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ALOYSIO NUNES FERREIRA*

A cooperação entre Brasil e EUA é crescente. Da saúde, educação e intercâmbio cultural ao espaço exterior e inovação, da segurança e defesa ao comércio e investimentos.

Estivemos juntos na construção das Nações Unidas e das instituições de Bretton Woods, que definiram os parâmetros que orientaram nas últimas décadas o equacionamento de conflitos e o intercâmbio de bens, serviços e capital. Brasil e Estados Unidos também protagonizaram os conclaves que normatizaram a proteção dos direitos humanos e o desenvolvimento sustentável.

Sabe-se da determinação do Brasil em questões como a reforma do Conselho de Segurança, a promoção dos direitos humanos e do meio ambiente, o ingresso na OCDE e a defesa do sistema multilateral de comércio. O histórico do relacionamento reclama convergências.
Comprometidos com a Carta Democrática Interamericana, Brasil e Estados Unidos defendem a OEA como foro mais apropriado à coordenação regional em favor de uma restauração negociada da democracia na Venezuela.

Os governos e as sociedades brasileiros e americanos estão envolvidos em uma crescente cooperação em diversas áreas, da saúde, educação e intercâmbio cultural ao espaço exterior e inovação, da segurança e defesa ao comércio e investimentos. Já com o governo Trump, definimos um elenco de prioridades: a “agenda de dez pontos”.

Os resultados incluem ampliação da frequência de voos com o Acordo de Céus Abertos, negociação de um acordo de salvaguardas que viabilize a base de Alcântara e participação do Brasil no mercado de lançamento de satélites e o lançamento do Fórum de Segurança Pública para uma maior coordenação no combate ao crime transnacional.

Os EUA são o segundo parceiro comercial do Brasil e o principal mercado para as nossas exportações de manufaturas. Trabalhamos para desburocratizar as operações de exportação e de importação, ampliar a cooperação em matéria regulatória e promover os fluxos de investimentos. Em 2017 recebemos US$ 11 bilhões de investimentos dos EUA, enquanto nossas inversões já criaram 100 mil empregos nos EUA.

Em relações tão intensas, é natural que surjam discordâncias. Esperamos que seja eliminada a prática cruel de separação de menores migrantes de seus pais e responsáveis, uma afronta aos instrumentos internacionais de proteção dos direitos das crianças. Discordamos da imposição de tarifas ou cotas à importação do aço e alumínio do Brasil, que não oferece risco à indústria dos EUA.

Não é de hoje que o Brasil e os EUA buscam convergências. A aproximação com Washington foi um dos eixos do paradigma Rio Branco, que inaugurou a política externa republicana. Com a política externa independente, a adoção de uma perspectiva universalista se deu em torno de valores comuns como desenvolvimento, democracia e autodeterminação. O fim da guerra fria acentuou uma aposta no multilateralismo. Há, portanto, um legado a ser preservado. É com esse espírito que damos as boas-vindas ao vice-presidente Pence, em visita ao Brasil.

*Aloysio Nunes Ferreira é ministro das Relações Exteriores

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