do governo brasileiro e de meu trabalho à frente do Ministério das Relações Exteriores.

Estou diretamente envolvido na intensificação da agenda comercial externa do Brasil. Foi com satisfação que celebramos esta semana a abertura recíproca de nossos mercados para as exportações de carne bovina in natura. Considero este acordo, comandado do lado brasileiro pelo Ministério da Agricultura,  um sinal muito positivo, que augura avanços em negociações futuras em outras áreas.

O entrelaçamento econômico entre o Brasil e os Estados Unidos é impressionante: o volume do comércio é de US$ 50 bilhões, e sua qualidade é boa, com alto percentual de agregação nas exportações: 75% do que vendemos aos EUA são produtos manufaturados. Mais ainda,  os Estados Unidos são os maiores investidores  externos no Brasil, com estoque de US$ 116 bilhões. Já os investimentos brasileiros nos EUA saltaram de US$ 7,3 bilhões em 2009 para US$ 22,4 bilhões em 2014. Em 2000, para cada dólar investido nos Estados Unidos por empresas brasileiras, 47 dólares eram investidos no Brasil por empresas norte-americanas. Em 2014, essa proporção caiu para 3.

Nossa tarefa agora é concentrar o trabalho nas prioridades que   estabeleceremos de  comum acordo. Em algumas áreas colheremos resultados no curto prazo, como no caso da carne, da aprovação no Congresso Nacional da politica de céus abertos ou da negociação na áreas de facilitação de comércio. Em outros setores  trabalharemos para colher frutos de médio prazo,  como na área de defesa, nas parcerias com o setor privado para investimentos em infraestrutura, ou nas negociações sobre bitributação e investimentos.

Também gostaria de agradecer, em nome do Presidente Temer, a confiança do Governo norte-americano na solidez das instituições políticas e judiciais no Brasil, que em minha visão são um exemplo de maturidade na condução do atual processo de impeachment.

Por fim, ao agradecer ao Secretário John Kerry sua visita ao Brasil, quero desejar êxito à equipe norte-americana que participará dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Também quero reiterar ao governo e ao povo norte-americanos sucesso nas eleições presidenciais que ocorrerão em novembro deste ano.


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