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Brasil e Argentina, 25 anos de cooperação nuclear

Valor Econômico, 19/07/2016

Comemoramos ontem, 18 de julho, os 25 anos da assinatura do Acordo de Guadalajara para o uso exclusivamente pacífico da energia nuclear entre Brasil e Argentina. Entre suas inovações, o Acordo determinou a criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc) para verificar o compromisso assumido por Brasil e Argentina de perseguir de forma inequívoca o uso exclusivamente pacífico da energia nuclear e para administrar o recém-criado Sistema Comum de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares.

Poucos meses mais tarde, no ano de 1991, os dois países assinavam o Acordo Quadripartite com a Abacc e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Foi a primeira vez que Brasil e Argentina negociaram como uma delegação junto a um organismo internacional. Em curto espaço de tempo, marcos fundamentais da relação bilateral estratégica entre Brasil e Argentina eram estabelecidos, o que propiciou atmosfera de paz, confiança recíproca e cooperação que prevalecem entre os dois países.

Tendo em conta a prioridade que conferimos ao relacionamento bilateral, um dos mais importantes focos de nossas respectivas ações diplomáticas, é natural que atuemos de forma integrada como parceiros nas mais diversas áreas. A receptividade com que esse objetivo é abraçado por ambas as nossas sociedades em muito se deve à decisão de estreitar a nossa cooperação na área nuclear.

Nos anos 70, diferentes fatores políticos e históricos prejudicavam a aproximação e dificultavam as relações entre nossos países. As divergências sobre a construção das usinas de Itaipu e de Corpus e as desconfianças geradas pelos respectivos programas nucleares nacionais ameaçavam com o surgimento de uma espiral de insegurança na região.

Felizmente, o processo de redemocratização em ambos os países, a partir dos anos 80, abriu o caminho para uma transformação radical na forma com que Brasil e Argentina percebiam um ao outro, inaugurando um relacionamento amplo, caracterizado pela cooperação e pela integração. Os presidentes José Sarney e Raul Alfonsín desempenharam papel fundamental nessa mudança. Também foi importante a continuidade desse processo por seus sucessores, cujos esforços, acompanhados de um forte compromisso por parte de cientistas e diplomatas de ambos os países, culminaram com a criação da Abacc.

O processo de cooperação bilateral permite que hoje nos dediquemos sem receios ao desenvolvimento da energia nuclear para fins exclusivamente pacíficos, com vistas ao avanço tecnológico, econômico e social. Atualmente, Brasil e Argentina cooperam não apenas na verificação recíproca das atividades nucleares, mas também em uma série de projetos conjuntos que buscam concretizar o sentido estratégico da nossa relação. É o caso da construção do Reator Multipropósito Brasileiro e do Reator RA-10 da Argentina, projetos emblemáticos conduzidos conjuntamente pelos dois países e capazes de abastecer todo o mercado regional do radioisótopo Molibdênio-99, chave para a indústria medicinal.

Devemos ter presente que a energia nuclear tem papel essencial a desempenhar para o desenvolvimento sustentável e para a redução da dependência das nossas economias em relação aos combustíveis fósseis.

Por meio da criação da Abacc e do Sistema Comum de Controle de Materiais Nucleares, nossos negociadores conceberam arranjo antes impensável em área tão sensível, por meio do qual as inspeções das instalações nucleares argentinas são realizadas por inspetores brasileiros, e as inspeções das instalações nucleares brasileiras são conduzidas por inspetores argentinos. Desde sua criação, a Abacc, em estreita colaboração com a AIEA, conduziu mais de 2.500 inspeções em ambos os países, cujo resultado são informes anuais publicados em sua página web, e hoje participa na qualidade de observadora das reuniões da Junta de Governadores da AIEA.

A profunda confiança que essa dinâmica requer e o alto grau de reciprocidade que a caracteriza atestam não só a singularidade da relação Brasil-Argentina, mas também sua contribuição para a região e para o mundo, ao tratar-se de um acordo paradigmático em matéria de segurança e não proliferação. Essa rica experiência hoje serve de exemplo como possível modelo para a superação de impasses em outras regiões do globo.

Nossa experiência com a Abacc demonstra que é possível criar novos níveis de confiança por meio da diplomacia e da criação de instituições originais. Em política, é preciso saber ousar em nome de um bem maior: a paz. É com base nessa estratégia e nessa vocação pacífica que Brasil e Argentina continuarão a fortalecer cada vez mais seus laços de amizade e cooperação tanto na área nuclear como em todas aquelas que contribuam para o desenvolvimento sustentável de nossos países e o bem-estar de nossas sociedades.

 

José Serra, ministro das Relações Exteriores

Susana Malcorra, ministra das Relações Exteriores e Culto, da Argentina


 Un hito estratégico en la cooperación nuclear

La Nación, 19/07/2016

El lunes pasado, 18 de julio, celebramos los 25 años de la firma del Acuerdo de Guadalajara para el Uso Exclusivamente Pacífico de la Energía Nuclear entre la Argentina y Brasil. Entre sus innovaciones, el acuerdo prevé la creación de la Agencia Brasileño-Argentina de Contabilidad y Control de Materiales Nucleares (Abacc), para verificar el compromiso asumido por ambos países con el fin de perseguir de manera inequívoca el uso exclusivamente pacífico de la energía nuclear y para gestionar el recientemente creado Sistema Común de Contabilidad y Control de Materiales Nucleares.

Unos meses más tarde, en diciembre de 1991, los dos países suscribieron el Acuerdo Cuatripartito con la Abacc y el Organismo Internacional de Energía Atómica (OIEA). Fue la primera vez que la Argentina y Brasil negociaron como una sola delegación frente a un organismo internacional. En poco tiempo se establecieron los marcos fundamentales de la relación bilateral estratégica entre la Argentina y Brasil, que propició una atmósfera de paz, confianza mutua y cooperación, que prevalece.

Teniendo en cuenta la prioridad que atribuimos a la relación bilateral, lo que constituye uno de los principales ejes de nuestras respectivas acciones diplomáticas, es natural que actuemos de una manera integrada como socios en varias áreas. La receptividad con que este objetivo es abrazado por nuestras sociedades obedece, en gran medida, a la decisión de estrechar nuestra cooperación en el campo nuclear.

En los años 70, diferentes factores políticos e históricos perjudicaban la aproximación y dificultaban las relaciones entre nuestros países. Los desacuerdos acerca de la construcción de las centrales de Itaipú y Corpus y las sospechas generadas por los respectivos programas nucleares nacionales amenazaban con el surgimiento de una espiral de inseguridad en la región.

El proceso de democratización en ambos países a partir de los años 80 allanó el camino para una transformación radical en la forma en que la Argentina y Brasil se perciben entre sí, dando lugar a una relación amplia caracterizada por la cooperación y la integración. Los presidentes Raúl Alfonsín y José Sarney jugaron un papel clave en este cambio. También fue importante la continuidad de este proceso por sus sucesores, cuyos esfuerzos, acompañados de un fuerte compromiso por parte de los sectores científicos y diplomáticos de ambos países, culminaron en la creación de la Abacc.

El proceso de cooperación bilateral permite que hoy nos dediquemos sin recelos al desarrollo de la energía nuclear con fines exclusivamente pacíficos, con miras a avances tecnológicos, económicos y sociales. Hoy, ambos países cooperan no sólo en la verificación recíproca de sus actividades nucleares, sino también en una serie de proyectos conjuntos que buscan concretar el sentido estratégico de nuestra relación. Tal es el caso de la construcción del Reactor Multipropósito Brasileño y el RA-10 de la Argentina, dos proyectos emblemáticos conducidos conjuntamente, capaces de abastecer todo el mercado regional del radioisótopo molibdeno-99, clave en la industria medicinal. La energía nuclear tiene un papel esencial en el desarrollo sostenible y en la reducción de la dependencia de nuestras economías de los combustibles fósiles.

