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Comemoramos, em 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra. Esta data, escolhida para homenagear Zumbi dos Palmares, tem grande significado para a diplomacia brasileira. Lembra-nos que um país só pode projetar-se para o mundo se assumir plenamente seu passado. Muito do que somos hoje devemos à África. A política externa brasileira não pode ignorar essa realidade histórica e social.

Desde o início de seu Governo, o Presidente Lula vem promovendo o reencontro do Brasil com o continente africano: visitou 17 países da África e recebeu 22 Chefes de Estado africanos. Ao longo dos últimos 4 anos, foram abertas ou reabertas 12 representações diplomáticas na África. Somadas às já existentes, o Brasil conta, hoje, com Embaixadas em 33 países africanos. Temos também uma missão junto à União Africana, que nos permite aprofundar o relacionamento com a organização mais representativa do continente.

Todas essas ações têm impacto em vários campos: ampliação do diálogo político; aumento do intercâmbio de técnicos e desenvolvimento de projetos de cooperação; dinamização das relações comerciais, que alcançaram US$ 12,8 bilhões nos primeiros 10 meses de 2006; expansão dos investimentos brasileiros em projetos de infra-estrutura; abertura de novas conexões aéreas e marítimas entre os dois continentes. A África é, hoje, nossa parceira.

A criação da Secretaria Especial de Políticas Públicas de Igualdade Racial fez do Brasil um dos 17 países das Américas que contam com órgão do Executivo dedicado à valorização dos afro-descendentes. O Brasil também concluiu acordos nessa área com os parceiros do Mercosul e 14 países africanos.

Em consonância com a ação governamental no plano interno, temos trabalhado para promover a igualdade racial também no âmbito internacional. Na Organização dos Estados Americanos, o Brasil preside Grupo de Trabalho que elabora Convenção Interamericana contra o Racismo e Toda Forma de Discriminação e Intolerância. Essa Convenção, cujo anteprojeto é de autoria brasileira, busca ampliar e aprofundar, nas Américas, a promoção da igualdade racial.

Nas Nações Unidas, temos apresentado projeto de resolução que afirma a "incompatibilidade entre a democracia e o racismo". O texto, sempre aprovado por consenso, condena a existência de partidos políticos com plataformas racistas e alerta para a possibilidade de que tais partidos venham a ser conduzidos ao poder.

Em julho último, sediamos, em Brasília, a Conferência Regional das Américas sobre Avanços e Desafios no Plano de Ação contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Intolerâncias Correlatas. Atendendo a uma antiga reivindicação dos movimentos sociais, o evento conferiu à sociedade civil espaço igual ao concedido aos Governos da região, algo inédito em conferências internacionais.

Também em julho, o Brasil organizou, em Salvador, a II Conferência dos Intelectuais da África e da Diáspora, que reuniu quase 400 estudiosos de renome. Essa oportunidade ímpar de debater o renascimento da África, tema principal da Conferência, reafirmou o compromisso do Governo com a valorização da cultura brasileira de matriz africana e aproximou o Brasil ainda mais de nossos vizinhos do outro lado do Atlântico.

O Itamaraty está firmemente comprometido com a promoção da igualdade racial. O Instituto Rio Branco dispõe de programa pioneiro de ação afirmativa: a Bolsa Prêmio de Vocação para a Diplomacia. O programa apóia o ingresso de afro-descendentes na carreira diplomática, mediante concessão de bolsas de estudos preparatórios. Amplia, assim, as oportunidades de acesso aos quadros do Ministério das Relações Exteriores. Os resultados já começam a aparecer. O objetivo é mostrar ao mundo - e a nós mesmos - que somos uma sociedade multiétnica, rica e diversificada. Nossa diplomacia precisa espelhar essa dimensão genuinamente brasileira.

Celebrar a consciência negra nos faz refletir sobre o que somos e o que pretendemos ser: uma nação que se respeita e é respeitada; que assume sua história e suas origens, e age de acordo com sua condição de segunda maior nação negra do mundo.

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