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Embaixador Michelle Valensise, Secretário-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da República Italiana e ex-Embaixador da Itália no Brasil,

Embaixador Mario Giro, Subsecretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da República Italiana,

Caros Ministros e Chefes de delegação,

Senhora Deputada Marina Sereni, Vice-Presidenta da Câmara dos Deputados da Itália e Presidenta da Comissão Parlamentar Brasil-Itália,

Senhoras e Senhores,

Agradeço ao Governo italiano pela oportuna organização desta sétima Conferência Itália-América Latina e Caribe.

O Instituto Ítalo-Latino-Americano é importante fator e instrumento de promoção e estreitamento dos numerosos e variados vínculos que unem a América Latina e Caribe e a Itália. O Brasil, que acaba de ser eleito para a Vice-Presidência da entidade, continuará a apoiar seus esforços em favor da integração sempre mais profunda entre nós.

Senhores Chefes de delegação,

O lema deste encontro - “uma visão comum” – nos faz recordar e celebrar importantes conquistas diplomáticas da América Latina e do Caribe. Entre elas, destaco o fortalecimento da integração regional mediante a constituição de foros multilaterais regionais, como a CELAC, e a definição de uma agenda própria de cooperação e coordenação política. Ademais, a integração tornou-se parte fundamental das estratégias nacionais de desenvolvimento, o que é vital para sustentar politicamente e fazer avançar nossos esforços de aproximação sempre maior de nossas sociedades.

É também muito significativo para nossa região e para a definição de uma “visão comum” da cooperação entre nós e a Itália que esta conferência se realize em paralelo à Expo 2015. Como sabemos, seu tema-chave – nutrição – está intimamente associado à promoção do desenvolvimento sustentável, à erradicação da fome e da pobreza e à redução da desigualdade, que são questões de importância central para o conjunto dos países latino-americanos e caribenhos.

De todas as regiões do mundo, a América Latina e Caribe foi a que registrou a maior redução da fome nos últimos 25 anos. Basta dizer que, nesse período, a proporção de pessoas subalimentadas caiu dramaticamente entre nós: de 15,3% para 6,1%.

No Brasil, obtivemos resultados extraordinários. O percentual de pessoas que viviam em situação de insegurança alimentar caiu de cerca de 10% em 2002 para praticamente zero no ano passado. O Brasil foi excluído do Mapa da Fome da FAO, o que é motivo de justidicado orgulho para todos os brasileiros.

Tornar irreversíveis os ganhos sociais recentes será uma das tarefas cruciais dos próximos anos, cujo êxito depende, em boa medida, de crescimento econômico sustentado e ampla distribuição de seus frutos. Também aqui se mostram relevantes as relações entre a Itália e a América Latina e Caribe.

A União Europeia é o principal investidor estrangeiro e o segundo maior parceiro comercial dos países de nossa região. No caso do Brasil, o bloco tem participação de um quinto no nosso comércio exterior, e a Itália individualmente é o segundo parceiro comercial do Brasil neste continente. Nos próximos anos, necessitaremos de mais comércio e mais investimentos, especialmente em infraestrutura e logística. Em meu país, por exemplo, abrem-se oportunidades excepcionais, conforme demonstra plano anunciado nesta semana pela Presidenta Dilma Rousseff. Em Bruxelas, na recém encerrada Cúpula CELAC-EU, relançamos as negociações sobre um Acordo de Associação Birregional entre o Mercosul e a União Europeia. O instrumento, que trará vantagens comerciais importantes para ambas as regiões, confirma a presença e a inserção do Mercosul como bloco que deseja relacionar-se com todos os países e regiões. Registro, aqui, o apoio do Governo italiano muitas vezes reiterado à conclusão das tratativas relativas a esse instrumento.

Também a cooperação educacional é central na estratégia de estimular um intercâmbio econômico mais simétrico entre nossa região e a Itália, pois facilita o incremento da qualificação profissional e a consequente elevação da produtividade e da competitividade de nossas economias. No caso brasileiro, já é bastante significativa o intercâmbio educacional com os países da União Europeia, de que é exemplo o programa de bolsas denominado Ciência sem Fronteiras. Cerca de metade dos estudantes beneficiados tiveram como destino o continente europeu. Na Itália, por exemplo, mais de 3.300 estudantes brasileiros foram admitidos em instituições de ensino superior, dos quais 1.100 encontram-se, no momento, neste país.

Senhoras e senhores,

Entre a América Latina e o Caribe e a Itália há também um conjunto de valores e interesses em importantes temas da agenda internacional, muito especialmente nas instâncias multilaterais.

Em nosso lado do Atlântico, privilegiamos a solução pacífica de controvérsias. Formamos uma zona de paz e livre de armas nucleares de dimensão continental. Promovemos mecanismos de cooperação para o desenvolvimento econômico, social e sustentável. Defendemos e promovemos os direitos humanos em todas as suas dimensões. Trabalhamos pelo fortalecimento do multilateralismo e defendemos a reforma e a atualização das instâncias de governança global, em especial nas áreas de finanças e de paz e segurança internacional.

Nossa região compartilha com a Itália essa sólida base de princípios, valores e objetivos, o que facilita grandemente a concertação política. Juntos, poderemos buscar caminhos novos e criativos para o adequado tratamento de tantos desafios comuns, com vistas a construir um sistema internacional mais pacífico, próspero, justo e inclusivo.

Amigas e amigos,

A Itália é o berço da latinidade, que nos empresta história e cultura. É também a terra natal dos antepassados de milhões de brasileiros e tantos outros latino-americanos. Hoje, há cerca de 30 milhões de brasileiros cujos antepassados provieram da Itália. Não hesito, assim, em dizer que todos nós somos um pouco italianos por força da herança do sangue e da cultura levadas para o Novo Mundo desde os tempos de Cristóvão Colombo e Américo Vespúcio.

Cabe ao IILA e a nossos governos e sociedades traduzir essa rica heranca em cooperacao sempre mais ativa, efetiva e eficaz em favor de todos e cada um de nós.

Grazie tante.

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