A través de la creación de la Abacc y el Sistema Común de Control de Materiales Nucleares, nuestros negociadores concibieron arreglos otrora impensables en un área sumamente sensible, mediante los cuales las inspecciones de instalaciones nucleares argentinas son llevadas a cabo por los inspectores brasileños y las inspecciones de las instalaciones nucleares brasileñas son conducidas por inspectores argentinos. Desde su creación hasta la fecha, la Abacc, en estrecha colaboración con el OIEA, realizó más de 2500 inspecciones en ambos países, cuyo resultado se vierte en informes anuales publicados en su sitio web, y hoy participa con carácter de observadora en las reuniones de la Junta de Gobernadores del OIEA.

La confianza que esta dinámica requiere y el alto grado de reciprocidad que la caracteriza confirman no sólo la singularidad de la relación entre la Argentina y Brasil, sino también su contribución a la región y al mundo con un acuerdo paradigmático en materia de seguridad y no proliferación.

Nuestra experiencia con la Abacc demuestra que es posible crear nuevos niveles de confianza a través de la diplomacia y la creación de instituciones originales. En política, es preciso saber arriesgar en nombre de un bien mayor: la paz. Es sobre la base de esa estrategia y esa vocación pacífica que la Argentina y Brasil continuarán estrechando cada vez más sus lazos de amistad y cooperación, tanto en el ámbito nuclear como en todos aquellos que contribuyan al desarrollo sostenible de nuestros países y el bienestar de nuestras sociedades.

 

José Serra y Susa Malcorra
Ministros de Relaciones Exteriores de la República Argentina y de la República Federativa de Brasil
 


 

Brazil and Argentina: 25 years of nuclear cooperation

Yesterday, July 18, we celebrated the twenty-fifth anniversary of the signing by Brazil and Argentina of the Guadalajara Agreement for the exclusively peaceful use of nuclear energy. Among the new elements introduced by the Agreement was the Brazilian-Argentine Agency for Accounting and Control of Nuclear Materials (ABACC), created to monitor the two countries’ commitment to unequivocally pursuing the exclusively peaceful use of nuclear energy and to administrating the newly created Common System for Accounting and Control of Nuclear Materials.

A few months later, in 1991, the two countries signed the Quadripartite Agreement with ABACC and the International Atomic Energy Agency (IAEA). It was the first time Brazil and Argentina had negotiated as a joint delegation with an international body. Within a short space of time, important milestones in the strategic bilateral relationship between Brazil and Argentina were reached, helping to establish the atmosphere of peace, mutual trust and cooperation that prevails between the two countries.

Given the importance we attach to our bilateral relationship, which is one of the priorities of our respective diplomatic endeavors, it is natural that we work together, in integrated fashion, in many different areas. The commitment of both our societies to this objective is due in no small part to the decision to increase our cooperation in the nuclear field.

In the 1970’s, different political and historical factors hindered the pursuit of closer ties between our countries. Disagreements about the construction of the Itaipu and Corpus power stations, and suspicions generated by our respective national nuclear programs, threatened to create a situation of spiraling insecurity in our region.

Fortunately, the re-democratization process in both our countries, from the 1980’s onwards, paved the way for a radical transformation in the way Brazil and Argentina viewed each other, making possible a broad relationship characterized by cooperation and integration. Presidents José Sarney and Raul Alfonsín played a key role in this change. The process was continued by their successors, whose efforts, accompanied by a strong commitment on the part of scientists and diplomats from both countries, culminated in the creation of ABACC.

Today, the bilateral cooperation process allows us to engage without fear in the development of nuclear energy for exclusively peaceful purposes, with a view to achieving technological, economic, and social advances. Brazil and Argentina currently cooperate not only in the reciprocal verification of their nuclear activities but also on a series of joint projects that seek to concretize the strategic nature of our relationship. This is the case with the building of the Brazilian Multipurpose Research Reactor and Argentina’s RA-10 Research Reactor, both emblematic projects conducted jointly by the two countries, capable of supplying the entire regional market with the radioisotope Molybdenum-99, which is extremely important in the medical industry.

We must remember that nuclear energy has an essential role to play in sustainable development and in reducing the dependence of our economies on fossil fuels.

Through the creation of ABACC and the Common System for Control of Nuclear Materials, our negotiators conceived an arrangement that had previously been unthinkable in such a sensitive area. Through that arrangement, the inspections of the Argentine nuclear installations are carried out by Brazilian inspectors, and the inspections of Brazilian nuclear facilities are conducted by Argentine inspectors. Since its creation, ABACC, in close cooperation with the IAEA, has conducted more than 2,500 inspections in both countries, the results of which are published in annual reports on its website. ABACC also participates as an observer in meetings of the IAEA Board of Governors.

This dynamic requires a level of trust and a degree of reciprocity that attest not only to the uniqueness of the Brazil-Argentina relations but also to its contribution to the region and the world, the agreement being paradigmatic with regard to security and non-proliferation. This experience today serves as a model of how impasses might be overcome in other regions.

Our experience with ABAAC demonstrates that it is possible to create new levels of confidence through diplomacy and the creation of original institutions. In politics, it is necessary to be daring in pursuit of a greater good: that of peace. Based on this strategy and on our peaceful vocation, Brazil and Argentina will continue to strengthen their ties of friendship and cooperation both in the nuclear field and in all those other areas that contribute to the sustainable development of our countries and the welfare of our peoples.


José Serra, Minister of Foreign Affairs, Brazil
Susana Malcorra, Minister of Foreign Affairs and Worship, Argentina


 

Le Brésil et l’Argentine - 25 ans de coopération dans le domaine du nucléaire

Le 18 juillet dernier, nous avons fêté le 25e anniversaire de la signature entre le Brésil et l’Argentine de l’Accord de Guadalajara pour une utilisation exclusivement pacifique de l’énergie nucléaire. Une des innovations de l’Accord a été de stipuler la création de l’Agence brésilo-argentine de comptabilité et de contrôle des matières nucléaires (ABACC) pour vérifier la tenue de l’engagement brésilien et argentin de poursuivre de manière claire et non équivoque l’utilisation exclusivement pacifique de l’énergie nucléaire, et pour gérer le Système commun de comptabilité et de contrôle des matières nucléaires, nouvellement crée.

Quelques mois plus tard, en 1991, les deux pays signaient l’Accord quadripartite avec l’ABACC et l’Agence internationale de l’énergie atomique (AIEA). Pour la première fois, le Brésil et l’Argentine négociaient avec une délégation auprès d’un organisme international. En peu de temps, plusieurs des bases fondamentales de la relation bilatérale stratégique entre le Brésil et l’Argentine étaient jetées, créant ainsi un climat de paix, de confiance réciproque et de coopération qui prévaut entre les deux pays.

Nous faisons de notre relation bilatérale – l’un des principaux axes de nos actions diplomatiques respectives –  une priorité. Il est donc naturel que nous agissions de manière intégrée en tant que partenaires dans les domaines les plus divers. La réceptivité avec laquelle cet objectif est adopté par nos deux sociétés est due en grande partie à la décision de renforcer notre coopération dans le domaine nucléaire.

