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"A Declaração Conjunta que acabamos de firmar avança e consolida o entendimento entre Brasil e Argentina na área nuclear, logrado a partir da firme determinação, ao longo de duas décadas, de buscar a aproximação e a cooperação como projeto histórico de longo prazo dos nossos países irmãos.

É para mim motivo de especial satisfação participar deste ato - que compartilho com o Ministro Ronaldo Sardenberg - junto com o Professor Aldo Ferrer, não apenas profundo conhecedor do tema nuclear e atualmente responsável por seu tratamento no governo argentino, mas também personalidade a quem sou unido por antigos laços de respeito e amizade. Minha identificação com o Professor Ferrer advém ainda de nossa visão comum voltada para relações bilaterais privilegiadas, sob o signo do entendimento, da cooperação e da paz.

A recém-criada Agência Brasileiro-Argentina de Aplicações da Energia Nuclear abrirá novo capítulo na relação bilateral na área nuclear, ao intensificar a cooperação nas aplicações pacíficas da ciência e das tecnologias nucleares. Confiamos em que nossa estreita cooperação em temas como o ciclo do combustível nuclear, a produção de radioisótopos, a gestão de rejeitos radioativos e a participação no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para reatores geradores de energia elétrica renderá frutos palpáveis e concretos em benefício de nossos povos e de nossas nações. A ABAEN propiciará condições para que possamos trabalhar conjuntamente na identificação de complementaridades e sinergias nessas e em outras áreas propícias à elaboração e execução de projetos conjuntos.

A ABAEN virá a reforçar e complementar as atividades do Comitê Permanente Brasil-Argentina sobre Política Nuclear, no âmbito do qual o instrumento que ora assinamos foi elaborado. O canal de diálogo que mantemos por meio do Comitê Permanente tem grande relevância no empreendimento e coordenação de iniciativas de natureza política, técnica e empresarial no setor nuclear, cabendo-nos portanto mantê-lo e aprimorá-lo.

Ao criar a ABAEN, decidimos adotar formato moderno, fazendo pleno uso das mais modernas tecnologias da informação, que permitem superar barreiras materiais, acelerar os processos de tomada conjunta de decisão e evitar custos desnecessários. A estrutura da ABAEN é, assim, inovadora , por evitar duplicação e erigir-se sobre as bases institucionais, de pessoal e equipamento existentes nos dois países, o que permitirá ótima interação e máximo aproveitamento dos recursos de que dispomos, fator importante para o objetivo comum de incrementar a cooperação técnica nos usos pacíficos da energia nuclear. Estou certo de que a agência bilateral que ora criamos se revelará um empreendimento de alto retorno para as duas partes.

Além de constituir-se em notável resultado do processo de confiança e transparência, a criação da ABAEN reforça nosso relacionamento na área nuclear, que vem incorporando, a cada dia, novos objetivos e projetos comuns. Gostaria de lembrar as palavras do Presidente Fernando Henrique Cardoso, proferidas em 1997, e que permanecem válidas como impulso motor de uma das diretrizes básicas da política externa brasileira nos dias atuais: "A integração que promovemos entre o Brasil e a Argentina é um legado inestimável para as gerações que nos irão suceder. E uma conquista para todos nós nos dias de hoje".

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