Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

Foto: Ana de Oliveira, AIG/MRE 

Tenho a satisfação de dar início ao segundo dia de trabalho do IX Fórum de Altos Executivos Brasil-Estados Unidos cumprimentando as autoridades norte-americanas aqui presentes: a Assessora para Relações Econômicas Internacionais do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Caroline Atkinson; o Secretário Executivo do Departamento de Comércio, Bruce Andrews; e a Embaixadora dos Estados Unidos em Brasília, Liliana Ayalde. Queria estender uma saudação especial à Presidente da seção norte-americana do Fórum de Altos Executivos Patricia Woertz, por intermédio de quem saúdo todos os CEOs norte-americanos.

Quero também cumprimentar as autoridades brasileiras, em especial o Ministro-Chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante; e o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro; e Presidente da seção brasileira do Fórum de Altos Executivos, o empresário Josué Christiano Gomes da Silva, e, do mesmo modo, por intermédio do Presidente brasileiro do Fórum, queria saudar todos os CEOs brasileiros.

É com grande prazer que participo da nona edição desse fórum de altos executivos. Sempre acreditei que o CEO Fórum cumpre um papel estratégico no fortalecimento de nossas relações econômico-comercias. Continuo apostando que esse é um mecanismo único e diferenciado, por reunir os presidentes de grandes empresas dos Estados Unidos e do Brasil, que produzem, em comum acordo, recomendações aos nossos Chefes de Estado com vistas à facilitação do comércio e dos investimentos bilaterais. O Fórum cumpre, também, o importante papel de identificar novas formas de integração competitiva entre as nossas economias. Esse mecanismo reúne não só empresários, mas também Ministros de ambos os lados, o que lhe confere maior densidade. A própria Presidenta Dilma Rousseff, ainda quando Ministra-Chefe da Casa Civil, foi ela própria uma das primeiras co-presidentes brasileiras do CEO Fórum. No meu caso, tive a oportunidade de assistir a quatro edições deste encontro, em minha qualidade de Embaixador do Brasil junto aos Estados Unidos, e pude testemunhar que as recomendações do Fórum são altamente qualificadas, pois são elaboradas por homens e mulheres de negócios que vivenciam, em seu dia-a-dia, as oportunidades e os desafios apresentados pelo nosso relacionamento econômico-comercial.

Gostaria de ressaltar que a presença dos CEOs aqui em Brasília evidencia a importância e o caráter estratégico das relações políticas, comerciais e de investimentos entre o Brasil e os Estados Unidos. Tenho certeza que as reuniões, de ontem e de hoje, contribuirão para a preparação da visita da Senhora Presidenta da República aos Estados Unidos no fim deste mês.

Os temas em discussão, como educação e inovação, mobilidade de pessoas, energia, tarifas, facilitação de comércio, convergência regulatória, infraestrutura, são da mais alta relevância para aumentar ainda mais o dinamismo de nosso relacionamento econômico-comercial. Vejo, com muita satisfação, que os CEOs atualizaram e renovaram a pauta em busca de resultados mais concretos, e incluíram na sua agenda, também, um novo e importante tema: a saúde. Foi com muito entusiasmo que tomei conhecimento de algumas das novas propostas que deverão ser apresentadas, como a criação do banco de projetos de infraestrutura baseados no modelo "Project preparation, Project management", o apoio à criação do "Sistema Nacional de Diagnóstico Precoce", a elaboração de projeto-piloto para disponibilizar banda larga de altíssima velocidade em áreas afastadas e o impulso a projetos na área de convergência regulatória.

Senhoras e senhores,

As discussões a serem travadas nessa sala e as recomendações a serem entregues a nossos mandatários visam a tornar mais dinâmico e grandioso nosso relacionamento econômico-comercial. Permitam-me falar um pouco de números. O intercâmbio comercial Brasil-Estados Unidos cresceu 76%, no período de 2005 a 2014, passando de US$ 35,2 bilhões para US$ 62,4 bilhões, o maior valor da série histórica. Os Estados Unidos são, atualmente, o segundo maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino para os manufaturados brasileiros, tendo absorvido 17% das exportações brasileiras dessa categoria no ano passado. Além de grandioso, o nosso comércio bilateral é diversificado, o que faz desse intercâmbio ser ainda mais estratégico para o Brasil, pois sabemos que os Estados Unidos já reconhecem o nosso país como fornecedor de bens de alto valor agregado. Sabemos, no entanto, que o intercâmbio comercial ainda está aquém de seu potencial. Podemos diversificar ainda mais a pauta exportadora brasileira e elevar o comércio em vários setores, como carnes de bovino, automóveis, aviões, helicópteros, partes de motores a diesel e medicamentos.