Pendant les années 70, différents facteurs politiques et historiques ont entravé le rapprochement et compliqué les relations entre nos pays. Les divergences sur la construction des centrales d’Itaipu et de Corpus, et la méfiance découlant de nos programmes nucléaires nationaux respectifs, menaçaient de lancer une spirale d’insécurité dans la région

Heureusement, le retour à la démocratie dans les deux pays, à partir des années 80, a ouvert la voie à une transformation radicale dans la manière dont le Brésil et l’Argentine se voyaient, inaugurant une relation large, caractérisée par la coopération et l’intégration. Les présidents José Sarney et Raul Alfonsín ont joué un rôle essentiel dans ce changement. Il convient également de souligner la continuité qui a été donnée à ce processus par leurs successeurs, dont les efforts, associés à un engagement ferme de la part de scientifiques et de diplomates des deux pays, ont donné lieu à la création de l’ABACC.

Grâce au processus de coopération bilatérale, nous pouvons aujourd’hui nous consacrer sans crainte au développement de l’énergie nucléaire à des fins exclusivement pacifiques, en vue de réaliser des progrès technologiques, économiques et sociaux. Actuellement, le Brésil et l’Argentine collaborent non seulement en matière de vérification réciproque de leurs activités nucléaires, mais ils coopèrent aussi sur un ensemble de projets communs visant à concrétiser la dimension stratégique de notre relation. C’est par exemple le cas de la construction du réacteur multifonction brésilien (Reator Multipropósito Brasileiro) et du réacteur RA-10 argentin, projets emblématiques menés conjointement par les deux pays, et capables d’assurer l’approvisionnement de la totalité du marché régional en radio-isotope molybdène 99, élément essentiel pour l’industrie médicale.

Il ne faut pas oublier que l’énergie nucléaire a un rôle capital à jouer dans le développement durable et dans la réduction de la dépendance de nos économies aux combustibles fossiles.

En créant l’ABACC et le Système commun de comptabilité et de contrôle des matières nucléaires, nos négociateurs ont conçu un arrangement qui aurait été impensable autrefois dans un domaine aussi sensible : dans le cadre de ce dispositif, les inspections des installations nucléaires argentines sont menées par des inspecteurs brésiliens, et les inspections des installations nucléaires brésiliennes sont menées par des inspecteurs argentins. Depuis ses débuts, l’ABACC, en collaboration étroite avec l’AIEA, a effectué dans les deux pays plus de 2 500 inspections, qui font l’objet de rapports annuels publiés sur la page de l’agence brésilo-argentine. Aujourd’hui, l’ABACC participe en qualité d’observatrice aux réunions du Conseil des gouverneurs de l’AIEA.

La profonde confiance qu’exige une telle dynamique et le haut niveau de réciprocité qui la caractérise témoignent non seulement de la singularité du lien entre le Brésil et l’Argentine, mais aussi de la contribution qu’apporte cette relation dans la région et dans le monde, s’agissant d’un accord paradigmatique en matière de sécurité et de non-prolifération. Aujourd’hui, cette riche expérience sert d’exemple d’un modèle potentiel pour sortir d’impasses dans d’autres régions du globe.

Notre expérience avec l’ABAC montre qu’il est possible de construire de nouveaux niveaux de confiance par le biais de la diplomatie et de la création d’institutions originales. En politique, il faut savoir oser au nom d’un plus grand bien : la paix. C’est sur la base de cette stratégie et de cette vocation pacifique que le Brésil et l’Argentine continueront à renforcer davantage leurs liens d’amitié et de coopération, aussi bien dans le domaine nucléaire que dans tous les secteurs qui contribuent au développement durable de nos pays et au bien-être de nos sociétés.

 

José Serra, Ministre des Affaires étrangères du Brésil
Susana Malcorra, Ministre des Affaires étrangères et du Culte de l’Argentine


 

БРАЗИЛИЯ И АРГЕНТИНА – 25 ЛЕТ СОТРУДНИЧЕСТВА В ЯДЕРНОЙ ЭНЕРГЕТИКЕ

18 июля Бразилия и Аргентина отметили 25 лет с момента подписания Гвадалахарского соглашения об исключительно мирном использовании ядерной энергии. Одним из нововведений данного договора стало создание Бразильско-Аргентинского агентства по учету и контролю ядерных материалов (АБАКК), призванного отслеживать выполнение обязательств Бразилии и Аргентины по мирному атому и управлять сформированной Общей системой учета и контроля ядерных материалов.

Спустя несколько месяцев, в 1991 году, обе страны заключили с АБАКК и Международным агентством по атомной энергии (МАГАТЭ) четырехстороннее соглашение о всеобъемлющих гарантиях. Для Бразилии и Аргентины это были первые переговоры в ядерной сфере на уровне международной организации. За короткое время были выработаны фундаментальные принципы двусторонних стратегических отношений, что способствовало установлению атмосферы мира, взаимного доверия и сотрудничества между Бразилией и Аргентиной.

Принимая во внимание высокий приоритет бразильско-аргентинских отношений, являющихся одним из важнейших направлений нашей дипломатии, мы интегрировано выступаем в качестве партнеров в разнообразных сферах. Положительный настрой на дальнейшее развитие связей, демонстрируемый обществами обеих стран, во многом стал возможным именно благодаря решению укреплять сотрудничество в ядерной энергетике.

70-ые годы были отмечены различными политическими и историческими факторами, препятствовавшими сближению наших стран. Разночтения по вопросам строительства гидроэлектростанций Итайпу и Корпус, а также общий климат недоверия из-за национальных ядерных программ угрожали стабильности и безопасности в регионе.

К счастью, политические процессы восстановления демократии, начавшиеся с 80-ых годов в обеих странах, открыли путь для радикальной трансформации отношений между Бразилией и Аргентиной, ныне характеризующихся широкоформатным сотрудничеством и интеграцией. Первостепенную роль в этих изменениях сыграли президенты Жозе Сарней и Рауль Альфонсин. Не менее значение имела взаимная готовность последовавших национальных лидеров продолжать эти позитивные процессы при поддержке ученых и дипломатов, кульминацией чего стало создание АБАКК.

На сегодняшний день двустороннее сотрудничество позволяет нам без опаски развивать ядерную энергетику в исключительно мирных целях, добиваясь результатов в технологической, экономической и социальной сферах. Бразилия и Аргентина не только сотрудничают в области взаимного контроля ядерных объектов, но и реализуют ряд проектов, направленных на конкретизацию стратегического характера взаимоотношений, в том числе строительство Бразильского многоцелевого реактора (RMB) и реактора RA-10 в Аргентине. Эти символические проекты, совместно развиваемые двумя странами, способны полностью удовлетворить потребность регионального рынка в радиоизотопе молибден-99, являющемся ключевым продуктом для ядерной медицины. Кроме того, ядерная энергетика имеет существенное значение для обеспечения устойчивого развития и сокращения зависимости наших экономик от ископаемого топлива.

Работа АБАКК и Общей системы учета и контроля ядерных материалов позволила достичь небывалой договоренности в очень чувствительной сфере, благодаря которой проверки аргентинских ядерных объектов проводятся бразильскими инспекторами и наоборот. С момента своего создания, АБАКК в тесной координации с МАГАТЭ провела свыше 2500 инспекций в обеих странах, результаты которых публикуются в годовых докладах на официальном сайте, а также участвует в качестве наблюдателя в заседаниях Совета управляющих МАГАТЭ.

Высокая степень взаимного доверия доказывает не только особый характер сотрудничества Бразилии и Аргентины, но и их вклад в региональную и глобальную безопасность при решении проблемы ядерного нераспространения. Богатый опыт нашего двустороннего взаимодействия в данной сфере сегодня может служить примером в качестве возможной модели преодоления тупиковых кризисных ситуаций в других регионах мира.

