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CELSO AMORIM é ministro das Relações Exteriores

Nos últimos cinco anos, sob a orientação do presidente Lula, o Itamaraty trabalhou intensamente para promover o desenvolvimento do Brasil, com pragmatismo e visão de longo prazo, em sintonia com os impulsos reformistas e democratizantes do povo brasileiro.

Houve notável intensificação do diálogo político, do comércio e da cooperação com os países da América do Sul. Avançou a integração dos setores estratégicos de infra-estrutura, com projetos como a rodovia que ligará o Acre ao Pacífico e o Corredor Interoceânico Brasil-Bolívia-Chile, entre outros. Concluímos acordos comerciais que vinham sendo postergados há muitos anos e que hoje estabelecem, na prática, uma área de livre comércio na região.

Criamos novas instituições para estimular a integração, como a Comunidade Sul-Americana de Nações, hoje Unasul, e o Banco do Sul.

Dimensão continental
No Mercosul, estabelecemos mecanismos para o tratamento das assimetrias, como o FOCEM, e instalamos o Parlamento, que em breve terá representantes eleitos pelo voto popular. Com a adesão da Venezuela como membro pleno, o Mercosul ganhará uma dimensão continental, do Caribe à Patagônia. Acabamos de assinar o Acordo de Livre Comércio Mercosul-Israel, o primeiro do gênero com parceiro extra-regional. Firmamos acordos preferenciais com a União Aduaneira da África Meridional (SACU) e a Índia, que estamos tratando de ampliar. Avançam as negociações com o Conselho de Cooperação do Golfo e a União Européia.

A integração da América do Sul vem preparando o caminho para a integração latino-americana e caribenha. Reforçamos as relações com o México, a América Central e o Caribe. Visitas presidenciais, em vários casos inéditas, ajudaram a aumentar o comércio, os investimentos e a cooperação. A América Latina e o Caribe absorvem 26% do total das exportações brasileiras. Sozinha, a América do Sul já é para nós um mercado maior que os EUA.

Democracias do Sul
O aprofundamento das relações com os países em desenvolvimento traduziu-se na extraordinária expansão do nosso comércio exterior. Hoje, esses países compram cerca de 55% das exportações brasileiras, a maior parte produtos manufaturados. Ampliamos as parcerias com a China e a Rússia.

A formação do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) aproximou três grandes democracias do Sul. Com a participação crescente da sociedade civil, temos desenvolvido projetos trilaterais e iniciativas de cooperação em benefício de países mais pobres.

O presidente Lula visitou sete vezes a África, uma expressão concreta dos laços de amizade e gratidão que nos unem.

Realizou-se a primeira Cúpula África-América do Sul. Fortalecemos nossa participação na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Multiplicam-se os projetos de cooperação. A Embrapa abriu escritório em Gana e a Fiocruz tenciona fazer o mesmo em Moçambique.

Pouca gente sabe, mas a África, tomada em seu conjunto, seria o quarto maior parceiro comercial do Brasil, abaixo apenas dos EUA, Argentina e China.
Realizamos a primeira Cúpula América do Sul-Países Árabes. As exportações brasileiras aos países da Liga Árabe quase triplicaram, com aumento dos investimentos. Cresce nossa presença nas discussões sobre a paz no Oriente Médio.

No mês passado, participei da Conferência de Annapolis. O Brasil foi um dos poucos países em desenvolvimento, fora da região, a ser convidado para o evento. No trágico conflito de 2006, estive no Líbano no dia seguinte ao cessar-fogo, levando a solidariedade de nosso povo. A operação de retirada de 3 mil brasileiros foi a maior já executada pelo Brasil.

Bush e Lula
Melhoramos o relacionamento com o mundo desenvolvido. Em 2007, o presidente Bush visitou o Brasil e o Presidente Lula foi a Camp David três semanas depois. A troca de visitas fortaleceu o diálogo sobre temas globais, deu partida à cooperação sobre etanol e criou o Fórum de Altos Executivos.

Com a União Européia, foi estabelecida Parceria Estratégica. O Presidente Lula foi o primeiro Chefe de Estado brasileiro a ser convidado para as Cúpulas do G-8. Já há importantes líderes que falam de um G-11, G-12 ou G-13 com a participação do Brasil.

Na ONU, o Brasil tem trabalhado com seus parceiros do G-4 (Alemanha, Índia e Japão) e outros países para impulsionar uma reforma abrangente, que confira maior representatividade, eficácia e legitimidade ao Conselho de Segurança.
Contribuímos de forma decisiva para a criação do Conselho de Direitos Humanos e da Comissão de Construção da Paz, para os quais fomos eleitos. A Comissão era antiga reivindicação brasileira para dar tratamento multilateral a situações em países recém-saídos de conflitos, mas ainda frágeis, como Guiné-Bissau, Timor-Leste e Haiti.

Desde 2004, o Brasil detém o comando militar da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti. As forças brasileiras ajudaram a pacificar áreas antes dominadas pela insegurança. Ganhamos autoridade para exigir maior apoio da comunidade internacional ao desenvolvimento haitiano.

Doha e clima
Na OMC, obtivemos históricas vitórias nos contenciosos do algodão e do açúcar contra os EUA e a UE. A criação do G-20 evitou um mau acordo em 2003, na Conferência de Cancún, sobretudo em relação à agricultura. Gerou mudanças substanciais no padrão de negociações da OMC.

Colocamos os países em desenvolvimento no centro das decisões. Estamos hoje, apesar das demoras frustrantes, mais próximos de um resultado justo e equilibrado para a Rodada Doha.

Atuamos nas negociações sobre mudança do clima para que sejam cumpridas as metas do Protocolo de Kyoto. Há poucos dias, na Conferência de Bali, afirmei que o Brasil está pronto a agir para reduzir suas emissões, de forma mensurável, verificável e aberta a uma revisão universal periódica. Isso nos deu mais peso para pressionar os países desenvolvidos a cumprir ou assumir suas obrigações de combate ao aquecimento global.

Com outros líderes, o presidente Lula lançou a Ação contra a Fome e a Pobreza. Estimulamos novos mecanismos de financiamento. Participamos da criação da Central Internacional de Compra de Medicamentos contra Aids, malária e tuberculose.

A política externa faz parte do projeto nacional de desenvolvimento. Contribui para reduzir as desigualdades nos planos nacional e internacional.

Nossa diplomacia busca unir as dimensões do interesse nacional e da solidariedade. A integração regional, a adoção de regras econômico-comerciais mais justas e a democratização dos foros decisórios são elementos essenciais para que se alcance uma paz duradoura.

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