Com relação aos investimentos, gostaria de destacar que existem mais de 2.900 empresas norte-americanas instaladas no Brasil, atuando nos mais diversos setores, desde a extração de petróleo, passando por bancos, até a fabricação de carros. As empresas norte-americanas são os maiores investidores diretos estrangeiros no Brasil, com um estoque de US$ 116 bilhões em 2013, o que equivale a um quinto do total desse tipo de investimento no país. A última década, em particular, registrou um inédito dinamismo nos fluxos de capitais norte-americanos, quando mais de US$ 60 bilhões ingressaram no Brasil.

Em sentido inverso, as empresas brasileiras detêm um estoque de US$ 14 bilhões investidos nos Estados Unidos. Empresas brasileiras de grande porte, como as que estão aqui representadas, têm ampliado a presença crescente de capitais brasileiros nos Estados Unidos, contribuindo para que os fluxos de investimentos bilaterais cresçam nos dois sentidos.

Um exemplo da crescente presença empresarial brasileira nos Estados Unidos é a Flórida, onde consumidores e empreendedores brasileiros que atuam, principalmente nos mercados de turismo, alimentação e imóveis, estão contribuindo para o dinamismo daquele Estado norte-americano.

Gostaria de mencionar que, segundo o "Ranking das Multinacionais Brasileiras", elaborado pela Fundação Dom Cabral, os Estados Unidos são o país em que o maior número de empresas brasileiras já se estabeleceu e uma das principais opções dos empresários brasileiros no momento de iniciar o processo de internacionalização de suas empresas.

Como não poderia deixar de ser, a infraestrutura é um dos temas selecionados pelos CEOs brasileiros e norte-americanos para fazer avançar a nossa agenda econômico-comercial. Dessa forma, gostaria de mencionar o lançamento, na semana passada, pelo Governo Federal, da nova fase do Programa de Investimentos em Logística. Trata-se de mais um pacote de concessões ambicioso, para o período de 2015 a 2018, que prevê a concessão de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias à iniciativa privada, com investimentos estimados em US$ 64 bilhões. Os projetos vão beneficiar diretamente 20 estados e 130 municípios brasileiros, no entanto, indiretamente, vão beneficiar todos os brasileiros, com a criação de empregos e o incremento da atividade produtiva.

Na área de aeroportos, estão previstos a privatização dos aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e Fortaleza, bem como a concessão de 7 aeroportos regionais em São Paulo e um em Goiás. Com relação ao setor rodoviário, estão previstos 15 projetos com a concessão de 6 mil km. Para o setor ferroviário, a previsão é de construir 6 mil km de novas ferrovias. A maior obra do PIL é a ferrovia Bioceânica, orçada em US$ 12,9 bilhões, um projeto que conectará o Brasil e a América Latina com a Ásia, ligando o oceano Atlântico ao oceano Pacífico. Passaremos a ter um acesso diferenciado à Ásia e a negociações comerciais estratégicas. Por fim, no que se refere ao setor portuário, estão previstos 50 novos arrendamentos, 63 autorizações para Terminais de Uso Privado e 24 renovações antecipadas de arrendamentos.

O lançamento do PIL 2 é uma renovação do compromisso do Governo Federal com o desenvolvimento do Brasil. Queremos aproveitar esse momento tão importante para o país para convidar as empresas americanas a participarem desse esforço de ampliação e modernização da infraestrutura brasileira. Não queremos apenas empresas investidoras, queremos empresas parceiras que, como nós, acreditem no futuro do Brasil. Como já disse a Senhora Presidenta da República, "sempre lucrarão mais os que apostarem no Brasil".

Como podemos observar, contamos com um relacionamento econômico-comercial maduro e complexo, que é parte fundamental de nossa parceria estratégica, de nossa "parceria entre iguais" e, ainda assim, existem grandes possibilidades de trabalho conjunto com perspectivas de resultados mutuamente benéficos. É muito gratificante poder contar com o empenho e a dedicação dos CEOs brasileiros e norte-americanos na busca dessas oportunidades, e é um grande prazer recebê-los no Itamaraty.

Senhoras e senhores,

Ao concluir, desejo-lhes êxito nos trabalhos de hoje e espero conhecer as importantes recomendações desse Fórum em breve.

Muito obrigado.

Fim do conteúdo da página