Опыт нашей работы с АБАКК демонстрирует реальность выхода на новую ступень доверия посредством дипломатических усилий и создания специализированных органов. В политике необходимо уметь действовать во имя единого блага – всеобщего мира. С опорой на эту стратегию и на приверженность мирному решению возникающих вопросов Бразилия и Аргентина продолжат укреплять отношения дружбы и сотрудничества как в ядерной энергетике, так и во всех других сферах, способствующих устойчивому развитию наших стран и благосостоянию наших граждан.

 

Жозе Серра, Министр иностранных дел Федеративной Республики Бразилии

Сюзанна Малькора, Министр иностранных дел и культа Аргентинской Республики


 

25 Jahre Zusammenarbeit zwischen Brasilien und Argentinien im Nuklearbereich

Am 18. Juli feierten Brasilien und Argentinien den 25. Jahrestag der Unterzeichnung des Guadalajara-Abkommens über die ausschließlich friedliche Nutzung der Kernenergie in ihren Ländern. Das Abkommen sah neben anderen Neuerungen auch die Gründung der Argentinisch-Brasilianischen Agentur zur Bestandsprüfung und Kontrolle nuklearer Materialien (Abacc) vor, der die Überwachung der beiderseitig eingegangenen Verpflichtungen zur ausschließlich friedlichen Nutzung der Kernenergie sowie die Verwaltung des kurz zuvor gegründeten Gemeinsamen Systems zur Bestandsprüfung und Kontrolle nuklearer Materialien obliegt.

Nur wenige Monate später, Ende 1991, unterzeichneten beide Länder ein Vier-Parteien-Abkommen mit der Abacc und der Internationalen Atomenergieorganisation; es war das erste Mal, dass Brasilien und Argentinien mit einer gemeinsamen Delegation mit einer internationalen Organisation verhandelten. In kurzer Zeit wurden wichtige Meilensteine in den bilateralen strategischen Beziehungen erreicht, was ein friedliches Klima, gegenseitiges Vertrauen und enge Zusammenarbeit zwischen beiden Ländern förderte, die auch heute noch bestehen.

Angesichts der Priorität, die wir dem bilateralen Verhältnis beimessen – einem der Schwerpunkte unserer diplomatischen Aktivitäten – stimmen wir unsere Zusammenarbeit in den verschiedensten Bereichen natürlich eng miteinander ab. Die große Akzeptanz dieses Ziels in unseren Gesellschaften ist zweifelsohne auch der Entscheidung geschuldet, die Kooperation im Bereich der Atomenergie auszubauen.

In den siebziger Jahren verhinderten diverse politische und geschichtliche Faktoren eine Annäherung und erschwerten die Beziehungen zwischen unseren Ländern. Die unterschiedlichen Standpunkte in Bezug auf den Bau der Kraftwerke von Itaipu und Corpus sowie das von den nationalen Nuklearprogrammen geschürte Misstrauen drohten, die gesamte Region in eine Spirale der Unsicherheit zu treiben.

Glücklicherweise eröffnete die Redemokratisierung beider Länder in den achtziger Jahren den Weg zu einem tiefgreifenden Wandel in der gegenseitigen Wahrnehmung und ermöglichte eine umfassende Partnerschaft, die geprägt ist von Zusammenarbeit und Integration. Die Staatspräsidenten José Sarney und Raul Alfonsín spielten hierbei eine entscheidende Rolle, ebenso wie die Entschlossenheit ihrer jeweiligen Nachfolger, diesen Prozess weiterzuführen. Diese Anstrengungen sowie die weitreichende Unterstützung durch Wissenschaftler und Diplomaten beider Länder mündeten schließlich auch in der Gründung der Abacc.

Die Geschichte unserer bilateralen Zusammenarbeit macht es möglich, dass wir uns heute ohne Vorbehalte der technischen und wirtschaftlichen Weiterentwicklung der Atomenergie für ausschließlich friedliche Zwecke und zum Wohle der Gesellschaft widmen können. Brasilien und Argentinien arbeiten nicht nur bei der gegenseitigen Überprüfung der Aktivitäten im Nuklearbereich zusammen, sondern auch bei diversen Gemeinschaftsprojekten zur Ausgestaltung des strategischen Charakters unserer Beziehungen, darunter der Bau des brasilianischen Multifunktionsreaktors sowie des Argentinischen Forschungsreaktors RA-10. Beide Projekte werden gemeinsam vorangetrieben und werden in der Lage sein, den gesamten regionalen Markt mit dem für die Medizintechnik grundlegenden Radioisotop Molybdän-99 zu versorgen.

Darüber hinaus kommt der Nukleartechnik eine fundamentale Rolle bei der nachhaltigen Entwicklung sowie der Verringerung der Abhängigkeit unserer Volkswirtschaften von fossilen Brennstoffen zu.

Mit der Gründung der Abacc und des Gemeinsamen Systems zur Bestandsprüfung und Kontrolle nuklearer Materialien haben unsere Verhandlungsdelegationen eine in einem derart sensiblen Bereich zuvor undenkbare Einigung herbeigeführt und festgelegt, dass argentinische Nuklearanlagen von brasilianischen Inspekteuren überprüft werden und umgekehrt. Seit ihrer Gründung hat die Abacc in enger Zusammenarbeit mit der IAEO über 2500 Kontrollen in beiden Ländern durchgeführt, deren Ergebnisse in Jahresberichten auf ihrer Homepage veröffentlicht werden. Zudem genießt die Abacc heute Beobachterstatus bei den Sitzungen des IAEO-Gouverneursrates.

Das tiefe Vertrauen, das dieser Prozess voraussetzt, sowie sein hoher Grad an Gegenseitigkeit sind nicht nur ein Beleg für die Einzigartigkeit der argentinisch-brasilianischen Beziehungen, sondern auch für ihren wertvollen Beitrag für die Region und die Welt, schließlich handelt es sich um ein ganz wesentliches Abkommen im Bereich der Sicherheit und Nicht-Weiterverbreitung. Diese wertvolle Erfahrung wird heute als Vorbild für die Überwindung von festgefahrenen Situationen in anderen Regionen der Welt herangezogen.

Unsere Erfahrungen mit der Abacc zeigen, dass es möglich ist, mittels der Diplomatie und der Einrichtung wirkungsvoller Institutionen eine neue Qualität des Vertrauens zu schaffen. In der Politik muss man Wagnisse eingehen, um ein noch höheres Gut zu erreichen: den Frieden. Auf Grundlage dieser Strategie und mit unseren friedlichen Absichten werden Brasilien und Argentinien ihre Bande der Freundschaft und Zusammenarbeit weiter stärken – im Nuklearbereich wie auch in allen anderen Bereichen, die zur nachhaltigen Entwicklung unserer Länder und zum Wohl unserer Gesellschaften beitragen.

 

José Serra ist Außenminister Brasiliens, Susana Malcorra ist Außenministerin Argentiniens


 

Un nodo strategico per la cooperazione nucleare

Il 18 luglio scorso, abbiamo festeggiato il venticinquesimo anniversario della firma dell’Accordo di Guadalajara per l’Uso Esclusivamente Pacificio dell’Energia Nucleare, siglato tra Argentina e Brasile. Tra le sue innovazioni, l’accordo prevede la creazione dell’Agenzia Brasiliano-Argentina di Contabilità e Controllo dei Materiali Nucleari (ABACC), preposta a monitorare l’impegno assunto da entrambi i paesi al fine di perseguire, all’unisono, l’uso esclusivamente pacifico dell’energia nucleare e a gestire il Sistema Comune di Contabilità e Controllo dei Materiali Nucleari, recentemente costituito.

