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O Instituto Rio Branco completou 70 anos neste sábado (18). É a terceira academia diplomática mais antiga do mundo, após a Academia de Viena (Áustria) e a Pontifícia Academia Eclesiástica do Vaticano.

Desde a sua fundação, em 1945, em meio às comemorações do centenário do Barão do Rio Branco, o instituto tem formado os diplomatas brasileiros, selecionados por meio de concurso público. Sua criação foi um marco no processo de profissionalização do Estado brasileiro.

Reconheceu-se, com isso, ser a diplomacia uma carreira de Estado, essencial para a defesa dos interesses do país, exigindo formação técnica específica e uma estrutura meritocrática. A academia diplomática brasileira busca a um só tempo conservar as melhores tradições e princípios da diplomacia brasileira e formar profissionais em sintonia com os desafios contemporâneos.

O Instituto Rio Branco é também a mais antiga escola de governo do Brasil. É com justo orgulho que o Ministério das Relações Exteriores comemora os 70 anos de uma instituição que ocupa papel central na defesa dos interesses nacionais e na representação do país no mundo.

O Rio Branco contribui também para a projeção internacional do Brasil, por meio de seu programa de bolsas para diplomatas estrangeiros. Criado em 1976, o programa já formou mais de 200 diplomatas de cerca de 50 países, muitos dos quais ocupam hoje os mais altos cargos de suas chancelarias, inclusive ministros de Estado e embaixadores.

O serviço diplomático brasileiro deve ter a cara do país e refletir sua diversidade. Ainda há desafios a vencer para atingir representação na carreira diplomática mais fiel à composição da população brasileira.

A participação crescente das mulheres na carreira é uma das mudanças em curso na composição do nosso serviço diplomático. Apenas em 1954, nove anos depois da criação do instituto, o ingresso de mulheres na carreira foi permitido por lei.

Desde então, de 2.096 novos diplomatas, 421 mulheres foram admitidas no Rio Branco, o que corresponde a 20% do total. Esse número tem crescido nos últimos anos, e a proporção é de 26%, se considerado o período a partir do ano 2000.

Em tempos recentes, o Instituto Rio Branco tem buscado ainda promover o ingresso de afrodescendentes na carreira diplomática. Trata-se de projeto específico do Ministério das Relações Exteriores, previsto no Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco, em 2002.

O programa concede bolsas de estudos anuais para potenciais candidatos afrodescendentes se prepararem para prestar o concurso de admissão à carreira de diplomata.

É um programa único no âmbito da administração pública federal. Já concedeu 530 bolsas para 319 candidatos e possibilitou o ingresso de 20 bolsistas afrodescendentes na carreira diplomática. Há também um esforço para ampliar a representatividade regional da diplomacia. Os Concursos de Admissão à Carreira de Diplomata são aplicados em todas as capitais e no Distrito Federal.

Mais do que a celebração do passado, contudo, os 70 anos do Instituto Rio Branco recordam o Itamaraty da necessidade de constante renovação e de aperfeiçoamento. É com os olhos no futuro que devemos preparar as novas gerações de diplomatas, que atuarão num mundo de interconexão inédita e complexidade crescente.

A construção dessa nova diplomacia, cada vez mais pública e mais transparente, em um mundo ligado pelas novas tecnologias e pelas mídias sociais, constitui o atual desafio da academia diplomática brasileira. Superá-lo é um imperativo para que o Rio Branco continue à altura da missão a ele confiada.

MAURO VIEIRA, 64, é ministro das Relações Exteriores. Foi embaixador nos Estados Unidos (2010-2014) e na Argentina (2004-2010)

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