Nel dicembre del 1991, a distanza di alcuni mesi, i paesi hanno sottoscritto l’Accordo Quadripartitico con l’ABACC e l’Organismo Internazionale dell’Energia Atomica (OIEA). Per la prima volta Argentina e Brasile hanno preso parte ai negoziati, presso un organismo internazionale, costituendo un’unica delegazione. In poco tempo sono state tracciate le linee fondamentali del rapporto bilaterale strategico tra Argentina e Brasile, che hanno propiziato un’atmosfera di pace, di mutua fiducia e coperazione, che tutt’ora prevale.

Tenendo conto della priorità che attribuiamo al rapporto bilaterale, fondamento principale delle nostre rispettive azioni diplomatiche, è naturale che, essendo soci, la nostra attività sia integrata in vari settori. La ricettività che, con quest’obiettivo è accolta dalle nostre società, risponde in gran misura alla decisione di rafforzare la nostra cooperazione in campo nucleare.

Negli anni 70, vari fattori  storico-politici osteggiavamo un avvicinamento e complicavano i rapporti tra i nostri paesi. Il disaccordo sulla costruzione delle centrali di Itaipú e Corpus e i sospetti sollevati dai rispettivi programmi nucleari internazionali minacciavano di generare una spirale di insicurezza nella regione.

Nel processo di democratizzazione avvenuto in entrambi i paesi a partire dagli anni ’80, Argentina e Brasile hanno mutato radicalmente la percezione che avevano l’una per l’altro. Questa visione ha permesso di stabilire relazioni ad ampio spettro, caratterizzate dalla cooperazione e l’integrazione. I presidenti Raul Alfonsin e José Sarney hanno gicocato un ruolo chiave in questo cambiamento. E’ stata, altresì, importante la continuità di questo processo per i loro successori, i cui sforzi, sostenuti da un forte impegno da parte dei settori scientifico e diplomtico di entrambi i paesi, sono culminati nella creazione dell’ABACC.

Il processo di cooperazione bilaterale fa sì che oggi sia possibile dedicarci senza riserve, allo sviluppo dell’energia nucleare a fini esclusivamente pacifici, mirando a progressi tecnologici, economici e sociali. Attualmente, entrambi i paesi cooperano non solo nella verifica reciproca delle attività nucleari, ma anche in una serie di progetti congiunti che ambiscono a concretizzare la natura strategica dei nostri rapporti. E’ il caso della costruzione del Reattore Multiproposito Brasiliano e del RA-10 argentino, due progetti emblematici portati avanti in maniera congiunta, capaci di rifornire tutto il mercato regionale di radioisopo molibdeno-99, elemento chiave nell’industria mediacale. L’energia nucleare riveste un ruolo essenziale per lo sviluppo sostenibile, riducendo la necessità delle nostre economie di fare ricorso ai combustibili fossili.

Attraverso la creazione della Abacc e del Sistema Comune di Controllo dei Materiali Nucleari, i nostri negoziatori hanno stilato accordi, una volta impensabili, in un ambito altamente sensibile, grazie ai quali le ispezioni agli impianti nucleari argentini sono condotte da ispettori brasiliani e a sua volta le ispezioni agli impianti nucleari brasiliani sono a carico degli ispettori argentini. Più di 2500 ispezioni sono state realizzate dall’ Abacc, dalla sua creazione sino ad oggi, in stretta collaborazione con la OIEA, i cui risultati sono riportati in relazioni annuali pubblicate nel sito web. La ABACC partecipa, inoltre, come osservatore alle riunioni della Giunta dei Governatori dell’OIEA.

La fiducia che questa dinamica richiede e l’altro grado di reciprocità che la caratterizzano confermano,non solo la singolarità di rapporti tra Argentina e Brasile , ma anche il contributo dato alla regione e al mondo  grazie a un accordo paradigmatico in materia di sicurezza e non proliferazione.

La nostra esperienza con la ABACC dimostra che è possibile raggiungere alti livelli di fiducia attraverso la diplomazia e la creazione di istituzioni originali. In politica, è necessario saper rischiare in nome di un bene superiore: la pace. E’ sulla base di questa strategia e di questa vocazione pacifica che Argentina e Brasile continueranno il loro cammino, intrecciando sempre più saldamente vincoli di amicizia e cooperazione,  ambito nucleare come pure in tutti i campi che possano contribuire allo sviluppo sostenibile dei nostri paesi e al benessere delle nostre società.

José Serra e Susa Malcorra
Ministri degli Affari Esteri della Repubblica Federativa del Brasile e della Repubblica Argentina


 

巴西和阿根廷25年核合作

昨天,7月18日,我们一起纪念巴西和阿根廷签署核能只用于和平目的的《瓜达拉哈拉协议》25周年。《协议》决定建立巴西-阿根廷核材料衡算和控制机构(Abacc),以坚定不移地履行只将核能用于和平目的的承诺,和管理刚成立的共同核材料衡算和控制体系。

1991年岁末,两国同Abacc和国际原子能机构签署了《四方协议》。这是巴西和阿根廷首次作为一个代表团同国际机构谈判,也是巴西和阿根廷战略双边关系中的里程碑,为两国营造了和平、互信和合作的氛围。

我们各自外交行动中的优先重点之一是在多个领域综合发展合作伙伴关系。我们两国社会都非常同意加强我们在核领域合作的决定。

上世纪70年代,不同的政治和历史因素影响了我们两国之间的关系和沟通。关于建造伊泰普电站和库尔普斯电站的分歧和由国内各自相应核计划引发的猜忌像一个不安全因素威胁着本地区。

幸运的是,自80年代起两国的民主化进程为巴西和阿根廷开辟了一条根本的改革之路,两国相互理解,并开展一体化和广泛的合作。巴西总统若泽·萨尔内和阿根廷总统劳尔·阿方辛在这一变化中起到关键作用。他们的继任者,包括两国的科学家和外交官也为之付出巨大的努力,最终成功建立了巴西-阿根廷核材料衡算和控制机构 (Abacc)。

因为双边的合作,今天我们才能没有顾虑地将核能只用于和平目的,来推进技术、经济和社会发展。目前,巴西和阿根廷之间的合作不仅包括相互确认核能活动,还通过一系列联合项目来落实两国的战略关系。比如,作为两国联合进行的象征性项目 - 巴西多用途反应堆和阿根廷RA-10反应堆的建造,能够给整个区域的市场提供医疗行业所需的放射性同位素钼-99。

我们必须牢记核能对可持续发展起到至关重要的作用,同时也能减少我们经济对化石燃料的依赖。

通过建立巴西-阿根廷核材料衡算和控制机构 (Abacc)和共同的核材料衡算和控制体系,巴西检察员可以检查阿根廷的核能设施,反之亦然,能在如此敏感的领域进行合作这在之前是不可想象的。自建立以来,Abacc同国际原子能机构密切合作,在两国内开展了超过2500次检查,相关结果每年都通过网站予以公布。如今,Abacc以观察员身份参加国际原子能机构理事会会议。

其中的高度信任和互惠不仅见证了巴西和阿根廷两国关系的独特性,并且作为一个核能安全和防扩散的标志性协议,也对地区和世界作出了贡献。我们丰富的经验如今可以为世界其他仍处于谈判僵持状态的地区做典范。

我们在巴西-阿根廷核材料衡算和控制机构(Abacc)的经验表明,通过外交和成立新颖独创机构来建立信任是可行的。在政治上,我们应以和平的名义进行大胆尝试。正是基于这一战略与和平的使命,巴西和阿根廷将继续不断加强双方在核领域和其他所有那些有助于两国可持续发展、社会福利领域的友好合作关系。

 

巴西外交部长若泽·塞拉

阿根廷外交和宗教事务部长苏珊娜·马尔科拉


 

البرازيل والارجنتين: 25 عام من التعاون في مجال الطاقة النووية


احتفلنا يوم امس، 18 يوليو، بالذكرى الخامسة والعشرين لتوقيع اتفاقية جوادالاجارا بين البرازيل والارجنتين للاستخدام السلمي الحصري للطاقة النووية. وكانت من العناصر الجديدة التي ادخلتها الاتفاقية انشاء الوكالة البرازيلية الارجنتينية لتقييم ورقابة المواد النووية، التي قد انشئت لتراقب التزام البلدين في السعي التام للاستخدام السلمي الحصري للطاقة النوية، ولادارة النظام المشترك الذي انشئ حديثاً لتقييم ورقابة المواد النووية.

وبعد شهور قليلة، وفي عام 1991، وقع البلدان الاتفاقية الرباعية مع ادارة النظام المشترك لتقييم ورقابة المواد النووية، والوكالة الدولية للطاقة الذرية. وكانت تلك المرة الاولي التي تفاوض فيها كل من البرازيل والارجنتين في وفد مشترك هيئة دولية. وتم التوصل في فترة زمنية قصيرة، لمعالم هامة في العلاقات الاستراتيجية الثنائية بين البرازيل والارجنتين، مما ساعد في توطيد جو من السلام والثقة المتبادلة والتعاون بين البلدين.

اخذين في الاعتبار الاهمية التي نوليها لعلاقاتنا الثنائية، التي هي احد اسبقيات جهودنا الدبلوماسية، فمن الطبيعي ان نعمل معاً، بطريقة متكاملة، في عدة مجالات اخرى. ان التزام مجتمعينا بهذا الهدف يعود في جزء غير قليل للقرار الخاص بزيادة تعاوننا في المجال النووي.

وفي عام 1970، ادت عوامل سياسية وتاريخية لعرقلة اقامة روابط وعلاقات وثيقة بين بلدينا. فقد هدد عدم الاتفاق حول انشاء محطة إيتيبو وكوربوس، والشكوك حول برنامجينا الوطنيين للطاقة النووية، بخلق حالة متزايدة لانعدام الامن في منطقتنا.

ولحسن الحظ، فان عملية اعادة الديمقراطية في بلدينا، منذ الثمانينات حتى الآن، قد مهدت الطريق لتغيير جذري في الطريقة التي تنظر فيها كل من البرازيل والارجنتين لبعضها البعض، مما جعل من الممكن اقامة علاقات واسعة تتصف بالتعاون والتكامل. وقد لعب الرئيسان جوسية سارني وراؤول الفونسين دوراً رئيسياً في هذا التغيير، وواصل خلفائهما العملية، فقد تتوجت جهودهم، مع التزام قوي من قبل العلماء والدبلوماسيين من كلا البلدين في انشاء الوكالة البرازيلية الارجنتية لتقييم ورقابة المواد النووية.

واليوم، تسمح لنا عملية التعاون الثنائي بالعمل بدون خوف في تطوير الطاقة النووية للاغراض السلمية حصرياً بهدف تحقيق التقدم التكنولوجي والاقتصادي والاجتماعي. وتتعاون البرازيل والارجنتين حالياً ليس فقط للتحقق المتبادل من نشاطاتهما النووية ولكن ايضاً تتعاونان في سلسلة من المشروعات المشتركة التي تسعى لان تكون الطبيعة الاستراتيجية لعلاقاتنا ملموسة. وهذا هو الامر فيما يخص بناء المفاعل البرازيلي للبحوث متعدد الاغراض والمفاعل الارجنتيني لبحوث النشاط الاشعاعي 10، وكلاهما مشروعان رمزيان يداران بطريقة مشتركة من قبل البلدين، وهما قادران لتزويد كامل السوق الاقليمية بالنظائر المشعة الموليبدنيوم-99 التي هي ذات اهمية قصوى في الصناعات الطبية.

وعلينا ان نتذكر ان الطاقة النووية تلعب دوراً اساسياً في التنمية المستدامة وتقليل اعتماد اقتصادينا على الوقود الاحفوري.

فقد توصل مفاوضينا، عن طريق انشاء الوكالة البرازيلية الارجنتية لتقييم ورقابة المواد النووية والنظام المشترك لتقييم ورقابة المواد النووية، لترتيبات لم يكن سابقاً من الممكن التفكير فيها في مثل هذا المجال الحساس. وعن طريق هذه الترتيبات، يتم التفتيش على المنشآت الارجنتينية النووية من قبل مفتشين برازيليين ويتم التفتيش على النشآت البرازيليية النووية من قبل مفتشين ارجنتييين. وقد قامت الوكالة البرازيلية الارجنتينية لتقييم ورقابة المواد النووية منذ انشائها، بالتعاون الوطيد مع الوكالة الدولية للطاقة الذرية باكثر من 2500 تفتيش في كلا البلدين، وتنشر نتائج ذلك في تقارير الوكالة الدوليةفي موقعها على الانترنت. وتشارك الوكالة البرازيلية الارجنتية لتقييم ورقابة المواد النووية ايضاً كمراقب في اجتماعات مجلس محافظي الوكالة الدولية للطاقة الذرية.

ان هذه الفعالية تتطلب مستوى من الثقة ودرجة من التبادل تشهد ليس فقط على تفرد علاقات البرازيل والارجنتين، ولكن ايضاً على المساهمة الفعالة لصالح المنطقة والعالم، حيث ان اتفاقية جوادالاجارا بين البرازيل والارجنتين تعتبر نقلة نموذجية فيما يخص الامن وعدم الانتشار النووي. وهذه التجربة تستخدم اليوم كنموذج في كيفية تجاوز المأزق في مناطق اخرى.

وتبرهن تجربتنا في الوكالة البرازيلية الارجنتينية لتقييم ورقابة المواد النووية انه من الممكن خلق مستويات جديدة من الثقة عن طريق الدبلوماسية، وتأسيس مؤسسات اصلية. ومن المهم في السياسة ان يكون المرء جريئاً في السعي لتحقيق الصالح الاكبر: اي صالح السلام. وبناء على هذه الاستراتيجية وعلى توجههما السلمي، تستمر البرازبل والارجنتين في تقوية روابط وعلاقات الصداقة والتعاون بينهما في المجال النووي وفي كل المجالات الاخرى التى تساهم في التنمية المستدامة لبلدينا ورفاهية شعبينا.

 

جوسية سيرا، وزير الشؤون الخارجية – البرازيل
سوزانا مالكورا، وزيرة الشؤون الخارجية والعبادة - الارجنتين


 

브라질-아르헨티나 원자력 협력 25주년

 

지난 7월 18일, 브라질과 아르헨티나는 양국간 원자력의 평화적 이용에 대한 과달라하라 협정(Acordo de Guadalajara) 서명 25주년을 맞이했습니다. 이 협정으로 신설된 ‘핵물질 계량 및 통제를 위한 단일체제(Sistema Comum de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares)’를 운영하고, 원자력을 평화적인 목적으로 이용하기 위한 명백한 노력 등을 포괄하는 양국간의 약속을 확인하기 위해 ‘브라질-아르헨티나 핵물질 계량 및 통제기구(ABACC)’를 설치한 것이 혁신적인 점입니다.

몇 달 후인 1991년, 브라질과 아르헨티나 양국은 ABACC 및 국제원자력기구(IAEA)와 함께 4자 협정에 서명하였으며 이는 브라질과 아르헨티나가 공동 대표단으로써 국제기구와 협상한 최초 사례였습니다. 이로써, 단기간에, 브라질 아르헨티나 관계에 중요한 이정표를 세우며 양국간의 상호협조와 신뢰를 구축하였고 더불어 평화로운 분위기를 조성하였습니다.  

양국의 외교적 활동이 양자관계에 중점을 두는 점을 고려한다면, 다양한 분야에서 통합적인 방식으로 협력하는 것은 당연한 일입니다. 양국 사회가 이 목표를 수용하고 포옹하는 것은 핵분야 협력을 강화하고자 하는 양국 정부의 결정 덕분이었습니다.

70년대에는 다양한 역사적, 정치적인 요소 등이 브라질과 아르헨티나의 관계 개선을 저해하였습니다. 이타이푸(Itaipu) 및 코르푸스(Corpus) 발전소 건설에 대한 견해 차이, 각각 진행한 국가적인 핵 프로그램 개발 등으로 생겨난 불신으로 중남미지역에 소용돌이치는 불안감을 초래했습니다. 

다행히, 80년대부터 시작된 민주화 과정은 브라질과 아르헨티나가 서로를 인식하는데 있어 급진적인 변화를 가져다 주었습니다. 이러한 흐름으로 양국은 더 광범위한 통합과 협력관계를 시작하게 되었으며 조제 사르네이(José Sarney) 브라질 대통령과 라울 알폰신(Raúl Alfonsín) 아르헨티나 대통령이 이 변화에 있어 주도적인 역할을 했습니다. 또한 중요한 점은 이러한 과정이 후대에도 이어져 양국 과학자들과 외교관들의 헌신과 노력의 결과로 마침내 ABACC가 설립되었습니다.

양자간 협력 과정은 오늘날 우리가 평화적인 목적을 위해 과학기술, 경제, 사회의 발전을 목표로 원자력을 개발하는데 전념하는 것을 가능케 합니다. 현재, 브라질과 아르헨티나는 핵 관련 활동을 서로 살피는 것을 비롯해 양국간의 전략적인 관계 인식을 구체화하기 위한 다양한 공동 프로젝트 진행에 있어서도 협력하고 있습니다. 예를 들어, 브라질의 다목적 원자로와 아르헨티나의 RA-10 원자로 건설 등이 양국이 공동으로 진행한 상징적인 프로젝트로써 의료 산업의 핵심이 되는 방사성동위원소 몰리브데늄-99를 남미지역 전체에 공급할 수 있게 했습니다.

여기서 우리가 유념해야 할 점은, 원자력은 지속가능한 발전을 위해 그리고 우리 경제의 화석연료 의존도를 감소시키는데 필수적인 역할을 한다는 것입니다.

ABACC의 설립과 핵물질의 산정과 통제를 위한 단일체제를 통해 아르헨티나 핵시설은 브라질측 사찰단으로부터 핵사찰을 받고, 브라질 핵시설은 아르헨티나측 사찰단이 핵 사찰을 실시하는 등 원자력이라는 예민한 분야에서 이전에는 상상도 못할 외교적 협상을 이끌어냈습니다. ABACC의 설립 이래, AIEA와의 긴밀한 협력 하에 양국에서는 2500번 이상의 사찰을 실시했으며 이에 대한 보고서를 매년 웹사이트에 공개하고 있습니다. 그리고 현재 ABACC는 AIEA의 이사회 회의에 옵서버(참관인) 자격으로 참가하고 있습니다.

이 역동적인 교류가 요구하는 깊은 신뢰와 고도의 상호주의는 브라질-아르헨티나 특유의 관계를 증명할 뿐 아니라 핵 안보 및 비핵화 분야의 실용주의적인 합의안으로써 중남미 지역과 전 세계에 기여했습니다. 오늘날, 이러한 다채로운 경험은 교착상태에 빠진 세계의 다른 지역 문제 또한 해결할 수 있는 본보기가 될 수 있을 것입니다.

우리가 ABACC로 얻은 경험이 제시하는 교훈은 독창적인 기구의 설립과 외교를 통해 새로운 단계의 신뢰를 도모할 수 있다는 것입니다. 정치에서는 평화라는 공익을 위해서 모험을 감행할 수 있어야 합니다. 이러한 전략과 평화를 위한 소명의식을 바탕으로 브라질과 아르헨티나는 양국간의 유대를 더욱 강화하고 원자력 분야 협력에 있어 그리고 양국 사회의 안녕과 지속가능한 발전을 가능케 하는 그 모든 것을 위한 노력을 이어갈 것입니다.

 

브라질 외교부 장관 조제 세하(José Serra)

아르헨티나 외교종교부 장관 수사나 말코라(Susana Malcorra)


 

Brazil i Argentina: 25 godina nuklearne suradnje

Jučer, 18. srpnja, proslavili smo dvadeset i petu godišnjicu potpisivanja Sporazuma iz Guadalajare između Brazila i Argentine o isključivo miroljubivom korištenju nuklearne energije. Među novim elementima koje je sporazum uveo bila je brazilsko-argentinska Agencija za računovodstvo i kontrolu nuklearnih materijala (ABACC), koja je stvorena kako bi nadzirala predanost dviju zemalja nedvosmislenom provođenju isključivo miroljubivog korištenja nuklearne energije i administriranju novostvorenog Zajedničkog sustava za računovodstvo i kontrolu nuklearnih materijala.

Nekoliko mjeseci kasnije, 1991. godine, te dvije zemlje potpisale su Sporazum s ABACC-om i Međunarodnom agencijom za atomsku energiju (IAEA). Bio je to prvi puta da su Brazil i Argentina kroz pregovore dogovorili zajedničko izaslanstvo s međunarodnim tijelom. U kratkom vremenskom razdoblju došlo je do važnih prekretnica u strateškom bilateralnom odnosu između Brazila i Argentine koje su doprinijele uspostavi atmosfere mira, međusobnog povjerenja i suradnje koja i dalje vlada među dvjema zemljama.

S obzirom na važnost koju pridajemo našem bilateralnom odnosu, kao jednom od prioriteta naših diplomatskih napora, prirodno je da radimo zajedno, na integrirani način, u mnogim različitim područjima. Za predanost obaju naših društava ovome cilju zaslužna je, i ne u maloj mjeri, odluka o povećanju naše suradnje u nuklearnom području.

1970-tih, različiti politički i povijesni čimbenici sprječavali su ostvarenje boljih odnosa između naših zemalja. Nesuglasice oko izgradnje elektranâ Itaipu i Corpus te sumnje koje su stvorili naši nacionalni nuklearni programi prijetili su stvaranjem situacije rastuće nesigurnosti u našoj regiji.

Srećom, proces re-demokratizacije u obje naše države, koji se odvio nakon 1980-ih, otvorio je put radikalnoj transformaciji načina na koji Brazil i Argentina gledaju jedni na druge, omogućujući širi odnos okarakteriziran suradnjom i integracijom. Predsjednici José Sarney i Raul Alfonsín  odigrali su ključnu ulogu u ovoj promjeni. Proces su nastavili njihovi nasljednici, čiji su napori, zajedno sa snažnom predanošću znanstvenika i diplomata iz obje zemlje, kulminirali stvaranjem ABACC-a.

Danas nam proces bilateralne suradnje omogućuje da se bez straha uključimo u razvoj nuklearne energije isključivo u miroljubive svrhe, s ciljem postizanja tehnološkog, ekonomskog i društvenog napretka. Brazil i Argentina trenutačno surađuju ne samo u uzajamnoj provjeri svojih nuklearnih aktivnosti, nego i na nizu zajedničkih projekata čiji je cilj ostvarenje strateške prirode našeg odnosa. Upravo je takav slučaj izgradnja brazilskog Višenamjenskog istraživačkog reaktora i argentinskog RA-10 istraživačkog reaktora - dva značajna projekta koja zajedno provode obje zemlje imaju kapacitet za opskrbu cijelog regionalnog tržišta radioizotopom molibdenom-99, koji je iznimno važan u medicinskoj industriji.

Moramo se prisjetiti da nuklearna energija ima ključnu ulogu u održivom razvoju i smanjenju ovisnosti naših gospodarstava o fosilnim gorivima.

Stvaranjem ABACC-a i Zajedničkog sustava za kontrolu nuklearnih materijala, naši pregovarači postigli su dogovor koji je ranije bio nezamisliv u tako osjetljivom području. Prema spomenutom dogovoru, provjere argentinskih nuklearnih postrojenja provode brazilski inspektori, dok one brazilskih nuklearnih postrojenja provode argentinski inspektori. Od svog nastanka, ABACC, u bliskoj suradnji s IAEA-om, proveo je više od 2.500 inspekcija u obje zemlje, a čiji su rezultati objavljeni u godišnjim izvješćima na službenoj internetskoj stranici Agencije. ABACC sudjeluje i na sastancima Odbora guvernera Međunarodne agencije za atomsku energiju kao promatrač.

Ova dinamika zahtijeva određenu razinu povjerenja i određeni stupanj reciprociteta koji svjedoče ne samo o jedinstvenosti odnosa između Brazila i Argentine, nego i o njegovom doprinosu u regiji i svijetu,  budući da je riječ o ugovoru koji je paradigmatski u pogledu sigurnosti i neširenja nuklearnog naoružanja. Ovo iskustvo danas služi kao model za prevladavanje prepreka i u drugim regijama.

Naše iskustvo s ABAAC-om pokazuje da je moguće stvoriti nove razine povjerenja putem diplomacije i stvaranja originalnih institucija. U politici je neophodno biti odvažan u potrazi za većim dobrom: mirom. Ovom strategijom i našim miroljubivim pozivom, Brazil i Argentina i dalje će jačati svoje prijateljske veze i suradnju, kako u nuklearnom polju tako i na svim drugim područjima koji pridonose održivom razvoju naših zemalja i dobrobiti naših naroda.

 

José Serra, ministar vanjskih poslova, Brazil
Susana Malcorra, ministrica vanjskih poslova i bogoštovlja, Argentina


Brazilië en Argentinië: 25 jaar van nucleaire samenwerking

De Ware Tijd, 1/11/2016

Op 18 juli vierden Brazilië en Argentinië het feit dat ze 25 jaar geleden het Guadalajara Akkoord hebben getekend, waarin is vastgelegd dat ze nucleaire energie slechts positief zullen gebruiken. Nieuwe zaken die voortvloeiden uit het akkoord waren onder meer het stichten van het Braziliaans-Argentijnse Agentschap voor Verantwoording en Controle van Nucleaire Stoffen (ABACC), dat erop moet toezien dat de twee landen de nucleaire energie werkelijk voor positieve doeleinden gebruiken en om de daarbij gecreëerde Cornmon System for Accounting and Control of Nuclear Materials te beheren.

Een paar maanden later, in 1991, tekenden de twee landen als Abacc een verbintenis met het Internationaal Atoomagentschap (IAEA). Het was de eerste keer dat Brazilië en Argentinië gezamenlijk hadden onderhandeld met een internationaal orgaan. Korte tijd daarna werden belangrijke mijlpalen bereikt in de strategische bilaterale samenwerking tussen de twee landen, waardoor de basis was gelegd voor een vredelievende sfeer, wederzijds vertrouwen en samenwerking.

De ministers van Buitenlandse Zaken, José Serra van Brazilië en de Argentijnse Susana Malcorra, zeggen dat gezien de belangrijkheid van de bilaterale relatie, die voor beide diplomatieke posten prioriteit is, het logisch gevolg is dat er ook op diverse andere gebieden wordt samengewerkt. Dit alles wordt gezien als uitvloeisel van de verdieping van de samenwerking op nucleair gebied.

Radicale ommezwaai
In de jaren zeventig zorgden verschillende politieke en historische factoren ervoor dat de twee landen ver uit elkaar lagen. Onenigheid over de constructies van de Itaipu en Corpus-krachtcentrales en wantrouwen over elkaars nucleaire programma's betekenden dat de situatie in de regio lange tijd instabiel was.

 Gelukkig, zeggen Serra en Malcorra, nam de democratie over in beide landen en vanaf de jaren tachtig was de weg geplaveid voor een radicale ommezwaai in de manier waarop Brazilië en Argentinië elkaar benaderden. Ook was de basis gelegd voor het verbreden van de relatie met samenwerking en integratie als speerpunten. De respectieve presidenten, José Sarney van Brazilië en Raul Alfonsmn van Argentinië, speelden een sleutelrol in deze verandering. Hun opvolgers bleven op de ingeslagen weg en hun inspanningen, gecombineerd met sterke inbreng van wetenschappelijke en diplomatieke officials van beide landen, resulteerde in de oprichting van de Abacc.

De bilaterale samenwerking stelt de twee landen verder te gaan zonder vrees dat de nucleaire energie voor andere dan positieve doeleinden zal worden gebruikt, maar juist ten technologisch, economisch en sociaal voordeel. Brazilië en Argentinië werken niet alleen samen in hun wederzijdse bekrachtiging van hun nucleaire activiteiten, maar ook in gezamenlijke projecten die als doel hebben de strategische aard van hun relatie te concretiseren. Dit is onder meer het geval bij de bouw van de Braziliaanse Multipurpose Research Reactor en Argentiniës RA-io Research Reactor, die in staat zullen zijn de hele regio te voorzien van de radioisotoop Molybdenum-99, die erg belangrijk is voor de medische industrie. De ministers benadrukken dat nucleaire energie een essentiële rol speelt in de duurzame ontwikke ling en in het terugbrengen van de afhankelijkheid van fossiele brandstof.

Voorbeeld
Door de oprichting van het Abacc en de Common System for Control of Nuclear Materials, hebben de onderhandelaars successen geboekt die voorheen als ondenkbaar zouden worden beschouwd. Als uitvloeisel van dit akkoord worden Argentijnse nucleaire installaties geïnspecteerd door Brazilianen en omgekeerd. Het Abacc heeft in haar bestaan, in nauwe samenwerking met de IAEA, al meer dan 2.500 inspecties uitgevoerd in beide landen, waarvan de resultaten gepubliceerd worden in jaarlijkse rappdrten, die op de website worden geplaatst. Abacc is ook waarnemer bij meetings van IAEA's Board of Governors.

Deze dynamiek vereist een grote mate van vertrouwen en enige mate van wisselwerking die niet alleen getuigt van de ongeëvenaarde Brazilië/Argentinië-relatie, maar ze draagt ook bij aan die binnen de regio en de wereld. Het akkoord dienst als voorbeeld voor de veiligheid en non-proliferatie. Deze ervaring dient als model hoe impasses overbrugd kunnen worden binnen andere regio's van de wereld, vinden Serra en Malcorra.

Hun ervaring met het Abacc toont dat het mogelijk is om via diplomatie wederzijds vertrouwen te hebben en originele instituten te stichten. In de politiek is het nodig om moedig te zijn in het streven naar een groter goed: dat van vrede. In het verlengde hiervan zullen Brazilië en Argentinië hun vriendschapsband blijven verstevigen op nucleair gebied, maar ook op andere vlakken die bijdragen aan de duurzame ontwikkeling van hun land en welvaart van hun bevolking.

José Serra, Minister van Buitenlandse Zaken van Brazilië
Susana Malcorra, Minister van Buitenlandse Zaken en de verering van Argentinië


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